Esta revista é de direita e critica o ativismo do Supremo desde o título. Por isso mesmo o fato tem de estar certo. Eu gravei um vídeo de opinião sobre este assunto. Depois fui conferir cada frase em fonte, com data. O que ficou de pé está aqui. O que não ficou também, com todas as letras. Onde eu opino, está escrito "Minha opinião" ou "Minha leitura".
Existe pedido de trégua do Supremo Tribunal Federal (STF) à direita? Existe notícia de bastidor, de jornalistas conhecidos, de que uma ala do tribunal quer um acordo político. Não existe ministro dizendo isso em público, com nome e sobrenome. E a resposta pública da direita, na voz do senador Rogério Marinho, foi esta: "não haverá vingança", mas "também não haverá omissão".
O que mudou de verdade foi a conta do Senado. A direita saiu da urna com 48 das 81 cadeiras pela filiação partidária. Para tirar um ministro do STF do cargo são precisos 54 votos.

O que aconteceu nos três dias depois da urna?
No domingo, 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 45,16%. O PL elegeu 19 senadores de uma vez.
Na terça-feira, 6 de outubro, às 4h24, a CNN Brasil publicou a reportagem que deu origem a tudo. O título: "Ala do STF quer acordo político em meio à ameaça de impeachment". Os autores são Jussara Soares e Caio Junqueira.

| Dia | O que aconteceu | Quem publicou |
|---|---|---|
| 4/10, domingo | Primeiro turno: Flávio 47,03%, Lula 45,16%. O PL elege 19 senadores | TSE, Rádio Senado |
| 4/10, à noite | Flávio diz que poderá indicar ao menos quatro ministros ao STF | PlatôBR |
| 5/10, segunda | A bolsa sobe 7,70% e o dólar fecha em R$ 5,00 | InfoMoney, CNN Brasil |
| 5/10 | A Folha publica que ministros ainda creem em "acomodação" com o bolsonarismo | Folha, via Direto Notícias |
| 5/10 | Vem a público que Moraes arquivou uma investigação contra Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio | Brasil em Folhas |
| 6/10, terça, 4h24 | CNN: uma ala do STF quer acordo político, e o PL rejeita | CNN Brasil |
| 6/10, à tarde | Rogério Marinho se reúne com Edson Fachin, presidente do STF | CNN Brasil, Gazeta do Povo |
| 6/10 | Moraes concede o regime semiaberto a Débora Rodrigues dos Santos | Conexão Marília |
| 6/10, 21h25 | Coluna da Gazeta do Povo: ministros "querem negociar com Flávio" | Gazeta do Povo |
| 7/10, quarta | Marinho nega acordo para poupar Moraes | NC News |
| 7/10 | Correio Braziliense: o STF "reduz tom" depois do primeiro turno | Estado de Minas |
O STF pediu trégua? O que as reportagens dizem
São três textos, de três veículos. Nenhum traz ministro falando em público.
A CNN Brasil escreve que "há um grupo dentro do Supremo Tribunal Federal que defende buscar um diálogo com uma ala dentro do bolsonarismo". Segundo a reportagem, a conversa incluiria rever a prisão de Jair Bolsonaro e aprovar a anistia dos condenados do 8 de janeiro. Em troca, os ministros seriam preservados. A fonte são "interlocutores de Flávio Bolsonaro", sem nome.
A Folha de S.Paulo usou outra palavra: "acomodação". Segundo o texto, reproduzido pelo Direto Notícias, ministros acreditam em "distensão no médio prazo". Um deles teria dito a auxiliares que vê "exageros na condução das investigações sobre a trama golpista". A própria Folha avisa que essa leitura "não é unânime" no tribunal.
A Gazeta do Povo, na coluna de Renan Ramalho, de 6 de outubro, às 21h25, fala em "acordo de contenção de danos". A coluna lista o que cada lado quer.
| Assunto | O que o PL quer, segundo a coluna | O que ministros aceitam, segundo a coluna |
|---|---|---|
| Alexandre de Moraes | Impeachment, tratado como inegociável | Sem acordo |
| Presos do 8 de janeiro e Jair Bolsonaro | Anistia | Em discussão |
| Decisão de um ministro sozinho | Fim | Prazo mais curto e envio automático ao plenário |
| Mandato de ministro | Mandato fixo | Só para os futuros ministros |
Três cuidados para ler isso.
O primeiro: tudo é bastidor. Bastidor é informação passada por gente que não quer aparecer. Pode ser verdade. Não é prova.
O segundo: as reportagens não dizem que os ministros "procuraram a direita" para pedir alguma coisa. A CNN conta o contrário em um ponto: foi Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, que procurou os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. E a reunião com Fachin foi pedida por Marinho um mês antes da eleição.
O terceiro: eu não achei, em nenhum veículo, ministro querendo "pedir desculpas". Essa frase estava no meu vídeo. Ela não tem fonte.
Houve desmentido? Do STF, eu não encontrei nota oficial nem confirmando nem negando. Fachin não falou com a imprensa depois da reunião, segundo a CNN Brasil. Do lado da direita, Marinho negou na quarta-feira, 7 de outubro, que exista acordo político para evitar o impeachment de Moraes, segundo o NC News.

A direita respondeu não?
Respondeu, mas com outras palavras, e é bom saber quais.
A CNN Brasil publicou que o PL "rejeitou" o acordo e que o objetivo do partido continua sendo o impeachment de Alexandre de Moraes e, possivelmente, de Flávio Dino em 2027. Impeachment, aqui, é o processo que tira o ministro do cargo. De novo, a fonte é anônima. Não há frase de Flávio Bolsonaro nem de Valdemar Costa Neto dizendo "não" a um acordo.
O que há, com nome, data e aspas, é isto.
Rogério Marinho (PL-RN), depois de sair do gabinete de Fachin, em 6 de outubro: "não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão" (Gazeta do Povo). E mais: "Deixamos claro que, na hora que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do STF, o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido" (CNN Brasil e Midiamax). E ainda: "Vamos cumprir a Constituição e a lei, não temos espírito de vingança".
Gustavo Gayer (PL-GO), senador eleito, na coluna da Gazeta do Povo: "O recado que já está sendo dado para o STF é o seguinte: o Moraes vai cair. Não existe a possibilidade de ele ficar. Qualquer outra coisa, poderemos sentar e conversar".
José Medeiros (PL-MT), senador eleito, em 5 de outubro: vai votar em Marinho para presidente do Senado e quer "já no começo do ano, processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e Flávio Dino" (Muvuca Popular).

Repare que o próprio Marinho disse que pretende conversar com Moraes e Dino depois da eleição. A porta ficou fechada para um acordo que poupe ministro. Para conversa, não.
As decisões estão "voltando atrás"?
O Correio Braziliense publicou em 7 de outubro que o STF "reduz tom contra bolsonarismo após 1º turno". O jornal juntou quatro decisões tomadas em 48 horas. Eu fui ver cada uma.
| Decisão | Quando | O que foi decidido | Detalhe que o vídeo não tinha |
|---|---|---|---|
| Débora Rodrigues dos Santos | 6/10/2026 | Moraes concedeu o regime semiaberto | Ela já estava em casa desde 28 de março de 2025 |
| Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio | setembro de 2026 | Moraes arquivou uma investigação, a pedido da PGR | É um processo. Os outros continuam |
| Visita de Flávio ao pai | 5 e 6/10/2026 | Moraes pediu a opinião da PGR, que não se opôs | Até 7/10 a decisão não tinha saído |
| Alfredo Gaspar, vice de Flávio | 6/10/2026 | Gilmar Mendes arquivou uma denúncia contra ele | Decisão de outro ministro |
Débora foi para casa agora?
Não. Débora Rodrigues dos Santos, a cabeleireira que escreveu "perdeu, mané" com batom na estátua em frente ao STF, está em prisão domiciliar desde 28 de março de 2025. Prisão domiciliar é cumprir a prisão dentro de casa. Quem decidiu foi Alexandre de Moraes, a pedido do procurador-geral Paulo Gonet. O motivo, segundo O Povo: ela é mãe de dois filhos com menos de 12 anos. Ela estava presa desde março de 2023.
A Primeira Turma do STF a condenou a 14 anos. Em setembro de 2025, ela começou a cumprir a pena, ainda em casa, segundo o Poder360.
O que saiu em 6 de outubro de 2026 foi outra coisa: a passagem para o regime semiaberto. É o regime em que o preso pode sair de dia para trabalhar e estudar. Moraes descontou 212 dias da pena: 108 por trabalho na cadeia, 100 pela aprovação no Enem e 4 pela leitura de um livro. A Procuradoria-Geral da República (PGR), que é o órgão de acusação, deu parecer a favor. A frase da decisão, segundo o Conexão Marília: "defiro a progressão para o regime semiaberto à sentenciada Débora Rodrigues dos Santos, mantendo sua atual prisão domiciliar".
Foi dois dias depois da eleição. Isso é fato. Dizer que foi por causa da eleição é leitura, e a decisão não diz isso: ela fala em requisitos da lei.
O processo de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio foi suspenso?
Suspenso, não. Um deles foi arquivado. Arquivar é encerrar a investigação sem acusação.
O processo é a Petição 12.404. Ele apurava uma suposta campanha de ataques contra o delegado da Polícia Federal Fábio Shor. Também eram investigados o senador Marcos do Val e Ed Raposo. A PGR pediu o arquivamento. Para a Procuradoria, não havia "articulação estruturada para incitar crimes" e o caso seria, no máximo, de crime contra a honra, que depende de queixa do ofendido.
A data da decisão é de setembro de 2026. Os veículos divergem: uns falam em dia 4, outros em dia 10. O Correio Braziliense fala em 6 de outubro. Todos concordam em um ponto: a notícia veio a público em 5 de outubro, um dia depois da eleição.
A situação dos dois hoje:
- Oswaldo Eustáquio está fora do Brasil. Ainda existe outra ordem de prisão contra ele, na Petição 10.775, segundo o blog do Gilberto Léda. A PGR o denunciou em agosto por associação criminosa, segundo o Brasil em Folhas. A defesa disse que vai pedir a revogação da prisão.
- Allan dos Santos também está fora do Brasil e é alvo de outras investigações desde 2021, segundo o Terra Brasil Notícias.

Minha leitura. As quatro decisões têm base na lei e duas têm parecer da PGR. Nenhuma delas é ilegal por ser favorável. O que chama a atenção é o calendário: todas saíram ou apareceram nas 72 horas depois de o PL eleger 19 senadores. Eu não tenho como provar que uma coisa causou a outra. Tenho como mostrar as datas, e elas estão na tabela.
O que Rogério Marinho disse sobre o Senado?
No vídeo eu disse que Marinho avisou: em fevereiro Alcolumbre cai, ele assume e a primeira pauta do ano será impeachment de ministro. Essa frase, do jeito que eu falei, eu não encontrei em lugar nenhum.
O que Marinho disse, com data:
- Em 25 de setembro de 2026, à revista Veja: "Se eu for presidente do Senado, vou implementar a mudança do rito". Rito é o passo a passo do processo. A proposta: "Se 49 senadores assinarem um pedido de cassação, a abertura do processo será automática".
- Em 6 de outubro de 2026, depois da reunião com Fachin: "o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido". Ele criticou Davi Alcolumbre por não dar andamento a mais de 100 pedidos.
Marinho é candidato a presidente do Senado. O PlatôBR escreveu em 7 de outubro que ele "já se movimenta abertamente" para isso. Quem falou em impeachment "já no começo do ano" foi o senador eleito José Medeiros, e não Marinho.

Como é a eleição do presidente do Senado?
Ela acontece em fevereiro de 2027, na primeira sessão dos novos senadores. O voto é secreto. Ganha quem tiver 41 votos, que é a metade mais um dos 81. As informações são da coluna de Sílvio Ribas, na Gazeta do Povo.
Alcolumbre não "cai" sozinho. O mandato dele na presidência termina em 1º de fevereiro de 2027 e ele pode tentar de novo. Segundo a mesma coluna, ele "tudo fará para continuar no posto". A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece como candidata. Em 2023, Marinho disputou e perdeu: teve 32 votos contra 49 de Rodrigo Pacheco.
O cargo importa por um motivo simples. Hoje é o presidente do Senado quem decide se um pedido de impeachment anda ou fica na gaveta. Eu expliquei isso em São 109 pedidos de impeachment contra o Supremo.

Como fica o Senado a partir de 2027?
O PL passa de 15 para 28 senadores. É a maior bancada, segundo a Rádio Senado.

| Partido | Cadeiras em 2027 | Campo |
|---|---|---|
| PL | 28 | Direita |
| PT | 9 | Esquerda |
| MDB | 8 | Centro |
| União Brasil | 6 | Direita |
| PP | 6 | Direita |
| Republicanos | 5 | Direita |
| PSD | 5 | Centro |
| PSB | 4 | Esquerda |
| Novo | 3 | Direita |
| PSDB | 2 | Centro |
| Podemos | 2 | Centro |
| Rede | 1 | Esquerda |
| PDT | 1 | Esquerda |
| Sem partido | 1 | |
| Total | 81 |
Fontes: Rádio Senado, Senado Notícias e Exame, 5 de outubro de 2026. A CNN Brasil publica União com 5 e Republicanos com 6. A divisão por campo é minha, pela filiação. A lista ainda pode mudar: senador que virar governador ou ministro dá lugar ao suplente.
Somando por campo: 48 na direita, 17 no centro, 15 na esquerda e 1 sem partido. Na noite da apuração eu tinha escrito 49, com a parcial do TSE. A conta fechada está em Senado: a direita lidera e os 54 votos.

O que a Constituição exige para afastar um ministro do STF?
O artigo 52 da Constituição diz que só o Senado julga ministro do Supremo por crime de responsabilidade. Crime de responsabilidade é a falta grave no exercício do cargo, descrita na Lei 1.079, de 1950. A Câmara não participa.
Para condenar, são precisos dois terços dos senadores: 54 de 81. A pena é perder o cargo e ficar oito anos sem poder ocupar função pública. Não há prisão nesse processo.
A régua dos votos no Senado
Fontes: Constituição, art. 52; Gazeta do Povo; CNN Brasil; Ranking dos Políticos, via InfoMoney
Existem três contas diferentes circulando, e nenhuma é placar de votação.
A do PL, publicada pela CNN Brasil: 49 votos a favor do impeachment de Moraes. Faltariam 5.
A do Metrópoles, de 5 de outubro: 49 senadores já defenderam impeachment de algum ministro. São 32 eleitos agora e 17 que já estavam lá.
A do Ranking dos Políticos, publicada pelo InfoMoney: 54 favoráveis, 6 contra e 21 sem posição. O levantamento avisa que mede opinião pública sobre o instrumento, e não voto em um processo específico.
Há uma barreira a mais, e ela veio do próprio STF. Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes deu uma liminar, que é uma decisão provisória. Ela passou a exigir os mesmos 54 votos já para abrir o processo. Antes bastava a maioria dos presentes. Dias depois, ele voltou atrás em outro ponto, e qualquer cidadão continua podendo apresentar o pedido. A exigência dos 54 votos ficou de pé, e o plenário do STF ainda ia julgar o caso, segundo a Rádio Senado.

Quantos pedidos de impeachment existem hoje?
| O que | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Pedidos contra ministros do STF desde 2021 | 121 | SBT News, 22/9/2026 |
| Pedidos parados no Senado, segundo Marinho | mais de 100 | CNN Brasil, 6/10/2026 |
| Pedidos novos de 1º a 21 de setembro de 2026 | 21 | SBT News |
| Pedidos que tiveram andamento | nenhum | SBT News |
| Ministros do STF afastados por impeachment na história | nenhum | Senado |
Os 21 pedidos de setembro de 2026, por ministro
Fonte: sistema do Senado, via SBT News, 22 de setembro de 2026
Os números mudam de veículo para veículo, porque cada um conta de uma data. Em 4 de setembro, a Gazeta do Povo falava em 109 pedidos, 55 deles contra Moraes.
E o dólar, a bolsa e os impostos?
No vídeo eu juntei três frases de economia. Cada uma tem um resultado diferente.
"Dólar despenca, bolsa sobe." Confere, com data. Em 5 de outubro de 2026, a bolsa subiu 7,70% e fechou em 206.911 pontos. Foi a maior alta em mais de seis anos, segundo o InfoMoney. O dólar caiu 4,12% e fechou em R$ 5,00, segundo a CNN Brasil. Os detalhes estão em Bolsa sobe 7,7%, dólar cai a R$ 5.
"Flávio bateu o martelo sobre cortar impostos pela metade." Sem fonte. O plano de governo registrado no TSE promete "reduzir efetivamente a carga sobre a produção e o consumo" e "reduzir o IVA", o novo imposto sobre o consumo (páginas 71 e 72). Não há número. Em 1º de agosto, Flávio prometeu "o maior corte de carga tributária da história do País", também sem número. "Pela metade" eu não achei em documento nem em discurso. O plano está explicado em 22 coisas que mudam no Brasil se Flávio ganhar.
"Lula dobrou os impostos." Falso do jeito que eu falei. A carga tributária, que é quanto de tudo o que o país produz vira imposto, subiu de 31,2% em 2022 para 32,4% em 2025. É o recorde da série do Tesouro, segundo o Poder360. O mesmo site contou pelo menos 27 medidas de aumento de imposto desde 2023. Subiu. Dobrar seria passar de 60%.
Seis anos de quê? Os fatos, com data
No vídeo eu falei em "seis anos censurando, derrubando conta, prendendo". Tirando os verbos, que são opinião minha, os fatos com data são estes.
- 14 de março de 2019. O STF abre o inquérito das fake news, sem pedido do Ministério Público. Alexandre de Moraes é o relator. São sete anos e meio, e não seis. O inquérito segue aberto e em sigilo, segundo o Poder360.
- 15 de abril de 2019. Moraes manda a revista Crusoé e o site O Antagonista tirarem do ar uma reportagem sobre o ministro Dias Toffoli, com multa de R$ 100 mil por dia. Três dias depois, em 18 de abril, ele mesmo revoga a ordem.
- 2022. Perfis de deputados são bloqueados nas redes. Em 8 de dezembro, Moraes manda desbloquear quatro deles e mantém suspenso o de Carla Zambelli, segundo a Jovem Pan.
- 8 de janeiro de 2023. Os prédios dos três Poderes são invadidos. Em três anos, o STF condenou 835 pessoas, segundo o Poder360.
- 30 de agosto de 2024. Moraes manda suspender a rede X no Brasil inteiro. A rede volta em 8 de outubro, depois de pagar R$ 28,6 milhões em multas, segundo o Conjur.
Uma história de quem viveu isso por dentro está em O refugiado do 8 de janeiro. O caminho todo, de 2013 até a urna, está em O Brasil parou de ter medo.

O que o vídeo dizia e o que a apuração mostra
| O que eu disse no vídeo | O que eu encontrei | Situação |
|---|---|---|
| Ministros do STF pediram trégua e ofereceram acordo | CNN, Folha e Gazeta relatam, por fontes anônimas, uma ala que quer diálogo ou "acordão". Nenhum ministro falou em público | Confere em parte |
| Querem conversar, explicar e pedir desculpas | "Pedir desculpas" não aparece em nenhuma reportagem | Sem fonte |
| A direita respondeu não | CNN: o PL rejeitou. Marinho: "não haverá vingança", "também não haverá omissão" | Confere em parte |
| Débora passou a cumprir pena em casa agora | Está em casa desde 28/3/2025. Em 6/10/2026 ganhou o semiaberto | Confere em parte |
| Suspenderam o processo de Eustáquio e Allan dos Santos | Um processo foi arquivado, a pedido da PGR. Há outros abertos | Confere em parte |
| Marinho avisou que Alcolumbre cai e a primeira pauta é impeachment | Marinho é candidato e disse que o Senado "não vai se omitir". A frase do vídeo não existe | Confere em parte |
| O PL pôs dois nomes na mira: Dino e Moraes | CNN Brasil, PlatôBR e a fala de José Medeiros | Confere |
| A direita tem maioria no novo Senado | 48 de 81 pela filiação. Faltam 6 para os 54 | Confere |
| Dólar despenca, bolsa sobe | Dólar a R$ 5,00 e bolsa em alta de 7,70% em 5/10/2026 | Confere |
| Flávio vai cortar impostos pela metade | O plano promete reduzir, sem número | Sem fonte |
| Lula dobrou os impostos | Carga de 31,2% para 32,4% do PIB | Falso |
| Seis anos censurando, derrubando conta, prendendo | Os fatos existem, com data. O inquérito tem sete anos e meio. Os verbos são opinião | Confere em parte |
O que joga contra, e entra
"Se é tudo bastidor, por que publicar?" Porque três veículos diferentes contaram a mesma história em 48 horas, e a reunião de Marinho com Fachin aconteceu de verdade. Eu publico dizendo de quem é a informação. Tratar bastidor como fato provado seria enganar você.
"As decisões de Moraes foram dentro da lei." Foram. O semiaberto de Débora tem conta de dias e parecer da PGR. O arquivamento foi pedido pela PGR. Quem critica o STF por decidir contra a lei não pode reclamar quando ele decide conforme a lei.
"Quem procurou quem?" Segundo a CNN, Marinho procurou Gilmar Mendes e Zanin, e pediu a reunião com Fachin um mês antes. A frase "os ministros vieram atrás" conta só metade.
"48 cadeiras não são 48 votos." Verdade. Há senador de União e PP que nunca apoiou impeachment de ministro. E há senador de MDB e Podemos que já apoiou. Partido é pista, e não promessa.
"Mesmo com 54, existe a liminar do Gilmar." Existe. Hoje ela exige os 54 votos já para abrir o processo. Só o plenário do STF ou uma lei nova mudam isso.
"Impeachment de ministro nunca aconteceu." Nunca. Nenhum pedido andou até hoje. Quem diz que "vai cair" está prometendo algo inédito.
"A eleição não acabou." O segundo turno é em 25 de outubro de 2026. O Senado novo só toma posse em fevereiro de 2027.
Então, é trégua ou não é?
Minha opinião. Se a conversa descrita pela CNN aconteceu, ela diz muito. Ninguém procura acordo com quem acabou de ganhar força se acha que fez tudo certo. Para mim, quem fala em acordo dois dias depois da urna sabe que passou do ponto em algum momento. Isso é leitura minha. As reportagens não dizem isso, e nenhum ministro admitiu erro.
O que eu defendo é mais simples. Disputa entre Poderes não se resolve em jantar nem em recado. O artigo 52 da Constituição já diz onde: no Senado, com voto aberto no julgamento, direito de defesa e 54 votos. Se houver crime de responsabilidade, julga-se. Se não houver, arquiva-se. Nos dois casos, com o nome de cada senador no placar.
Por isso a pergunta do título tem duas respostas. Trégua assinada, com ministro e senador na foto, não existe. O que existe é um tribunal que, segundo três veículos, percebeu que a conta do Senado mudou. E uma direita que respondeu em público: sem vingança, sem omissão.
Sobre a outra frente desta mesma história, leia Kassio deve levar a Fachin queixa contra um TSE paralelo, a crise entre STF e Polícia Federal, a condenação de Eduardo Bolsonaro e Moraes vai deixar Flávio visitar Bolsonaro?.
O que isso muda para você
Quem depende de favor fica na mão de quem faz o favor. Vale para um país e vale para a sua vida. O Senado só passou a ser ouvido porque milhões de pessoas votaram, uma por uma. Faça o mesmo no que é seu: aprenda a regra do jogo, guarde a data, confira o número antes de repetir. Quem sabe ler uma decisão, uma lei e uma conta precisa de menos gente para explicar o mundo. E quem precisa de menos gente depende menos do sistema.
Perguntas que chegam nos comentários
O STF pediu trégua à direita?
Não há pedido público. A CNN Brasil publicou em 6 de outubro de 2026, com fontes anônimas, que uma ala do STF quer um acordo político. A Folha falou em "acomodação" e a Gazeta do Povo em "acordo de contenção de danos". Nenhum ministro confirmou.
O que Rogério Marinho disse a Fachin?
Em 6 de outubro de 2026, depois da reunião, ele disse que "não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão". No dia seguinte, negou que exista acordo para poupar Alexandre de Moraes.
Quantos votos são precisos para o impeachment de um ministro do STF?
54, que são dois terços dos 81 senadores, pelo artigo 52 da Constituição. Uma liminar de Gilmar Mendes, de dezembro de 2025, exige os mesmos 54 votos já para abrir o processo.
A direita tem os 54 votos no Senado de 2027?
Pela filiação partidária, tem 48 de 81. O PL diz contar 49 votos contra Moraes. O Ranking dos Políticos contou 54 senadores favoráveis ao instrumento, sem medir voto em um caso específico.
Débora do Batom foi solta depois da eleição?
Ela está em prisão domiciliar desde 28 de março de 2025. Em 6 de outubro de 2026, Moraes concedeu o regime semiaberto e manteve a prisão em casa. Ela foi condenada a 14 anos.
O processo de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio acabou?
Um deles, a Petição 12.404, foi arquivado a pedido da PGR. Eustáquio ainda tem outra ordem de prisão, e Allan dos Santos responde a outras investigações. Os dois estão fora do Brasil.
Quando o Senado escolhe o novo presidente?
Em fevereiro de 2027, na primeira sessão dos novos senadores, por voto secreto. São precisos 41 votos. Rogério Marinho e Davi Alcolumbre aparecem como candidatos.







