O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deve levar ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, críticas ao que chama reservadamente de "TSE paralelo". A informação foi publicada pelo jornalista Caio Junqueira, no blog que mantém na CNN Brasil, às 7h40 desta segunda-feira, 28 de setembro de 2026.
O que é o "TSE paralelo"?
É a expressão usada, segundo o blog, para decisões individuais de ministros do STF sobre temas eleitorais, que atravessariam a competência do TSE.
A reportagem não traz frase entre aspas de Kassio nem de Fachin. A informação é atribuída a interlocutores. O encontro entre os dois já estava marcado e ganhou peso eleitoral depois das decisões, segundo a CNN Brasil.
Quais são os casos?
O blog cita três.
1. Gilmar Mendes e o Bolsa Família. Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes validou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula. O piso passou de R$ 600 para R$ 691, segundo o site Transmissão Política. A decisão foi tomada num processo que estava arquivado. Gilmar escreveu que o percentual "apenas recompõe a inflação e não representa aumento real" e que a medida não viola a restrição do artigo 73 da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997).
2. Flávio Dino e os posts sobre Nossa Senhora Aparecida. No domingo, 27 de setembro, o ministro Flávio Dino derrubou uma decisão do ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE. Mendonça tinha mandado remover publicações sobre a falsa informação de que Flávio Bolsonaro tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, com multa diária de R$ 30 mil. Dino atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet. Escreveu que a ordem era "destituída de motivação e proporcionalidade" e mandou restaurar o post e outras 1,5 mil publicações removidas pelo mesmo fundamento, segundo a Agência Brasil. O caso da informação falsa está explicado em Nossa Senhora Aparecida e o boato sobre Flávio.
3. O PT e a interferência estrangeira. O PT pediu ao ministro Dino, no STF, uma investigação sobre suposta interferência estrangeira na eleição, segundo o Diário do Grande ABC, que publicou o pedido em 24 de setembro. O partido fala em "pressões políticas, econômicas e digitais" a favor da candidatura de Flávio Bolsonaro e pede apreciação urgente. Até esta segunda, não havia decisão.
Quem respondeu?
Nas reportagens que eu consultei até a publicação desta nota, não há manifestação pública de Fachin, Gilmar Mendes, Flávio Dino ou do TSE sobre a queixa atribuída a Kassio.
Por que isso importa agora?
O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro. As duas decisões citadas foram tomadas em 18 e 27 de setembro, na reta final da campanha.
O que se sabe vem de uma única apuração, reproduzida por outros veículos como a Gazeta Brasil. Sobre outras ordens do TSE nesta campanha, veja o TSE manda Lula e Flávio apagarem vídeos.








