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Notícias / 7 de outubro de 2026

Eleições 2026

Moraes vai deixar Flávio visitar Bolsonaro? A PGR já disse que não se opõe

Flávio Bolsonaro está proibido de visitar o pai desde 13 de julho. A defesa pediu a volta das visitas um dia depois do primeiro turno, e a Procuradoria-Geral da República respondeu que não é contra. A decisão agora é de Alexandre de Moraes. Eu explico o caso do começo, o que diz o parecer, os quatro caminhos do ministro e por que o novo Senado deixa Moraes entre a cruz e a espada.

Publicado
7 de outubro de 2026
Atualizado
7 de outubro de 2026
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Alexandre de Moraes em sessão da 1ª Turma do STF, em fevereiro de 2026. Foto: STF, via Wikimedia Commons
Alexandre de Moraes em sessão da 1ª Turma do STF, em fevereiro de 2026. Foto: STF, via Wikimedia Commons

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos. Mesmo assim, ele não pode entrar na casa do próprio pai.

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Desde 13 de julho, o ministro Alexandre de Moraes proíbe Flávio de visitá-lo. A defesa pediu a volta das visitas. Na terça-feira, 6 de outubro, a Procuradoria-Geral da República respondeu que não é contra.

Falta a decisão de Moraes. Até a publicação desta matéria, ela não tinha saído.

90 diasTempo da proibiçãodesde 13 de julho
11/10Fim do prazodomingo
18 diasPara o segundo turnoem 25 de outubro

Fontes: CNN Brasil, O Tempo e Agência Brasil.

Por que Flávio foi proibido de ver o pai

Quando autorizou a prisão domiciliar, Moraes proibiu Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por meio de outras pessoas.

Em julho, Flávio divulgou nas redes uma carta escrita pelo pai sobre a disputa presidencial. Para Moraes, foi uma forma de o ex-presidente driblar a proibição usando um terceiro. Em 13 de julho, o ministro suspendeu as visitas de Flávio por 90 dias.

O prazo termina no domingo, 11 de outubro.

Jair Bolsonaro em entrevista no Senado, em 2025. Foto: Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O que a defesa pediu

Na segunda-feira, 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, os advogados de Bolsonaro foram ao STF.

O pedido tem duas partes. A principal: restabelecer já o regime normal de visitas. A alternativa: se isso não for possível, autorizar ao menos uma visita antes do dia 11.

A defesa escreveu que "não mais se mostra necessária a manutenção de regime excepcionalmente restritivo de visitas". Segundo a imprensa, o pedido fala em um encontro de caráter familiar.

Flávio Bolsonaro em entrevista, em abril de 2026. Foto: Senado Federal, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O que a PGR respondeu

Moraes não decidiu de imediato. Pediu antes a opinião da Procuradoria-Geral da República, que é o órgão de acusação.

A resposta veio no dia seguinte, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet. O trecho central, segundo a CNN Brasil:

Considerando a ausência de fatos supervenientes indicativos de descumprimento das condições fixadas ou da necessidade de prorrogação da medida restritiva anteriormente determinada, a Procuradoria-Geral da República não opõe óbice ao deferimento do pleito formulado.Paulo Gonet, procurador-geral da República, 6 de outubro de 2026

Em português claro: não apareceu nada de novo contra Bolsonaro, não há motivo para esticar a proibição, e a PGR não é contra o pedido.

Um detalhe pesa aqui. Gonet foi indicado ao cargo pelo presidente Lula. O parecer não vem de um aliado da família Bolsonaro.

Paulo Gonet, procurador-geral da República. Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE, via Wikimedia Commons, domínio público

Os quatro caminhos de Moraes

O parecer da PGR é uma opinião. Quem decide é o ministro. Ele pode:

  1. Liberar as visitas já, como pede a defesa.
  2. Autorizar uma única visita antes do dia 11.
  3. Não decidir e deixar o prazo acabar sozinho no domingo.
  4. Prorrogar a proibição, contra a opinião da PGR.

Alexandre de Moraes na 1ª Turma do STF, em fevereiro de 2026. Foto: Antonio Augusto/STF, via Wikimedia Commons

A linha do tempo

DataO que aconteceu
13 de julhoMoraes proíbe Flávio de visitar o pai por 90 dias
4 de outubroFlávio termina o primeiro turno na frente, com 47,03%
5 de outubroA defesa de Bolsonaro pede a volta das visitas
6 de outubroA PGR diz que não se opõe
11 de outubroFim do prazo de 90 dias
25 de outubroSegundo turno

Entre a cruz e a espada

A decisão sobre a visita é pequena. O momento em que ela cai é que pesa.

Se Moraes segura a visita ou prorroga a proibição, contra a opinião da PGR, alimenta a revolta de um eleitorado que acabou de dar 56 milhões de votos a Flávio. Se libera, cede num processo em que vinha endurecendo.

E o chão mudou no domingo. A eleição mexeu no Senado, que é a única Casa com poder de julgar um ministro do Supremo.

O Senado que vem aí

O impeachment de ministro do STF não passa pela Câmara. A Constituição, no artigo 52, dá essa competência só ao Senado. Deputado não vota. Para condenar, são necessários dois terços dos senadores: 54 de 81.

Segundo o Poder360, a direita elegeu 33 senadores em 2026 e começa 2027 com um bloco de 49. O PL sozinho terá 28 cadeiras, a maior bancada da Casa.

Votos para condenar um ministro do STF no Senado

Necessários54
Bloco da direita em 202749
Bancada do PL28

Poder360 e Constituição, artigo 52

Faltam cinco votos. Eles teriam de vir de partidos como MDB, PSD, Podemos e PSDB. Não é provável hoje, mas deixou de ser impossível.

Plenário do Senado, em 2026. Foto: Senado Federal, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Quem segura a gaveta

Antes de qualquer votação, um pedido de impeachment precisa ser aceito pelo presidente do Senado. É ele quem decide se o pedido anda ou fica na gaveta. Até hoje, nenhum andou.

O mandato de Davi Alcolumbre na presidência termina em 1º de fevereiro de 2027. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já disse que o partido não apoia a recondução dele e quer eleger Rogério Marinho (PL-RN).

Se o próximo presidente do Senado for da direita, Moraes perde a principal barreira que o protegeu até agora.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em 2023. Foto: Vice-Presidência da República, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Quem indicou cada ministro

O STF tem hoje 10 ministros e uma vaga aberta.

Quem indicouMinistros
LulaCármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino
Dilma RousseffLuiz Fux, Edson Fachin
Jair BolsonaroNunes Marques, André Mendonça
Fernando HenriqueGilmar Mendes
Michel TemerAlexandre de Moraes

Seis dos dez foram indicados por governos do PT. A vaga aberta é a de Luís Roberto Barroso, também indicado por Dilma. Lula tentou preenchê-la com Jorge Messias, e o Senado rejeitou o nome em abril, por 42 votos a 34.

Moraes foi indicado por Temer, e não pelo PT. Mas Lula já saiu em defesa dele mais de uma vez. Em julho de 2025, mandou o governo defender o ministro das sanções americanas. Em setembro de 2026, em plena campanha, voltou a elogiá-lo em público. A Gazeta do Povo descreve esse apoio como irrestrito.

Por que isso importa agora

A diferença entre liberar hoje e esperar o prazo é de poucos dias. Só que faltam 18 dias para o segundo turno, e Flávio é o candidato mais votado do país.

Mesmo com a visita liberada, Jair Bolsonaro continua proibido de fazer manifestação política e de usar as redes por meio de terceiros. O que está em discussão é o encontro de um pai com um filho.

Palácio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Foto: Marcelo Soriano/Move in Brazil, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

O que joga contra, e entra

A proibição teve um motivo formal. Flávio divulgou uma carta do pai quando havia ordem expressa contra manifestações por terceiros. Foi essa a justificativa de Moraes.

O parecer não obriga o ministro. Moraes pode discordar da PGR.

O prazo acaba sozinho. Se nada for decidido, a proibição termina no domingo. A não ser que seja prorrogada.

Indicação não é obediência. Ministro indicado por um presidente já votou contra ele muitas vezes. Fux, indicado por Dilma, divergiu em julgamentos de Bolsonaro.

Os 49 senadores são conta de partido. Nem todo senador de PP ou União vota por impeachment de ministro.

Ninguém sabe o que ele vai fazer. Há comentaristas dizendo que existe um movimento para reduzir a tensão entre o STF e o bolsonarismo. Isso é leitura de bastidor, e eu não trato como fato.

O que eu penso

Daqui para a frente é opinião minha.

Um filho ficou quase três meses sem poder ver o pai por causa de uma carta. Agora, o próprio órgão de acusação, chefiado por um indicado de Lula, diz que não há motivo para manter isso.

Se nem a PGR vê razão, segurar essa visita até o último dia do prazo só serve para uma coisa: pesar na campanha. Eu espero que Moraes libere, e que libere logo.

E tem uma leitura política que eu faço. A briga do Supremo com a direita ajudou a encher a urna de Flávio. Para muito eleitor, STF e PT viraram o mesmo lado, e cada decisão dura contra a família Bolsonaro reforça essa impressão. Proibir de novo um filho de ver o pai, a 18 dias da eleição, só aumentaria isso.

Perguntas que chegam nos comentários

Flávio Bolsonaro pode visitar Jair Bolsonaro?

Ainda não. Ele está proibido desde 13 de julho de 2026, por 90 dias. O prazo termina em 11 de outubro, e há um pedido para liberar antes.

A PGR foi a favor da visita?

A PGR disse, em 6 de outubro de 2026, que não se opõe ao pedido da defesa. O parecer é do procurador-geral Paulo Gonet.

Moraes já decidiu?

Até 7 de outubro de 2026, não havia decisão publicada. Foi Moraes quem pediu o parecer da PGR, e cabe a ele decidir.

Por que as visitas foram proibidas?

Porque Flávio divulgou nas redes uma carta escrita pelo pai. Moraes entendeu que isso violava a proibição de Bolsonaro usar redes sociais por meio de terceiros.

Se Moraes liberar, Bolsonaro pode fazer campanha?

Não. As demais restrições da prisão domiciliar continuam valendo, incluindo a proibição de manifestação por redes sociais.

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Fontes desta materia

  1. CNN Brasil, PGR se manifesta a favor de Bolsonaro receber visita de Flávio, 6 de outubro de 2026
  2. Metrópoles, PGR é a favor do pedido de Jair Bolsonaro para ver Flávio após 1º turno
  3. Agência Brasil, Bolsonaro pede liberação de visitas de Flávio na prisão domiciliar, outubro de 2026
  4. O Tempo, Bolsonaro pede a Moraes encontro com Flávio antes do 2º turno, 5 de outubro de 2026
  5. O Povo, Bolsonaro pede a Moraes para ver Flávio antes do 2º turno, 5 de outubro de 2026
  6. Jovem Pan, Bolsonaro pede a Moraes visita de Flávio antes do fim do prazo de suspensão
  7. ND Mais, PGR defende liberação de visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro
  8. O Tempo, Moraes veta visita de Flávio a Bolsonaro; qual o impacto político?, 14 de julho de 2026
  9. Tribunal Superior Eleitoral, resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026
  10. Poder360, Senado será dominado pela direita a partir de 2027
  11. Agência Brasil, PL elege 19 senadores e soma 28; MDB conquista sete vagas e PT, seis
  12. Constituição Federal, artigo 52: competência do Senado para julgar ministros do STF
  13. Congresso em Foco, Valdemar diz que PL quer eleger Rogério Marinho presidente do Senado
  14. Estado de Minas, Quem indicou e quando se aposenta cada ministro do STF, setembro de 2026
  15. Gazeta do Povo, Lula mantém apoio irrestrito a Moraes há anos e o defendeu em crises
  16. O Tempo, Lula defende julgamento conjunto de situações de Moraes e Mendonça no STF, 17 de setembro de 2026