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Política / 13 de setembro de 2026

Eu fui checar

Mendonça anda de colete, o contrato da mulher do Moraes já está aberto e o Supremo decide dia 15. Eu fui conferir cada frase do meu vídeo, e duas delas são de junho

No vídeo de quinta eu disse que o Supremo reforçou a escolta do André Mendonça, que ele falou em atentado contra o relator, que o escritório da mulher do Alexandre de Moraes tinha contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e que seis dos dez ministros foram escolhidos pelo Lula ou pela Dilma. Fui atrás de cada uma. Todas têm fonte. Duas têm data diferente da que o vídeo dá a entender. Aqui está a versão com o dia, a hora, a frase inteira e o que o outro lado responde.

Publicado
13 de setembro de 2026
Atualizado
13 de setembro de 2026
Editoria
Política
Leitura
25 min
Fontes
29 citadas
André Mendonça em sessão do plenário do Supremo, 22 de outubro de 2025. Foto Rosinei Coutinho/STF, Flickr oficial do tribunal, Public Domain Mark 1.0
André Mendonça em sessão do plenário do Supremo, 22 de outubro de 2025. Foto Rosinei Coutinho/STF, Flickr oficial do tribunal, Public Domain Mark 1.0

Na quinta-feira, 10 de setembro, eu postei um vídeo de reação. Nele eu disse, em resumo, que o Supremo tinha avaliado risco à vida do ministro André Mendonça e reforçado a escolta dele. Que ele tinha dito em sessão que bastava um atentado contra o relator para parar a investigação do Banco Master. Que o escritório da mulher do Alexandre de Moraes tinha contrato de R$ 129 milhões com o banco, que ela mandou a minuta direto para o Daniel Vorcaro, e que a Receita viu entrar R$ 80 milhões. Que seis dos dez ministros foram escolhidos pelo Lula ou pela Dilma. E que em junho o Gilmar Mendes votou para soltar o pai e o primo do Vorcaro, e três ministros seguraram.

Vídeo de reação é feito no calor. Matéria não pode ser. Então eu fiz o que faço com todo assunto que publico: fui atrás de cada frase, com a data, o veículo e, quando existe, a fala literal. O resultado está abaixo. E antes de qualquer coisa, a correção que eu devo a quem me assistiu.

A resposta em uma frase

Tudo o que eu disse tem fonte. Mas duas das frases são de junho, e o vídeo dá a entender que são de agora.

A escolta reforçada foi decidida em junho, dentro do Supremo, e noticiada pela Folha em 16 de junho. A frase do atentado foi dita na Segunda Turma no mesmo 16 de junho, na sessão em que o Gilmar votou para soltar o pai e o primo do Vorcaro. As duas coisas aconteceram no mesmo dia, três meses atrás. Não encontrei nenhuma decisão nova sobre a segurança dele em setembro. O que existe em setembro são sites pequenos recontando a notícia de junho com título novo.

O resto está certo, com um ajuste de palavra: o Fachin suspendeu as decisões do Mendonça e do Dino, e não "anulou". A diferença importa e eu explico adiante.

Esta matéria não repete o que eu já contei. A briga do dia 8 e do dia 9 está inteira em Afastaram o chefe da PF, reintegraram e suspenderam tudo em 48 horas. O relatório da Polícia Federal com as mensagens do Vorcaro está em Moraes x Mendonça, capítulo 2. O pedido de afastamento e a porta fechada do Senado estão em Mendonça pede o afastamento de Moraes e em 55 pedidos e tudo acabou em pizza. Aqui entra o que faltava: a escolta, a frase, o contrato com número e data, a votação de junho e o que está marcado para terça-feira.

16 de junhoa datada escolta reforçada e da frase do atentado
3 a 1o placarque manteve presos o pai e o primo de Vorcaro
R$ 80,2 milhõeso que a Receita viu entrarno escritório, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025
6 de 10ministrosescolhidos por Lula ou Dilma
15 de setembro, 10ha sessãoque decide se Moraes vira alvo de investigação formal

Folha, Gazeta do Povo, CNN Brasil, O Tempo, Agência Brasil, 2026

A escolta: quem decidiu, quando e o que mudou

A notícia é da Folha de S.Paulo e foi reproduzida pelo Jornal de Brasília às 13h24 de 16 de junho de 2026. O texto diz que o reforço veio de uma "análise interna no tribunal, que identificou aumento de risco à sua integridade física". A decisão envolveu a Secretaria de Polícia Judicial do Supremo e a presidência do tribunal, que é do Edson Fachin.

O gatilho foi a relatoria do caso Master. Mendonça assumiu o caso em 12 de fevereiro, quando o Dias Toffoli saiu por suspeição. A partir daí, segundo a reportagem, houve "ocorrências que levantaram receios, especialmente desde o início do ano". Junta-se a isso o outro inquérito pesado que está com ele, o das fraudes nos descontos do INSS.

O que mudou na prática, segundo pessoas próximas ao tribunal ouvidas pela Folha:

O que eraO que passou a ser
Escolta padrão de ministroMais policiais na equipe
Presença discretaPresença ostensiva em certas agendas
Sem monitoramento especialAcompanhamento de cada ameaça que aparece
Vida religiosa sem escoltaServidores à paisana até nas pregações dele
Sem coleteColete balístico em viagens e nos cultos da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, onde ele é pastor

Guarde a última linha. Um ministro do Supremo pregando de colete à prova de balas é a imagem que resume o tamanho do caso. E ela é de junho.

Eu procurei decisão nova de setembro. Achei três textos com título forte, todos de sites pequenos, um deles citando como fonte um "Portal Crente News" e datado de 3 de setembro. Nenhum traz decisão, nome de quem decidiu ou data. Todos recontam a Folha de junho. Se o Supremo mexeu de novo na segurança dele nesta semana, não está publicado em lugar nenhum que eu tenha conseguido conferir. Então eu não afirmo.

A frase do atentado, inteira e com data

Aqui está a fala que eu resumi no vídeo. Ela foi dita na sessão da Segunda Turma de 16 de junho de 2026, e a Gazeta do Povo registrou o texto no dia seguinte, às 11h35:

"Talvez seja muito simples parar essa investigação. Basta alguns desses integrantes atentar contra a vida do relator. Para parar do jeito que está, o polo mais frágil sou eu. Mas como eu disse, é preciso ter coragem."

Para entender "esses integrantes", é preciso saber o que a PF descreve e o que eu já contei em partes na matéria sobre a delação.

Segundo a investigação, existia um grupo de capangas ligado ao Vorcaro apelidado de "A Turma", que monitorava e intimidava pessoas vistas como adversárias do banco. Um dos integrantes era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado nas mensagens de "Sicário" ou "Felipe Mourão". A PF diz que ele recebia R$ 1 milhão por mês e que o trabalho incluía consulta a sistemas sigilosos e fabricação de dossiês. Ele foi preso em 4 de março, no mesmo dia da segunda prisão do Vorcaro, e se enforcou na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais. A morte foi confirmada dois dias depois.

Foi por causa dessa morte que o Mendonça transferiu o Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília, com a concordância da própria defesa, para "preservar a integridade física" do preso. A CNN contou isso em 14 de março. E foi nesse contexto que ele disse, em junho, que o "polo mais frágil" era ele.

Eu procurei também a frase "sei com quem estou lidando", que aparece em título de alguns sites como se fosse dele. Não achei em veículo grande, não achei em sessão e não achei atribuição no corpo de nenhum texto. Ficou de fora.

A votação de junho: 3 a 1, com nome

A sessão de 16 de junho não foi marcada com aviso. O Gilmar Mendes, que preside a Segunda Turma, liberou o caso na manhã do mesmo dia e colocou em pauta, segundo a Gazeta do Povo. O que estava em jogo eram duas prisões preventivas decretadas pelo Mendonça: a de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro, e a de Felipe Cançado Vorcaro, primo. Henrique tinha sido preso cerca de um mês antes, acusado de atuar como operador financeiro e de coordenar intimidações. A Gazeta cita que ele teria tentado "comprar o silêncio" da família do Sicário.

O Gilmar votou para mandar Henrique para prisão domiciliar e para soltar Felipe. No voto, ele disse que "juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia. Sabemos bem onde esse caminho termina". E que, diante do que viu, "não é preciso maior esforço argumentativo para constatar que julgamento nenhum se faz dessa maneira". A tese dele, registrada pela CartaCapital, é que a PF estava prendendo parentes para pressionar o Vorcaro a delatar.

O Mendonça respondeu na sessão: "Não busco ser estrela, sou um servidor público". E: "Não se prende para delação. Seria abjeto."

MinistroComo votouObservação
André MendonçaManter as duas prisõesRelator do caso
Luiz FuxManter as duas prisõesAcompanhou o relator
Nunes MarquesManter as duas prisõesSaiu da sala por alguns minutos e voltou acompanhando Mendonça, segundo a Gazeta
Gilmar MendesDomiciliar para o pai, soltura para o primoVoto vencido
Dias ToffoliNão votouDeclarou-se suspeito em tudo que envolve o Master

Placar: 3 a 1 pela manutenção das prisões. Isso está no O Tempo, no Poder360 e na CartaCapital, todos de 16 de junho.

Repare em um detalhe que o vídeo não tinha espaço para explicar. A Segunda Turma tem cinco ministros. Com o Toffoli fora, sobram quatro. Se o Nunes Marques tivesse votado com o Gilmar, daria 2 a 2, e em empate a prisão cai. A Gazeta descreve a tática do Gilmar exatamente assim: pedir vista, preparar o voto pela soltura e esperar o apoio do Nunes Marques. Não veio.

O contrato: 129 ou 131 milhões?

No vídeo eu disse R$ 129 milhões. Circulam dois números, e os dois têm fonte. Vou explicar os dois em vez de escolher o que me convém.

R$ 129 milhões é o número da CNN de 8 de abril de 2026 e da reportagem do Estadão reproduzida pela CNN em 2 de julho. R$ 131 milhões é o número que aparece no relatório da Polícia Federal entregue ao Mendonça em 27 de agosto e nas reportagens da CNN de 1º e 11 de setembro, além da Agência Pública de 2 de setembro. A estrutura é a mesma nas duas versões: R$ 3,6 milhões por mês, 36 parcelas, de 2024 a 2027. A diferença de R$ 2 milhões provavelmente vem de arredondamento ou de imposto, e eu não consegui fechar essa conta em fonte primária. Então nesta matéria eu escrevo "cerca de R$ 130 milhões" e cito as duas.

O que ninguém discute são os passos abaixo.

DataO que aconteceuFonte
17 de janeiro de 2024Viviane Barci de Moraes manda a Vorcaro, por mensagem: "Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço", com o arquivo anexo. Vorcaro responde cinco dias depois perguntando como assinarEstadão, via CNN de 2 de julho, a partir do celular de Vorcaro apreendido pela PF
23 de janeiro de 2024Assinatura do contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Banco MasterAgência Pública, 2 de setembro
Fevereiro de 2024 a novembro de 2025Pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões. Total de R$ 80,2 milhões, segundo a declaração de imposto de renda do banco enviada pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do SenadoCNN e Gazeta do Povo, 8 de abril
Agosto de 2025Minuta não assinada de R$ 50 milhões entre empresa ligada a Vorcaro e o escritório, quando o banco já estava sem caixa. O valor coincide com o que faltava pagar do contrato originalGazeta do Povo, 9 de junho
18 de novembro de 2025Banco Central liquida o Master. Os pagamentos paramCNN, 8 de abril
1º de setembro de 2026CNN publica que os metadados do arquivo do contrato apontam como último editor um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes"CNN, coluna Matheus Teixeira
Noite de 10 de setembro de 2026Mendonça levanta o sigilo dos documentos do contrato, a pedido de FachinCNN, 11 de setembro

Sobre a data de assinatura, um aviso de honestidade: a CNN de abril fala em contrato de "dezembro de 2022", e a Pública fala em 23 de janeiro de 2024. As duas não podem estar certas ao mesmo tempo. A minuta foi enviada em 17 de janeiro de 2024, então a data de 2024 é a que combina com a mensagem. Fico com ela, mas registro a divergência.

Faça a conta comigo, porque é para isso que este portal existe. Cerca de R$ 130 milhões prometidos. R$ 80,2 milhões pagos. Faltavam cerca de R$ 50 milhões. E em agosto de 2025 aparece uma minuta de exatamente R$ 50 milhões. A Gazeta do Povo é quem fez essa conta em 9 de junho, e ela fecha.

O que estava escrito no contrato

Isso é novo desta semana e é o que faltava em todas as minhas matérias anteriores. Até quinta-feira, o teor do contrato era sigiloso. Na noite de 10 de setembro o Mendonça levantou o sigilo, e a CNN publicou o conteúdo às 6h49 de sexta.

O objeto do contrato, na letra do documento, era "consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e CADE". O escritório também cuidaria de processos judiciais em todas as instâncias e de programas de compliance.

Leia de novo a primeira parte. Consultoria em inquéritos policiais na Polícia Federal. Para um banco que hoje é alvo de sete fases de uma operação da própria Polícia Federal, relatada no Supremo. Onde o marido da sócia é ministro.

Eu paro aqui, porque o que vem depois disso é interpretação, e interpretação vai para a seção de opinião, no fim, com o nome de opinião.

A CNN de 11 de setembro traz mais dois números: o valor líquido, depois dos impostos, seria de R$ 108 milhões. E o escritório declarou à Receita ter recebido R$ 80,2 milhões, o mesmo número que a Receita tinha mandado à CPI em abril.

O que o escritório e o ministro respondem

Esta parte é obrigatória, e eu a escrevo com o mesmo cuidado da parte de cima.

O escritório Barci de Moraes falou por nota em 9 de março de 2026, publicada pelo Migalhas. Disse que prestou serviço ao Master "entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025", com "uma equipe composta por 15 (quinze) advogados" e mais três escritórios contratados. Que produziu "36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais" e fez "94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho", 79 delas na sede do banco. E que "nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF".

Sobre os R$ 80,2 milhões, a resposta do escritório à CNN, em abril e de novo em setembro, foi: "O escritório não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos". Note que a nota não diz qual seria o número certo.

Sobre os metadados com o nome do ministro, o escritório disse em 1º de setembro que o setor de compliance pediu informações a ele "na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação". E que "o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados". A nota afirma ainda que o ministro "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".

O ministro Alexandre de Moraes publicou pelo menos cinco notas entre fevereiro e março de 2026 negando relação com o Vorcaro, segundo a Agência Pública. Uma delas dizia: "O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria". Depois que o sigilo caiu, em 10 de setembro, eu não encontrei nota nova dele. A CNN escreveu, em 1º e em 11 de setembro, que aguardava resposta do gabinete. Até o fechamento desta matéria não havia registro público de resposta.

Vou ser direto sobre o que isso significa e o que não significa. Contrato de advocacia é lícito. Honorário alto é lícito. Escritório de cônjuge de ministro pode ter cliente. O que está em exame no Supremo não é o pagamento em si. É se o conteúdo das mensagens do banqueiro com o ministro, somado ao contrato, justifica abrir uma investigação formal. Isso ainda não foi decidido. E ninguém, nem o ministro, nem a advogada, nem o banqueiro, foi condenado por nada disso.

Seis de dez: quem escolheu cada ministro

Este é o dado mais simples do vídeo, e eu conferi mesmo assim, no levantamento do Poder360 de 6 de setembro.

MinistroQuem indicouAno
Gilmar MendesFernando Henrique Cardoso2002
Cármen LúciaLula2006
Dias ToffoliLula2009
Luiz FuxDilma Rousseff2011
Edson FachinDilma Rousseff2015
Alexandre de MoraesMichel Temer2017
Nunes MarquesJair Bolsonaro2020
André MendonçaJair Bolsonaro2021
Cristiano ZaninLula2023
Flávio DinoLula2024

Quatro do Lula, dois da Dilma. Seis de dez, como eu disse. Os outros quatro: um de Fernando Henrique, um de Temer e dois de Bolsonaro.

Por que são dez e não onze? Porque a cadeira do Luís Roberto Barroso está vazia. Ele anunciou a aposentadoria antecipada em 9 de outubro de 2025. O Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o Senado rejeitou o nome em 29 de abril de 2026, por 42 votos a 34, em votação secreta. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado recusou um indicado à Corte. Desde então, nenhum nome novo foi enviado. O Poder360 diz que o Lula considera o governador interino do Rio, Ricardo Couto. Não há indicação formal.

Esse número importa para terça-feira, e eu explico por quê na seção do dia 15.

A linha do tempo de 8 a 15 de setembro

Aqui está a semana inteira, no formato que eu uso em toda matéria. O que já está detalhado em outra matéria da casa aparece resumido, com o link.

DataO que aconteceuFonte
Terça, 8 de setembro, manhãMendonça afasta Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Leandro Almada, diretor de Inteligência, a pedido do partido Novo. Na decisão: "ao menos seis relatórios" tendo ele como alvo "entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026"; "ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal"; "Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país". Cita também monitoramento do advogado-geral da União, Jorge MessiasAgência Brasil, 9h27; Gazeta do Povo, 8h57
Terça, 8, noiteMendonça leva a decisão à Segunda Turma em sessão virtual. Três votos para manter o afastamento: ele, Nunes Marques e Fux. Gilmar pede vista e diz que o caso é do plenário. A AGU pede a Fachin a suspensão da decisãoCrise no Supremo
Quarta, 9, manhãFlávio Dino reintegra os dois e pergunta se Mendonça pode ser "juiz de si mesmo"Crise no Supremo
Quarta, 9, 17h16Fachin suspende as decisões de Mendonça e de Dino. Na decisão: "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente"; o conjunto configura "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública". Andrei continua no cargo até o plenárioPoder360, Migalhas
Quarta, 9, 17h51Fachin revoga, pela Portaria 189, a designação de Moraes como relator do inquérito das fake news, aberto em 2019. "A revogação tem efeitos, exclusivamente, a partir da data de 09.09.2026, preservando, assim, os atos regularmente praticados". O próprio Fachin assume o inquéritoEstado de Minas
Quarta, 9, 18h32Fachin convoca "Sessão Plenária Extraordinária para o dia 15 de setembro de 2026, às 10 horas", para julgar a Petição 16.662, de relatoria de MendonçaTimes Brasil
Quinta, 10, noiteMendonça levanta o sigilo dos documentos do contrato do escritório Barci de Moraes com o Master, a pedido de FachinCNN, 11 de setembro
Sexta, 11, 6h49CNN publica o teor do contrato: "consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis"CNN
Sábado, 12, 13h16Fachin nega o pedido de Moraes para julgar os dois casos no mesmo dia. Moraes alegava "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual". Fachin: "A manutenção em pauta tão somente da Pet 16.662 assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal". O caso contra Mendonça fica para 23 de setembroAgência Brasil
Terça, 15, 10hPlenário julga a Petição 16.662Times Brasil, CNN
Quarta, 23Plenário julga a Petição 16.704, o pedido de Moraes para investigar Mendonça, ainda em fase de instruçãoAgência Brasil

Sobre a palavra "anulou", que eu usei no vídeo e que está na chamada da minha matéria de quinta. Anular é dizer que a decisão nunca valeu. Suspender é dizer que ela fica sem efeito até alguém decidir. O Fachin fez o segundo. O Migalhas registra que ele chamou a suspensão de "absolutamente excepcional". A consequência prática é a mesma para o Andrei, que segue na cadeira. Mas a palavra certa é suspender, e eu corrijo.

O que está marcado para dia 15

Terça-feira, 10 da manhã, plenário, sessão presencial. Um processo só: a Petição 16.662, que é a peça separada onde está o relatório da PF com as mensagens do Vorcaro sobre o Moraes. O relator é o Mendonça.

Segundo a CNN de 9 de setembro, três perguntas estão na mesa:

  1. A ordem do Mendonça de aprofundar a análise do celular do Vorcaro foi legal? Foi ele quem mandou a PF identificar, em 72 horas, as pessoas citadas nas conversas. Foi disso que saiu o relatório de 218 páginas.
  2. O material que a PF produziu pode ser usado? É a validade do relatório como peça de investigação.
  3. O pedido da PGR de anular tudo procede? O Paulo Gonet pediu a nulidade em 4 de setembro, dizendo que a juízes "não é dado acusar, muito menos conduzir investigações preliminares".

O Metrópoles resume o que está em jogo na frase que eu prefiro: o plenário vai decidir "se Moraes será ou não alvo de investigação formal". Até hoje ele não é. O relatório e o contrato existem. Investigação formal autorizada pelo tribunal, ainda não.

E o Andrei Rodrigues? Continua diretor-geral da PF até a sessão. Se o plenário confirmar a suspensão do Fachin, fica. Se validar a decisão do Mendonça, sai. O Migalhas registra que o Andrei tinha 48 horas para prestar informações à presidência.

O que não está na pauta de terça: o pedido do Moraes para investigar o Mendonça. Isso é a Petição 16.704, e o Fachin, no sábado, deixou para o dia 23. A justificativa dele é que os dois processos estão em fases diferentes e o segundo "ainda está em instrução". O Moraes tinha pedido para julgar tudo junto. Perdeu.

Também não está na pauta: nada sobre a escolta do Mendonça. Isso é decisão administrativa, de junho, e não passa por votação.

O que pesa contra, e o que não está provado

O que eu penso

O que vem agora é opinião. Está separado do resto de propósito.

Eu não acredito que um ministro do Supremo passe a pregar de colete à prova de balas porque a Polícia Judicial gosta de gastar diária. Alguém dentro do tribunal olhou o que a PF encontrou sobre "A Turma", olhou um homem enforcado numa cela da PF em Minas, e concluiu que o relator do caso corria risco. Isso é o que a Folha escreveu, e é o que eu leio. A palavra "intimidação" é minha. A palavra "risco" é do Supremo.

Sobre o contrato, eu vou dizer o que sinto e vou dizer também o que não posso dizer. O que sinto: um banco contratar consultoria "em inquéritos policiais na Polícia Federal" do escritório da mulher de um ministro que relata inquéritos da Polícia Federal é uma coisa que o cidadão comum entende sem precisar de curso de direito. O que não posso dizer: que isso é crime. Não posso, porque nenhum tribunal disse. Se o plenário abrir investigação na terça, aí sim vai existir um processo. Hoje existe um relatório e um contrato.

Sobre os seis de dez, eu digo o seguinte. Não é acusação, é aritmética. Quem escolhe o ministro não manda no voto dele. O Fux, indicado pela Dilma, votou com o Mendonça em junho. O Gilmar, indicado pelo Fernando Henrique, votou contra. Mas na hora em que o mesmo tribunal precisa julgar dois ministros, um contra o outro, com o presidente da República na campanha pela reeleição e o candidato dele à vaga aberta já rejeitado uma vez pelo Senado, cada eleitor tem o direito de saber quem sentou quem naquelas cadeiras. Eu só coloquei a tabela.

E sobre a minha correção: eu errei ao juntar junho com setembro no mesmo fôlego. Não errei o fato, errei a data. Prefiro corrigir eu mesmo do que esperar alguém corrigir por mim.

O que eu tirei, e por quê

  1. "Sei com quem estou lidando." Aparece em três títulos de sites pequenos, nunca no corpo do texto, nunca com data ou sessão. Sem fonte, não entra como frase dele.
  2. "Decisão nova sobre a segurança de Mendonça em setembro." Procurei. Não existe em veículo que eu consiga conferir. Tudo que há em setembro recomenta a Folha de junho.
  3. "Anulou." Troquei por "suspendeu" em toda a matéria, porque é o que o Fachin fez. A chamada da minha matéria de quinta usa "anulou"; eu deixo registrado aqui que a palavra exata é outra.
  4. A data de assinatura do contrato. Duas fontes, duas datas. Usei janeiro de 2024, que combina com a mensagem da minuta, e registrei a divergência em vez de esconder.
  5. Transmissão da sessão de terça pela TV Justiça. É o padrão do tribunal, mas eu não achei a confirmação. Não afirmo.

Perguntas que chegam nos comentários

O Supremo reforçou a escolta do Mendonça nesta semana?

Não. O reforço foi decidido em junho, por análise interna da Secretaria de Polícia Judicial e da presidência do tribunal, e noticiado pela Folha em 16 de junho de 2026. Não achei decisão nova em setembro.

O Mendonça disse mesmo que podiam matar o relator para parar a investigação?

Disse, na Segunda Turma, em 16 de junho de 2026: "Basta alguns desses integrantes atentar contra a vida do relator. Para parar do jeito que está, o polo mais frágil sou eu". Ele falava do grupo apelidado de "A Turma", descrito pela PF como milícia ligada a Vorcaro.

O contrato da mulher do Moraes era de 129 ou de 131 milhões?

Os dois números têm fonte. 129 está na CNN de abril e no Estadão de julho; 131 está no relatório da PF e na CNN de setembro. A estrutura é igual: R$ 3,6 milhões por mês, 36 parcelas. A Receita registrou R$ 80,2 milhões pagos até novembro de 2025.

Receber esse dinheiro é crime?

Não. Contrato de advocacia é lícito, e ninguém foi condenado. O que o plenário decide na terça é se abre ou não uma investigação formal sobre a relação do ministro com o banqueiro. Hoje ela não existe.

O que o plenário vai julgar dia 15?

Só a Petição 16.662, com o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a respeito de Moraes. Três pontos: se a ordem de Mendonça sobre o celular foi legal, se o material da PF vale, e se a PGR tem razão ao pedir a anulação. O pedido de Moraes contra Mendonça fica para o dia 23.

O Fachin anulou as decisões do Mendonça e do Dino?

Suspendeu. A palavra é do próprio despacho de 9 de setembro. Anular seria dizer que nunca valeram; suspender é deixar sem efeito até o plenário decidir. Na prática, Andrei Rodrigues segue na chefia da PF até terça.

Fontes desta materia

  1. Jornal de Brasília, com Folhapress, André Mendonça tem segurança reforçada após assumir caso Master no STF, 16 de junho de 2026
  2. Gazeta do Povo, Mendonça expõe máfia de Vorcaro e dribla tentativa de melar caso Master no STF, 17 de junho de 2026
  3. O Tempo, Gilmar vota contra, mas STF mantém prisões de pai e primo de Daniel Vorcaro, 16 de junho de 2026
  4. Poder360, Gilmar vota para que pai de Vorcaro cumpra prisão domiciliar, 16 de junho de 2026
  5. CartaCapital, Gilmar Mendes é o único a votar por prisão domiciliar para pai de Vorcaro, 16 de junho de 2026
  6. CNN Brasil, Mudança de ala e segurança máxima: a primeira semana de Vorcaro preso, 14 de março de 2026
  7. Jovem Pan, Quem era Luiz Phillipi Mourão, Sicário de Vorcaro que cometeu suicídio, março de 2026
  8. Agência Brasil, Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, 8 de setembro de 2026
  9. Gazeta do Povo, Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, 8 de setembro de 2026
  10. Poder360, Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça e mantém Andrei na PF, 9 de setembro de 2026
  11. Migalhas, Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre Andrei; caso vai a plenário, 9 de setembro de 2026
  12. Estado de Minas, Fachin retira Moraes da relatoria do inquérito das fake news, 9 de setembro de 2026
  13. Times Brasil, Presidente do STF convoca sessão plenária em 15 de setembro para decidir permanência de Andrei Rodrigues na PF, 9 de setembro de 2026
  14. CNN Brasil, Entenda o que o STF vai discutir no plenário em 15 de setembro, 9 de setembro de 2026
  15. Metrópoles, Pressionado, Fachin tenta conter crise e pauta para 15/9 o futuro de Moraes, 10 de setembro de 2026
  16. Agência Brasil, Fachin nega julgamento conjunto de Moraes e Mendonça, 12 de setembro de 2026
  17. CNN Brasil, Escritório de mulher de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões do Master, 8 de abril de 2026
  18. Gazeta do Povo, R$ 80 mi pagos a escritório de esposa de Moraes são alvo em CPI, 8 de abril de 2026
  19. Gazeta do Povo, Minuta indicava contrato de R$ 50 milhões com a Barci de Moraes, 9 de junho de 2026
  20. CNN Brasil, Esposa de Moraes enviou contrato diretamente a Vorcaro, diz jornal, 2 de julho de 2026, a partir de reportagem do Estadão
  21. CNN Brasil, coluna Matheus Teixeira, Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de esposa com Vorcaro, 1º de setembro de 2026
  22. Agência Pública, As 24h de revelações sobre o Master e Vorcaro e a granada sem pino no STF, 2 de setembro de 2026
  23. CNN Brasil, Contrato de esposa de Moraes com Master cita consultoria estratégica na PF, 11 de setembro de 2026
  24. CNN Brasil, Master pagaria R$ 131 mi a Barci de Moraes; escritório declarou R$ 80,2 mi, 11 de setembro de 2026
  25. Migalhas, Escritório Barci de Moraes esclarece contrato com banco Master, 9 de março de 2026
  26. Poder360, Saiba quem indicou cada ministro do STF e quando eles deixam a Corte, 6 de setembro de 2026
  27. Senado Notícias, Indicação de Jorge Messias ao STF é rejeitada pelo Senado, 29 de abril de 2026
  28. Migalhas, Por 42 votos a 34, Senado rejeita Jorge Messias para vaga no STF, 29 de abril de 2026
  29. Flickr do Supremo Tribunal Federal, Sessão plenária do STF, foto Rosinei Coutinho/STF, 22 de outubro de 2025, Public Domain Mark 1.0