Na quinta-feira, 10 de setembro, eu postei um vídeo de reação. Nele eu disse, em resumo, que o Supremo tinha avaliado risco à vida do ministro André Mendonça e reforçado a escolta dele. Que ele tinha dito em sessão que bastava um atentado contra o relator para parar a investigação do Banco Master. Que o escritório da mulher do Alexandre de Moraes tinha contrato de R$ 129 milhões com o banco, que ela mandou a minuta direto para o Daniel Vorcaro, e que a Receita viu entrar R$ 80 milhões. Que seis dos dez ministros foram escolhidos pelo Lula ou pela Dilma. E que em junho o Gilmar Mendes votou para soltar o pai e o primo do Vorcaro, e três ministros seguraram.
Vídeo de reação é feito no calor. Matéria não pode ser. Então eu fiz o que faço com todo assunto que publico: fui atrás de cada frase, com a data, o veículo e, quando existe, a fala literal. O resultado está abaixo. E antes de qualquer coisa, a correção que eu devo a quem me assistiu.
A resposta em uma frase
Tudo o que eu disse tem fonte. Mas duas das frases são de junho, e o vídeo dá a entender que são de agora.
A escolta reforçada foi decidida em junho, dentro do Supremo, e noticiada pela Folha em 16 de junho. A frase do atentado foi dita na Segunda Turma no mesmo 16 de junho, na sessão em que o Gilmar votou para soltar o pai e o primo do Vorcaro. As duas coisas aconteceram no mesmo dia, três meses atrás. Não encontrei nenhuma decisão nova sobre a segurança dele em setembro. O que existe em setembro são sites pequenos recontando a notícia de junho com título novo.
O resto está certo, com um ajuste de palavra: o Fachin suspendeu as decisões do Mendonça e do Dino, e não "anulou". A diferença importa e eu explico adiante.
Esta matéria não repete o que eu já contei. A briga do dia 8 e do dia 9 está inteira em Afastaram o chefe da PF, reintegraram e suspenderam tudo em 48 horas. O relatório da Polícia Federal com as mensagens do Vorcaro está em Moraes x Mendonça, capítulo 2. O pedido de afastamento e a porta fechada do Senado estão em Mendonça pede o afastamento de Moraes e em 55 pedidos e tudo acabou em pizza. Aqui entra o que faltava: a escolta, a frase, o contrato com número e data, a votação de junho e o que está marcado para terça-feira.
Folha, Gazeta do Povo, CNN Brasil, O Tempo, Agência Brasil, 2026
A escolta: quem decidiu, quando e o que mudou
A notícia é da Folha de S.Paulo e foi reproduzida pelo Jornal de Brasília às 13h24 de 16 de junho de 2026. O texto diz que o reforço veio de uma "análise interna no tribunal, que identificou aumento de risco à sua integridade física". A decisão envolveu a Secretaria de Polícia Judicial do Supremo e a presidência do tribunal, que é do Edson Fachin.
O gatilho foi a relatoria do caso Master. Mendonça assumiu o caso em 12 de fevereiro, quando o Dias Toffoli saiu por suspeição. A partir daí, segundo a reportagem, houve "ocorrências que levantaram receios, especialmente desde o início do ano". Junta-se a isso o outro inquérito pesado que está com ele, o das fraudes nos descontos do INSS.
O que mudou na prática, segundo pessoas próximas ao tribunal ouvidas pela Folha:
| O que era | O que passou a ser |
|---|---|
| Escolta padrão de ministro | Mais policiais na equipe |
| Presença discreta | Presença ostensiva em certas agendas |
| Sem monitoramento especial | Acompanhamento de cada ameaça que aparece |
| Vida religiosa sem escolta | Servidores à paisana até nas pregações dele |
| Sem colete | Colete balístico em viagens e nos cultos da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, onde ele é pastor |
Guarde a última linha. Um ministro do Supremo pregando de colete à prova de balas é a imagem que resume o tamanho do caso. E ela é de junho.
Eu procurei decisão nova de setembro. Achei três textos com título forte, todos de sites pequenos, um deles citando como fonte um "Portal Crente News" e datado de 3 de setembro. Nenhum traz decisão, nome de quem decidiu ou data. Todos recontam a Folha de junho. Se o Supremo mexeu de novo na segurança dele nesta semana, não está publicado em lugar nenhum que eu tenha conseguido conferir. Então eu não afirmo.
A frase do atentado, inteira e com data
Aqui está a fala que eu resumi no vídeo. Ela foi dita na sessão da Segunda Turma de 16 de junho de 2026, e a Gazeta do Povo registrou o texto no dia seguinte, às 11h35:
"Talvez seja muito simples parar essa investigação. Basta alguns desses integrantes atentar contra a vida do relator. Para parar do jeito que está, o polo mais frágil sou eu. Mas como eu disse, é preciso ter coragem."
Para entender "esses integrantes", é preciso saber o que a PF descreve e o que eu já contei em partes na matéria sobre a delação.
Segundo a investigação, existia um grupo de capangas ligado ao Vorcaro apelidado de "A Turma", que monitorava e intimidava pessoas vistas como adversárias do banco. Um dos integrantes era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado nas mensagens de "Sicário" ou "Felipe Mourão". A PF diz que ele recebia R$ 1 milhão por mês e que o trabalho incluía consulta a sistemas sigilosos e fabricação de dossiês. Ele foi preso em 4 de março, no mesmo dia da segunda prisão do Vorcaro, e se enforcou na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais. A morte foi confirmada dois dias depois.
Foi por causa dessa morte que o Mendonça transferiu o Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília, com a concordância da própria defesa, para "preservar a integridade física" do preso. A CNN contou isso em 14 de março. E foi nesse contexto que ele disse, em junho, que o "polo mais frágil" era ele.
Eu procurei também a frase "sei com quem estou lidando", que aparece em título de alguns sites como se fosse dele. Não achei em veículo grande, não achei em sessão e não achei atribuição no corpo de nenhum texto. Ficou de fora.
A votação de junho: 3 a 1, com nome
A sessão de 16 de junho não foi marcada com aviso. O Gilmar Mendes, que preside a Segunda Turma, liberou o caso na manhã do mesmo dia e colocou em pauta, segundo a Gazeta do Povo. O que estava em jogo eram duas prisões preventivas decretadas pelo Mendonça: a de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro, e a de Felipe Cançado Vorcaro, primo. Henrique tinha sido preso cerca de um mês antes, acusado de atuar como operador financeiro e de coordenar intimidações. A Gazeta cita que ele teria tentado "comprar o silêncio" da família do Sicário.
O Gilmar votou para mandar Henrique para prisão domiciliar e para soltar Felipe. No voto, ele disse que "juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia. Sabemos bem onde esse caminho termina". E que, diante do que viu, "não é preciso maior esforço argumentativo para constatar que julgamento nenhum se faz dessa maneira". A tese dele, registrada pela CartaCapital, é que a PF estava prendendo parentes para pressionar o Vorcaro a delatar.
O Mendonça respondeu na sessão: "Não busco ser estrela, sou um servidor público". E: "Não se prende para delação. Seria abjeto."
| Ministro | Como votou | Observação |
|---|---|---|
| André Mendonça | Manter as duas prisões | Relator do caso |
| Luiz Fux | Manter as duas prisões | Acompanhou o relator |
| Nunes Marques | Manter as duas prisões | Saiu da sala por alguns minutos e voltou acompanhando Mendonça, segundo a Gazeta |
| Gilmar Mendes | Domiciliar para o pai, soltura para o primo | Voto vencido |
| Dias Toffoli | Não votou | Declarou-se suspeito em tudo que envolve o Master |
Placar: 3 a 1 pela manutenção das prisões. Isso está no O Tempo, no Poder360 e na CartaCapital, todos de 16 de junho.
Repare em um detalhe que o vídeo não tinha espaço para explicar. A Segunda Turma tem cinco ministros. Com o Toffoli fora, sobram quatro. Se o Nunes Marques tivesse votado com o Gilmar, daria 2 a 2, e em empate a prisão cai. A Gazeta descreve a tática do Gilmar exatamente assim: pedir vista, preparar o voto pela soltura e esperar o apoio do Nunes Marques. Não veio.
O contrato: 129 ou 131 milhões?
No vídeo eu disse R$ 129 milhões. Circulam dois números, e os dois têm fonte. Vou explicar os dois em vez de escolher o que me convém.
R$ 129 milhões é o número da CNN de 8 de abril de 2026 e da reportagem do Estadão reproduzida pela CNN em 2 de julho. R$ 131 milhões é o número que aparece no relatório da Polícia Federal entregue ao Mendonça em 27 de agosto e nas reportagens da CNN de 1º e 11 de setembro, além da Agência Pública de 2 de setembro. A estrutura é a mesma nas duas versões: R$ 3,6 milhões por mês, 36 parcelas, de 2024 a 2027. A diferença de R$ 2 milhões provavelmente vem de arredondamento ou de imposto, e eu não consegui fechar essa conta em fonte primária. Então nesta matéria eu escrevo "cerca de R$ 130 milhões" e cito as duas.
O que ninguém discute são os passos abaixo.
| Data | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| 17 de janeiro de 2024 | Viviane Barci de Moraes manda a Vorcaro, por mensagem: "Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço", com o arquivo anexo. Vorcaro responde cinco dias depois perguntando como assinar | Estadão, via CNN de 2 de julho, a partir do celular de Vorcaro apreendido pela PF |
| 23 de janeiro de 2024 | Assinatura do contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master | Agência Pública, 2 de setembro |
| Fevereiro de 2024 a novembro de 2025 | Pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões. Total de R$ 80,2 milhões, segundo a declaração de imposto de renda do banco enviada pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado | CNN e Gazeta do Povo, 8 de abril |
| Agosto de 2025 | Minuta não assinada de R$ 50 milhões entre empresa ligada a Vorcaro e o escritório, quando o banco já estava sem caixa. O valor coincide com o que faltava pagar do contrato original | Gazeta do Povo, 9 de junho |
| 18 de novembro de 2025 | Banco Central liquida o Master. Os pagamentos param | CNN, 8 de abril |
| 1º de setembro de 2026 | CNN publica que os metadados do arquivo do contrato apontam como último editor um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes" | CNN, coluna Matheus Teixeira |
| Noite de 10 de setembro de 2026 | Mendonça levanta o sigilo dos documentos do contrato, a pedido de Fachin | CNN, 11 de setembro |
Sobre a data de assinatura, um aviso de honestidade: a CNN de abril fala em contrato de "dezembro de 2022", e a Pública fala em 23 de janeiro de 2024. As duas não podem estar certas ao mesmo tempo. A minuta foi enviada em 17 de janeiro de 2024, então a data de 2024 é a que combina com a mensagem. Fico com ela, mas registro a divergência.
Faça a conta comigo, porque é para isso que este portal existe. Cerca de R$ 130 milhões prometidos. R$ 80,2 milhões pagos. Faltavam cerca de R$ 50 milhões. E em agosto de 2025 aparece uma minuta de exatamente R$ 50 milhões. A Gazeta do Povo é quem fez essa conta em 9 de junho, e ela fecha.
O que estava escrito no contrato
Isso é novo desta semana e é o que faltava em todas as minhas matérias anteriores. Até quinta-feira, o teor do contrato era sigiloso. Na noite de 10 de setembro o Mendonça levantou o sigilo, e a CNN publicou o conteúdo às 6h49 de sexta.
O objeto do contrato, na letra do documento, era "consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e CADE". O escritório também cuidaria de processos judiciais em todas as instâncias e de programas de compliance.
Leia de novo a primeira parte. Consultoria em inquéritos policiais na Polícia Federal. Para um banco que hoje é alvo de sete fases de uma operação da própria Polícia Federal, relatada no Supremo. Onde o marido da sócia é ministro.
Eu paro aqui, porque o que vem depois disso é interpretação, e interpretação vai para a seção de opinião, no fim, com o nome de opinião.
A CNN de 11 de setembro traz mais dois números: o valor líquido, depois dos impostos, seria de R$ 108 milhões. E o escritório declarou à Receita ter recebido R$ 80,2 milhões, o mesmo número que a Receita tinha mandado à CPI em abril.
O que o escritório e o ministro respondem
Esta parte é obrigatória, e eu a escrevo com o mesmo cuidado da parte de cima.
O escritório Barci de Moraes falou por nota em 9 de março de 2026, publicada pelo Migalhas. Disse que prestou serviço ao Master "entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025", com "uma equipe composta por 15 (quinze) advogados" e mais três escritórios contratados. Que produziu "36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais" e fez "94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho", 79 delas na sede do banco. E que "nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF".
Sobre os R$ 80,2 milhões, a resposta do escritório à CNN, em abril e de novo em setembro, foi: "O escritório não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos". Note que a nota não diz qual seria o número certo.
Sobre os metadados com o nome do ministro, o escritório disse em 1º de setembro que o setor de compliance pediu informações a ele "na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação". E que "o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados". A nota afirma ainda que o ministro "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".
O ministro Alexandre de Moraes publicou pelo menos cinco notas entre fevereiro e março de 2026 negando relação com o Vorcaro, segundo a Agência Pública. Uma delas dizia: "O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria". Depois que o sigilo caiu, em 10 de setembro, eu não encontrei nota nova dele. A CNN escreveu, em 1º e em 11 de setembro, que aguardava resposta do gabinete. Até o fechamento desta matéria não havia registro público de resposta.
Vou ser direto sobre o que isso significa e o que não significa. Contrato de advocacia é lícito. Honorário alto é lícito. Escritório de cônjuge de ministro pode ter cliente. O que está em exame no Supremo não é o pagamento em si. É se o conteúdo das mensagens do banqueiro com o ministro, somado ao contrato, justifica abrir uma investigação formal. Isso ainda não foi decidido. E ninguém, nem o ministro, nem a advogada, nem o banqueiro, foi condenado por nada disso.
Seis de dez: quem escolheu cada ministro
Este é o dado mais simples do vídeo, e eu conferi mesmo assim, no levantamento do Poder360 de 6 de setembro.
| Ministro | Quem indicou | Ano |
|---|---|---|
| Gilmar Mendes | Fernando Henrique Cardoso | 2002 |
| Cármen Lúcia | Lula | 2006 |
| Dias Toffoli | Lula | 2009 |
| Luiz Fux | Dilma Rousseff | 2011 |
| Edson Fachin | Dilma Rousseff | 2015 |
| Alexandre de Moraes | Michel Temer | 2017 |
| Nunes Marques | Jair Bolsonaro | 2020 |
| André Mendonça | Jair Bolsonaro | 2021 |
| Cristiano Zanin | Lula | 2023 |
| Flávio Dino | Lula | 2024 |
Quatro do Lula, dois da Dilma. Seis de dez, como eu disse. Os outros quatro: um de Fernando Henrique, um de Temer e dois de Bolsonaro.
Por que são dez e não onze? Porque a cadeira do Luís Roberto Barroso está vazia. Ele anunciou a aposentadoria antecipada em 9 de outubro de 2025. O Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o Senado rejeitou o nome em 29 de abril de 2026, por 42 votos a 34, em votação secreta. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado recusou um indicado à Corte. Desde então, nenhum nome novo foi enviado. O Poder360 diz que o Lula considera o governador interino do Rio, Ricardo Couto. Não há indicação formal.
Esse número importa para terça-feira, e eu explico por quê na seção do dia 15.
A linha do tempo de 8 a 15 de setembro
Aqui está a semana inteira, no formato que eu uso em toda matéria. O que já está detalhado em outra matéria da casa aparece resumido, com o link.
| Data | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| Terça, 8 de setembro, manhã | Mendonça afasta Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Leandro Almada, diretor de Inteligência, a pedido do partido Novo. Na decisão: "ao menos seis relatórios" tendo ele como alvo "entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026"; "ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal"; "Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país". Cita também monitoramento do advogado-geral da União, Jorge Messias | Agência Brasil, 9h27; Gazeta do Povo, 8h57 |
| Terça, 8, noite | Mendonça leva a decisão à Segunda Turma em sessão virtual. Três votos para manter o afastamento: ele, Nunes Marques e Fux. Gilmar pede vista e diz que o caso é do plenário. A AGU pede a Fachin a suspensão da decisão | Crise no Supremo |
| Quarta, 9, manhã | Flávio Dino reintegra os dois e pergunta se Mendonça pode ser "juiz de si mesmo" | Crise no Supremo |
| Quarta, 9, 17h16 | Fachin suspende as decisões de Mendonça e de Dino. Na decisão: "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente"; o conjunto configura "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública". Andrei continua no cargo até o plenário | Poder360, Migalhas |
| Quarta, 9, 17h51 | Fachin revoga, pela Portaria 189, a designação de Moraes como relator do inquérito das fake news, aberto em 2019. "A revogação tem efeitos, exclusivamente, a partir da data de 09.09.2026, preservando, assim, os atos regularmente praticados". O próprio Fachin assume o inquérito | Estado de Minas |
| Quarta, 9, 18h32 | Fachin convoca "Sessão Plenária Extraordinária para o dia 15 de setembro de 2026, às 10 horas", para julgar a Petição 16.662, de relatoria de Mendonça | Times Brasil |
| Quinta, 10, noite | Mendonça levanta o sigilo dos documentos do contrato do escritório Barci de Moraes com o Master, a pedido de Fachin | CNN, 11 de setembro |
| Sexta, 11, 6h49 | CNN publica o teor do contrato: "consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis" | CNN |
| Sábado, 12, 13h16 | Fachin nega o pedido de Moraes para julgar os dois casos no mesmo dia. Moraes alegava "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual". Fachin: "A manutenção em pauta tão somente da Pet 16.662 assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal". O caso contra Mendonça fica para 23 de setembro | Agência Brasil |
| Terça, 15, 10h | Plenário julga a Petição 16.662 | Times Brasil, CNN |
| Quarta, 23 | Plenário julga a Petição 16.704, o pedido de Moraes para investigar Mendonça, ainda em fase de instrução | Agência Brasil |
Sobre a palavra "anulou", que eu usei no vídeo e que está na chamada da minha matéria de quinta. Anular é dizer que a decisão nunca valeu. Suspender é dizer que ela fica sem efeito até alguém decidir. O Fachin fez o segundo. O Migalhas registra que ele chamou a suspensão de "absolutamente excepcional". A consequência prática é a mesma para o Andrei, que segue na cadeira. Mas a palavra certa é suspender, e eu corrijo.
O que está marcado para dia 15
Terça-feira, 10 da manhã, plenário, sessão presencial. Um processo só: a Petição 16.662, que é a peça separada onde está o relatório da PF com as mensagens do Vorcaro sobre o Moraes. O relator é o Mendonça.
Segundo a CNN de 9 de setembro, três perguntas estão na mesa:
- A ordem do Mendonça de aprofundar a análise do celular do Vorcaro foi legal? Foi ele quem mandou a PF identificar, em 72 horas, as pessoas citadas nas conversas. Foi disso que saiu o relatório de 218 páginas.
- O material que a PF produziu pode ser usado? É a validade do relatório como peça de investigação.
- O pedido da PGR de anular tudo procede? O Paulo Gonet pediu a nulidade em 4 de setembro, dizendo que a juízes "não é dado acusar, muito menos conduzir investigações preliminares".
O Metrópoles resume o que está em jogo na frase que eu prefiro: o plenário vai decidir "se Moraes será ou não alvo de investigação formal". Até hoje ele não é. O relatório e o contrato existem. Investigação formal autorizada pelo tribunal, ainda não.
E o Andrei Rodrigues? Continua diretor-geral da PF até a sessão. Se o plenário confirmar a suspensão do Fachin, fica. Se validar a decisão do Mendonça, sai. O Migalhas registra que o Andrei tinha 48 horas para prestar informações à presidência.
O que não está na pauta de terça: o pedido do Moraes para investigar o Mendonça. Isso é a Petição 16.704, e o Fachin, no sábado, deixou para o dia 23. A justificativa dele é que os dois processos estão em fases diferentes e o segundo "ainda está em instrução". O Moraes tinha pedido para julgar tudo junto. Perdeu.
Também não está na pauta: nada sobre a escolta do Mendonça. Isso é decisão administrativa, de junho, e não passa por votação.
O que pesa contra, e o que não está provado
O que eu penso
O que vem agora é opinião. Está separado do resto de propósito.
Eu não acredito que um ministro do Supremo passe a pregar de colete à prova de balas porque a Polícia Judicial gosta de gastar diária. Alguém dentro do tribunal olhou o que a PF encontrou sobre "A Turma", olhou um homem enforcado numa cela da PF em Minas, e concluiu que o relator do caso corria risco. Isso é o que a Folha escreveu, e é o que eu leio. A palavra "intimidação" é minha. A palavra "risco" é do Supremo.
Sobre o contrato, eu vou dizer o que sinto e vou dizer também o que não posso dizer. O que sinto: um banco contratar consultoria "em inquéritos policiais na Polícia Federal" do escritório da mulher de um ministro que relata inquéritos da Polícia Federal é uma coisa que o cidadão comum entende sem precisar de curso de direito. O que não posso dizer: que isso é crime. Não posso, porque nenhum tribunal disse. Se o plenário abrir investigação na terça, aí sim vai existir um processo. Hoje existe um relatório e um contrato.
Sobre os seis de dez, eu digo o seguinte. Não é acusação, é aritmética. Quem escolhe o ministro não manda no voto dele. O Fux, indicado pela Dilma, votou com o Mendonça em junho. O Gilmar, indicado pelo Fernando Henrique, votou contra. Mas na hora em que o mesmo tribunal precisa julgar dois ministros, um contra o outro, com o presidente da República na campanha pela reeleição e o candidato dele à vaga aberta já rejeitado uma vez pelo Senado, cada eleitor tem o direito de saber quem sentou quem naquelas cadeiras. Eu só coloquei a tabela.
E sobre a minha correção: eu errei ao juntar junho com setembro no mesmo fôlego. Não errei o fato, errei a data. Prefiro corrigir eu mesmo do que esperar alguém corrigir por mim.
O que eu tirei, e por quê
- "Sei com quem estou lidando." Aparece em três títulos de sites pequenos, nunca no corpo do texto, nunca com data ou sessão. Sem fonte, não entra como frase dele.
- "Decisão nova sobre a segurança de Mendonça em setembro." Procurei. Não existe em veículo que eu consiga conferir. Tudo que há em setembro recomenta a Folha de junho.
- "Anulou." Troquei por "suspendeu" em toda a matéria, porque é o que o Fachin fez. A chamada da minha matéria de quinta usa "anulou"; eu deixo registrado aqui que a palavra exata é outra.
- A data de assinatura do contrato. Duas fontes, duas datas. Usei janeiro de 2024, que combina com a mensagem da minuta, e registrei a divergência em vez de esconder.
- Transmissão da sessão de terça pela TV Justiça. É o padrão do tribunal, mas eu não achei a confirmação. Não afirmo.
Perguntas que chegam nos comentários
O Supremo reforçou a escolta do Mendonça nesta semana?
Não. O reforço foi decidido em junho, por análise interna da Secretaria de Polícia Judicial e da presidência do tribunal, e noticiado pela Folha em 16 de junho de 2026. Não achei decisão nova em setembro.
O Mendonça disse mesmo que podiam matar o relator para parar a investigação?
Disse, na Segunda Turma, em 16 de junho de 2026: "Basta alguns desses integrantes atentar contra a vida do relator. Para parar do jeito que está, o polo mais frágil sou eu". Ele falava do grupo apelidado de "A Turma", descrito pela PF como milícia ligada a Vorcaro.
O contrato da mulher do Moraes era de 129 ou de 131 milhões?
Os dois números têm fonte. 129 está na CNN de abril e no Estadão de julho; 131 está no relatório da PF e na CNN de setembro. A estrutura é igual: R$ 3,6 milhões por mês, 36 parcelas. A Receita registrou R$ 80,2 milhões pagos até novembro de 2025.
Receber esse dinheiro é crime?
Não. Contrato de advocacia é lícito, e ninguém foi condenado. O que o plenário decide na terça é se abre ou não uma investigação formal sobre a relação do ministro com o banqueiro. Hoje ela não existe.
O que o plenário vai julgar dia 15?
Só a Petição 16.662, com o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a respeito de Moraes. Três pontos: se a ordem de Mendonça sobre o celular foi legal, se o material da PF vale, e se a PGR tem razão ao pedir a anulação. O pedido de Moraes contra Mendonça fica para o dia 23.
O Fachin anulou as decisões do Mendonça e do Dino?
Suspendeu. A palavra é do próprio despacho de 9 de setembro. Anular seria dizer que nunca valeram; suspender é deixar sem efeito até o plenário decidir. Na prática, Andrei Rodrigues segue na chefia da PF até terça.







