Atualizado às 20h15 de 4 de outubro de 2026. Os números são do arquivo oficial do TSE e mudam a cada parcial; a disputa pelo topo com Nikolas Ferreira segue aberta até o último boletim.
Lucas Pavanato (PL) tem 2.841.713 votos para deputado federal por São Paulo, com 93,5% das seções apuradas. É o maior número já registrado para um candidato à Câmara dos Deputados no Brasil. É quase o dobro da segunda colocada no estado.
Eu fui atrás da história inteira. Ela começa num gabinete da Câmara Municipal de São Paulo, com um estagiário de 20 e poucos anos.
Qual era o recorde?
De Eduardo Bolsonaro (PL), 1.843.735 votos em 2018, também por São Paulo. Antes dele, Enéas Carneiro (Prona), 1.573.642 em 2002. E Tiririca (PR), 1.353.820 em 2010. Pavanato passou os três antes de a apuração de São Paulo chegar à metade, segundo a CNN Brasil e o Estado de Minas.

E Nikolas Ferreira?
Também bateu o recorde antigo. Às 20h12, Nikolas (PL-MG) tinha 2.726.906 votos em Minas, com 84,8% das seções apuradas, contra 93,5% de Pavanato em São Paulo. Como Minas tem mais urnas por abrir, Nikolas pode terminar a noite na frente. Os dois são do PL, os dois têm menos de 30 anos, os dois vieram da internet, e Nikolas é apontado pela CartaCapital como padrinho político de Pavanato. Quando a apuração acabar, um dos dois será o deputado federal mais votado da história.

Quem é Lucas Pavanato?
Lucas Pavanato de Oliveira nasceu em 12 de maio de 1998, em Sorocaba (SP). O pai, Eneias de Oliveira, trabalhou na Avibras, a indústria aeroespacial, e a família se estabeleceu em São José dos Campos. Ele entrou na política pelo núcleo local do MBL, nos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff, e depois trabalhou no gabinete de Fernando Holiday, então vereador de São Paulo.
Em 2022, disputou deputado estadual pelo Novo: 36.258 votos, suplente. Em 2024, já no PL, foi eleito vereador de São Paulo com 161.386 votos (2,78%), o candidato mais votado do país naquela eleição, 30.906 à frente de Carlos Bolsonaro. Tomou posse em 1º de janeiro de 2025. Define-se como "conservador de direita", contra a descriminalização das drogas e o aborto, e tem como bandeira central o combate ao que chama de "ideologia de gênero".
Nas redes, segundo a Exame, são 5,2 milhões de seguidores no Instagram e 2,8 milhões no TikTok; o canal no YouTube passa de 1 milhão de inscritos.
O que é o vídeo dos "30 contra 1"?
É o vídeo que o tornou nome nacional: "Bolsonarista x 30 esquerdistas: Bolsonaro é melhor que Lula?", do canal Gida Labs, gravado no Rio de Janeiro em 2025. O formato é o do "Surrounded", do canal americano Jubilee: uma pessoa sentada numa roda, sozinha, discutindo com dezenas de adversários que se revezam. Os cortes viraram uma série no TikTok dele, "Pavanato vs 20 esquerdistas", com títulos como "Em defesa das nossas crianças" e "Feminista ficou com nojo". Foi dali que saiu boa parte da audiência que agora virou voto.

Por que ele incomoda tanto?
Porque não recua. A carreira de Pavanato é uma sequência de lugares onde a direita não costumava entrar, e de gente tentando tirá-lo de lá.
USP, agosto de 2023. Foi ao campus com uma câmera para conversar com os alunos, mostrando imagens de figuras históricas para eles reconhecerem. Foi cercado aos gritos de "recua, fascista" e posto para fora. No tumulto, um guarda civil metropolitano de folga que o acompanhava chegou a sacar a arma, e o caso foi registrado no 93º DP, segundo a Metrópoles. Pavanato disse que "um GCM amigo meu precisou intervir para evitar que algo pior acontecesse". Foi ali que muita gente ouviu o nome dele pela primeira vez.
Câmara de São Paulo, fevereiro de 2025. Em sessão, referiu-se à vereadora Amanda Paschoal (PSOL) como "biologicamente homem"; ela pediu a cassação do mandato dele. Em outro processo, por suposta violência política de gênero contra duas ex-deputadas, o TRE-SP manteve a absolvição.
Professores, maio de 2026. Na votação do reajuste da educação, em 13 de maio, disse: "Quem faz greve, quem não trabalha, bate em policial, é vagabundo." A sessão foi suspensa duas vezes. Ele afirmou depois que a palavra valia para quem faz greve e agride policial, e não para os professores em geral.
Gabinete. O gabinete dele contratou a empresa de Fernando Holiday para consultoria. O Ministério Público de São Paulo apurou e arquivou em 24 de abril de 2026, concluindo que os serviços foram prestados, segundo o ICL Notícias.
Erika Hilton, agosto de 2026. Um vídeo dele contra a deputada foi tirado do ar por ordem da Justiça Eleitoral, que voltou atrás em setembro e devolveu o vídeo.
O saldo: absolvido no TRE, apuração arquivada no MP, vídeo de volta ao ar. E 2,8 milhões de votos.
Por que tanto voto?
Minha leitura: porque ele diz em voz alta o que o eleitor de direita pensa, e não pede desculpa quando gritam. Vai ao debate sozinho contra trinta. Entra na universidade. Encara a sessão. Num país em que político mede cada palavra, coragem virou voto.
O que vem agora?
A posse na Câmara dos Deputados é em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, a pergunta que fica é a mesma que ronda Nikolas desde 2022: o que um deputado faz com uma votação desse tamanho?
Perguntas que chegam nos comentários
Quantos votos Lucas Pavanato teve?
2.841.713 votos para deputado federal por São Paulo, com 93,5% das seções apuradas, pela parcial do TSE das 20h15 de 4 de outubro de 2026. O número ainda cresce.
Ele é o deputado federal mais votado da história?
Até esta parcial, sim: nenhum candidato à Câmara tinha passado de 1.843.735 votos (Eduardo Bolsonaro, 2018). Nikolas Ferreira, com 2,7 milhões em Minas e menos urnas apuradas, ainda pode terminar na frente.
Quem é Lucas Pavanato?
Nascido em Sorocaba em 1998, começou no MBL, foi assessor de Fernando Holiday, suplente de deputado estadual em 2022 e o vereador mais votado do país em 2024, com 161.386 votos em São Paulo.
O que é o vídeo dos 30 contra 1?
"Bolsonarista x 30 esquerdistas", do canal Gida Labs, gravado no Rio em 2025, no formato do Surrounded americano: Pavanato sozinho numa roda discutindo com dezenas de militantes de esquerda.







