Revista De Castro

Saúde / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

Mãe e filha morrem de câncer com 10 horas de diferença em Mogi Guaçu, sem saber da morte uma da outra

Cibele Fernanda Marchis, de 28 anos, morreu na tarde de quinta (24). A mãe, Maria Elisabete Nogueira, de 56, morreu na madrugada de sexta (25), em outro hospital, sedada. Segundo a família, as duas diziam que não queriam saber da morte da outra.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Saúde
Leitura
3 min
Fontes
8 citadas
Imagem ilustrativa. Lírios brancos num vaso. George E. Koronaios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Imagem ilustrativa. Lírios brancos num vaso. George E. Koronaios / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Cibele Fernanda Marchis, de 28 anos, e a mãe, Maria Elisabete Nogueira, de 56, morreram de câncer com cerca de 10 horas de intervalo em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Estavam internadas em hospitais diferentes, e nenhuma soube da morte da outra, como as duas diziam querer, segundo a família.

Como foram as últimas horas?

Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira, 24 de setembro, segundo o ND+ e o jornal O Regional. Maria Elisabete estava internada desde a quinta anterior, dia 17, sedada em outro hospital da cidade. A família velava Cibele quando chegou a notícia: a mãe tinha morrido à 1h58 de sexta, dia 25.

As duas foram veladas juntas e sepultadas na sexta, no Cemitério Municipal Santo Antônio, em Mogi Guaçu.

Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria Elisabete e primo de Cibele, contou a conversa antiga das duas, em fala reproduzida pelo Primeira Hora a partir do g1: "Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu."

Coube a ele avisar o tio, pai de Cibele e marido de Maria Elisabete, que velava a filha. "Ele perdeu a família. Chegar em casa e não ter mais ninguém. É triste, difícil", disse Rowilson.

Quem eram as duas?

Maria Elisabete, a Bia, era podóloga num salão tradicional de Mogi Guaçu. Cibele tinha uma empresa de marketing digital e cerca de 12 mil seguidores no Instagram, segundo o ND+.

Cibele adoeceu primeiro. Os sintomas apareceram em dezembro de 2023, e a primeira cirurgia foi em agosto de 2024, contra um câncer raro na glândula suprarrenal. Vieram quimioterapia, novas cirurgias e infecções, com um período crítico em dezembro de 2025. A sócia, Eloá Righi, resumiu assim, em fala reproduzida pelo Primeira Hora: "Ela não deixou o câncer defini-la."

Maria Elisabete procurou o médico desconfiada de pedra na vesícula. O diagnóstico foi de câncer no pâncreas, descrito pela família como agressivo.

O que se sabe sobre esses dois tipos de câncer?

Pâncreas. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que esse tumor normalmente não dá sinais nos estágios iniciais e tem alta mortalidade por causa do diagnóstico tardio. Entre os sinais que pedem investigação, o INCA lista pele e olhos amarelados com urina escura, cansaço, perda de apetite e de peso, e dor no alto da barriga e nas costas. A estimativa do INCA citada pelo GPS Brasília é de 13.240 casos novos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

Suprarrenal. As suprarrenais são duas glândulas pequenas, em cima dos rins. O câncer que nasce nelas é raro: um artigo dos Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva calcula que ele responde por 0,02% de todos os tumores malignos, com um a dois casos para cada 1,7 milhão de pessoas. A família não detalhou o subtipo exato do tumor de Cibele.

CibeleMaria Elisabete
Idade28 anos56 anos
Câncersuprarrenal (raro)pâncreas
Primeiro sinalsintomas em dez/2023suspeita de pedra na vesícula
Morte24/09, por volta das 16h25/09, 1h58

Perguntas sobre o caso

Quem eram mãe e filha que morreram em Mogi Guaçu?

Maria Elisabete Nogueira, 56 anos, podóloga, e Cibele Fernanda Marchis, 28, empresária de marketing digital.

Qual foi o intervalo entre as mortes?

Cerca de 10 horas. Cibele morreu por volta das 16h de 24 de setembro de 2026; a mãe, à 1h58 de 25 de setembro.

Uma soube da morte da outra?

Segundo a família, não. Estavam em hospitais diferentes, e a mãe estava sedada.

Fontes desta materia

  1. ND+, Mãe e filha morrem de câncer em intervalo de 10 horas em SP sem saber da morte uma da outra, diz família
  2. Primeira Hora (com informações do g1), Mãe e filha morrem vítimas de câncer em intervalo de 10 horas: 'Nenhuma queria ver a outra morrer'
  3. O Regional, Mãe e filha morrem vítimas de câncer com intervalo de cerca de 10 horas em Mogi Guaçu
  4. Metrópoles, Caso de mãe e filha que morreram de câncer em intervalo de 10h comove redes
  5. INCA, Câncer de pâncreas
  6. INCA, Câncer de pâncreas: versão para profissionais de saúde
  7. GPS Brasília, Câncer de pâncreas: 13 mil casos por ano reforçam alerta em setembro
  8. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (SciELO), Carcinoma da glândula supra-renal