Entre 26 de agosto e 18 de setembro, a Anvisa assinou três resoluções sobre o mesmo produto: o Dysport, uma toxina botulínica tipo A. Em todas, a empresa dona do registro avisou que os lotes não eram dela.
Na soma, são seis lotes falsos em 23 dias.
Na mesma leva, entraram um remédio de câncer de mama e um de esclerose múltipla.
O Dysport: três avisos, seis lotes
A Beaufour Ipsen, dona do registro no Brasil, comunicou à Anvisa três vezes:
| Resolução | Data | Lotes | O que a empresa disse |
|---|---|---|---|
| RE nº 3.356 | 26/08/2026 | P22686 | o lote "não existe, logo nunca foi importado" |
| RE nº 3.480 | 03/09/2026 | U14534 e P08193 | não reconhece os lotes como originais |
| RE nº 3.717 | 18/09/2026 | P08191, P08192 e P22368 | não reconhece os lotes |
Nas três, a Anvisa determinou apreensão e proibiu venda, distribuição e uso.
O Phesgo, do câncer de mama
A mesma RE nº 3.717, publicada em 21 de setembro, trata do Phesgo, lote B5011B05. O Phesgo é usado no tratamento do câncer de mama.
O aviso veio da própria Roche. A empresa encontrou no mercado unidades desse lote com uma diferença: a data de fabricação impressa, 06/2025. A Anvisa classificou como falsificação.
O detalhe importa para quem tem o remédio em casa. A medida vale "apenas às unidades que estampam '06/2025' como data de fabricação", diz a resolução.
O Ocrevus, da esclerose múltipla
O caso do Ocrevus é diferente. O remédio foi fabricado pela Roche. O problema é o caminho que ele fez.
A RE nº 3.751, publicada em 25 de setembro, manda apreender os lotes H7953B14 e H7953B06 do Ocrevus 300 mg/10 ml. Segundo a Agência Brasil, esses lotes eram destinados a outros países, e não ao Brasil.
Quem vendeu foi a LAF MED Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares. A resolução descreve a empresa como "envolvida no fornecimento de medicamentos falsificados a pacientes e com Licença Sanitária cancelada e Autorização de Funcionamento inativa". Em julho de 2026, ela forneceu Ocrevus "sob condições sanitárias e logísticas que comprometem a qualidade e segurança do produto".
A resolução vai além do Ocrevus: as medidas contra a distribuidora "se aplicam a quaisquer medicamentos".
O que os três têm em comum
Os três são injetáveis. Nos casos do Dysport e do Phesgo, o alerta partiu da empresa dona do registro: é ela quem reconhece, pelo lote e pela embalagem, o que saiu da própria fábrica.
A Anvisa não informou em que cidades os produtos apareceram.
Onde conferir
As resoluções completas estão no Diário Oficial da União, nos links ao lado desta matéria. O número do lote vem impresso na caixa.
Quem encontrar um desses lotes deve falar com o médico ou com a farmácia e avisar a vigilância sanitária. Ninguém deve interromper tratamento por conta própria.







