Na noite de 25 de setembro, horas depois de o presidente Lula assinar a Medida Provisória que proíbe as bets, o Ministério da Saúde avisou que vai fazer busca ativa de apostadores problemáticos (Agência Brasil, 25/09/2026).
A oferta é acompanhamento pelo Meu SUS Digital e teleatendimento em saúde mental, também para as famílias.
A frase sobre os dados
O ministro Alexandre Padilha falou sobre onde a informação fica: "O Ministério da Saúde é dono do ambiente onde circulam estes dados, o Nuvem Brasil, que é absolutamente protegido e opera seguindo todas as regras da LGPD" (Agência Brasil, 25/09/2026).
Eu li as duas publicações oficiais do dia. Nenhuma diz quais dados serão usados para achar o apostador, de onde eles vêm nem quem autorizou o cruzamento. Essa resposta ainda não existe em público.
As duas contas batem
Circularam dois números para o estrago das apostas. Em 19 de setembro, a Agência Brasil publicou R$ 30,6 bilhões por ano de impacto no SUS, com base em estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Em 25 de setembro, o ministério falou em R$ 38,8 bilhões de custo social por ano.
Parecem contas diferentes. Não são. O texto do ministério diz que 79% do custo social é de saúde. E 79% de R$ 38,8 bilhões dá R$ 30,65 bilhões.
Na fala de Padilha, R$ 17 bilhões desse total estão ligados a suicídios.
Os números da decisão
| Dado | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Brasileiros que apostaram em 2023 | 28 milhões | Ministério da Saúde |
| Com padrão de jogo de risco | 10,9 milhões | Ministério da Saúde |
| Alta nos atendimentos por jogo patológico, 2018 a 2025 | 140% | Ministério da Saúde |
| Pessoas que procuraram o teleatendimento desde fevereiro | 20 mil | Agência Brasil |
| CPFs bloqueados na autoexclusão | 5 milhões | Agência Brasil |
| Estudantes que fizeram a primeira aposta aos 11 anos | 9,5% de 1.912 | Frente Parlamentar Mista de Educação, via Agência Brasil |
O ministério cita a OMS para outro número: a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo.
Marcelo Kimati, diretor de Saúde Mental do ministério, contou em 19 de setembro: "Desde fevereiro deste ano, quando nós criamos uma porta de entrada para atendimentos a jogos e apostas de forma eletrônica, nós tivemos uma procura de 20 mil pessoas."
O calendário do fim
Pelo cronograma do ministério, os apostadores podem sacar os valores até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos saem do ar. Entre 9 e 14 de outubro, os bancos devolvem o dinheiro. Depois disso, a Caixa assume o que faltar.
Padilha resumiu o motivo do ministério entrar na conversa: a aposta "entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares".
O que falta explicar
A busca ativa é a parte nova. O teleatendimento já existe desde fevereiro. O que muda é o governo ir atrás de quem não pediu ajuda.
Para isso funcionar, alguém precisa saber quem apostava. A pergunta que o ministério ainda não respondeu em público é simples: qual base de dados será usada, e com que autorização.
Quem precisa conversar agora pode ligar para o CVV, no 188, de graça e a qualquer hora.







