Revista De Castro

Música / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

Jão pôs a Morte no palco e chamou Machado de Assis. E parte do estádio não entendeu

A estreia de Memórias Póstumas lotou o Nubank Parque na sexta, 25. Teve palco 360, uma atriz fazendo a Morte em cinco monólogos e a deputada Erika Hilton numa música. Eu li quatro coberturas do show e separei o que todas registram.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Música
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2 min
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Jão em 2018. Foto: Malu Visita / Wikimedia Commons, CC BY 3.0
Jão em 2018. Foto: Malu Visita / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

O show começou sem o Jão.

Na sexta-feira, 25 de setembro, quem subiu primeiro ao palco do Nubank Parque, em São Paulo, foi a atriz Isabel Teixeira. Ela fazia a Morte. E falou de criação do mundo, oração, vida e morte antes da primeira música (A Gazeta).

O que foi a estreia

Ingressos esgotados. A Gazeta calcula cerca de 50 mil pessoas. Foi a primeira vez de Jão num palco 360 graus, montado no centro do estádio, formato que ele planejava desde a SuperTurnê de 2024 (Billboard Brasil).

A Billboard Brasil contou 26 músicas no roteiro, entre o disco novo e os anteriores.

O disco se chama "Memórias Póstumas". É o quinto de estúdio, com 14 faixas, e saiu em julho. O tema central é o luto: Correio e Alô Alô Bahia registram que o trabalho nasceu em parte da morte do pai do cantor.

Onde entra Machado de Assis

O título vem de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o romance de 1881 em que o narrador conta a própria vida depois de morto. A Billboard Brasil registra que o show amarra os blocos do roteiro com inspiração no livro.

A Morte de Isabel Teixeira faz esse papel de narradora. Um segundo personagem, o ator Luiz Crepaldi vestido de lobo-guará, lembra "Lobos", o primeiro disco de Jão, de 2018.

A revista já contou o Machado que o Brasil embranqueceu. Agora ele está num estádio pop.

A parte que confundiu

A Gazeta foi a única cobertura que eu li a registrar desconforto. Segundo o crítico, a Morte interrompeu o show cinco vezes com monólogos filosóficos, e parte do público acompanhou "com expressões de incompreensão".

As outras três coberturas descrevem os mesmos momentos como reflexão sobre vida e luto. É o mesmo show, com duas leituras.

Erika Hilton no palco

A deputada federal Erika Hilton subiu em "Meninos e Meninas", canção sobre diversidade sexual e bissexualidade. Correio, Alô Alô Bahia e A Gazeta registram que ela fez uma homenagem à comunidade LGBTQIA+. A Gazeta anota que ela disse amar o Jão.

A Billboard Brasil transcreveu uma frase dela: "nossa alegria é arte revolucionária". Não encontrei essa frase em outra cobertura.

Nenhuma das reportagens menciona pedido de voto ou referência à eleição.

O que Jão disse

Antes de fechar, ele leu uma carta escrita à mão: "Meu álbum é meu santuário, onde encontrei refúgio" (Billboard Brasil).

Em outro momento, explicou o disco: "Esse disco me fez olhar para os detalhes. O pão, o 'bom dia'" (Alô Alô Bahia).

E depois de São Paulo

Por enquanto, nada. A Gazeta, o Correio e o Alô Alô Bahia registram a mesma coisa: a estreia é a única data confirmada da turnê.

Fontes desta materia

  1. Billboard Brasil, Jão recebe Erika Hilton e faz da Morte personagem em show de Memórias Póstumas
  2. Billboard Brasil, Jão no Nubank Parque: tudo sobre a estreia da Turnê Memórias Póstumas
  3. A Gazeta, Jão encanta e confunde fãs em show teatral de nova turnê, com Erika Hilton
  4. Correio, Jão volta aos palcos com show esgotado e participações de Erika Hilton e Isabel Teixeira
  5. Alô Alô Bahia, Jão abre turnê Memórias Póstumas com Erika Hilton e Isabel Teixeira em show esgotado