Em 1965, dois estudantes de medicina e dois médicos abriram um pequeno curso preparatório em São Paulo. Um dos estudantes se chamava João Carlos Di Genio. O outro, Dráuzio Varella.
O cursinho virou o Objetivo. O registro está no verbete do colégio na Wikipédia, que cita os quatro fundadores: Di Genio, Varella, Roger Patti e Tadasi Itto.
Sessenta e um anos depois, aos 83, o médico quer outra coisa: uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
A cadeira 32
Zuenir Ventura morreu em 22 de setembro. Logo depois, o colunista Ancelmo Gois, de O Globo, publicou que Drauzio vai se candidatar à vaga, segundo O Hoje. A cadeira é a 32. Antes de Zuenir, foi de Ariano Suassuna.
A filha dele, a jornalista Mariana Varella, disse que integrantes da ABL o incentivavam havia anos, de acordo com o Viva.
O rito da Academia começa pela Sessão da Saudade, a homenagem ao morto. Depois, os candidatos mandam uma carta ao presidente, Merval Pereira, e fazem campanha entre os 39 acadêmicos. A votação é secreta e exige mais da metade dos votos.
Do Brás ao Carandiru
Drauzio nasceu em 3 de maio de 1943, no Brás, em São Paulo. É neto de um imigrante galego, pelo lado do pai, e de imigrantes portugueses, pelo da mãe.
Em 1989, começou a fazer pesquisa sobre HIV na Casa de Detenção do Carandiru, no meio da epidemia de aids entre os presos. Ficou como médico voluntário, sem salário, até o fechamento do presídio.
Dessa experiência saiu "Estação Carandiru", de 1999. O livro ganhou o Prêmio Jabuti de não ficção em 2000 e virou filme em 2003. Vieram depois "Carcereiros" e "Prisioneiras". Na TV, virou o médico que explicava o corpo humano no Fantástico.
O que joga contra, e entra
Ele ainda não é imortal. É candidato. A eleição não tem data, e ninguém entra na ABL sem voto.
Os prazos variam. O TMC e O Hoje falam em 30 dias depois da Sessão da Saudade para entregar a carta. O Viva fala em 15. Até a Academia oficializar o calendário, fico sem cravar.
Quanto tempo no Carandiru? A Wikipédia em inglês diz de 1989 a 2001. A em português diz até 2002, quando o presídio fechou. São 12 ou 13 anos, conforme a fonte.
A resposta
O médico que ajudou a fundar um cursinho aos 22 anos, que passou mais de uma década atendendo presos de graça e que transformou isso em livro premiado quer agora sentar onde sentaram Suassuna e Zuenir. Tem livros, tem prêmio e, segundo a filha, tem convite antigo. Falta o voto.







