O cantor, compositor e pianista Benito di Paula, autor de "Retalhos de Cetim" e "Charlie Brown", morreu no domingo, 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Ele tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano, segundo comunicado da equipe do artista à CNN Brasil.
A assessoria disse ao Metrópoles que a morte foi por volta das 20h. Segundo a CNN Brasil e o Metrópoles, ele passou mal no fim da tarde e foi levado ao hospital pelo filho, o músico Rodrigo Vellozo.
Como a notícia chegou ao país?
Ao vivo, no Fantástico, da TV Globo. A apresentadora Poliana Abritta anunciou: "O cantor e compositor Benito di Paula, um dos grandes artistas da música brasileira, morreu agora à noite em São Paulo". Maju Coutinho chamou em seguida a repórter Malu Mazza, que estava na porta do hospital. As falas foram registradas pela TV Prime, do Correio Braziliense.
Rodrigo publicou uma foto com o pai no palco e escreveu: "Te amo, papai! Obrigado!", segundo a Itatiaia e O Povo.
Quando é o velório?
Nesta terça-feira, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, no centro. O velório é aberto ao público. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério Morumby, só para a família. As informações são da CNN Brasil, do Metrópoles e de O Liberal.

Quem era Benito di Paula?
Benito di Paula era nome artístico. Ele nasceu Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Faltava um mês para completar 85 anos.
Era um de 13 irmãos, segundo o Diário do Rio e O Povo. O pai, José, era ferroviário e tocava piano, bandolim e violão. Ainda adolescente, Uday foi convidado por Alfredo Motta a cantar no Hotel Avenida, em Nova Friburgo. Foi com Motta que escolheu o nome Benito di Paula, segundo o Metrópoles e o Diário do Rio.

Aos 17 anos, foi para o Rio servir o Exército e morou no Morro da Formiga, na Tijuca. Nos anos 1960, cantou em boates como a Balalaika, em Copacabana, para ajudar a família. Depois seguiu para Santos e, em seguida, para São Paulo, segundo o Diário do Rio.
Foi nas boates de São Paulo que trocou o violão pelo piano, segundo O Povo. O crítico Mauro Ferreira, no g1, descreve a descoberta: ali Benito constatou que "o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada".
Como ele chegou ao sucesso?
Benito estreou em disco em 1967 e lançou o primeiro álbum em 1971, segundo o g1. Esse primeiro LP teve problema com a censura porque trazia uma versão de "Apesar de Você", de Chico Buarque, segundo o Estado de Minas.
A virada foi em 1973. "Retalhos de Cetim" saiu em compacto e vendeu mais de 150 mil cópias, segundo o Metrópoles. Mauro Ferreira chama o período de 1973 a 1977 de auge: vieram "Charlie Brown" e "Beleza que É Você Mulher" (1974), "Vai Ficar na Saudade" (1975), "Do Jeito que a Vida Quer" (1976) e "Assobiar e Chupar Cana" (1977).
Em 1975, Roberto Carlos gravou "Amanheceu", composição de Benito. Em 1977, Luiz Gonzaga o homenageou em "Chapéu de Couro e Gratidão", segundo o Estado de Minas. Jair Rodrigues, o americano Charlie Byrd e a orquestra do francês Paul Mauriat regravaram as músicas dele, segundo o Diário do Rio.
O rótulo da época era "samba-joia", e a crítica nem sempre foi gentil. Benito recusava a etiqueta. "Meu negócio é cubano, chá-chá-chá, bolero", disse ao Estado de Minas. Publicamente, se chamava de sambeiro e de pianeiro, segundo o g1. Para Mauro Ferreira, aquele piano tocado como percussão antecipou o pagode paulista dos anos 1990, de grupos como o Raça Negra.
Os números da carreira
| Benito di Paula | |
|---|---|
| Nascimento | 28 de novembro de 1941, Nova Friburgo (RJ) |
| Estreia em disco | 1967 |
| Primeiro álbum | 1971 |
| "Retalhos de Cetim" | 1973, mais de 150 mil cópias |
| Auge | 1973 a 1977 |
| Álbuns lançados | mais de 35, segundo O Povo |
| Discos vendidos | mais de 50 milhões (estimativa citada pela CNN Brasil e por O Povo) |
| Último sucesso nas rádios | "Amigo do Sol, Amigo da Lua", tema de A Gata Comeu (Globo, 1985) |
| Último show | 31 de julho de 2026, Benito 85, em São Paulo |
O que deu errado?
Depois de "Amigo do Sol, Amigo da Lua", os sucessos pararam. Benito lançou discos com regularidade até 1996, quando saiu Baileiro, sem repercussão, segundo o g1. Ficou cerca de 13 anos sem gravar, segundo O Povo.
Em 2009, ele resumiu a fase ao g1: "Não sei o que aconteceu. De repente ninguém me quis mais", frase relembrada pelo Estado de Minas.
Houve perda pessoal também. Em 2019, morreu o filho André Vellozo, aos 36 anos, segundo o Metrópoles.
Como foi a volta?
Em 2009, Benito voltou com um CD e DVD ao vivo. "Fiquei muitos anos sem gravar e voltei a fazer trabalho ao vivo porque meus filhos insistiram", contou ao Estado de Minas.
Vieram dois discos de músicas inéditas: A Felicidade É Nossa (2017) e O Infalível Zen, lançado em 28 de novembro de 2021, dia em que ele fez 80 anos, com o filho Rodrigo, segundo a CNN Brasil. O produtor Rômulo Fróes definiu Benito como "um instrumentista altamente sofisticado", na mesma reportagem.
Em 2025, aos 83 anos, foi enredo da escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, e desfilou num dos carros alegóricos, segundo o g1.
A última apresentação foi em 31 de julho de 2026, na Casa Natura Musical, em Pinheiros, no show Benito 85, com Rodrigo Vellozo e Zeca Baleiro, segundo O Liberal.

O que ainda não se sabe
- A grafia do nome de batismo. Wikipédia, Metrópoles, Agência Brasil e Estadão escrevem Uday Vellozo. O g1 escreve Velloso; o Diário do Rio, Veloso.
- Desde quando estava internado. O Povo diz que ele estava internado desde julho. A CNN Brasil e o Metrópoles contam que ele passou mal no domingo à tarde e foi levado ao hospital pelo filho.
- O número de discos vendidos. Os "mais de 50 milhões" são repetidos há anos pela imprensa, mas não há auditoria pública desse total.
A revista se solidariza com a família, os amigos e os fãs de Benito di Paula.







