Revista De Castro

Notícias / 1 de outubro de 2026

Eu fui checar

Evangélicos são disputados por todos os candidatos, mas 9 em cada 10 brasileiros não querem campanha na igreja

A pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, do Iser com a Quaest, ouviu 15 mil pessoas em 412 cidades. 90% são contra campanha eleitoral em templos e 83% não aceitam que pastor ou padre indique voto. Eu fui ler a ficha técnica e os números por igreja, e conto o que um pastor da Baixada Fluminense viu acontecer com quem misturou púlpito e palanque.

Publicado
1 de outubro de 2026
Atualizado
1 de outubro de 2026
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Notícias
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Templo da Assembleia de Deus em Rafael Fernandes (RN). Imagem ilustrativa. Marcos Elias de Oliveira Júnior / Wikimedia Commons, CC0
Templo da Assembleia de Deus em Rafael Fernandes (RN). Imagem ilustrativa. Marcos Elias de Oliveira Júnior / Wikimedia Commons, CC0

Nove em cada dez brasileiros são contra campanha eleitoral dentro de igrejas e templos. É o que mostra a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, divulgada em setembro de 2026. A Agência Brasil resumiu assim: os evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam o uso eleitoral das igrejas.

Eu fui atrás da ficha técnica antes dos números, porque é ela que diz se dá para confiar.

Quem fez a pesquisa e como?

ItemDado
Quem fezIser, em parceria com a Quaest
Campo14 de janeiro a 10 de fevereiro de 2026
Entrevistas15 mil, presenciais
Onde412 municípios, incluindo as 27 capitais
Margem de erro1 ponto percentual, para mais ou para menos
Confiança95%
Registro no TSEnão informado; a pesquisa não mede intenção de voto em candidatos

Fontes: CNN Brasil e Agência Brasil. A Agência Brasil publicou a reportagem completa em 30 de setembro, a quatro dias do primeiro turno.

O que os fiéis disseram?

PerguntaContra
Campanha eleitoral dentro de espaços religiosos90%
Padre ou pastor indicar em quem votar83%
Discussão política durante o culto ou a missa82%

Fonte: Iser/Quaest, via Agência Brasil.

Os evangélicos são 29% da população, segundo a mesma pesquisa. Sete em cada dez são pentecostais. A Assembleia de Deus é a maior denominação, com 32% dos fiéis evangélicos.

Templo Central da Assembleia de Deus em Fortaleza. Imagem ilustrativa. Foto: Porto Neto, CC BY-SA 4.0

Alguém recebeu ordem de voto?

Recebeu, e a pesquisa mediu. Olhando para a eleição de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter recebido orientação de líder religioso para votar em Jair Bolsonaro e 5%, para votar em Lula, segundo a CNN Brasil.

O número muda conforme a igreja. Entre pentecostais, 23% relataram orientação para votar em Bolsonaro; entre protestantes históricos, como batistas e presbiterianos, 20%. Na Igreja Universal, 27% citaram orientação para Bolsonaro e 12%, para Lula. É também na Universal que mais gente aceita a prática: 26% dos fiéis concordam que o pastor indique voto.

O que diz quem está no púlpito?

O pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, da Igreja Batista de Nova Iguaçu (RJ), resumiu à Agência Brasil: "O voto deveria ser do cidadão e não da religião."

Ele contou o que viu depois de 2018: "Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto." E o motivo: "Ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta."

A coordenadora da pesquisa, Lívia Reis, do Iser, explica onde a fé pesa de verdade: "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos." Segundo ela, a influência passa pelos valores e pelas redes. A pesquisa mostra que 66% usam o WhatsApp para articular as comunidades religiosas na internet.

Bíblia aberta sobre o atril. Imagem ilustrativa. Foto: Wilfredor, CC0

Então por que todo candidato corre atrás do voto evangélico?

Porque ele decide eleição, mesmo sem ordem do pastor. A revista mostrou como os votos de católicos e evangélicos se dividem entre Lula e Flávio e como um boato sobre a padroeira terminou com Flávio, evangélico, erguendo Nossa Senhora no Brás.

Na minha opinião, a pesquisa traz uma boa notícia para os dois lados da fé: o fiel brasileiro reza no templo e vota na urna, e não aceita que alguém troque um pelo outro.

Perguntas que chegam nos comentários

Quem fez a pesquisa sobre religião e política?

O Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest. Foram 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios, entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

Quantos brasileiros são contra campanha dentro da igreja?

90%, segundo o Iser/Quaest. Outros 83% são contra padre ou pastor indicar voto.

A pesquisa tem registro no TSE?

As reportagens não informam registro. A pesquisa não mede intenção de voto em candidatos; mede opinião sobre religião e vida pública.

Quantos evangélicos existem no Brasil?

29% da população, segundo o Iser/Quaest. No Censo 2022 do IBGE, eram 26,9% das pessoas com 10 anos ou mais, segundo a CNN Brasil.

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Fontes desta materia

  1. Agência Brasil, Pedro Rafael Vilela, Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas, 30 de setembro de 2026
  2. CNN Brasil, Iser/Quaest: oito em cada dez religiosos rejeitam política em igrejas, 20 de setembro de 2026
  3. IstoÉ, Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas, 30 de setembro de 2026
  4. Jornal GGN, com informações da CNN Brasil, 80% dos religiosos rejeitam política nas igrejas, 20 de setembro de 2026
  5. Exibir Gospel, a partir de O Globo, Pesquisa aponta que 1 em cada 3 evangélicos já foi católico, setembro de 2026
  6. CNN Brasil, Brasil tem recorde de evangélicos e menor número de católicos da história (Censo 2022), 6 de junho de 2025