Nove em cada dez brasileiros são contra campanha eleitoral dentro de igrejas e templos. É o que mostra a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, divulgada em setembro de 2026. A Agência Brasil resumiu assim: os evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam o uso eleitoral das igrejas.
Eu fui atrás da ficha técnica antes dos números, porque é ela que diz se dá para confiar.
Quem fez a pesquisa e como?
| Item | Dado |
|---|---|
| Quem fez | Iser, em parceria com a Quaest |
| Campo | 14 de janeiro a 10 de fevereiro de 2026 |
| Entrevistas | 15 mil, presenciais |
| Onde | 412 municípios, incluindo as 27 capitais |
| Margem de erro | 1 ponto percentual, para mais ou para menos |
| Confiança | 95% |
| Registro no TSE | não informado; a pesquisa não mede intenção de voto em candidatos |
Fontes: CNN Brasil e Agência Brasil. A Agência Brasil publicou a reportagem completa em 30 de setembro, a quatro dias do primeiro turno.
O que os fiéis disseram?
| Pergunta | Contra |
|---|---|
| Campanha eleitoral dentro de espaços religiosos | 90% |
| Padre ou pastor indicar em quem votar | 83% |
| Discussão política durante o culto ou a missa | 82% |
Fonte: Iser/Quaest, via Agência Brasil.
Os evangélicos são 29% da população, segundo a mesma pesquisa. Sete em cada dez são pentecostais. A Assembleia de Deus é a maior denominação, com 32% dos fiéis evangélicos.

Alguém recebeu ordem de voto?
Recebeu, e a pesquisa mediu. Olhando para a eleição de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter recebido orientação de líder religioso para votar em Jair Bolsonaro e 5%, para votar em Lula, segundo a CNN Brasil.
O número muda conforme a igreja. Entre pentecostais, 23% relataram orientação para votar em Bolsonaro; entre protestantes históricos, como batistas e presbiterianos, 20%. Na Igreja Universal, 27% citaram orientação para Bolsonaro e 12%, para Lula. É também na Universal que mais gente aceita a prática: 26% dos fiéis concordam que o pastor indique voto.
O que diz quem está no púlpito?
O pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, da Igreja Batista de Nova Iguaçu (RJ), resumiu à Agência Brasil: "O voto deveria ser do cidadão e não da religião."
Ele contou o que viu depois de 2018: "Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto." E o motivo: "Ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta."
A coordenadora da pesquisa, Lívia Reis, do Iser, explica onde a fé pesa de verdade: "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos." Segundo ela, a influência passa pelos valores e pelas redes. A pesquisa mostra que 66% usam o WhatsApp para articular as comunidades religiosas na internet.

Então por que todo candidato corre atrás do voto evangélico?
Porque ele decide eleição, mesmo sem ordem do pastor. A revista mostrou como os votos de católicos e evangélicos se dividem entre Lula e Flávio e como um boato sobre a padroeira terminou com Flávio, evangélico, erguendo Nossa Senhora no Brás.
Na minha opinião, a pesquisa traz uma boa notícia para os dois lados da fé: o fiel brasileiro reza no templo e vota na urna, e não aceita que alguém troque um pelo outro.
Perguntas que chegam nos comentários
Quem fez a pesquisa sobre religião e política?
O Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest. Foram 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios, entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.
Quantos brasileiros são contra campanha dentro da igreja?
90%, segundo o Iser/Quaest. Outros 83% são contra padre ou pastor indicar voto.
A pesquisa tem registro no TSE?
As reportagens não informam registro. A pesquisa não mede intenção de voto em candidatos; mede opinião sobre religião e vida pública.
Quantos evangélicos existem no Brasil?
29% da população, segundo o Iser/Quaest. No Censo 2022 do IBGE, eram 26,9% das pessoas com 10 anos ou mais, segundo a CNN Brasil.







