O governo do Amazonas decretou situação de emergência em todo o estado por causa da estiagem de 2026. O decreto nº 55.486, publicado no Diário Oficial em 21 de setembro, vale por 180 dias e estima que até 162 mil famílias, cerca de 648 mil pessoas, podem ser afetadas nos 62 municípios (A Crítica).
O motivo é o El Niño: o Painel El Niño 2026-2027 e o Censipam indicam chuva abaixo da média e calor acima da média até pelo menos o início de 2027, segundo o decreto. Expliquei o fenômeno em o que é o Super El Niño.
O que muda com o decreto?
A emergência permite contratar sem licitação bens, insumos, obras e serviços, por no máximo 180 dias, sem renovação (Portal Tucumã). O foco é água potável, comida, remédio e transporte fluvial.
Quem assinou foi o governador Roberto Cidade (União Brasil), que presidia a Assembleia e assumiu depois que Wilson Lima e o vice renunciaram em abril. "Já solicitamos apoio do Governo Federal porque essa é uma questão de Estado", disse Cidade, segundo o Portal Tucumã. O site registra que 17 municípios já tinham decretado emergência por conta própria.
E a ajuda federal?
Por enquanto, veio para duas cidades. Em 25 de setembro, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu a emergência em Atalaia do Norte e Eirunepé (Terra). Com isso, as prefeituras podem pedir recursos à União, que analisa cada pedido.
Onde está cada rio hoje?
O Rio Negro em Manaus desce rápido, mas segue acima das duas secas recordes, na régua do Porto de Manaus (Rios de Notícias).
| Ano | Rio Negro em Manaus, 21 de setembro | Menor cota do ano |
|---|---|---|
| 2023 | 18,34 m | 12,70 m |
| 2024 | 14,87 m | 12,11 m (recorde, em outubro) |
| 2025 | 24,22 m | sem dado na fonte |
| 2026 | 20,66 m | ainda descendo |
Nos outros rios, o boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB) de 22 de setembro compara com 2024, ano das mínimas históricas.
| Rio e cidade | 22/09/2026 | 22/09/2024 | Menor cota da série |
|---|---|---|---|
| Solimões, Tabatinga | 2,82 m | -2,37 m | -2,54 m (26/9/2024) |
| Solimões, Manacapuru | 11,06 m | 4,36 m | 2,06 m (12/10/2024) |
| Amazonas, Itacoatiara | 6,90 m | 2,12 m | -0,18 m (1/11/2024) |
| Madeira, Humaitá | 11,07 m | 8,19 m | 8,02 m (15/10/2024) |
O Madeira em Porto Velho marcava 3,35 m, perto da mediana de 3,40 m, dentro da faixa normal (SGB). Em 23 de setembro de 2024, chegou a 25 cm, o menor nível desde 1967 (IHU Unisinos).
O que prevê o Serviço Geológico?
No alerta de 1º de setembro, o SGB projetou o Rio Negro em Manaus entre 12,31 m e 16,50 m em 31 de outubro. O pior cenário, 12,31 m, fica a 20 cm do recorde de 2024. Para Tabatinga, a faixa vai de -0,31 m a 1,78 m.
No boletim de 22 de setembro, o SGB diz que o rio em Manaus segue "processo acentuado de descida", mas com níveis "dentro do esperado". A emergência veio antes de o rio chegar ao fundo. Em junho, o ministro da Integração, Waldez Góes, já defendia chegar às comunidades antes do isolamento, porque depois "o custo é mais caro" (A Crítica).
Perguntas que chegam nos comentários
Quantas pessoas a estiagem pode atingir no Amazonas?
Até 648 mil, ou 162 mil famílias, segundo o decreto 55.486.
Até quando vale a emergência?
180 dias a partir de 21 de setembro de 2026, sem renovação.
O Rio Negro já está pior que em 2024?
Não. Em 21 de setembro estava 5,79 m acima do mesmo dia de 2024.







