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Política / 8 de setembro de 2026

Dado da pesquisa

Pela primeira vez uma pesquisa mostrou Augusto Cury vencendo o Lula no segundo turno. Eu li a pesquisa inteira e achei o número que explica isso

A BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro testou cinco duelos de segundo turno. Só dois candidatos passaram na frente do presidente, e um deles tem 9% no primeiro turno. O número que explica esse desencontro está na página da rejeição, e quase ninguém comentou: Augusto Cury tem 29%, a menor do país, contra 50% de Flávio Bolsonaro e 49% de Lula.

Publicado
8 de setembro de 2026
Atualizado
8 de setembro de 2026
Editoria
Política
Leitura
8 min
Fontes
10 citadas
Lula e Flávio Bolsonaro em fotos oficiais de arquivo, em preto e branco. Augusto Cury em foto de arquivo
Lula e Flávio Bolsonaro em fotos oficiais de arquivo, em preto e branco. Augusto Cury em foto de arquivo

Aconteceu nesta terça-feira, 8 de setembro, e é a primeira vez na eleição: uma pesquisa mostrou Augusto Cury à frente de Lula num segundo turno. 45% contra 43%.

Eu li a pesquisa inteira, não só a manchete. E encontrei nela um número que quase ninguém comentou, mas que é o único capaz de explicar como alguém com 9% no primeiro turno chega nesse resultado.

Vou pela ordem: o que a pesquisa diz, o que ela não diz, e a conta que ninguém está fazendo.

A ficha, antes do número

ItemDado
InstitutoNexus, contratada pelo Banco BTG Pactual
Entrevistas2.002 eleitores, por telefone
Abrangênciaos 27 estados, com distribuição proporcional
Campo4 a 7 de setembro de 2026
Margem de erro2 pontos percentuais
Confiança95%
Registro no tribunal eleitoralBR-06790/2026
Custo declaradoR$ 164.888,89

É a 13ª rodada dessa série. Ou seja, dá para comparar com a anterior, e eu vou comparar.

O número da manchete, e a ressalva que precisa vir junto

No duelo direto, Augusto Cury 45%, Lula 43%. Branco e nulo somam 10%, e 1% não sabe.

Quem publicar "Cury vence Lula" sem a palavra empate na mesma frase está vendendo mais do que a pesquisa entrega. E olha que eu torço por ele.

Dito isso, a notícia continua sendo notícia: um candidato com 9% de intenção de voto empatou com o presidente da República num cenário de segundo turno. Isso não é pouco.

Os cinco duelos que o instituto testou

Este é o quadro completo, e ele é mais interessante que o número isolado.

Segundo turnoResultado
Flávio Bolsonaro x Lula46 x 45
Augusto Cury x Lula45 x 43
Lula x Ronaldo Caiado46 x 43
Lula x Romeu Zema47 x 40
Lula x Renan Santos47 x 39

Cinco nomes enfrentaram o presidente. Só dois passaram na frente dele: o Flávio e o Cury. O Caiado perde por 3, o Zema por 7 e o Renan por 8.

Agora a pergunta que não fecha

No primeiro turno da mesma pesquisa, o quadro é este:

Primeiro turno, cenário estimulado sem Marçal

Lula39
Flávio Bolsonaro35
Augusto Cury9
Ronaldo Caiado4
Renan Santos4
Romeu Zema1

Fonte: BTG/Nexus, campo de 4 a 7 de setembro de 2026

Então preste atenção no desencontro: o Caiado tem 4% e perde do Lula. O Cury tem 9% e passa na frente. A diferença entre os dois no primeiro turno é de 5 pontos, mas no segundo turno a diferença de resultado é enorme.

Intenção de voto não explica isso. Outra coisa explica.

O número que explica: rejeição

Rejeição é a resposta para "em quem você não votaria de jeito nenhum". É o teto do candidato, e é o dado que decide segundo turno.

CandidatoRejeição
Flávio Bolsonaro50%
Lula49%
Renan Santos43%
Romeu Zema42%
Ronaldo Caiado36%
Augusto Cury29%

Cury tem a menor rejeição do país. São 21 pontos a menos que o Flávio e 20 a menos que o Lula.

Some os dois primeiros e o quadro fica claro: metade do Brasil já disse que não vota nem no Lula nem no Flávio. O segundo turno de 2026, seja ele qual for, vai ser disputado nesse pedaço.

O que a pesquisa mostra contra o meu próprio lado

Agora a parte que o entusiasmo esconde, e que eu não pulo.

Para vencer no segundo turno, ele precisa chegar ao segundo turno. E ali estão 26 pontos entre ele e a segunda vaga: Flávio com 35, Cury com 9.

E ele caiu. Na rodada anterior da mesma série, de 31 de agosto, o quadro era Lula 39, Flávio 33 e Cury 11. Agora é Lula 39, Flávio 35 e Cury 9.

Candidato31 de agosto7 de setembroVariação
Lula3939estável
Flávio Bolsonaro3335subiu 2
Augusto Cury119caiu 2

E tem o dado mais duro da pesquisa: 81% dos eleitores dizem que a decisão de voto já está tomada. É o maior índice de toda a série da BTG/Nexus, acima dos 78% da rodada anterior.

Mas campanha muda do dia para a noite

Aqui entra a outra metade da história, e ela também tem número.

O Datafolha fez a mesma pergunta em 3 de setembro e chegou a um retrato diferente: 71% dizem ter certeza do voto e 28% dizem que a decisão ainda pode mudar. Entre os eleitores que declaram voto no Cury, a Quaest encontrou 48% que admitem mudar, quase metade.

Nem os institutos concordam sobre o tamanho do país já decidido. E a história eleitoral brasileira é implacável nesse ponto: a eleição se decide nas últimas semanas.

AnoO que aconteceu na reta final
2018Haddad tinha 9% em 10 de setembro e terminou o primeiro turno com 29%. Vinte pontos em 26 dias
2014Aécio tinha 14% no início de setembro e terminou com 33,6%
2002Ciro tinha 28% em julho e terminou com 12%

Coloquei o terceiro caso de propósito. Sobe rápido e desce rápido. Quem só mostra as histórias que deram certo está fazendo campanha, não análise.

E tem um detalhe que fecha o argumento: o próprio Cury já fez isso nesta eleição. Ele saiu de 2% para 11% em sete dias, medido por esta mesma BTG/Nexus, depois do debate da Band em 23 de agosto.

O que ainda vai acontecer antes da urna

14 de setembro: debate do SBT, CNN, RedeTV! e Rede Vida
27 de setembro: debate da Record
1º de outubro: debate da Globo e fim do horário eleitoral
4 de outubro: primeiro turno

O calendário de quem tem 26 dias

Três debates, três semanas de propaganda e tudo aquilo que ninguém previu ainda. Pesquisa mede o dia em que perguntou. Não mede o dia da urna.

Uma comparação que está circulando e está errada

Muita gente está dizendo que "na semana passada ele perdia de 40 a 34". Isso era a Quaest, com outro método, outra amostra e outro dia de campo. Esta é a Nexus, por telefone.

Comparar dois institutos diferentes não é série histórica. Para medir evolução, só vale comparar o instituto com ele mesmo, e é por isso que a comparação que importa aqui é a de 31 de agosto para 7 de setembro, dentro da própria BTG/Nexus.

A leitura honesta

Juntando tudo, a conclusão é uma frase: o problema dele não é ganhar do Lula. É passar do Flávio.

A pesquisa mostra as duas coisas ao mesmo tempo. Se ele chegar ao segundo turno, ele compete de igual para igual com o presidente, e a rejeição explica por quê. E mostra que chegar lá é o obstáculo real, porque são 26 pontos de distância e o país está mais decidido do que nunca nessa série.

Todo mundo está discutindo o segundo turno. A eleição dele acontece no primeiro.

Perguntas frequentes

A pesquisa BTG/Nexus mostrou Augusto Cury vencendo Lula?

Ela mostrou Cury com 45% e Lula com 43% num cenário de segundo turno. Como a margem de erro é de 2 pontos, tecnicamente é um empate, com vantagem numérica para o Cury. É a primeira vez que esse duelo foi testado pelo instituto.

Quais foram todos os cenários de segundo turno testados?

Flávio Bolsonaro 46 x Lula 45; Cury 45 x Lula 43; Lula 46 x Caiado 43; Lula 47 x Zema 40; Lula 47 x Renan Santos 39.

Como alguém com 9% no primeiro turno empata com o presidente no segundo?

Por causa da rejeição. Augusto Cury tem 29% de rejeição, a menor entre os candidatos medidos. Flávio Bolsonaro tem 50% e Lula tem 49%. No segundo turno, quem tem rejeição alta tem teto.

Quanto cada candidato tem no primeiro turno nessa pesquisa?

Lula 39%, Flávio Bolsonaro 35%, Augusto Cury 9%, Ronaldo Caiado 4%, Renan Santos 4% e Romeu Zema 1%, no cenário estimulado sem Pablo Marçal.

O Cury subiu ou caiu nessa pesquisa?

Caiu. Na rodada anterior do mesmo instituto, em 31 de agosto, ele tinha 11%. Agora tem 9%. No mesmo período o Flávio subiu de 33% para 35%.

Ainda dá tempo de mudar até a eleição?

A pesquisa diz que 81% já decidiram o voto, recorde da série. O Datafolha de 3 de setembro, porém, encontrou 28% que ainda podem mudar. Historicamente a eleição brasileira se move na reta final: em 2018 Haddad saiu de 9% para 29% em 26 dias, e em 2002 Ciro caiu de 28% para 12%.

Onde eu confiro essa pesquisa?

Ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06790/2026 e a íntegra está publicada no site da Nexus.

Fontes desta materia

  1. Gazeta do Povo, os números completos da Nexus/BTG de setembro de 2026
  2. Exame, Augusto Cury tem 45% e Lula 43% no segundo turno
  3. CNN Brasil, os cinco cenários de segundo turno testados
  4. Poder360, Flávio tem 46% contra 45% de Lula, com rejeição e avaliação de governo
  5. Metrópoles, a rejeição de cada candidato nesta rodada
  6. Nexus, a íntegra do estudo divulgado em 8 de setembro de 2026
  7. Congresso em Foco, a rodada anterior da mesma série, de 31 de agosto
  8. Jornal de Brasília, Datafolha: 71% têm certeza do voto e 28% podem mudar
  9. TSE, consulta de pesquisas eleitorais registradas
  10. TSE, calendário eleitoral de 2026