O Nordeste é a única região onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga em 2026: 56% a 24% sobre Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno e 58% a 29% no 2º, segundo a Quaest. A explicação mais sólida nos estudos é renda e dependência de programas federais, e não sotaque. E a vantagem de 2026 é menor que a de 2022 em todos os nove estados, segundo comparação do R7.
A pesquisa da Quaest ouviu 2.004 eleitores de 24 a 27 de setembro, com margem de 2 pontos no total e de 4 pontos no Nordeste, registro BR-06520/2026. A pesquisa foi encomendada por O Globo e pela TV Globo, segundo a Brasil 61.
Como o Nordeste votou desde 2006?
| Eleição (2º turno) | Candidato do PT | Votos válidos no Nordeste |
|---|---|---|
| 2006 | Lula | 77% |
| 2010 | Dilma Rousseff | 70,57% |
| 2018 | Fernando Haddad | 69,7% |
| 2022 | Lula | 69,34% |
| 2026 (Quaest, voto total) | Lula | 58% a 29% |
Fontes: Bloomberg Línea (2006), Wikipédia (2010), cálculo da revista com o resultado por estado na Wikipédia (2018), Gazeta do Povo (2022). O número de 2014 ficou fora porque eu não achei o total regional numa fonte aberta.
O número de 2026 é voto total, com branco, nulo e indeciso dentro. Em voto válido, sobe. A Gazeta do Povo fez a conta e concluiu que, mesmo assim, não chega aos 69% de 2022.

Por que o Nordeste vota assim?
A resposta dos estudos é renda. O Nordeste concentra mais beneficiários do Bolsa Família do que qualquer outra região, segundo a Bloomberg Línea. Entre quem recebe o benefício, Lula tem 60% contra 33% de Flávio no 2º turno, pelo Datafolha citado pelo Valor Econômico.
A prova de que o fator é renda está dentro da própria região. A cientista política Simone Viscarra, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, e o pesquisador Gustavo Paravizo, da UFJF, mediram o voto do PT no 2º turno entre 2006 e 2022. Nas capitais nordestinas, caiu 13,5 pontos, para 57,2%. No interior, caiu só 3,7 pontos, para 71,6%. Segundo ela, as cidades mais pobres do interior dependem mais das políticas públicas do governo federal.
Onde a renda subiu, o voto mudou. Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, virou polo de soja e foi uma das duas cidades baianas vencidas por Jair Bolsonaro em 2022.
O que mudou em 2026?
A queda de Lula não virou, até agora, voto em Flávio. O R7 comparou a urna de 2022 com as pesquisas da Real Time Big Data nos nove estados. Na Bahia, Lula caiu de 70% para 55%, e Flávio ficou nos mesmos 24% do pai. Quem cresceu foram os outros candidatos, de 6% para 15%.
A desaprovação do governo na região subiu de 30% em janeiro para 35% em setembro, segundo a Quaest citada pela Gazeta do Povo.
Em 18 de setembro, a 17 dias do 1º turno, o governo anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família. O novo valor começa a ser pago em 19 de outubro, seis dias antes do 2º turno. Na minha opinião, o calendário fala sozinho. Lula diz que o governo está "cuidando de quem precisa". Flávio chamou o reajuste de "merreca" e prometeu manter o programa e o aumento, segundo o Valor.
O mapa estado por estado do Nordeste para governador está em quatro empates técnicos em oito estados.
Perguntas que chegam nos comentários
Quanto Lula tem no Nordeste em 2026?
56% contra 24% de Flávio Bolsonaro no 1º turno e 58% a 29% no 2º, na Quaest feita de 24 a 27 de setembro, com margem de 4 pontos na região.
O Nordeste sempre votou no PT?
No 2º turno, desde 2006 o candidato do PT teve perto de 70% ou mais dos votos válidos da região: 77% em 2006, 70,57% em 2010, 69,7% em 2018 e 69,34% em 2022.
O Bolsa Família explica o voto do Nordeste?
Ajuda a explicar. Entre beneficiários, Lula tem 60% a 33% no 2º turno, pelo Datafolha. O voto do PT caiu mais nas capitais, mais ricas, do que no interior, mais dependente de programas federais.







