Trinta deputados democratas e o senador independente Bernie Sanders mandaram carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em 24 de setembro de 2026. Eles acusam o governo Donald Trump de fazer, nas palavras da carta, uma campanha "sustentada e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil" (tradução minha).
Quem assinou?
A carta é liderada pela deputada Delia Ramirez, de Illinois, com Sanders, Pramila Jayapal (Washington) e Jesús "Chuy" García (Illinois). Entre os 31 estão Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Rashida Tlaib, Maxine Waters e Ro Khanna, segundo o comunicado do gabinete de Ramirez.
O que a carta lista?
- As tarifas e sanções do verão de 2025, que segundo os parlamentares tentaram influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro no STF.
- A nomeação de Darren Beattie como assessor para o Brasil no Departamento de Estado.
- Novas tarifas depois de uma investigação comercial pela Seção 301.
- O encontro de Flávio Bolsonaro com Trump no Salão Oval. Segundo a carta, Flávio pediu que PCC e Comando Vermelho fossem classificados como terroristas, e o Departamento de Estado anunciou a medida dois dias depois.
- A viagem barrada de dois funcionários do Departamento de Estado, Riley Barnes e Samuel Samson, que segundo a imprensa citada pretendiam questionar as urnas.
- A revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, segundo o Estadão.
O que eles pedem?
São sete pedidos. Os dois últimos são perguntas diretas: se o governo vai se comprometer a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer o resultado certificado, mantendo relação normal com quem vencer. O prazo escrito na carta é 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Parte da imprensa publicou 30 de setembro.
O governo Trump respondeu?
Não encontrei resposta à carta até este sábado, 26 de setembro. Um dia antes do envio, em 23 de setembro, a porta-voz do Departamento de Estado Amanda Roberson disse à CNN Brasil: "Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia." À Rádio Itatiaia, ela afirmou: "Nunca falamos nada assim de interferência."
E o Brasil?
Não encontrei manifestação do Itamaraty sobre a carta. Em 21 de setembro, Lula disse estar "muito preocupado" com uma possível interferência de Rubio na eleição, segundo a Itatiaia. Em 23 de setembro, a campanha de Lula pediu ao STF e ao TSE medidas contra o que chama de interferência dos EUA em favor de Flávio, segundo a Gazeta do Povo.
E Flávio Bolsonaro?
Não encontrei resposta dele à carta. A Gazeta do Povo procurou a assessoria em 23 de setembro, sem retorno. Em 17 de setembro, num comício em Vitória da Conquista (BA), Flávio disse, segundo o Estadão: "Não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa."
A disputa das tarifas com o Pix no meio está em O Pix entrou na conta da tarifa de 25%.







