Terça-feira, 22 de setembro, Nova York. Lula foi o primeiro chefe de Estado a discursar na 81ª Assembleia Geral da ONU, pela tradição que o Brasil mantém desde 1955 (CNN).
No meio de um trecho sobre big techs e bets, disse isto, segundo a íntegra publicada pelo Poder360:
"Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros."
Lula não disse quais multinacionais. Eu fui atrás do endereço da frase.
De onde vem a briga
Em julho de 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, abriu uma investigação contra o Brasil pela Seção 301, a lei americana usada contra práticas comerciais consideradas desleais. Entre os motivos, citou uma possível vantagem indevida dos serviços de pagamento brasileiros sobre os concorrentes americanos (Wikipedia em inglês, com base no USTR).
A Wikipédia em português resume a acusação americana como "práticas comerciais digitais discriminatórias" que prejudicariam empresas como Visa, Mastercard e PayPal.
Lula reagiu dizendo que Trump estava incomodado com o Pix porque o sistema vai acabar com os cartões de crédito (Wikipédia).
A tarifa
Concluída a investigação, o governo Trump impôs tarifa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros. A Wikipedia em inglês data a medida em 15 de julho de 2026, citando a revista The Economist. A página em português fala em anúncio em junho.
O Imirante soma mais 12,5% cobrados sob argumento trabalhista: até 37,5% sobre alguns produtos. Carne, café, petróleo, terras raras e peças aeroespaciais estão entre as exceções (Tribuna do Sertão).
O que vem na quarta
O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, marcou reunião presencial com o representante comercial americano, Jamieson Greer, em 30 de setembro e 1º de outubro, durante um encontro do G20 em Milwaukee (Tribuna do Sertão). É o primeiro encontro presencial desde uma conversa virtual em 31 de agosto. O Brasil quer ampliar a lista de exceções.
Na véspera do discurso, em entrevista à CNN em Nova York, Lula disse que Trump "age como imperador" e avisou: "se não tiver acordo, vamos ter que aplicar a lei de reciprocidade" (Imirante).
O que a checagem deixou de fora
A Aos Fatos checou seis dados do discurso e deu verdadeiro a todos: saída do Mapa da Fome, recorde de conflitos armados em 2025, desmatamento na Amazônia, investimento estrangeiro, apreensões de drogas e o dinheiro que as bets tiraram das famílias. A frase do Pix não foi checada.
O que joga contra, e entra
"Ninguém quer privatizar o Pix." A investigação americana não pede privatização com essa palavra. Ela acusa o sistema de favorecer serviços brasileiros contra empresas dos EUA. "Privatizar" é a leitura de Lula.
"A tarifa é por causa do Bolsonaro." Numa rodada anterior, de 50%, um informe da Casa Branca ligou a tarifa aos processos contra Jair Bolsonaro (Trading Economics). A de 25% é atribuída ao fim da investigação da Seção 301 (Wikipedia).
A resposta
O Pix entrou na conta da tarifa de 25%: foi um dos alvos da investigação americana que terminou nela. Na ONU, Lula disse que não entrega. A próxima rodada é quarta, em Milwaukee, quatro dias antes da eleição.








