Em 2024, com Lula na Presidência e Marina Silva no Meio Ambiente, a Amazônia teve a maior área queimada desde 1985, quando começa a série do MapBiomas. A Mata Atlântica também. Em 2019, com Bolsonaro, o #PrayForAmazonas foi o assunto número 1 do mundo e artistas de Hollywood postaram fotos da floresta em chamas. Em 2024 e em 2026, essa mobilização não apareceu.
Fonte: MapBiomas Fogo e INPE.
Os números do fogo
Em 2024, o fogo destruiu 15,6 milhões de hectares na Amazônia, recorde da série iniciada em 1985. Pela primeira vez, a floresta foi a área que mais queimou. Na Mata Atlântica, foram 1,2 milhão de hectares, 261% acima da média e também recorde. O estado do Amazonas teve 25.499 focos de calor, o maior número da sua série.
Pelos focos de calor do INPE na Amazônia, os cinco maiores picos do século foram 2004, 2005, 2006, 2007 e 2024. Todos com Lula presidente e Marina Silva ministra do Meio Ambiente.

| Ano | Focos de calor na Amazônia (INPE) | Presidente |
|---|---|---|
| 2004 | 218.637 (recorde da série) | Lula |
| 2005 | 213.720 | Lula |
| 2007 | 186.480 | Lula |
| 2019 | 89.176 | Bolsonaro |
| 2020 | 103.161 | Bolsonaro |
| 2022 | cerca de 115 mil | Bolsonaro |
| 2024 | 140.328 (maior desde 2007) | Lula |
E 2026?
O Amazonas voltou a queimar. Em setembro, foram 3.726 focos de calor, contra 942 no mesmo mês de 2025. Na quinta-feira, 8 de outubro, Manaus teve a pior qualidade do ar do Brasil. No dia 9, a Defesa Civil emitiu alerta de saúde, e universidades suspenderam as aulas presenciais.
O pedido que ouviu não
Em 18 de setembro, o Corpo de Bombeiros do Amazonas pediu ao governo federal aviões de combate a incêndio. Em 1º de outubro, veio a resposta: não havia equipamento disponível naquele momento. Na sexta-feira, 9 de outubro, o comandante-geral, coronel Orleilso Muniz, disse na TV: "Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar."
Quem rebateu foi o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo. Ele foi nomeado por Marina Silva em 2023 e é filiado ao PT, partido que já presidiu em Parintins. Segundo o jornal A Crítica, pediu para evitar "mentiras e fake news", especialmente no momento eleitoral.
No sábado, 10 de outubro, Lula anunciou quatro aviões, dois helicópteros e 290 brigadistas para o Amazonas. Foram 22 dias depois do pedido e um dia depois de o comandante falar em público.

Cadê os artistas?
Em agosto de 2019, o #PrayForAmazonas foi o assunto número 1 do mundo. Postaram Leonardo DiCaprio, Gisele Bündchen, Madonna, Cristiano Ronaldo e Anitta. Várias fotos eram antigas ou de outros lugares: a de Gisele era de 2003. Em 2021, 31 artistas gravaram a "Canção pra Amazônia", entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Em março de 2022, Caetano levou artistas a Brasília no "Ato pela Terra".
Em 2024, ano do recorde, não houve campanha parecida. Alguns artistas, como Bruno Gagliasso, publicaram protestos isolados. Em 2026, com Manaus na fumaça, quem cobrou atenção foi a ex-BBB Isabelle Nogueira, que é do Amazonas: "Estão esperando pessoas morrerem?" No dia 5 de outubro de 2026, Leonardo DiCaprio postou um alerta sobre queimadas. Na Indonésia.

Os Yanomami
Segundo relatório do próprio Ministério da Saúde enviado ao Congresso em agosto de 2026, foram 1.138 mortes no território Yanomami de 2023 a 2025, contra 951 de 2019 a 2021. Em 2023, primeiro ano de Lula, foram 435, o maior número da série. Depois que o boletim de fevereiro de 2024 mostrou a alta, o governo ficou cerca de cinco meses sem publicar dados e voltou a divulgá-los a cada semestre.
E a COP30?
Para a conferência do clima de Belém, em novembro de 2025, o governo federal pagou R$ 775,9 milhões só na operação do evento, além de R$ 350 milhões em navios de cruzeiro para hospedagem. A estrada de 13 quilômetros que cortou área de floresta em Belém, mostrada pela BBC, é obra do governo do Pará, apresentada como legado da COP.
O que joga contra, e entra
"O desmatamento caiu com Lula." Caiu. Em 2025, o corte raso foi de 5.731 km², cerca de metade de 2022. Mas o maior desmatamento do século é de 2004, no primeiro governo Lula: 27.772 km². E o INPE mostra que cresce a floresta destruída pelo fogo repetido: 27,4% do desmatamento de 2024, contra 7,2% em 2022.
"Foi a seca e o El Niño." A seca de 2024 foi extrema, e boa parte do fogo é criminosa: a Polícia Federal abriu 101 inquéritos até outubro de 2024. Em 2019, o fogo foi tratado como culpa do presidente.
"Com Bolsonaro também queimou." Queimou: 2020 foi recorde no Pantanal e 2021 teve o maior desmatamento desde 2006. A diferença é o barulho: com Bolsonaro, os artistas foram para as redes e para Brasília.
"O governo mandou ajuda." Mandou, no dia 10, depois de o comandante falar em público. E o Ibama diz que já atuou em mais de 200 incêndios no estado.
Perguntas rápidas
As queimadas na Amazônia bateram recorde com Lula?
Sim, em 2024: a Amazônia teve 15,6 milhões de hectares queimados, a maior área desde 1985, segundo o MapBiomas. Em focos de calor, 2024 foi o maior desde 2007; o recorde da série é 2004, também com Lula.
O governo federal negou ajuda aos Bombeiros do Amazonas?
O Ministério da Justiça respondeu em 1º de outubro de 2026 que não podia atender o pedido de aviões naquele momento. Lula anunciou aeronaves em 10 de outubro, depois de o comandante falar em público.
Lula tem o maior desmatamento da história?
Não. O recorde do PRODES é de 1995. O maior do século é de 2004, no primeiro governo Lula, e o desmatamento caiu no governo atual.
Os artistas fizeram campanha em 2024?
Não houve mobilização parecida com o #PrayForAmazonas de 2019. Houve manifestações isoladas.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
A floresta é a mesma. O fogo é o mesmo. A fumaça em Manaus é a mesma. O que mudou foi o presidente. Quem gritava "Salve a Amazônia" com Bolsonaro e se calou com Lula nunca estava falando da floresta. Estava fazendo campanha.
A resposta
Cadê os artistas? Em 2019, nas redes do mundo inteiro. Em 2024, com o maior fogo da série na Amazônia sob Lula e Marina Silva, em silêncio. E em outubro de 2026, com Manaus respirando fumaça, DiCaprio estava preocupado com a Indonésia.







