Ronaldo Caiado e Romeu Zema declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Os dois disputaram a Presidência contra ele no primeiro turno. Os dois agora pedem voto para ele contra Lula.
Zema anunciou na segunda-feira, 5 de outubro, em vídeo nas redes. Caiado anunciou nesta terça, 6, em Goiânia, ao lado de Flávio.
Juntos, eles tiveram 2,9 milhões de votos. A diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de 2,2 milhões. Eu fiz a conta do que esse apoio vale.
Fonte: TSE, primeiro turno de 2026, 100% das urnas.
O que cada um disse
Zema foi o primeiro. "Não posso ficar em cima do muro", disse, segundo a CNN Brasil. E completou: "Em 2018 e 2022 estive com Jair Bolsonaro no segundo turno, e agora em 2026 apoio Flávio no segundo turno. O inimigo é um só." À Jovem Pan, resumiu: "Voto contra o PT, voto em Flávio Bolsonaro."

Caiado recebeu Flávio em Goiânia nesta terça. Disse que não ficaria neutro e que apoiar Flávio é uma questão de coerência com a própria vida política, toda ela feita em oposição ao PT. Segundo a imprensa, estavam com ele o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O partido de Caiado, o PSD, decidiu ficar neutro e liberar os diretórios estaduais. Caiado não esperou o partido.
A conta dos votos
No primeiro turno, Flávio teve 56,1 milhões de votos (47,03% dos válidos) e Lula, 53,9 milhões (45,16%). Caiado ficou em quinto, com 2,6 milhões (2,18%). Zema ficou em sexto, com 326 mil (0,27%).
Votos no primeiro turno, em milhões
TSE
Para vencer, Flávio precisa de mais da metade dos votos válidos. Com o comparecimento do primeiro turno, faltariam 3,5 milhões de votos.
Se todos os eleitores de Caiado e de Zema seguirem o candidato deles, Flávio vai a 59 milhões, ou 49,5%. Fica a meio ponto da vitória.
Nesse cenário, sobram 6,4 milhões de votos: os de Augusto Cury, os de Renan Santos e os dos candidatos menores. Lula precisaria de 90% deles para virar. Flávio precisaria de 10%.
O que isso representa para a direita
A direita fechou em três dias. Em 2022, parte da centro-direita ficou neutra ou foi com Lula. Desta vez, os dois nomes da direita que disputaram contra Flávio declararam voto nele antes do fim da primeira semana.
São dois perfis que Flávio não tinha. Caiado é médico, ex-senador, governou Goiás por dois mandatos e fala com o agronegócio e com quem coloca segurança pública em primeiro lugar. Zema é empresário, governou Minas por dois mandatos e fala com o eleitor liberal, que quer menos imposto e menos Estado. Os dois têm currículo de gestor e não carregam o sobrenome Bolsonaro.
Os governadores acompanham. Segundo a Gazeta do Povo, dez governadores apoiam Flávio no segundo turno e cinco apoiam Lula. Em Goiás, o sucessor de Caiado já está no palanque.

O que isso representa no mapa
Minas é o estado que mais pesa. É o segundo maior colégio eleitoral do país. Flávio venceu lá por 48,24% a 43,33%, uma diferença de 589 mil votos. Zema e Caiado somaram 329 mil votos em Minas. Se esse eleitor for com Flávio, a vantagem dele no estado cresce mais da metade.
Goiás já era de Flávio. Ele teve 53,60% lá, contra 31,06% de Lula. Caiado teve 12,33% no próprio estado, 472 mil votos. Com esse eleitor, Flávio pode passar de 65% em Goiás.

O que sobra para Lula
Os outros dois candidatos com votação relevante não declararam apoio a ninguém.
Augusto Cury, terceiro colocado, publicou uma carta em que diz que se silencia sobre os dois candidatos do segundo turno. Renan Santos, quarto, afirmou que não apoia nenhum dos dois.
Lula precisa, então, convencer esse eleitor por conta própria, sem palanque. E precisa de quase todos eles.
O que joga contra, e entra
Apoio não transfere voto sozinho. O eleitor não obedece. Parte de quem votou em Caiado ou Zema pode anular, faltar ou votar em Lula. A conta acima é o teto, e não a previsão.
Zema teve pouco voto. Foram 326 mil no país e 98 mil em Minas, estado que ele governou. O apoio dele vale mais como sinal para o eleitor liberal do que como estoque de votos.
O PSD não veio junto. O partido de Caiado ficou neutro. Em alguns estados, diretórios do PSD podem apoiar Lula.
O comparecimento muda. Segundo turno costuma ter outro número de eleitores, e isso mexe em todas as contas.
Fala-se em ministério. Circula nos bastidores a hipótese de Caiado integrar um eventual governo Flávio. Nada foi anunciado, e eu não trato isso como fato.
O que eu penso
Daqui para a frente é opinião minha.
O apoio de Caiado e Zema é o melhor que podia acontecer para a direita nesta semana. Mostra um campo unido, com dois ex-governadores bem avaliados pedindo voto, e tira de Lula o discurso de que Flávio está isolado.
Só que eleição de 2 pontos não se ganha em palanque. Se ganha no voto de cada um. Faltam 19 dias, e quem acha que já está resolvido é quem entrega o resultado.
Perguntas que chegam nos comentários
Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro?
Sim. Ronaldo Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno em 6 de outubro de 2026, em Goiânia.
Zema declarou apoio a Flávio Bolsonaro?
Sim. Romeu Zema declarou apoio em 5 de outubro de 2026, em vídeo nas redes sociais. Disse: "Voto contra o PT, voto em Flávio Bolsonaro."
Quantos votos Caiado e Zema tiveram?
Caiado teve 2.605.148 votos (2,18%) e Zema, 326.488 (0,27%). Juntos, 2,93 milhões, mais do que a diferença de 2,22 milhões entre Flávio e Lula.
Augusto Cury e Renan Santos apoiam quem?
Nenhum dos dois declarou apoio. Cury disse que se silencia sobre os candidatos do segundo turno, e Renan Santos afirmou que não apoia ninguém.
Quando é o segundo turno?
Em 25 de outubro de 2026.







