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Notícias / 10 de outubro de 2026

Eu fui checar

Teatro, robôs e fake news: os jogos da campanha de Lula, só com prova

Um vídeo com passageiros indecisos num vagão do metrô de São Paulo levantou a suspeita de teatro político. A técnica existe e tem nome: Teatro Invisível. Quem gravou esse vídeo, ninguém identificou. Mas outros jogos da campanha de Lula têm prova: militância mandada a agir como robô, vídeos apagados pelo TSE e a fake news da padroeira.

Publicado
10 de outubro de 2026
Atualizado
10 de outubro de 2026
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Lula em entrevista à TV Record, 23 de agosto de 2026. Foto: Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Lula em entrevista à TV Record, 23 de agosto de 2026. Foto: Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Circula nas redes um vídeo gravado num vagão do metrô de São Paulo. Passageiros dizem, um depois do outro, que não sabem em quem votar, e a conversa desliza para vacina, Bolsonaro e corrupção. Muita gente viu ali uma encenação. A técnica existe, tem nome e tem história. Quem gravou esse vídeo, porém, ninguém identificou até agora. E esta revista não acusa sem prova. Os outros jogos da campanha de Lula, esses têm prova.

3 milhõesDe pessoasno canal de Janones que manda a militância agir "como robô"
4Perfis com vídeos apagadosLula, Janja, Janones e Lindbergh, por ordem do TSE
7 a 0No TSEtodos os ministros concordaram que a fake news da padroeira é falsa

Fonte: Estado de Minas, O Povo e CNN Brasil, outubro de 2026.

Que técnica é essa?

Chama-se Teatro Invisível. Atores ensaiam uma cena e a apresentam num lugar público, como um trem, um restaurante ou uma fila, sem que ninguém saiba que é teatro. Os atores não revelam que são atores. O objetivo declarado é provocar o público a discutir o assunto da cena.

Quem criou foi o diretor Augusto Boal, no exílio na Argentina, nos anos 1970. Segundo o próprio Boal, a técnica começou num restaurante e foi levada depois aos trens da Grande Buenos Aires. Perguntado se era ético fingir uma cena para quem passava, ele respondeu: "Embora não fosse verdade, era verdade!"

Augusto Boal, criador do Teatro Invisível. Foto: AnnMari, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Boal voltou ao Brasil e foi eleito vereador pelo PT no Rio de Janeiro, com mandato de 1993 a 1996.

E o vídeo do metrô?

Não há reportagem, checagem ou nota oficial que identifique as pessoas do vídeo, diga quem gravou ou ligue a gravação a alguma campanha. Também não há prova de que seja encenação. Um cuidado: entre 2 e 9 de outubro, o próprio Metrô de São Paulo pôs atores nas estações numa ação de despedida do Bilhete Edmonson, sem nada de política.

O uso eleitoral do Teatro Invisível já foi caso de polícia no Brasil. No Rio de Janeiro, em 2016 e 2024, atores pagos se passavam por moradores comuns e falavam mal de candidatos em pontos de ônibus, padarias e filas de banco. A Polícia Federal deflagrou a Operação Teatro Invisível em 2024 e uma segunda fase em abril de 2025. Os alvos eram políticos de vários partidos.

Janones e a militância "robô"

Na quinta-feira, 8 de outubro, numa live, o deputado André Janones mandou os apoiadores de Lula curtir, comentar e compartilhar os vídeos da campanha antes mesmo de assistir. Admitiu que era agir como robô e disse que seriam só 15 dias. Janones coordena no WhatsApp um canal pró-Lula com cerca de 3 milhões de pessoas, com pauta diária no mesmo horário e sete passos para cada publicação.

Interior de um vagão do metrô de São Paulo. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Os vídeos que o TSE mandou apagar

No mesmo dia 8, os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques mandaram tirar do ar dois vídeos do perfil de Lula, um de Janja e cinco publicações de Janones e Lindbergh Farias. Todos apresentavam como certos cortes e ameaças atribuídos a Flávio Bolsonaro, sem prova mínima. Mendonça lembrou que o plano de governo registrado por Flávio mantém os programas sociais.

A fake news da padroeira

No fim de setembro, viralizou que Flávio queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O projeto que tratava disso é de 2007, de outro deputado, e foi arquivado em 2008. Em 30 de setembro, os sete ministros do TSE concordaram que é falso ligar Flávio a ele.

Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Hallel, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O incêndio na UFPE

Na noite de 7 de outubro, houve um incêndio na Universidade Federal de Pernambuco. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ligou o fogo a bolsonaristas e, no mesmo post, pediu voto a eleitores de outros candidatos. A Polícia Federal investiga três incêndios na universidade em oito dias e, até agora, não encontrou indício de crime. O post sumiu na noite de 8 de outubro.

A cartilha: perguntar em vez de acusar

O "Guia da Conversa", da campanha de Lula, orienta a militância a puxar conversa com indecisos na rua, no ponto de ônibus e na fila do pão, sem brigar. A cartilha para eleitores com mais de 70 anos manda ouvir mais do que falar e fazer perguntas. A mesma cartilha traz oito linhas de ataque a Flávio. Esta revista checou cada uma: a maioria não se sustenta.

O que joga contra, e entra

"O vídeo do metrô é teatro do PT." Não há prova disso. Ninguém identificou as pessoas, e nenhuma campanha assumiu.

"Teatro Invisível é coisa da esquerda." A técnica nasceu com um diretor de esquerda, mas o caso criminoso comprovado no Brasil, no Rio de Janeiro, teve como alvos políticos de vários partidos.

"Os dois lados têm tropa no WhatsApp." Têm: o lado de Flávio também organiza grupos de apoiadores. A diferença está no pedido de compartilhar sem assistir e nas publicações que o TSE mandou apagar por falta de prova.

Perguntas rápidas

O vídeo do metrô com passageiros indecisos é teatro?

Não há prova. Ninguém identificou as pessoas nem quem gravou, e nenhuma campanha assumiu o vídeo até 10 de outubro de 2026.

O que é Teatro Invisível?

Uma técnica criada por Augusto Boal nos anos 1970: atores encenam uma cena em lugar público sem revelar que é teatro, para provocar discussão.

Janones pediu para a militância agir como robô?

Sim. Em live em 8 de outubro, mandou curtir e compartilhar os vídeos antes de assistir e admitiu que era agir como robô.

Quais vídeos o TSE mandou apagar?

Dois vídeos do perfil de Lula, um de Janja e cinco publicações de Janones e Lindbergh Farias, por apresentarem como certas afirmações sobre Flávio sem prova.

Minha opinião

Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.

Eu também ri do vídeo do metrô. Mas aqui a gente só afirma o que consegue provar, e é isso que nos separa de quem fabrica medo. O que está provado já basta: militância mandada a compartilhar sem pensar, vídeos do próprio presidente apagados por mentir e uma fake news sobre a padroeira do Brasil. Quem precisa de tanto truque a 15 dias da eleição está mostrando que não tem argumento.

A resposta

O teatro no metrô é jogo da campanha de Lula? Não dá para afirmar: ninguém identificou quem gravou. Mas a campanha tem jogos com prova: militância "robô", vídeos apagados pelo TSE por falta de prova e a fake news da padroeira, julgada falsa por unanimidade.

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Fontes desta materia

  1. Silvia Balestreri (UFRGS): Verdade e ética no Teatro Invisível, 2013
  2. Fundação Perseu Abramo: Augusto Boal
  3. Augusto Boal, site oficial: Augusto Boal vereador
  4. Wikipedia: Invisible theatre
  5. InfoMoney: nos bastidores do teatro invisível, atores espalharam fake news nas eleições no RJ
  6. O Tempo: PF faz operação contra políticos que usaram teatros de fake news em eleições, abril de 2025
  7. Revista Oeste: Janones orienta militantes a agir como robôs
  8. ContraFatos: Janones manda militantes de Lula agirem como robôs
  9. Estado de Minas: Lula e Flávio montam tropas digitais para o 2º turno
  10. O Povo: TSE manda retirar do ar publicações de Lula, Janja e deputados, 9 de outubro de 2026
  11. SBT News: TSE manda remover posts de Lula, Janja e aliados
  12. CNN Brasil: entenda o que o TSE decidiu sobre a fake news de Nossa Senhora Aparecida
  13. Revista Fórum: PF abre inquérito sobre incêndio na UFPE
  14. O Antagonista: post sobre incêndio na UFPE
  15. CNN Brasil: cartilha do PT orienta militantes a dizer que Lula é católico
  16. Metrô de São Paulo: ação com atores na despedida do Bilhete Edmonson, outubro de 2026