As duas formas estão certas. Cabina e cabine são grafias da mesma palavra, registradas como sinônimas nos dicionários, e a placa da Justiça Eleitoral usa "cabina de votação" porque é assim que a lei eleitoral escreve. Quem leu a placa neste domingo, 4 de outubro de 2026, e achou que era erro de impressão pode ficar tranquilo.
O que dizem os dicionários?
O Dicionário Priberam tem os dois verbetes, com as mesmas definições, e marca um como "sinônimo geral" do outro. O Caldas Aulete registra cabina como galicismo, isto é, palavra que veio do francês.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, e os dicionários Houaiss, Aurélio e Michaelis também trazem as duas formas como sinônimas, segundo a professora Karoline Marianne Barreto, doutora e especialista em Soluções Educacionais da Arco Educação, ouvida pelo Terra e por O Liberal neste domingo. A frase dela: "Do ponto de vista normativo, ambas as palavras são duplos ortográficos."
Duplo ortográfico é o nome que se dá a uma palavra com duas grafias aceitas. É o caso de catorze e quatorze.
De onde vêm as duas formas?
Do mesmo lugar. O Priberam dá a origem: do francês cabine, que por sua vez veio do inglês cabin. Cabine é a palavra francesa mantida como chegou. Cabina é a versão aportuguesada: o "e" mudo do fim da palavra francesa virou "a", como explica Barreto.
No dia a dia do Brasil, cabine ganhou: cabine de avião, cabine de foto, cabine telefônica. Cabina ficou quase só no vocabulário da eleição, segundo a professora.

Qual forma a lei usa?
Cabina, com uma exceção. Eu abri os dois textos no site do Planalto e contei.
| Lei | "Cabina" | "Cabine" | Onde |
|---|---|---|---|
| Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) | 9 vezes | 1 vez | Cabina nos artigos 129, 133, 138 e 146; cabine no artigo 103 |
| Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) | 2 vezes | nenhuma | Artigos 84 e 91-A |
O artigo 138 do Código Eleitoral manda que, ao lado da mesa, haja "uma cabina indevassável". O artigo 103, no inciso II, fala em "isolamento do eleitor em cabine indevassável". A mesma lei, portanto, usa as duas formas, com larga preferência por cabina.
A regra mais lembrada neste domingo também escreve cabina. É o parágrafo único do artigo 91-A da Lei 9.504: "Fica vedado portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas e filmadoras, dentro da cabina de votação." O trecho entrou na lei em 2009.
Por que a Justiça Eleitoral não troca para cabine?
Porque a placa repete a lei. Segundo Barreto, os juristas que redigiram o Código Eleitoral adotaram a forma aportuguesada, e os manuais e as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral mantiveram a grafia dos textos originais. É o que ela chama de cristalização do vocabulário jurídico: o termo fica como foi escrito na norma.

Então, como eu escrevo?
Como preferir. Cabine é a forma mais usada no Brasil e está certa. Cabina é a forma da lei e da placa, e também está certa. Só não vale corrigir o mesário.
O que pode e o que não pode fazer dentro dela está em o que pode e o que não pode no dia da eleição. A história do aparelho que fica lá dentro está em urna eletrônica, 30 anos.
Perguntas que chegam nos comentários
O certo é cabina ou cabine de votação?
As duas formas estão corretas. São grafias da mesma palavra, registradas como sinônimas nos dicionários. A Justiça Eleitoral usa cabina porque é a forma que aparece na lei.
Por que a placa da Justiça Eleitoral diz cabina?
Porque o Código Eleitoral, de 1965, e a Lei das Eleições, de 1997, escrevem cabina. Os manuais e as resoluções do TSE mantiveram a grafia.
Cabine está errado?
Não. Cabine é a forma mais comum no Brasil e está nos dicionários. O próprio Código Eleitoral usa cabine uma vez, no artigo 103.
De onde vem a palavra cabina?
Do francês cabine, que veio do inglês cabin, segundo o Dicionário Priberam. Cabina é a adaptação ao português, com o "e" final trocado por "a".
O que é cabina indevassável?
É a expressão do Código Eleitoral para o espaço fechado onde o eleitor vota sem ser visto. O artigo 138 exige uma ao lado de cada mesa receptora.







