Revista De Castro

Tecnologia / 3 de outubro de 2026

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Urna eletrônica faz 30 anos neste sábado: o que mudou de 1996 até a eleição de amanhã

A urna estreou em 3 de outubro de 1996, em 57 cidades. Amanhã, 158 milhões de eleitores votam nela. Eu fui ler a linha do tempo inteira, como funciona a auditoria que começa hoje de manhã, o que os críticos pedem e o que a Justiça Eleitoral responde. Os dois lados, com fonte.

Publicado
3 de outubro de 2026
Atualizado
3 de outubro de 2026
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Tecnologia
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9 min
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Mascote da urna em evento dos 30 anos no TSE. TSE / Wikimedia Commons, domínio público
Mascote da urna em evento dos 30 anos no TSE. TSE / Wikimedia Commons, domínio público

A urna eletrônica brasileira completa 30 anos neste sábado, 3 de outubro de 2026. Ela foi usada pela primeira vez em 3 de outubro de 1996, nas eleições municipais, em 57 cidades. Amanhã, domingo, 158 milhões de eleitores aptos votam nela em todo o país, segundo o TSE, e quase 89% deles vão se identificar pela digital.

Eu fui ler a história inteira, do primeiro modelo com impressora acoplada à auditoria que começa hoje de manhã nos tribunais regionais. Esta matéria não toma partido: cada lado da discussão sobre a urna aparece com a sua fonte.

Como a urna chegou às 57 cidades de 1996?

Devagar. O Código Eleitoral de 1932 já previa "máquinas de votar", segundo a Wikipédia. A primeira contagem eletrônica de votos aconteceu em 1982, em Santa Catarina, e em 1989 Brusque (SC) fez a primeira votação eletrônica válida.

A urna que o país conhece foi desenvolvida em 1996 pelas empresas Unisys, Omnitech e Microbase. O modelo UE1996 teve 70 mil unidades, com impressora acoplada; foi descartado em 2008.

Eleitor digita o número e aperta Confirma em urna apresentada pelo TSE numa feira de ciências. Foto: TSE / Wikimedia Commons, domínio público

Em 2000, veio a primeira eleição 100% eletrônica do país. Segundo a Wikipédia em inglês, o Brasil continua, até 2023, o único país do mundo a fazer a eleição inteira por voto eletrônico.

A linha do tempo em uma tabela

AnoO que aconteceuFonte
1996Estreia em 57 cidades; modelo UE1996, 70 mil urnasWikipédia, ABCD News
2000Primeira eleição totalmente eletrônicaWikipédia
2002Teste de voto impresso com cerca de 7 milhões de eleitores (Sergipe, DF e 73 municípios)Wikipédia
2003Lei 10.740 revoga o voto impressoWikipédia
2008Sistema migra para Linux; biometria testada em 3 cidadesWikipédia, InvestNews
2009Primeiro teste público de segurança: 20 especialistas, 9 equipesWikipédia
2018STF suspende o voto impresso da Lei 13.165/2015Wikipédia
2020Modelo UE2020: 206 mil unidades, fabricadas pela PositivoWikipédia
2021Câmara rejeita a PEC 135/2019, do voto impressoWikipédia
2026158 milhões de eleitores; 88,78% com biometriaAgência Brasil

Interior da urna aberto para inspeção, com placas e cabos à mostra. Foto: TSE / Wikimedia Commons, domínio público

O que é a biometria e quantos eleitores têm?

A digital do eleitor, cadastrada no cartório eleitoral, serve para a urna confirmar que quem está na cabine é o dono do título. O primeiro teste aconteceu em 2008, em três municípios: São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO), segundo a InvestNews.

Em 7 de maio de 2026, no fechamento do cadastro, o TSE informou 158 milhões de eleitores aptos e 88,78% com biometria, cerca de 140 milhões de pessoas. "Em 2024, nós tínhamos 82% dos eleitores com biometria. Hoje, nós temos 88,78% de eleitores biometrizados, um aumento de 6%, equivalente a mais de 9 milhões de novos eleitores com biometria", disse o corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, segundo a Agência Brasil. A InvestNews, com dados de julho, fala em 141.321.545 eleitores com biometria, 89,01% de 158.765.543.

Quem não tem biometria vota do mesmo jeito, com documento oficial com foto. A urna faz até quatro tentativas de leitura da digital; se não reconhecer, o mesário libera o voto por outro procedimento, segundo a NSC Total.

A urna UE2020, modelo com 206 mil unidades, tela tátil e Linux. Foto: TSE / Wikimedia Commons, domínio público

Como funciona a auditoria que começa hoje?

Em duas etapas, hoje e amanhã.

Hoje, sábado, das 7h às 12h, cada tribunal regional faz a cerimônia pública de sorteio das seções eleitorais cujas urnas vão ser auditadas, segundo a Infopebas. A partir das 12h, vem a verificação da integridade e da autenticidade dos sistemas de transmissão e totalização.

Amanhã, domingo, é o teste de integridade. As urnas sorteadas, já prontas para o uso, são retiradas das seções e levadas ao tribunal, onde recebem uma votação paralela: pessoas preenchem cédulas de papel, digitam o mesmo voto na urna, e no fim o resultado eletrônico é comparado com a contagem das cédulas. Tudo filmado e acompanhado por fiscais externos, segundo a Gazeta de São Paulo. Em Pernambuco, por exemplo, serão 25 urnas, duas delas em teste com identificação biométrica, das 7h às 17h, com transmissão no YouTube do TRE-PE, segundo o Portal de Prefeitura e o Diário de Pernambuco.

Uma frase da Gazeta de São Paulo resume o histórico dos testes: desde 1996, "nenhuma divergência entre o voto de papel e o eletrônico foi encontrada".

Antes de a votação começar, ainda nas seções sorteadas, há o teste de autenticidade, que confere se o programa instalado na urna é o mesmo que a Justiça Eleitoral assinou digitalmente e lacrou.

Agentes carregam urnas para o transporte no segundo turno de 2022. Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Quem pode olhar o código-fonte?

Partidos, universidades e órgãos públicos, meses antes da eleição. Segundo a Wikipédia em inglês, o código fica fechado ao público em geral, mas aberto periodicamente para inspeção de entidades, universidades e todos os partidos políticos.

Outro ponto de verificação é o boletim de urna, impresso no fim da votação em cada seção, com o total de cada candidato. A urna também não tem Wi-Fi nem Bluetooth, o que, segundo a Gazeta de São Paulo, a deixa imune a ataque remoto.

O que os críticos pedem?

Um registro em papel que o eleitor possa ver. É a ideia do voto impresso, que já virou lei três vezes.

A Lei 10.408/2002 criou o voto impresso e ele foi testado naquele ano com cerca de 7 milhões de eleitores; a Lei 10.740/2003 revogou. A Lei 12.034/2009 previa o voto impresso a partir de 2014 e foi considerada inconstitucional em 2011. A Lei 13.165/2015 trouxe a obrigação de volta, e em junho de 2018 o STF suspendeu a implantação, por risco ao sigilo do voto, segundo a Wikipédia.

A última tentativa foi a PEC 135/2019, rejeitada pelo plenário da Câmara em 2021.

A crítica acadêmica, ainda segundo a Wikipédia, aponta três faltas: a impressão física, a auditoria por amostragem com limite de risco e a independência do software. Em 2012, uma equipe da UnB encontrou uma vulnerabilidade no embaralhamento dos votos, e o TSE corrigiu a rotina. Em 2016, o teste público achou uma falha no código verificador do boletim de urna, e o TSE mudou o cálculo.

Cédula de papel usada em eleição municipal, reproduzida em cartilha da Justiça Eleitoral. Imagem: Justiça Eleitoral / Wikimedia Commons, domínio público

O que o TSE responde?

Que o sistema já é seguro e que o papel traria mais risco, não menos. A posição do tribunal, resumida pela Wikipédia, é que o custo é alto (o TSE estimou R$ 1,8 bilhão em 2018; o STF citou R$ 2 bilhões) e que a intervenção humana na contagem aumentaria a chance de fraude, em vez de diminuir.

Em 2020, o TSE autorizou auditoria por CNJ, TCU, Forças Armadas e universidades. Em 2022, as Forças Armadas fizeram testes entre 2 e 19 de agosto; o relatório apontou "possível risco à segurança" durante a compilação do código-fonte, segundo a Wikipédia, sem apontar fraude. Depois da eleição daquele ano, o PL pediu ao TSE a anulação dos votos de urnas sem número de identificação; o tribunal negou e multou o partido em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé, segundo a Wikipedia.

A urna em números

NúmeroO que éFonte
57cidades que estrearam a urna em 1996Wikipédia
70 milurnas do modelo UE1996Wikipédia
206 milurnas do modelo UE2020Wikipédia
158 milhõeseleitores aptos em 2026Agência Brasil
88,78%eleitores com biometria (maio de 2026)Agência Brasil
25urnas no teste de integridade de PernambucoPortal de Prefeitura

O que joga contra, e entra

"A urna nunca foi testada de verdade." Foi, em público, desde 2009: 20 especialistas de 9 equipes no primeiro teste, e falhas achadas em 2012 e 2016 foram corrigidas, segundo a Wikipédia. Os críticos respondem que teste público não substitui registro em papel.

"O voto impresso é só um pedido político." Ele foi lei em 2002, 2009 e 2015, e cada vez caiu por revogação ou decisão judicial. Há argumento técnico dos dois lados: auditabilidade de um lado, sigilo e custo do outro.

"As Forças Armadas acharam fraude em 2022." Não é o que o relatório diz. Ele apontou "possível risco" num ponto do processo de compilação, segundo a Wikipédia. O pedido de anulação feito depois foi negado pelo TSE.

Os números de biometria divergem. A Agência Brasil, em maio, fala em 88,78%; a InvestNews, em julho, em 89,01%. A diferença é de data de corte.

Trinta anos depois

A urna de 1996 tinha impressora e rodava num sistema parecido com o MS-DOS. A de amanhã roda Linux, lê digital e será conferida contra cédulas de papel em cada estado, com câmera ligada. O que não mudou é a discussão: quem vota quer ter certeza de que o voto chegou inteiro. A auditoria de hoje e de amanhã é a resposta da Justiça Eleitoral; o voto impresso é a que parte dos críticos ainda pede. As duas estão aqui com fonte.

Perguntas que chegam nos comentários

Quando a urna eletrônica foi usada pela primeira vez?

Em 3 de outubro de 1996, nas eleições municipais, em 57 cidades. A primeira eleição 100% eletrônica foi em 2000.

Como é feita a auditoria da urna?

No sábado, os tribunais sorteiam seções em cerimônia pública. No domingo, as urnas sorteadas recebem uma votação paralela com cédulas de papel, e o resultado eletrônico é comparado com a contagem manual, com filmagem e fiscais.

Preciso ter biometria para votar amanhã?

Não. Quem tem o título regular vota com documento oficial com foto. A urna tenta ler a digital até quatro vezes e, se não reconhecer, o mesário libera o voto.

O voto impresso é proibido?

Ele foi lei em 2002, 2009 e 2015 e caiu por revogação ou decisão do STF. A PEC 135/2019, que o traria de volta, foi rejeitada pela Câmara em 2021.

Quantos eleitores votam em 2026?

158 milhões de eleitores aptos, segundo o TSE, com 88,78% deles com biometria cadastrada em maio.

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Fontes desta materia

  1. ABCD News, Hoje é dia: datas, fatos e feriados de outubro de 2026
  2. Wikipédia, Urna eletrônica brasileira (linha do tempo, modelos, testes de segurança e legislação do voto impresso)
  3. Wikipedia, Electronic voting in Brazil
  4. Gazeta de São Paulo, 30 anos de urnas: como o teste de integridade impede fraudes
  5. Infopebas, Eleições 2026: véspera do primeiro turno tem últimos atos de campanha e auditoria das urnas
  6. Portal de Prefeitura, Eleições 2026: TRE-PE realiza Teste de Integridade das urnas eletrônicas no dia da votação
  7. Diário de Pernambuco, TRE inicia auditoria das urnas eletrônicas para as eleições de 2026 em Pernambuco
  8. Agência Brasil (Radioagência Nacional), Brasil tem 158 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, divulga TSE, 7 de maio de 2026
  9. InvestNews, A biometria é obrigatória nas eleições 2026?, 28 de julho de 2026
  10. NSC Total, Biometria é obrigatória nas Eleições 2026? Como saber se a sua está em dia
  11. Wikipedia, 2022 Brazilian general election (pedido do PL para anular votos e multa do TSE)