Quem passou pelo Aeroporto de Congonhas nas últimas semanas pode ter visto a Semavy em painel eletrônico. A Semavy é uma das semaglutidas novas, a mesma substância do Ozempic.
Em 25 de setembro, o Diário Oficial publicou a Resolução-RE nº 3.750, da Anvisa, que suspende essa propaganda.
O que diz a resolução
A medida atinge a Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos, empresa em nome da qual a Semavy está registrada. A Agência Brasil identifica a Hypera Pharma como fabricante.
O motivo, nas palavras da Anvisa, é a "divulgação irregular do medicamento, por meio de painéis eletrônicos localizados no aeroporto de Congonhas", do site, do Instagram e de vídeos promocionais "perante o público em geral".
A regra quebrada é o parágrafo 1º do artigo 58 da Lei 6.360, de 1976. Ele diz que remédio vendido com receita só pode ser anunciado em "publicações que se destinem exclusivamente à distribuição a médicos, cirurgiões-dentistas e farmacêuticos".
A Hypera disse à Agência Brasil que está em "diálogo permanente e transparente com a Anvisa" e que já adotou "as medidas necessárias".
A Semavy teve o registro publicado em 29 de julho, na Resolução-RE nº 2.941. A resolução de setembro não diz desde quando os painéis estavam no ar.
A outra ponta: o pó
Dois dias antes, em 23 de setembro, a Anvisa tinha soltado outro alerta: a venda de tirzepatida em pó pela internet. A tirzepatida é a substância do Mounjaro.
O produto é vendido para ser diluído em casa e injetado, com tutorial em rede social. A Anvisa explicou o risco em três frases, segundo a Agência Brasil:
- "não é seguro manipular e utilizar medicamentos que não foram produzidos em um ambiente estéril"
- "não é possível comprovar sua concentração, nem a presença de impurezas e agentes contaminantes"
- "quando uma substância é injetada no corpo, acessa o organismo diretamente e pode se transformar em uma infecção grave"
Por que as duas coisas aconteceram agora
O mercado mudou de tamanho em seis meses. A patente do Ozempic caiu em 20 de março de 2026, segundo o Portal 6. De lá para cá, a Anvisa aprovou 14 canetas novas só neste ano, dez delas de semaglutida.
O ministro Alexandre Padilha diz que o preço caiu de R$ 1,7 mil ou R$ 2 mil para R$ 300 a R$ 400 na farmácia (Agência Brasil, 24/09/2026).
Só em 2026 foram dez canetas novas de semaglutida disputando o mesmo paciente. E, fora da farmácia, um pó sem registro que, segundo a Agência Brasil, já foi alvo de várias ações policiais.
O que este texto não diz
A resolução suspende a propaganda. Ela não trata da qualidade da Semavy, que é um remédio registrado.
Caneta de emagrecer é remédio de tarja vermelha, vendido com receita. Quem pensa em usar deve conversar com o médico.








