Thais Carla, 34 anos, a bailarina que dançou no balé de Anitta e virou um dos rostos mais conhecidos da luta contra a gordofobia no Brasil, contou na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, que a cirurgia para retirar o excesso de pele "está chegando perto". Ela pesava 200 quilos. Em 12 de agosto, mostrou 88 na balança.
Os sites arredondaram para 120 quilos a menos. O último número que ela mostrou é 112. A data da nova cirurgia, ela não disse. Sobre a bariátrica, disse que não se arrepende: "Eu acho que eu fiz no momento certo, na hora certa e foi uma virada de vida na minha carreira e tudo o que eu estou vivendo nesse momento".
Quem é Thais Carla?
Thais Carla da Rocha dos Santos nasceu em Nova Iguaçu, no Rio, em 15 de outubro de 1991. Fez balé clássico dos 4 aos 16 anos. Aos 14, já dava aula na escola de dança da irmã.
Os professores tinham uma frase para ela, que ela repetiu ao Terra em 2023: "Eles diziam que eu até poderia dançar, mas não chegaria a lugar algum por ser gorda".
A bariátrica que ela quase fez aos 16
Pouca gente sabe que a bariátrica apareceu na vida dela muito antes de 2025. Segundo o Bahia Notícias, ela decidiu fazer a cirurgia aos 16 anos, em 2007. Em janeiro de 2019, contou ao site por que recuou: "Não estava acontecendo nada naquela época na dança e meu pai já estava vendo para eu fazer pelo SUS. Só que em seguida apareceu o 'Se Vira nos 30' do Faustão e voltei atrás".
Aos 17, ainda cansada dos comentários, chegou a tomar remédio para emagrecer. Em 2009 venceu o quadro do Faustão e levou R$ 15 mil. Na entrevista de 2019, fechou a porta: "Acho que não era para fazer mesmo. Hoje, não faria. Não penso nisso".
Do Faustão ao balé de Anitta
De 2012 a 2016, dançou no balé do Legendários, de Marcos Mion, na Record, com o apelido de Gordinha Esquema. Em 2017 entrou para o balé de Anitta, onde ficou até 2019. A fase de "Paradinha", lançada em maio de 2017, tinha um segredo: "Quando dancei com a Anitta no projeto da 'Paradinha', já estava grávida de cinco meses. Eu sabia, mas não contei para ninguém porque não me deixariam dançar".
Em junho de 2018, dançou no Rock in Rio Lisboa. A fama trouxe o outro lado. "Os gordofóbicos choram quando veem uma pessoa gorda vitoriosa, ainda mais quando essa pessoa é uma mulher", disse ela em 2023.
Os ataques e os processos
Em outubro de 2021, a 8ª Vara Cível dos Juizados de Salvador condenou o humorista Léo Lins a pagar R$ 5 mil a ela, por um vídeo que usou a imagem dela sem autorização. "Não merecemos viver isso caladas!", escreveu Thais.
Em março de 2022, uma liminar da 2ª Vara dos Juizados de Salvador mandou Danilo Gentili apagar posts sobre ela. O conflito vinha de 2019, quando ela reclamou do tamanho da poltrona do avião. A decisão diz que o réu "expõe e ridiculariza a Autora em seu trabalho, incitando ódio".
Em junho de 2025, ao Metrópoles, ela resumiu o que era sair de casa: "No restaurante, eu não penso no que vou comer. Penso na cadeira". E o pior que ouviu: "Já me disseram que eu tinha que morrer queimada".
A camiseta
Em 20 de outubro de 2024, na São Paulo Fashion Week, Thais desfilou com uma camiseta escrita "I love Ozempic". À revista Quem, fez piada: "Nem precisei tomar, só vesti e já estou me sentindo mais leve de tanto rir".

A virada: 30 quilos em silêncio
Nos meses seguintes, ela perdeu 30 quilos e guardou segredo sobre a cirurgia. Em 28 de abril de 2025, fez a bariátrica no Hospital Aliança, em Salvador. A técnica foi o bypass, que reduz o estômago e desvia parte do intestino. Pesava cerca de 170 quilos. "Foi um sucesso, levou em torno de uma hora", disse o então marido, Israel Reis, à CNN Brasil.
O motivo, segundo ela: "Tenho uma família que me aceita como sou. Não precisava mudar, mas quis. Quis ter uma vida diferente, brincar com minhas filhas, voltar a dançar". Semanas depois, contou que teve diabetes gestacional na segunda gravidez, "que depois voltou".
Parte de quem a seguia falou em traição. Ao Gshow, ela respondeu: "Sempre defendi o amor-próprio, que é algo completamente diferente", e "o corpo é meu, a decisão é minha e o caminho é meu também".
A caneta depois da cirurgia
Três meses depois da bariátrica, em julho de 2025, ela admitiu usar Mounjaro, a tirzepatida. A Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), pelo presidente Durval Ribas Filho, disse que o uso "tão pouco tempo após a bariátrica chama a atenção".
Em 2 de agosto de 2026, ela voltou ao assunto: "Muita gente perguntou se uso canetinhas emagrecedoras. Sim, mas as aprovadas pela Anvisa e com acompanhamento médico indicado para o meu caso". Qual caneta usa hoje, ela não disse.
Os números
| Quando | Peso | Fonte |
|---|---|---|
| Antes do tratamento | 200 kg | Ela, em 12/08/2026 |
| Dia da bariátrica, 28/04/2025 | cerca de 170 kg | Metrópoles |
| Julho de 2025 | cerca de 148 kg | Terra |
| Outubro de 2025 | 130 kg | O Tempo |
| Dezembro de 2025 | 119 kg | CNN Brasil |
| Abril de 2026 | cerca de 99 kg | Metrópoles |
| 12 de agosto de 2026 | 88 kg | Ela, em vídeo |
Com 119 quilos, em dezembro, ela disse: "A última vez que pesei isso eu tinha 16 anos". Com 88, em agosto: "Estou com 88. Eu tinha 200. Emagreci 112 quilos".

A separação
Em 10 de julho de 2026, Thais e Israel Reis anunciaram o fim de 11 anos juntos. São pais de Maria Clara, de 9 anos, e Eva, de 6. Em 28 de setembro, ela falou do recomeço: "Depois de 11 anos casada, eu posso dizer para vocês que dá muito frio na barriga recomeçar".
A pele: o que dizem os médicos
Num evento em São Paulo, em 22 de setembro, ela contou o medo de um novo relacionamento: "É um corpo novo, cheio de pele. Poderia ser estranho".
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) diz que a plástica deve vir quando o peso se estabiliza, o que costuma levar de 1 a 2 anos após a bariátrica. A ordem mais comum começa pelo abdome. Ao Metrópoles, o cirurgião plástico Régis Ramos pede peso estável por 3 a 6 meses e lista riscos: abertura de pontos, infecção, trombose e embolia. Em 28 de outubro, Thais completa 18 meses de bariátrica.
Sobre o custo: em 2023, o STJ fixou no Tema 1.069 que o plano de saúde deve pagar a plástica reparadora pós-bariátrica quando o médico indica. Pela lei, é tratamento. A SBCBM lembra que a sobra de pele pode causar candidíase de repetição, infecção por atrito e hérnia.
O que joga contra, e entra
"Ela enganou quem seguia." Ela mudou de ideia, e isso está registrado. Em 2019, disse "Hoje, não faria". Em 2025, fez. O que ela sustenta é que nunca defendeu a doença, e sim o respeito. As duas coisas cabem na mesma pessoa.
"Foi só a caneta." O grosso da perda veio da cirurgia de bypass, que o Conselho Federal de Medicina lista entre as técnicas mais indicadas na Resolução 2.429/2025. A caneta entrou depois, segundo ela, com médico.
"Cirurgia de pele é estética." A SBCBM e o STJ tratam como parte do tratamento da obesidade.
"Foi em Recife." Circula essa versão. Metrópoles e a imprensa baiana registraram o Hospital Aliança, em Salvador.
"120 quilos." É arredondamento dos sites. Ela mostrou 112.
A resposta
Thais Carla trocou de corpo e manteve a pauta. Em 16 de setembro, disse: "Eu sempre fui feliz, inclusive antes da bariátrica". Em 22 de setembro, segundo o Mix Vale: "Meu corpo atual não apaga a mulher gorda que fui, nem tudo o que vivi e enfrentei". A próxima cirurgia não tem data. A frase dos professores, "não chegaria a lugar algum", já tem resposta.
Leia também: a obesidade que triplicou no Brasil, segundo a Lancet e quando a caneta pode chegar ao SUS.
Perguntas que chegam nos comentários
Quantos quilos Thais Carla perdeu?
Ela pesava 200 kg e mostrou 88 kg em 12 de agosto de 2026: 112 kg a menos. Os 120 kg dos sites são arredondamento.
Quando Thais Carla fez a bariátrica?
Em 28 de abril de 2025, no Hospital Aliança, em Salvador. A técnica foi o bypass gástrico.
Thais Carla usa caneta emagrecedora?
Sim. Admitiu o Mounjaro em julho de 2025. Em agosto de 2026 disse usar canetas aprovadas pela Anvisa, com médico, sem citar marca.
Quando será a cirurgia de retirada de pele?
Ela não informou a data. Em 28 de setembro de 2026 disse só que "está chegando perto".
O plano de saúde cobre a retirada de pele depois da bariátrica?
Sim, quando o médico indica a cirurgia como reparadora. É o que o STJ decidiu no Tema 1.069, em 2023.








