Eduarda Campopiano tem 23 anos e é do PL. No domingo, 4 de outubro, teve 1.956.205 votos em São Paulo e virou a deputada estadual mais votada do Brasil. É a segunda maior votação da história do estado para o cargo.
Esta página tem lado: eu acho que ela está sendo atacada de um jeito que ninguém aceitaria se a vítima fosse de esquerda. Abaixo está cada episódio, com data e fonte, para você conferir.
Fontes: TSE, Gazeta do Povo e Revista Oeste.
Quem é ela
Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas. Começou a falar de política nas redes aos 18 anos e, aos 19, já era comentarista na Jovem Pan.
Em 2024, foi eleita vereadora em Praia Grande com 3.583 votos, a mulher mais votada da cidade. Dois anos depois, teve mais de 500 vezes essa votação.
As bandeiras são conhecidas: é contra o aborto, critica o feminismo e defende a liberdade de expressão. Como vereadora, destinou uma emenda de R$ 550 mil para consultas, exames e cirurgias em Praia Grande.

Ataque 1: o vídeo falso
Na segunda-feira depois da eleição, perfis de esquerda espalharam um vídeo em que uma moça beija um rapaz numa festa. A legenda dizia que era a deputada.
O vídeo é de uma indiana chamada Ananya, dona do perfil @blessings_soul no X. Ela mesma publicou a captura das postagens e escreveu: "Postagem copiada."
Eduarda disse à Revista Oeste que a equipe jurídica dela vai processar o X e quem compartilhar o conteúdo falso.
Ataque 2: a camiseta
Em 6 de outubro, o cabeleireiro de Eduarda publicou uma foto dela usando uma camiseta do Angra, banda brasileira de heavy metal.
O ex-baterista Marco Antunes respondeu chamando a deputada de "fascistinha", "demônio precoce" e "psicopatinha", e mandou tirar a camiseta. O ex-baixista Luis Mariutti foi perguntado se concordava e respondeu: "Com toda certeza!"
Ela não respondeu. O cabeleireiro, Anderson Bonani, disse que a foto era um gesto de gratidão e que evita política no salão.

O que joga contra ela
Parte da reação começou com um post da própria Eduarda. À 1h20 de segunda-feira, ela escreveu no X para a deputada federal Erika Hilton, do PSOL, perguntando como era saber que um "homem biológico" nunca ocuparia o espaço da mulher mais votada de São Paulo. O post passou de 1 milhão de visualizações.
O Metrópoles e outros veículos noticiaram a frase como ataque transfóbico. Na véspera, Erika havia registrado boletim de ocorrência por uma ameaça de morte recebida por e-mail. Nenhuma reportagem liga Eduarda a essa ameaça.
Minha opinião: frase se responde com frase. Quem discorda dela tem todo o direito de dizer isso em público. Vídeo falso e xingamento a uma mulher de 23 anos são outra coisa.
Antes da eleição: o assédio ao vivo
Em 23 de maio de 2026, Eduarda participou do quadro Contraponto, do podcast RedCast. O debate era sobre liberdade sexual: de um lado, duas mulheres que se apresentavam como bruxas feministas; do outro, Eduarda e outra convidada cristã.
Uma das debatedoras, identificada como Savani, disse a ela ao vivo: "Te chuparia toda, garota." Eduarda se levantou para sair do estúdio, ficou e pediu respeito aos organizadores. A debatedora voltou ao assunto mais adiante e repetiu o comentário.
Eduarda escreveu depois: "Se fosse um homem já estaria preso por assédio." E anunciou que tomaria as medidas legais. Eu não encontrei, até a publicação desta matéria, registro público do andamento do processo nem resposta do canal.

Antes ainda: o soco na USP
Em 4 de março de 2026, Eduarda acompanhava uma panfletagem do então vereador Lucas Pavanato na Cidade Universitária, em São Paulo. O tema era aborto.
Houve empurra-empurra entre manifestantes e a equipe do vereador. Segundo o relato dos parlamentares, um estudante deu um soco na boca de Eduarda e levou o celular dela. Um segurança interceptou a pessoa e o aparelho foi recuperado.
O episódio teve outro lado: estudantes denunciaram agressões de seguranças de Pavanato, e pelo menos três pessoas ficaram feridas naquele dia.

Os ataques, numa tabela
| Quando | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| 4 de março de 2026 | Soco na boca e celular levado na USP | Revista Oeste |
| 23 de maio de 2026 | Comentário sexual ao vivo no RedCast, repetido | Revista Oeste e Gazeta do Povo |
| 5 de outubro de 2026 | Vídeo falso de beijo, que é de uma indiana | Revista Oeste e ND Mais |
| 6 de outubro de 2026 | "Fascistinha" e "demônio precoce" por uma camiseta | SP Diário |
Dois pesos
Nas reportagens que eu li sobre os quatro episódios, não há registro de nota de entidade feminista em defesa dela. Se uma vereadora de esquerda de 22 anos ouvisse aquela frase de um homem de direita, ao vivo, o caso estaria em todos os jornais no dia seguinte.
Minha opinião: defesa de mulher que depende do partido da vítima é torcida. Dá para discordar de tudo o que Eduarda Campopiano pensa e, ainda assim, dizer que soco, assédio e mentira não são resposta.
Perguntas que chegam nos comentários
Quem é Eduarda Campopiano?
É a deputada estadual eleita mais votada do Brasil em 2026, com 1.956.205 votos em São Paulo. Tem 23 anos, é do PL e era vereadora em Praia Grande desde 2024.
O vídeo do beijo é dela?
Não. O vídeo foi publicado originalmente por uma indiana chamada Ananya, no perfil @blessings_soul, que avisou que a postagem foi copiada.
O que aconteceu no podcast RedCast?
Em 23 de maio de 2026, uma debatedora identificada como Savani fez um comentário sexual explícito a Eduarda, ao vivo, e repetiu depois. Eduarda denunciou assédio.
Por que ela foi xingada por causa de uma camiseta?
Ela apareceu numa foto com camiseta do Angra. Um ex-baterista da banda a chamou de "fascistinha" e "demônio precoce", e um ex-baixista endossou.
O que ela escreveu sobre Erika Hilton?
Que um "homem biológico" nunca ocuparia o espaço da mulher mais votada de São Paulo. Parte da imprensa classificou a frase como ataque transfóbico.







