Flávio Bolsonaro não vai cortar o Bolsa Família. Está escrito no plano de governo que ele registrou no TSE: "Quem depende hoje da ajuda do Estado para pôr comida na mesa não vai ter essa ajuda tirada. Ponto." E os números oficiais mostram que quem mais aumentou o dinheiro no bolso dessas famílias não foi o PT.
Fonte: CNN Brasil (dados do Ministério da Economia) e Agência Brasil.
Quanto o Bolsa Família pagava?
O Bolsa Família começou em outubro de 2003, no primeiro governo Lula. No primeiro pagamento, a média por família foi de R$ 73,67. Em 2010, último ano de Lula, ficou em R$ 97. Em 2014, com Dilma, ficou entre R$ 150 e R$ 168.

Em outubro de 2021, último mês antes da troca de programa, a média era de R$ 189, para 14,6 milhões de famílias.
| Quando | Média por família |
|---|---|
| Outubro de 2003 (primeiro pagamento) | R$ 73,67 |
| Fim de 2010 (último ano de Lula) | R$ 97 |
| 2014 (Dilma) | entre R$ 150 e R$ 168 |
| Outubro de 2021 (fim do Bolsa Família) | R$ 189 |
| Novembro de 2021 (primeiro mês do Auxílio Brasil) | R$ 224 |
| Dezembro de 2022 (Auxílio Brasil, com Bolsonaro) | R$ 607,14 |
| Outubro de 2026 (piso novo, com Lula) | R$ 691 de piso |
O que mudou em 2022?
Em novembro de 2021, o Bolsa Família virou Auxílio Brasil. Em dezembro, o piso foi para R$ 400. Em agosto de 2022, para R$ 600. Em dezembro de 2022, a média chegou a R$ 607,14, paga a 21,6 milhões de famílias, o recorde até então.
De R$ 189 para R$ 607 são 3,2 vezes mais. Descontada a inflação do período, são 3 vezes. É o que o próprio plano de Flávio lembra: o Auxílio Brasil "triplicou o valor pago às famílias".

O que o plano de Flávio diz, palavra por palavra?
O plano registrado no TSE trata do assunto em três páginas. Na página 9: "Manteremos e aperfeiçoaremos os programas sociais, porque nenhum brasileiro pode ficar para trás."
Na página 42: "Vamos manter os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate às fraudes. Quem depende hoje da ajuda do Estado para pôr comida na mesa não vai ter essa ajuda tirada. Ponto."
Na página 43, o plano vai além. Quem recebe o benefício terá prioridade nos programas de primeiro emprego e de qualificação. E, se o emprego não der certo, volta ao benefício na hora, sem fila, "para que ninguém tenha medo de tentar um emprego e acabar desamparado".
O que Flávio disse
Em 17 de setembro, numa live: "Comigo tá garantido o Bolsa Família." Prometeu manter o reajuste para R$ 691 e "fazer muito mais do que isso".
Em 8 de outubro: "É mentira que eu acabaria com o Bolsa Família." E: "O Bolsa Família é sagrado, ninguém toca." Nesta sexta, 9 de outubro, no Rio: "Não existe isso de acabar com o Bolsa Família. Eu vou garantir o Bolsa Família para quem precisa."

Então de onde veio a história do corte?
De peças da campanha de Lula e de montagens nas redes. Na quinta-feira, 8 de outubro, o ministro André Mendonça, do TSE, mandou Lula apagar um vídeo que atribuía a Flávio cortes em programas sociais. Na decisão, escreveu que o plano de governo "contém compromisso expresso de manutenção dos programas sociais existentes".
O vídeo que circula no WhatsApp, em que Flávio diria que vai acabar com o Bolsa Família, o BPC e as aposentadorias, é falso. Segundo o Boatos.org, foi feito com inteligência artificial sobre imagens de um pronunciamento de 4 de outubro. Uma montagem anterior, de maio, já tinha sido classificada como falsa pelo Aos Fatos.
Quanto vale o benefício hoje?
O decreto de Lula de 17 de setembro de 2026 subiu o piso de R$ 600 para R$ 691, a partir da folha de outubro. São 19,29 milhões de famílias (setembro de 2026).
Pela inflação medida pelo INPC, os R$ 600 de agosto de 2022 valeriam hoje cerca de R$ 707, pela conta da revista com os índices do IBGE. O piso novo fica 2,3% abaixo disso. Foi o que Flávio quis dizer em setembro: os R$ 600 "hoje não compram mais o que compravam na época do presidente Bolsonaro".
O que joga contra, e entra
"Os R$ 600 de Bolsonaro tinham data para acabar." Tinham: o complemento de R$ 200 valia até 31 de dezembro de 2022, e o orçamento de 2023 enviado pelo governo previa média de R$ 405. A equipe da época disse que os R$ 600 dependiam de mudar a Constituição. Quem garantiu os R$ 600 em 2023 foi a PEC da Transição, aprovada no fim de 2022.
"Flávio chamou o reajuste de Lula de merreca." Chamou, porque achou pouco. No mesmo dia, prometeu manter o reajuste e aumentar.
"Um deputado do PL foi ao TSE contra o reajuste." Foi, e a ação nem foi analisada. Flávio respondeu: "Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso."
"A equipe de Flávio estuda cortar R$ 250 bilhões." É o que publicou a Folha, e a campanha diz que não é posição oficial. A própria reportagem informa que o Bolsa Família "fica fora das medidas descritas".
"O plano não escreve 'Bolsa Família'." Não escreve o nome. Escreve "programas sociais existentes", e o Bolsa Família é o maior deles.
Perguntas rápidas
Flávio Bolsonaro vai acabar com o Bolsa Família?
Não. O plano de governo registrado no TSE diz: "Quem depende hoje da ajuda do Estado para pôr comida na mesa não vai ter essa ajuda tirada. Ponto." Flávio repetiu em 8 e 9 de outubro que vai manter o programa.
Quanto o Bolsa Família pagava em média?
R$ 73,67 no primeiro pagamento, em 2003; R$ 97 em 2010; e R$ 189 em outubro de 2021, quando o programa virou Auxílio Brasil.
Quem levou o benefício a R$ 600?
O governo Bolsonaro, em agosto de 2022. Em dezembro daquele ano, a média chegou a R$ 607,14.
O vídeo de Flávio dizendo que vai acabar com o Bolsa Família é verdadeiro?
Não. É deepfake, feito com inteligência artificial, segundo o Boatos.org.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
O medo é a arma mais barata de uma campanha. Assustar quem depende de R$ 600 para encher o carrinho é cruel, ainda mais quando o próprio TSE já disse que o plano de Flávio garante o benefício. O número que o PT não gosta de mostrar é este: nos 13 anos de governo do PT, a média do Bolsa Família nunca chegou a R$ 200.
A resposta
Flávio vai cortar o Bolsa Família? Não. O plano de governo garante, ele repetiu em público, e o TSE mandou apagar o vídeo que dizia o contrário. E quem triplicou o dinheiro no bolso da família foi o governo Bolsonaro, de R$ 189 para R$ 607.







