O candidato é Renan Santos, do partido Missão. Concorrente direto do candidato que eu apoio. Guarde essa informação, porque ela importa no final.
Entre um domingo e uma terça-feira, ele foi suspenso e liberado pelo mesmo ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Eu fui atrás da linha do tempo inteira, porque ela diz muito sobre a eleição em que você vai votar.
A linha do tempo, com data
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 7 de agosto | O Missão registra a candidatura de Renan Santos e do vice, Aroldo Medina |
| 19 de agosto | A campanha complementa o registro informando os perfis de rede social. Pela decisão do ministro, eram 16 perfis que não constavam do pedido original |
| 29 de agosto, sábado à noite | O ministro Dias Toffoli retira de pauta o julgamento do registro, marcado para o plenário virtual de segunda, citando "indícios de ilicitude" nos requerimentos |
| 30 de agosto, domingo | Toffoli suspende a campanha digital, os repasses do fundo eleitoral e a participação em debates. A decisão é divulgada na segunda, dia 31 |
| 1º de setembro, terça | Depois das diligências, o próprio Toffoli revoga a própria decisão. Redes, fundo e debates liberados |
| Até 14 de setembro | Prazo do calendário eleitoral para o TSE julgar o registro, que continua pendente |
O motivo real
O motivo não foi crime. Foi papelada.
A Lei das Eleições exige que o candidato informe à Justiça Eleitoral, no momento do registro, todos os perfis, sites e canais que vai usar na campanha. A campanha do Renan usou perfis que não estavam na lista e só os informou 12 dias depois do registro.
Quando o TSE foi conferir, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do tribunal extraiu prints de todos os perfis omitidos. Segundo Toffoli, deu mais de mil páginas.
A punição
A punição, essa sim, foi pesada. Por 24 horas úteis, a chapa ficou:
- sem propaganda na internet, que é onde a campanha acontece em 2026
- sem novos repasses do fundo eleitoral
- fora dos debates de rádio, TV, podcast e qualquer outra mídia
Traduzindo: por causa de um formulário atrasado, um candidato a presidente ficou um dia inteiro sem poder fazer campanha no único lugar onde ele tem alcance.
A revogação
Na terça, dia 1º, a campanha regularizou os cadastros e o TSE ouviu o candidato e os advogados da sigla. Toffoli revogou a decisão, liberou tudo, e deu 72 horas para a campanha informar a data de criação de cada perfil e quando cada um começou a ser usado para propaganda.
Resumo da história: errou na burocracia, foi punido, corrigiu em um dia, foi liberado. O sistema apertou e soltou. Funcionou? Depende de quem responde.
Quem defende a decisão
- A regra existe para todo mundo, e está escrita na lei desde antes da campanha.
- Cadastrar perfil não é detalhe: é o que permite à Justiça Eleitoral saber quem está falando em nome de quem, e com que dinheiro.
- A Justiça foi rápida nos dois sentidos. Apertou em um dia, soltou no outro.
Quem critica
- Tirar um candidato do ar por formulário atrasado, a cinco semanas da eleição, é pena desproporcional ao erro.
- Multa resolveria. Suspensão total de campanha é o remédio mais forte que existe, e foi usado para uma falha de cadastro.
- A punição veio antes de ouvir a defesa, e caiu no dia seguinte, depois de ouvi-la. Isso mostra que era frágil.
A parte que me diz respeito
Eu não vou te dizer qual lado está certo. Vou te dizer o que eu acho que importa, e vou te dizer de onde eu falo.
O Renan Santos disputa voto com o Augusto Cury. Se eu fosse torcida, eu comemorava a suspensão dele.
Só que eu não sou torcida. Régua que só mede adversário não é régua, é porrete. Se amanhã fizerem isso com o candidato que eu apoio, eu quero poder reclamar com moral.
Então fica registrado, com a mesma tinta dos dois lados da frase:
Foi errado suspender. Foi certo voltar atrás.
O que ficou de fora, e por quê
- O número exato de perfis. A decisão do ministro fala em 16. A complementação apresentada pela campanha, segundo o despacho citado pela imprensa, fala em 18. Eu uso o 16 da decisão e registro a diferença.
- A denúncia sobre um resort que apareceu em portal regional ligada ao caso. Não achei em fonte de alcance nacional nem no despacho. Sem isso, não entra.
- A chance de o registro ser indeferido. Advogados ouvidos pela imprensa dizem que é baixa. Eu não afirmo probabilidade que não posso medir. Volto quando o TSE julgar.
Perguntas que chegam nos comentários
Por que a campanha de Renan Santos foi suspensa?
Por decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE, no domingo, 30 de agosto de 2026, porque 16 perfis que faziam propaganda da campanha não constavam do registro de candidatura, como exige a Lei 9.504.
A suspensão ainda vale?
Não. O mesmo ministro revogou a decisão cerca de 24 horas depois, após a campanha complementar o cadastro dos perfis.
Renan Santos está na urna?
Sim, pelo Missão. O registro ainda vai a julgamento no TSE, que tem até 14 de setembro para decidir, o mesmo prazo de Pablo Marçal.
Quantos por cento Renan Santos tem nas pesquisas?
3% na Quaest de 2 de setembro de 2026, com rejeição de 43,1% na AtlasIntel, a maior entre os candidatos.
Perfis de campanha precisam ser informados ao TSE?
Sim. A Lei 9.504 exige que os endereços de internet usados na propaganda constem do pedido de registro. Foi essa omissão que motivou a suspensão.
O que vem agora
O registro da candidatura dele ainda vai a julgamento no TSE, que tem até 14 de setembro para decidir. É a mesma data que vale para o Pablo Marçal, e é o mesmo dia do próximo debate presidencial.
Eu volto no assunto quando sair, com a mesma régua.






