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Notícias / 1 de outubro de 2026

Eu fui checar

Como Augusto Cury pretende governar sem maioria no Congresso? Primeiro-ministro, pacto e nenhum cargo em troca

O Avante tem cinco deputados e um senador. Cury sabe disso e respondeu em três sabatinas e no plano de governo registrado no TSE: um primeiro-ministro escolhido pela maioria do Congresso, um pacto entre os Poderes chamado na primeira semana e ministros escolhidos por critério técnico. Eu fui ler o plano e as entrevistas, com a frase e a fonte de cada uma.

Publicado
1 de outubro de 2026
Atualizado
1 de outubro de 2026
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Augusto Cury. Lima Andruška / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
Augusto Cury. Lima Andruška / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

Augusto Cury (Avante) responde à pergunta da governabilidade com três peças: um primeiro-ministro escolhido pela maioria do Congresso, um pacto entre Executivo, Legislativo e Supremo convocado logo no início do governo, e ministros escolhidos por critério técnico, sem troca de cargo. O Avante tem cinco deputados federais e um senador, segundo o g1.

Eu fui ler o plano de governo registrado no TSE e quatro entrevistas. As frases estão abaixo, com data e fonte.

O que diz o plano de governo?

O capítulo 16, "Reforma política e institucional", abre com o semipresidencialismo. O texto propõe um modelo "no qual o Presidente da República compartilha a condução do governo com um Primeiro-Ministro escolhido a partir da maioria parlamentar" (página 60).

Na página 63, a mudança aparece como a primeira de "três grandes reformas". O presidente fica com as funções de Estado. O primeiro-ministro conduz a administração, "apoiado pela maioria parlamentar", e "dependerá da confiança da maioria parlamentar para permanecer no cargo". Se perder essa confiança, sai "sem submeter o país a prolongadas crises institucionais".

O mesmo capítulo pede cláusula de desempenho mais rigorosa para reduzir a fragmentação partidária.

Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O que ele disse nas entrevistas?

Sobre o Congresso, ao Metrópoles, em 17 de agosto: "Nós já somos um país parlamentarista de fato, mas não de direito. O parlamento já tem muito poder. Se ele já tem muito poder, então, que ele possa também ter a responsabilidade de chancelar um primeiro-ministro", segundo o g1. Na mesma entrevista, disse que quer um pacto nacional ouvindo inclusive adversários, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Sobre quem seria o primeiro-ministro: "Eu gosto muito do Tarcísio e acho que deveria ter alguém no nível dele para ser um primeiro-ministro", disse Cury, segundo o g1.

Sobre o Centrão, na sabatina de O Globo, Valor e CBN, em 28 de agosto: chamou o bloco de "um fator de equilíbrio" que evita que o país vire "uma Venezuela". E resumiu a lógica do primeiro-ministro: "Se tem o bônus, vamos dar o ônus. Se o primeiro-ministro for impopular e corrupto, recebe uma moção de desconfiança e cai."

Sobre cargos, na Jovem Pan, em 7 de setembro: disse que não pretende negociar cargos para formar governo e que os ministros serão escolhidos por critério técnico, segundo a Gazeta do Povo.

Sobre a primeira semana, no Flow Podcast, em 16 de setembro: disse que vai provocar o Congresso logo no início a discutir mandato de oito anos para ministros do STF, e que chamaria líderes partidários e o presidente do Supremo, Edson Fachin, para "pacificar" a relação entre os Poderes, segundo o Estadão.

A ideia tem apoio fora da campanha?

Tem. O ex-presidente Michel Temer, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, o governador Eduardo Leite e o ministro do STF Gilmar Mendes já defenderam o semipresidencialismo, segundo o R7. A mudança exige emenda constitucional. A conta dos votos está em nunca foi político: defeito ou motivo?.

O argumento de Cury tem número por trás. O Congresso já decide dezenas de bilhões do Orçamento por emendas, como mostrou a revista em emendas Pix. A proposta dele é dar a esse poder uma responsabilidade com nome e sobrenome.

Na minha opinião, é uma resposta franca sobre governabilidade. Cury não promete uma maioria que não tem. Ele diz que o Congresso já manda e propõe que responda pelo que manda.

Perguntas que chegam nos comentários

Augusto Cury tem maioria no Congresso?

Não. O Avante tem cinco deputados federais e um senador, segundo o g1. Cury propõe governar com um pacto entre os Poderes e com um primeiro-ministro apoiado pela maioria do Congresso.

O que é o semipresidencialismo proposto por Cury?

Um sistema em que o presidente cuida das funções de Estado e um primeiro-ministro, escolhido a partir da maioria parlamentar, conduz a administração. Está na página 60 do plano de governo registrado no TSE.

Cury vai negociar cargos com o Centrão?

Ele disse na Jovem Pan, em 7 de setembro, que não pretende negociar cargos e que vai escolher ministros por critério técnico. Na sabatina de O Globo, chamou o Centrão de "fator de equilíbrio".

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Fontes desta materia

  1. TSE, DivulgaCandContas, plano de governo de Augusto Cury, documento 280017125643
  2. Espelho do plano de governo de Augusto Cury, planodegoverno2026.com.br, páginas 60, 63 e 64
  3. g1, Augusto Cury diz que Brasil já é parlamentarista e que precisa de um primeiro-ministro como Tarcísio de Freitas, 17 de agosto de 2026
  4. O Globo, Cury encerra série de sabatinas de O Globo, Valor e CBN, 28 de agosto de 2026
  5. Gazeta do Povo, sabatina de Augusto Cury na Jovem Pan, 7 de setembro de 2026
  6. UOL/Estadão, Fragilidade de Câmara e Senado abre espaço para STF até legislar, diz Augusto Cury, 16 de setembro de 2026
  7. R7, Como funciona o semipresidencialismo, proposto por Augusto Cury, 28 de setembro de 2026