O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, que vai transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, marcado para 3 de dezembro, na base de Fort Hood, no Texas. Hasan é o major do Exército que matou 13 pessoas e feriu 32 na mesma base, em 2009. No dia seguinte, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, disse que é "inaceitável transformar a morte em espetáculo". Os bispos americanos, a ONU e senadores dos dois partidos criticaram. O vice-presidente JD Vance disse que não vai assistir.
Quem é Nidal Hasan?
Psiquiatra do Exército, com patente de major. Em 5 de novembro de 2009, abriu fogo num prédio médico de Fort Hood onde soldados tomavam vacinas antes de ir para a guerra. Disse que queria impedir o envio de tropas ao Afeganistão. Foi baleado pela polícia e ficou paralisado da cintura para baixo.
No julgamento, em 2013, demitiu os advogados, se defendeu sozinho e admitiu ser o atirador. Um júri militar o condenou à morte em agosto daquele ano.
Por que transmitir?
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, que propôs o fuzilamento, disse: "Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público." Perguntado sobre os últimos pedidos do condenado, respondeu: "Não me importa. A gente se vê em 3 de dezembro."
Trump aprovou a execução e disse que Hasan "merece" o fuzilamento. Chamou o major de "maníaco", segundo a Fox 32.
Seria a primeira execução militar nos Estados Unidos desde 13 de abril de 1961 e o primeiro fuzilamento de militar desde a Segunda Guerra.
Quem criticou?

| Quem | O que disse |
|---|---|
| Cardeal Pietro Parolin, Vaticano | "Verdadeiramente incompreensível"; anunciou uma declaração oficial da Santa Sé |
| Dom Paul Coakley, presidente dos bispos dos EUA | "Uma promoção bárbara de uma cultura de morte" |
| Escritório de direitos humanos da ONU | Seria o mesmo que execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura |
| Senador Thom Tillis, republicano | Execução pública é coisa de "ditaduras opressoras como Irã e Afeganistão" |
Vance falou em Hebron, no Kentucky, na sexta, 9: "Não sei se isso vai mesmo acontecer. Se for transmitido, eu não vou assistir." E completou: "Espero que as pessoas não esqueçam que esse é um sujeito que assassinou brutalmente muitos inocentes."
Em 2025, só dois países fizeram execuções públicas: Irã (11) e Afeganistão (6), segundo a Anistia Internacional.
O que isso tem a ver com o Brasil?
O Brasil também tem fuzilamento na lei. A Constituição proíbe a pena de morte, com uma exceção: guerra declarada. Nesse caso vale o Código Penal Militar, de 1969, que diz no artigo 56: "A pena de morte é executada por fuzilamento."
O Código de Processo Penal Militar, no artigo 707, manda vendar os olhos do condenado, salvo se ele recusar, e garante assistência religiosa. A execução só pode ocorrer sete dias depois de o presidente da República ser comunicado. Como o Brasil não está em guerra, a regra fica parada no papel.
O que ainda pode mudar?
A data. Hasan pode entrar com habeas corpus na Justiça civil, e especialistas ouvidos pela AP dizem que isso pode atrasar muito a execução. Um deles, Eugene Fidell, disse que o caso "pode durar mais que o atual governo". A transmissão também está em aberto: Vance disse duvidar dela.
Perguntas que chegam nos comentários
Quando Nidal Hasan vai ser executado?
O Exército marcou o fuzilamento para 3 de dezembro de 2026, em Fort Hood, no Texas.
A execução vai passar ao vivo?
O Pentágono anunciou que sim em 8 de outubro. Em 9 de outubro, JD Vance disse duvidar que a transmissão aconteça.
O que o Vaticano disse?
O cardeal Pietro Parolin chamou de inaceitável transformar a morte em espetáculo e anunciou uma declaração da Santa Sé.
O Brasil tem pena de morte?
Só em caso de guerra declarada. O Código Penal Militar determina que seja por fuzilamento.








