A polícia da Índia deteve no sábado, 10 de outubro de 2026, os líderes do Cockroach Janta Party, o partido das baratas, e centenas de jovens que tentavam protestar em Nova Délhi contra o chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar. O fundador, Abhijeet Dipke, foi levado ainda dentro do avião, ao pousar vindo de Mumbai, junto com Saurav Das e Ashutosh Ranka, segundo o próprio movimento.
Por que "baratas"?
O nome é uma ofensa devolvida. Em 15 de maio de 2026, o presidente da Suprema Corte, Surya Kant, chamou jovens desempregados e alguns ativistas de "baratas" durante uma audiência. Depois disse que falava de gente com diploma falso. Não adiantou. O apelido virou bandeira de jovens que se apresentam como geração Z.
No dia seguinte, 16 de maio, Dipke criou o partido na internet. Em uma semana, passou de 15 milhões de seguidores no Instagram, segundo o registro da Wikipedia. O nome brinca com a sigla do partido do governo, o BJP do primeiro-ministro Narendra Modi.
O que eles acusam?
A Comissão Eleitoral fez uma revisão da lista de eleitores e tirou cerca de 130 milhões de nomes, segundo o Indian Express, citado pela ABC e pela Al Jazeera. Os jovens dizem que a limpeza favorece o BJP e pedem a renúncia de Kumar.
A comissão nega. Diz que os nomes saíram na revisão do rascunho e que quem foi cortado por engano pode se cadastrar de novo. Kumar não falou.
Quantos foram presos?
Depende de quem conta:
| Quem diz | Quantos | Onde |
|---|---|---|
| O próprio partido das baratas | mais de 10 mil, antes do protesto | Índia inteira (número não verificado, segundo a Outlook) |
| Fontes da polícia de Délhi, ao jornal The Hindu | cerca de 2.500 | Nova Délhi |
| Funcionário do Ministério do Interior, à Reuters | cerca de 2.000 | Nova Délhi |
| Agência ANI | cerca de 600 | Mumbai |
| ABC News | "centenas" | Nova Délhi |
Nenhum veio em nota oficial.
Como a cidade ficou?
Pelo menos 45 estações de metrô fechadas, mais de 240 trens cancelados e internet cortada em volta do Jantar Mantar, o local do protesto, segundo a ABC.
A polícia disse que o protesto não tinha autorização e que Délhi "não pode parar toda vez que há protestos". O porta-voz do BJP, Sambit Patra, chamou os jovens de "anarquistas". O escritório de direitos humanos da ONU pediu a soltura dos detidos. A missão da Índia em Genebra respondeu que isso é "interferência indevida".
Antes de ser levado, Dipke disse: "Estamos prontos para ir para a cadeia." No domingo, 11, um juiz soltou os três líderes com a condição de não perturbar a ordem por um ano, segundo a advogada do partido, ouvida pela Al Jazeera.
O que isso tem a ver com o Brasil?
Lá, questionar a autoridade eleitoral levou milhares para o camburão. Aqui, levou um ex-presidente para fora da urna.
Em 30 de junho de 2023, o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, por 5 votos a 2, por causa de uma reunião com embaixadores em julho de 2022 em que ele questionou as urnas eletrônicas, segundo o Correio.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Pergunta sobre eleição se responde com dado, não com cadeia nem com proibição de concorrer. Na Índia, a resposta foi prender. No Brasil, foi tirar Bolsonaro da disputa. Em nenhum dos dois casos a pergunta foi respondida.








