Karina Zeviani, cantora de Jaboticabal que passou pelo The Voice Brasil em 2020, morreu nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, aos 51 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ela tratava um câncer de mama diagnosticado havia cerca de dois anos. A morte foi confirmada pela Prefeitura de Jaboticabal, segundo o Correio Braziliense e o Terra.
Eu fui atrás da história inteira. Ela começa numa fanfarra do interior e passa por Nova York, Paris e pela cadeira vermelha de Carlinhos Brown. E termina com uma palavra que o Brasil ouve toda semana sem entender direito: remissão.
Quem foi Karina Zeviani?
Uma menina de Jaboticabal que aprendeu música na fanfarra conduzida pelo pai e nas canções da avó, segundo a CNN Brasil. Na adolescência virou modelo fotográfica e trabalhou fora do país. O Terra lista Londres, Paris e Nova York; a CNN cita a Alemanha, onde um karaokê a devolveu ao canto.

Em Nova York, ela cantava no clube Nublu, no East Village. Foi lá que conheceu o percussionista brasileiro Mauro Refosco, e o trabalho dela chegou aos ouvidos de David Byrne, ex-Talking Heads, segundo o Correio Braziliense. A indicação de Byrne a levou ao Thievery Corporation, duo americano de música eletrônica, em 2005: gravações e turnês. Em 2008 entrou no Nouvelle Vague, o grupo francês que transforma clássicos do punk e da new wave em bossa nova.

O disco solo veio em 2012, "Amor Inventado". Ela mesma o definiu assim, segundo o ND Mais: "Esse disco tem uma pegada quase infantil. Minha musicalidade instintiva e rudimentar foi preservada. É pop artesanal. Já fiz o que tinha que fazer lá fora". Em 2017 lançou o projeto Flor de Sal, com Micael Amarante.
O que ela cantou no The Voice Brasil?
"Sonhos", de Peninha, aos 45 anos, na nona temporada, em 2020. Carlinhos Brown e Lulu Santos viraram a cadeira. Ela escolheu Brown e saiu na fase das Batalhas, segundo o Terra e o Correio Braziliense.

Para quem conhecia a trajetória, o reality foi um detalhe tardio. O currículo internacional já existia havia 15 anos.
Quando a doença apareceu?
Cerca de dois anos antes da morte, segundo o Terra e o Correio Braziliense. Ela era acompanhada pelo oncologista Antonio Carlos Buzaid. O último show foi em 2024, com o Nouvelle Vague, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, quando ela falou em público sobre o câncer de mama, segundo o ND Mais.
O que foi a virada dos 90%?
Foi a melhor notícia da história, e durou pouco. Em 20 de setembro, Karina escreveu nas redes, segundo a CNN Brasil: "Quando comecei o tratamento, no final de fevereiro, eu obtive uma resposta depois de algumas sessões de quimioterapia, de mais de 90% de remissão".
No começo deste ano, ela compartilhou essa remissão com os seguidores, segundo o ND Mais. Exames seguintes mostraram outra coisa: novos pontos da doença nos ossos e no fígado.
Como foi a queda?
Rápida e em degraus. Em janeiro, segundo o ND Mais, a doença avançou para o fígado, vieram infecção grave e anemia, com transfusões de sangue e internação em UTI. Em abril, ela passou por uma "grave crise sistêmica" e teve de trocar o protocolo de quimioterapia, segundo o Correio Braziliense. No mesmo mês, abriu uma vaquinha online para custear o tratamento, segundo a CNN.
Depois, uma quimioterapia oral por um mês, sem a resposta esperada. A equipe médica decidiu voltar à quimioterapia intravenosa, e ela comentou nas redes a possibilidade de perder de novo os cabelos, segundo o ND Mais. O Região Noroeste registra um novo ciclo de quimioterapia em setembro, e uma internação com hemorragias, infecção e queda de imunidade.
Em 1º de outubro, ela morreu no hospital em Rio Preto.
Karina Zeviani em números
| Número | O que é | Fonte |
|---|---|---|
| 2005 | ano em que entrou no Thievery Corporation | ND Mais, Correio |
| 2008 | ano em que entrou no Nouvelle Vague | ND Mais, Correio |
| 2012 | disco solo "Amor Inventado" | ND Mais, Terra |
| 45 anos | idade no The Voice Brasil (2020) | Terra |
| 90% | remissão relatada por ela no começo do ano | CNN, ND Mais |
| 2 anos | de tratamento do câncer de mama | Terra, Correio |
| 51 anos | idade ao morrer | todas as fontes |
O que joga contra, e entra
"Ela tinha 90% de remissão. Como morreu em meses?" Porque remissão não é cura. A oncologista Adriana Barrichello, do Hospital Sírio-Libanês, explica ao Oncoguia: "remissão completa não é o mesmo que cura. Ela indica que não há evidência de doença detectável em um determinado momento". Remissão parcial, como a que Karina relatou, é quando o câncer "está respondendo ao tratamento, mas ainda não desapareceu". Outro texto do Oncoguia define a parcial como redução de 50% do tumor ou da carga tumoral.
"Então quando se pode falar em cura?" Só depois de cinco anos sem sinal da doença, segundo o hematologista Rodrigo Calado, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, ao Oncoguia. O oncologista Murilo Buso, do Cettro, em Brasília, diz o mesmo: após três anos sem recidiva a chance de cura é alta, mas o acompanhamento segue por cinco, porque ainda existe risco de reaparecimento.
"A remissão era de 90%, então sobrou 10%." Não é uma conta de porcentagem de vida. É a redução medida nos exames daquele momento. O que aconteceu depois, segundo o ND Mais, foi o surgimento de novos pontos em órgãos diferentes, fígado e ossos, que é o que a medicina chama de progressão da doença.
Os horários do velório divergem. O ND Mais fala em 11h às 17h; o Região Noroeste, em 9h às 17h. Os dois concordam no local, o Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal, na sexta (2), e o ND Mais informa sepultamento às 17h no Cemitério Municipal.
Quem se despediu?
A modelo Luciana Curtis, amiga dela, escreveu, segundo o ND Mais: "Hoje minha amiga amada descansou, mas vai deixar muita saudade. Estou com o coração partido". A atriz Luana Piovani também publicou mensagem citando a família, segundo a CNN.

Karina deixa os pais e o marido, segundo o ND Mais.
O que fica
Uma voz de Jaboticabal cantou com um duo de Washington e um grupo de Paris antes de aparecer na televisão brasileira. E, nos últimos meses, transformou a própria doença numa aula pública sobre a diferença entre melhorar e estar curado. Na minha opinião, essa é a parte da história que mais vale guardar: a palavra remissão merece ser dita com cuidado, por quem recebe a notícia e por quem a repete.
Perguntas que chegam nos comentários
Do que morreu Karina Zeviani?
Ela tratava um câncer de mama diagnosticado havia cerca de dois anos, que avançou para o fígado e os ossos, segundo o ND Mais e o Correio Braziliense. Morreu em 1º de outubro de 2026, aos 51 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto.
Quem foi Karina Zeviani?
Cantora e ex-modelo de Jaboticabal (SP). Cantou com o Thievery Corporation a partir de 2005 e com o Nouvelle Vague a partir de 2008, lançou o disco "Amor Inventado" em 2012 e participou do The Voice Brasil em 2020, no time de Carlinhos Brown.
O que Karina cantou no The Voice Brasil?
"Sonhos", de Peninha, nas audições às cegas da nona temporada, em 2020. Carlinhos Brown e Lulu Santos viraram a cadeira; ela escolheu Brown e saiu nas Batalhas.
Remissão de câncer é a mesma coisa que cura?
Não. Segundo oncologistas ouvidos pelo Oncoguia, remissão significa que a doença diminuiu ou não é detectada nos exames naquele momento. Cura só se afirma, em geral, depois de cinco anos sem sinal da doença.
Onde foi o velório de Karina Zeviani?
No Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal, na sexta-feira, 2 de outubro, com sepultamento no Cemitério Municipal, segundo o ND Mais.







