O padre Fábio de Melo convive com depressão e síndrome do pânico desde pelo menos 2017, e contou isso em público várias vezes. Em maio de 2026, ao videocast "Conversa Vai, Conversa Vem", do jornal O Globo, deu a versão mais dura: o ano de 2017, depois do suicídio de uma irmã, foi quando "a casa ruiu". Ele diz que nunca tentou tirar a própria vida, mas que pensou nisso.
O fato que quase ninguém repete é o pedido que ele fez no fundo da crise. Com gente que o amava em volta, ele queria ficar sozinho.
Eu fui ler o que ele disse, entrevista por entrevista, de 2017 a 2026. A história inteira é esta.
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De onde veio o padre Fábio de Melo?
Fábio José de Melo Silva nasceu em 3 de abril de 1971, em Formiga (MG). É o caçula dos oito filhos do pedreiro Dorinato Bias Silva e da dona de casa Ana Maria de Melo Silva, segundo a Wikipedia e o Estado de Minas.
A tristeza vem de longe, nas palavras dele: "Fui um menino muito triste, melancólico, às vezes sombrio. E era um traço de personalidade com o qual convivi durante muito tempo até perceber que tinha nome", disse em 2025, segundo o Estado de Minas.
Entrou no seminário na adolescência, influenciado pelo padre Maurício Leão, e fez 18 anos de formação. Foi ordenado padre em 15 de dezembro de 2001, na Igreja Matriz de São Vicente Ferrer, em Formiga, a cidade onde nasceu. É da congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, os dehonianos.

Como ele virou o padre que lota shows?
O primeiro disco, "De Deus um Cantador", saiu em 1997. O que mudou tudo foi "Vida", de 2008, pela Som Livre, com certificado de diamante por 1,5 milhão de cópias, segundo a Wikipedia. Ele foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa em 2016 e 2017 e apresenta há mais de uma década o "Direção Espiritual", na TV Canção Nova.
Os números totais variam conforme a fonte. O Estado de Minas fala em 22 livros e 17 discos, com 6,5 milhões de unidades vendidas. O Brasil Paralelo fala em 21 álbuns, mais de 3 milhões de CDs e mais de 3,5 milhões de livros, e 26 milhões de seguidores no Instagram.
No auge, eram 35 shows por mês pelo Brasil, contou ele ao Globo em 2026.

Quando ele falou pela primeira vez da depressão?
Em agosto de 2017, nas redes sociais. Contou que sentia "sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo", registrou o jornal A Crítica em 11 de agosto de 2017. Dois anos antes, já tinha recebido diagnóstico de síndrome do pânico. Daquela vez, foi pior.
Ele disse que procurou uma psiquiatra e que os medicamentos "fizeram uma enorme diferença". Passou a ter uma rotina mais leve e a ficar perto dos amigos. Três meses antes, segundo o mesmo relato, a família tinha enfrentado "um problema grave".
Em 26 de novembro de 2019, em São Benedito (CE), o pânico voltou minutos antes de um show. Ele escreveu: "Hoje, mais uma vez, minutos antes de subir ao palco, o fantasma do pânico me revisitou. Mas Deus me reergueu através do povo de São Benedito, Ceará. Obrigado", registrou o Terra.
O que ele contou em 2026?
Em maio de 2026, à jornalista Maria Fortuna, no videocast de O Globo, ele juntou as peças. "Vivi um combo difícil de ser administrado: depressão e síndrome do pânico." E explicou a origem: "Tenho predisposição genética a depressão, muitos suicídios na família."
Sobre 2017, disse: "Em 2017, a casa ruiu. Pessoas que me amavam ficaram perto de mim, mas ninguém me socorria." O gatilho foi o suicídio de uma irmã. A data diverge entre as reproduções da entrevista: a Área VIP fala em 2016, a Mais Novela fala em 2017.
Sobre o pior momento, foi direto: "Nunca tentei. Mas, em muitos momentos, fiquei planejando."

O que ele diz sobre solidão?
A frase que mais me chamou atenção na entrevista é curta. Depois de dizer que ninguém o socorria, ele completou, segundo a Área VIP: "Queria solidão."
É o retrato de quem está cercado e não consegue receber ajuda. Ele mesmo dá a chave em outra frase da mesma conversa: "Quem me adoece não é o outro. Sou eu." E em mais uma: "Preciso encontrar recursos para sobreviver a mim mesmo."
A fama, segundo ele, piorou o quadro. "A fama é um roubo", disse ao Globo. "Vai retirando a espontaneidade." Sobre o próprio comportamento no auge: "Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância."
E a mãe?
Dona Ana Maria morreu em 2021, vítima de covid-19, aos 83 anos. Ele não pôde visitá-la no hospital e falou com ela por videochamada. A última frase dela, que ele repetiu em 2025: "Sim, eu estou muito cansada, Fabinho, mas daqui a pouco eu estou de volta", segundo o Estado de Minas.
Em 2026, ao Globo, resumiu o luto: "É a maior tristeza do mundo, mas é também a maior libertação." Na mesma época, lançou o disco "O beijo que vós me nordestes".
A cronologia
| Ano | O que aconteceu |
|---|---|
| 1971 | Nasce em Formiga (MG), caçula de oito |
| 1997 | Primeiro disco, "De Deus um Cantador" |
| 2001 | Ordenação, em 15 de dezembro |
| 2008 | "Vida", 1,5 milhão de cópias |
| Por volta de 2015 | Primeiro diagnóstico de síndrome do pânico |
| 2017 | Depressão revelada nas redes, suicídio da irmã |
| 2019 | Crise de pânico antes de show no Ceará |
| 2021 | Morte da mãe, aos 83 anos |
| 2026 | Entrevista a O Globo: "a casa ruiu" |
O que joga contra, e entra
"Padre não pode ter depressão, falta fé." Ele respondeu isso antes de qualquer crítico: "A fé pode me ajudar a superar, mas não me priva de passar por aquilo", segundo o Brasil Paralelo. Depressão é doença, e ele se tratou com psiquiatra e remédio.
"Ele usa a doença para vender disco." Ele falou da depressão pela primeira vez em 2017, num post nas redes. Em 2019, contou a crise de pânico no dia em que ela aconteceu.
"É exagero dizer que pensou em morrer." A frase é dele, em vídeo, para o Globo, e ele mesmo faz a ressalva: nunca tentou.
"Os números de venda não batem." Não batem mesmo. As fontes variam de 3 milhões a 6,5 milhões de unidades. O único número certificado que eu encontrei é o diamante de "Vida", com 1,5 milhão de cópias.
E a resposta?
O padre que fazia 35 shows por mês diz que a fama ajudou a adoecê-lo. Ele contou a depressão, o pânico, a irmã, a mãe e a vontade de ficar sozinho, sempre com nome e data. Na minha opinião, a frase que fica é a mais simples: "Queria solidão." Quem já esteve perto de alguém em crise sabe o que ela quer dizer.
A revista mostrou como a solidão rouba até seis anos de vida saudável e contou a história do padre Marcelo Rossi, que também falou da própria depressão em público.
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Perguntas que chegam nos comentários
O padre Fábio de Melo tem depressão?
Sim. Ele fala publicamente de depressão e síndrome do pânico desde agosto de 2017 e disse ter feito tratamento com psiquiatra e remédios. Em maio de 2026, ao videocast de O Globo, contou que tem predisposição genética.
O que aconteceu com o padre Fábio de Melo em 2017?
Segundo ele, "a casa ruiu": a depressão piorou depois do suicídio de uma irmã. Ele disse que nunca tentou tirar a própria vida, mas que pensou nisso.
Onde o padre Fábio de Melo nasceu?
Em Formiga (MG), em 3 de abril de 1971. É o caçula dos oito filhos do pedreiro Dorinato Bias Silva e de Ana Maria de Melo Silva.
Quando morreu a mãe do padre Fábio de Melo?
Em 2021, de covid-19, aos 83 anos. Ele se despediu por videochamada.







