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Notícias / 5 de outubro de 2026

Eleições 2026

O Brasil que Bolsonaro entregou e o que Lula devolve: 2022 contra 2026, número por número dívida, contas públicas, juros, dólar, situação de rua, empresas quebradas e impostos, com as fontes oficiais

A dívida bruta foi de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 82,9% em agosto de 2026. O setor público saiu de um superávit de R$ 126 bilhões em 2022 para um déficit de R$ 55 bilhões em 2025. A população em situação de rua no CadÚnico foi de 198,7 mil para 392,4 mil. As recuperações judiciais, de 833 para 2.273, recorde. A Selic, de 13,75% para 15%, a maior desde 2006. O dólar, de R$ 5,22 para o recorde de R$ 6,19. E foram 36 aumentos de impostos desde 2023. Tudo com fonte oficial. E um detalhe: Bolsonaro governou com uma pandemia no meio.

Publicado
5 de outubro de 2026
Atualizado
5 de outubro de 2026
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Jair Bolsonaro em entrevista no Senado, 2025. Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0
Jair Bolsonaro em entrevista no Senado, 2025. Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Os números abaixo são de fontes oficiais, com o link de cada uma no fim. A seção "Minha opinião" é opinião do editor, e vem marcada como tal.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidido em 25 de outubro, e a pergunta que vai se repetir nas próximas três semanas é simples: o Brasil está melhor ou pior do que estava? Eu fui atrás de sete números que respondem sem adjetivo. Todos oficiais. Todos conferíveis.

A dívida pública

Em dezembro de 2022, último mês do governo Bolsonaro, a dívida bruta do governo geral estava em 71,7% do PIB, segundo o Banco Central. Em agosto de 2026, o mesmo Banco Central registrou 82,9% do PIB, R$ 11,1 trilhões. São 11,2 pontos percentuais a mais em três anos e oito meses. Só em agosto, a dívida subiu 0,3 ponto, puxada pelos juros.

As contas públicas

Em 2022, o setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) fechou o ano com superávit primário de R$ 126,0 bilhões, 1,28% do PIB. Em 2025, fechou com déficit de R$ 55,0 bilhões, 0,43% do PIB, depois de um déficit de R$ 47,6 bilhões em 2024. A diferença entre um ano e outro é de R$ 181 bilhões.

Lula no lançamento da campanha de 2026. Foto: Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

As pessoas na rua

O Cadastro Único do governo federal registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2022. Em junho de 2026, registrava 392,4 mil. Alta de 97,4%: quase o dobro. O dado é do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, que administra o cadastro.

As empresas quebradas

Em 2022, 833 empresas pediram recuperação judicial no Brasil, segundo a Serasa Experian. Em 2024, foram 2.273, o maior número desde o início da série, em 2005, e 61,8% acima de 2023. O setor de serviços concentrou 40,8% dos pedidos.

Os juros

Bolsonaro entregou a Selic em 13,75% ao ano em dezembro de 2022. Sob Lula, o Banco Central levou a taxa a 15% em junho de 2025 e a manteve nesse patamar, o maior desde 2006. Juro mais alto é crédito mais caro para a empresa, para a casa própria e para o carro, e é a principal explicação da Serasa para o recorde de recuperações judiciais.

O dólar

Em 30 de dezembro de 2022, a cotação oficial (PTAX) fechou em R$ 5,22. Em 31 de dezembro de 2024, fechou em R$ 6,19, o maior valor nominal da história, depois de o mercado reagir ao pacote fiscal do governo. Fonte: Banco Central, série PTAX.

Os impostos

A coluna Faria Lima News, da Veja, contabilizou em 1º de outubro de 2026 36 medidas efetivas de criação ou aumento de tributos desde o início do governo: IOF, importação, combustíveis, compras internacionais, instituições financeiras, entre outras. Um aumento a cada 37 dias de mandato.

O detalhe que muda a leitura

Bolsonaro governou de 2019 a 2022 com uma pandemia no meio. Em 2020, a economia parou, o governo pagou auxílio emergencial a dezenas de milhões de pessoas e a dívida disparou. Mesmo assim, 2022 fechou com superávit de R$ 126 bilhões e a dívida em 71,7%, em queda. Lula governou de 2023 a 2026 sem pandemia, sem guerra, sem choque externo comparável. E os cinco números acima andaram na direção contrária.

Jair Bolsonaro em entrevista no Senado, 2025. Foto: Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O que Lula recebeu e o que devolve

IndicadorRecebeu (2022)Devolve (2024 a 2026)Fonte
Dívida bruta71,7% do PIB82,9% do PIB (ago/2026)Banco Central
Resultado primário+R$ 126 bi (2022)-R$ 55 bi (2025)Banco Central
Pessoas em situação de rua198,7 mil (dez/2022)392,4 mil (jun/2026)CadÚnico, MDS
Recuperações judiciais833 (2022)2.273 (2024, recorde)Serasa Experian
Selic13,75% (dez/2022)15% (2025, maior desde 2006)Banco Central
Dólar (PTAX)R$ 5,22 (dez/2022)R$ 6,19 (dez/2024, recorde)Banco Central
Aumentos de impostos36 desde 2023Veja

Minha opinião

Aqui falo eu, Thiago de Castro, e assino. Flávio Bolsonaro não precisa ser o candidato dos sonhos de ninguém: basta olhar as duas colunas da tabela acima. E desta vez há governabilidade: a direita leva 30 das 54 cadeiras do Senado em disputa, o PL foi o partido mais votado para a Câmara, com 23,3% dos votos, e 11 governos estaduais ficaram com a direita no primeiro turno. Bolsonaro governou em 2019 sem maioria. Flávio teria. Entre 71,7% e 82,9%, eu sei qual Brasil quero de volta.

Perguntas que chegam nos comentários

Quanto era a dívida pública quando Lula assumiu e quanto é agora?

71,7% do PIB em dezembro de 2022 e 82,9% do PIB em agosto de 2026, segundo o Banco Central.

As contas públicas estavam no azul em 2022?

Sim. O setor público consolidado teve superávit primário de R$ 126 bilhões em 2022. Em 2025, teve déficit de R$ 55 bilhões.

A população em situação de rua dobrou?

Quase. No CadÚnico, foi de 198,7 mil em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026, alta de 97%.

Quanto estava a Selic quando Lula assumiu e quanto está?

13,75% em dezembro de 2022 e 15% desde junho de 2025, a maior taxa desde 2006, segundo o Banco Central.

Bolsonaro governou durante a pandemia?

Sim, de 2019 a 2022, com a pandemia de covid-19 em 2020 e 2021. Mesmo assim, o último ano fechou com superávit e a dívida em queda.

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Fontes desta materia

  1. Banco Central, Estatísticas Fiscais de agosto de 2026: dívida bruta do governo geral em 82,9% do PIB, via CNN Brasil, 30 de setembro de 2026
  2. Banco Central, Estatísticas Fiscais de dezembro de 2022: superávit primário do setor público consolidado de R$ 126,0 bilhões (1,28% do PIB) e dívida bruta de 71,7% do PIB
  3. Agência Brasil, Contas públicas têm déficit de R$ 55,021 bilhões em 2025, janeiro de 2026
  4. Cadastro Único, Ministério do Desenvolvimento Social: população em situação de rua de 198,7 mil (dezembro de 2022) para 392,4 mil (junho de 2026), via NC News, 7 de julho de 2026
  5. Serasa Experian, Pedidos de recuperação judicial em 2024 atingem maior patamar em quase 20 anos (2.273), via CNN Brasil, janeiro de 2025
  6. Banco Central, histórico das taxas de juros fixadas pelo Copom (Selic)
  7. Banco Central, cotações PTAX de fechamento do dólar, 30 de dezembro de 2022 e 31 de dezembro de 2024
  8. Veja, coluna Faria Lima News, 36 medidas de criação ou aumento de tributos desde 2023, 1º de outubro de 2026, via Quenty
  9. CNN Brasil, Veja todos os impostos e taxas que governo Lula aumentou desde a posse
  10. Instituto Mises Brasil, carrossel O Brasil que Lula recebeu e o Brasil de hoje, Instagram, outubro de 2026, compilação dos cinco indicadores