Os números abaixo são de fontes oficiais, com o link de cada uma no fim. A seção "Minha opinião" é opinião do editor, e vem marcada como tal.
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidido em 25 de outubro, e a pergunta que vai se repetir nas próximas três semanas é simples: o Brasil está melhor ou pior do que estava? Eu fui atrás de sete números que respondem sem adjetivo. Todos oficiais. Todos conferíveis.
A dívida pública
Em dezembro de 2022, último mês do governo Bolsonaro, a dívida bruta do governo geral estava em 71,7% do PIB, segundo o Banco Central. Em agosto de 2026, o mesmo Banco Central registrou 82,9% do PIB, R$ 11,1 trilhões. São 11,2 pontos percentuais a mais em três anos e oito meses. Só em agosto, a dívida subiu 0,3 ponto, puxada pelos juros.
As contas públicas
Em 2022, o setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) fechou o ano com superávit primário de R$ 126,0 bilhões, 1,28% do PIB. Em 2025, fechou com déficit de R$ 55,0 bilhões, 0,43% do PIB, depois de um déficit de R$ 47,6 bilhões em 2024. A diferença entre um ano e outro é de R$ 181 bilhões.

As pessoas na rua
O Cadastro Único do governo federal registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2022. Em junho de 2026, registrava 392,4 mil. Alta de 97,4%: quase o dobro. O dado é do próprio Ministério do Desenvolvimento Social, que administra o cadastro.
As empresas quebradas
Em 2022, 833 empresas pediram recuperação judicial no Brasil, segundo a Serasa Experian. Em 2024, foram 2.273, o maior número desde o início da série, em 2005, e 61,8% acima de 2023. O setor de serviços concentrou 40,8% dos pedidos.
Os juros
Bolsonaro entregou a Selic em 13,75% ao ano em dezembro de 2022. Sob Lula, o Banco Central levou a taxa a 15% em junho de 2025 e a manteve nesse patamar, o maior desde 2006. Juro mais alto é crédito mais caro para a empresa, para a casa própria e para o carro, e é a principal explicação da Serasa para o recorde de recuperações judiciais.
O dólar
Em 30 de dezembro de 2022, a cotação oficial (PTAX) fechou em R$ 5,22. Em 31 de dezembro de 2024, fechou em R$ 6,19, o maior valor nominal da história, depois de o mercado reagir ao pacote fiscal do governo. Fonte: Banco Central, série PTAX.
Os impostos
A coluna Faria Lima News, da Veja, contabilizou em 1º de outubro de 2026 36 medidas efetivas de criação ou aumento de tributos desde o início do governo: IOF, importação, combustíveis, compras internacionais, instituições financeiras, entre outras. Um aumento a cada 37 dias de mandato.
O detalhe que muda a leitura
Bolsonaro governou de 2019 a 2022 com uma pandemia no meio. Em 2020, a economia parou, o governo pagou auxílio emergencial a dezenas de milhões de pessoas e a dívida disparou. Mesmo assim, 2022 fechou com superávit de R$ 126 bilhões e a dívida em 71,7%, em queda. Lula governou de 2023 a 2026 sem pandemia, sem guerra, sem choque externo comparável. E os cinco números acima andaram na direção contrária.

O que Lula recebeu e o que devolve
| Indicador | Recebeu (2022) | Devolve (2024 a 2026) | Fonte |
|---|---|---|---|
| Dívida bruta | 71,7% do PIB | 82,9% do PIB (ago/2026) | Banco Central |
| Resultado primário | +R$ 126 bi (2022) | -R$ 55 bi (2025) | Banco Central |
| Pessoas em situação de rua | 198,7 mil (dez/2022) | 392,4 mil (jun/2026) | CadÚnico, MDS |
| Recuperações judiciais | 833 (2022) | 2.273 (2024, recorde) | Serasa Experian |
| Selic | 13,75% (dez/2022) | 15% (2025, maior desde 2006) | Banco Central |
| Dólar (PTAX) | R$ 5,22 (dez/2022) | R$ 6,19 (dez/2024, recorde) | Banco Central |
| Aumentos de impostos | 36 desde 2023 | Veja |
Minha opinião
Aqui falo eu, Thiago de Castro, e assino. Flávio Bolsonaro não precisa ser o candidato dos sonhos de ninguém: basta olhar as duas colunas da tabela acima. E desta vez há governabilidade: a direita leva 30 das 54 cadeiras do Senado em disputa, o PL foi o partido mais votado para a Câmara, com 23,3% dos votos, e 11 governos estaduais ficaram com a direita no primeiro turno. Bolsonaro governou em 2019 sem maioria. Flávio teria. Entre 71,7% e 82,9%, eu sei qual Brasil quero de volta.
Perguntas que chegam nos comentários
Quanto era a dívida pública quando Lula assumiu e quanto é agora?
71,7% do PIB em dezembro de 2022 e 82,9% do PIB em agosto de 2026, segundo o Banco Central.
As contas públicas estavam no azul em 2022?
Sim. O setor público consolidado teve superávit primário de R$ 126 bilhões em 2022. Em 2025, teve déficit de R$ 55 bilhões.
A população em situação de rua dobrou?
Quase. No CadÚnico, foi de 198,7 mil em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026, alta de 97%.
Quanto estava a Selic quando Lula assumiu e quanto está?
13,75% em dezembro de 2022 e 15% desde junho de 2025, a maior taxa desde 2006, segundo o Banco Central.
Bolsonaro governou durante a pandemia?
Sim, de 2019 a 2022, com a pandemia de covid-19 em 2020 e 2021. Mesmo assim, o último ano fechou com superávit e a dívida em queda.







