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Eleições 2026

Eu li as 76 páginas do plano de governo de Flávio Bolsonaro: o plano inteiro, explicado capítulo por capítulo

São nove capítulos e 78 seções. Eu li todas e explico cada uma, da página 1 à 76, com o que o plano diz e o que ele promete: segurança, mulheres, fila do INSS, imposto, escola, emprego, casa, obras, STF e contas públicas.

Publicado
7 de outubro de 2026
Atualizado
7 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro no Senado, em 2026. Foto: Carlos Moura/Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Flávio Bolsonaro no Senado, em 2026. Foto: Carlos Moura/Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O plano de governo de Flávio Bolsonaro se chama "Para o Brasil vencer o atraso". Tem 76 páginas, nove capítulos e 78 seções. Está registrado no TSE desde agosto e quase ninguém abriu.

Eu li o documento inteiro, da página 1 à 76. Abaixo está tudo o que ele diz, seção por seção, na ordem em que aparece, com a página. As frases entre aspas são do plano. O resto é explicação minha, com as minhas palavras.

76Páginas61 delas com propostas
9Capítulosde segurança a contas públicas
78Seçõestodas explicadas aqui

Fonte: plano de governo registrado no TSE.

Como ler esta página

É um material longo, feito para consulta. Cada capítulo do plano tem um lema e uma sequência de seções com título próprio, e eu mantive os títulos do documento. Para ir direto a um assunto, procure pelo nome do capítulo: Brasil sem Medo, Brasil por Elas, Brasil sem Fila, Brasil Mais Barato, Brasil que Prepara, Brasil que Prospera, Brasil que Cresce, Brasil que Cumpre a Constituição e Brasil que Não Volta Atrás.

Capa do plano de governo de Flávio Bolsonaro, registrado no TSE

Páginas 1 a 7: capa, sumário e índice

Capa (págs. 1 e 2). A capa traz o nome do candidato, o título "Para o Brasil vencer o atraso" e o subtítulo "Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030". A página 2 é o verso da capa.

Sumário (págs. 3 e 4). Lista a apresentação, os nove capítulos e as 78 seções, cada uma com a sua página.

Índice temático (págs. 5 a 7). Uma lista de assuntos em ordem alfabética, com a página onde cada um aparece. Serve para quem quer achar um tema sem ler o capítulo inteiro.

Apresentação (páginas 8 a 12)

Apresentação (pág. 8). Diz que o Estado enxerga a vida em pedaços, por ministério, enquanto os problemas das famílias estão ligados entre si. Lista as perguntas que o plano quer responder: pagar as contas, arrumar emprego melhor, cuidar dos filhos, voltar para casa em segurança, sair do auxílio, comprar a casa, abrir um negócio. Culpa o gasto público sem controle pela vida mais cara e cita a recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 e uma alta da dívida de cerca de 13 pontos do PIB em quatro anos. Afirma que o governo Bolsonaro reduziu a dívida mesmo na pandemia e promete o caminho de volta ao equilíbrio. "Governar é olhar para a vida das pessoas como ela realmente é."

Nossos valores (pág. 9). Declara os valores que chama de inegociáveis: liberdade, família, vida desde a concepção, propriedade privada, democracia, liberdade de expressão e liberdade religiosa. Promete manter e aperfeiçoar os programas sociais, tratados como começo de uma trilha que leva a qualificação, trabalho, crédito e patrimônio. Cita o governo Jair Bolsonaro como prova de que essa forma de governar dá resultado. "Apenas administrar carências é comodismo."

A jornada do cidadão (pág. 10). Explica a lógica do documento: a vida de uma família é uma trajetória que passa por proteção, formação, trabalho, iniciativa, crédito, patrimônio e envelhecimento digno. A maior parte dos capítulos segue essa trajetória, com tecnologia e inteligência artificial em todas as etapas. Um eixo à parte trata do país que precisa crescer: infraestrutura, energia, agronegócio, tecnologia e inserção no mundo. "A vida de uma família não se divide em ministérios."

Como este Plano está organizado (pág. 11). Apresenta os nove eixos, um parágrafo para cada, com o lema de cada um. Adianta as marcas do plano: segurança como primeira obrigação do governo, o Brasil por Elas atravessando todos os eixos, o Tesouraço da Burocracia, o Tesouraço na Censura e o Tesouraço nos gastos públicos. Diz que o último eixo é a garantia de que o prometido tem lastro. "ninguém está acima da Constituição"

Um novo caminho (pág. 12). Fecha a apresentação definindo a proposta política em quatro adjetivos. Defende um Estado eficiente, que cumpra o seu dever, pare de atrapalhar quem trabalha e respeite os valores do cidadão. "O Brasil precisa de uma alternativa liberal, conservadora, reformista e corajosa"

1. Brasil sem Medo (páginas 13 a 16)

Lema do capítulo: "A soberania começa na porta da sua casa".

Abertura do capítulo (pág. 13). Afirma que segurança é a condição para tudo o mais: sem ela não há emprego, comércio aberto nem criança na rua. Por isso o plano começa por aqui. Promete medidas duras, concretas e aplicáveis desde o primeiro dia. "para que quem volte a mandar no Brasil seja a lei"

Terrorista vai ser tratado como terrorista (pág. 13). Promete declarar PCC, CV, milícias e as demais facções como organizações narcoterroristas. Prevê prender líderes, bloquear bens, desmontar a lavagem de dinheiro e autorizar as forças de segurança a agir com força letal contra criminoso armado de fuzil. Prevê consórcios e convênios com estados e municípios para inteligência, retomada de territórios, tecnologia, armamento e valorização do policial. "Quem vai voltar a mandar no Brasil será a lei."

O crime do menor não é menor (pág. 13). Promete apoiar e sancionar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Promete punir também maiores de 14 anos em crimes graves, como estupro, tráfico, tortura e homicídio. "Quem comete crime como gente grande vai ser punido como gente grande."

Tropa de elite nas fronteiras (pág. 13). Diagnostica 16 mil quilômetros de fronteira com 1 policial para cada 100 quilômetros. Propõe o Sistema Nacional de Fronteira, uma tropa de elite do Exército, da Marinha e da Força Aérea, com armas de guerra, inteligência e tecnologia. O objetivo é interceptar por terra, portos e ar os fuzis e as drogas que, segundo o texto, abastecem 100% das facções. "responsável por criar um paredão na fronteira"

Mais presídios, menos bandidos soltos (pág. 14). Promete 5 novos presídios de segurança máxima no modelo de El Salvador. Somados aos 5 federais atuais, formam o Complexo Federal de Segurança Máxima, batizado de TREVA. Chefes de facção ficam isolados, sem celular, sem visita íntima e com visitas monitoradas. Com os estados, promete meio milhão de vagas novas em 4 anos e zerar o déficit carcerário. "Quem comete crimes graves vai entender que prisão é punição."

Cortar o mal pela raiz (pág. 14). Promete usar a força da Presidência para aprovar as punições mais duras permitidas em lei para condenados por crimes sexuais contra mulheres e crianças, incluindo a castração química.

Tolerância zero para o feminicídio (pág. 14). Diz que a medida protetiva precisa deixar de ser só um papel. Os agressores das mais de 500 mil mulheres com medida protetiva seriam monitorados por tornozeleira eletrônica. Promete endurecer a lei para que agressores e assassinos de mulheres cumpram a pena inteira, e afirma que hoje o sistema solta após 55% do tempo. "É cadeia o tempo todo: do primeiro ao último dia."

Acabar com a cocaína “made in Brazil” (pág. 15). Afirma que, nos governos Lula e PT, o Porto de Santos virou um dos maiores exportadores de cocaína do mundo. Propõe tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica ocupando e monitorando portos e aeroportos de forma permanente. Promete resposta dura a traficante que enfrentar o Estado. "Não plantamos coca nem produzimos cocaína."

Menos verbo mais verba (pág. 15). Promete dobrar os investimentos federais em segurança pública ao longo do mandato. Cita dado do Ministério da Fazenda de que só 0,4% do gasto federal vai para a área. Critica Lula e o PT por tratarem do tema com discurso a quatro meses da eleição, depois de 18 anos no poder. "Quem tem que viver em paz é o cidadão de bem"

Luz, câmara, prisão (pág. 15). Propõe o Muralha Brasileira, sistema nacional de reconhecimento facial ligado a bancos de dados criminais. A inspiração é o Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, e o Muralha Paulista, do governo estadual. Prevê mais de 1 milhão de câmeras novas em portos, aeroportos e áreas públicas para localizar foragidos e prevenir crimes. "Bandido não vai ter mais onde se esconder."

Auxílio das famílias das vítimas, não dos bandidos (pág. 15). Promete redirecionar para as famílias das vítimas os recursos hoje pagos a famílias de detentos. Afirma que isso segue recomendação da ONU e de tratados assinados pelo Brasil. "vai colocar a vítima em primeiro lugar"

Sem desconto para a barbárie (pág. 15). Afirma que 4 em cada 10 presos soltos voltam a cometer crimes. Promete acabar com a progressão de regime para crimes hediondos. Quem tirar uma vida cumpriria a condenação inteira.

Quem não entrar na linha vai ser desligado da sociedade (pág. 16). Trata de roubo e furto de celular. Quem for pego roubando fica preso. Quem furta ou revende aparelho de origem criminosa teria a pena inicial multiplicada por quatro, sem benefícios. Lembra que o celular guarda fotos, banco, documentos e muitas vezes é a ferramenta de trabalho. "Pobre compra parcelado em 12 vezes."

2. Brasil por Elas (páginas 17 a 22)

Lema do capítulo: "fortalecer as mulheres é fortalecer a família".

Abertura do capítulo (pág. 17). Parte do dado de que mais da metade das famílias é chefiada por uma mulher. Apresenta o Brasil por Elas como o maior programa de inclusão digital, proteção e crescimento financeiro da história do país, apoiado na internet. Diz que respeita todos os arranjos familiares e a escolha de cada mulher entre o lar e o mercado. O eixo atravessa os demais e se organiza em doze compromissos. "São doze compromissos com elas, e com o Brasil"

Central da Mulher (pág. 17). Espaço físico que reúne acolhimento e proteção, orientação jurídica, apoio psicológico, saúde preventiva, qualificação, vagas de emprego, orientação para abrir negócio, crédito, renegociação de dívidas, regularização da casa e acesso a benefícios. As centrais seriam abertas em todo o país com estados e municípios, em imóveis da União, junto com o Sistema S e instituições públicas e privadas. Haveria unidades itinerantes em caminhões e, para ribeirinhos, em barcos. "um único lugar para resolver tudo"

Aplicativo Central da Mulher (pág. 18). Leva para o celular todos os serviços das centrais físicas. O aplicativo oferece trilhas de proteção e de capacitação e acompanhamento personalizado. "tudo na palma da mão"

Bônus de internet (pág. 18). Promete pacotes de internet para que nenhuma mulher deixe de estudar, se qualificar, procurar emprego, empreender ou pedir ajuda por falta de conexão. O pacote dá acesso ao aplicativo, aos cursos, à ClarIA, às vagas e à marcação de exames. "conectar pessoas é conectar oportunidades"

ClarIA (pág. 18). Assistente de inteligência artificial que acompanha a mulher ao longo do tempo, guarda histórico, envia lembretes e sugere oportunidades conforme o perfil. Orienta sobre medida protetiva, mamografia e outros exames, apoio psicológico, emprego, crédito e compra da primeira casa. "como ter uma amiga disponível 24 horas por dia"

Denúncia facilitada (pág. 18). Integra o Ligue 180, as delegacias online, o botão de emergência e as centrais de monitoramento numa plataforma de resposta rápida. Pelo chat da ClarIA seria possível registrar ocorrência e pedir medida protetiva. Cria um sistema nacional de avaliação de risco para priorizar os casos mais graves. Prevê tornozeleira eletrônica para agressores sob medida protetiva de maior risco, com alerta imediato à vítima e às autoridades. "Quem vive com medo não pode esperar."

Orientação financeira (pág. 19). Parte da ideia de que muitas mulheres ficam em relações abusivas por não terem dinheiro para recomeçar. Oferece programas para organizar o orçamento, sair das dívidas, criar poupança e se proteger do efeito das apostas online sobre a família. "da proteção ao patrimônio"

Ganha, Ganha (pág. 19). Cita cerca de 10 milhões de mulheres empreendedoras que têm mais dificuldade de crédito e pagam juros mais altos. Cria um sistema de pontos: concluir cursos, trabalhar de forma regular, poupar e pagar contas em dia gera pontuação. Os pontos viram juros menores, cashback, crédito facilitado, descontos em serviços e incentivo à poupança. A adesão é voluntária e ninguém perde direito por ficar de fora. CAIXA, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste operam o programa e ampliam o CAIXA Pra Elas. "atitude que vira benefício"

Casa Segura (pág. 20). Promete ampliar os espaços de acolhimento para mulheres em situação de violência. Promete ajudar a mulher a obter a escritura da casa no próprio nome. Cita que, no governo Bolsonaro, de cerca de 450 mil títulos rurais entregues, 90% foram para mulheres. "a proteção começa pelo lar"

Escola Brasil por Elas (pág. 20). Anunciada como o maior programa gratuito de capacitação feminina da América Latina, integrado ao Sistema S e a parcerias público-privadas. Oferece formação em inteligência artificial, programação, marketing digital, finanças e idiomas. Os cursos, online ou presenciais, dão certificado e conexão com vagas e com trilhas para abrir negócio.

Mais Trabalho para Elas (pág. 20). Cria um sistema que junta vagas, qualificação, abertura simplificada de empresa, apoio ao pequeno negócio e intermediação de mão de obra. Prevê um grande banco de dados ligado ao RH de empresas de todo o país para colocar mais mulheres no mercado. "mais emprego, mais renda, mais independência"

Creche garantida para toda criança (pág. 21). Diz que as mulheres dedicam quase o dobro de horas dos homens ao trabalho doméstico, cuidado que equivale a cerca de 8,5% do PIB. Promete ampliar creches em período integral, com alimentação. Onde faltar vaga pública, a família recebe um voucher-creche para a rede privada credenciada até a vaga surgir. Cria a Rede Nacional de Cuidado para idosos e pessoas com deficiência, com centros-dia e atendimento domiciliar em parceria com estados, municípios e organizações sociais. "o cuidado como parte da economia"

Saúde para Elas (pág. 21). Promete saúde preventiva perto de casa e pelo celular, com telemedicina e postos ampliados ou construídos. O prontuário eletrônico integrado acompanha a mulher ao longo da vida. Amplia exames preventivos, com atenção a câncer, menopausa, gestação e endometriose, e inclui saúde bucal. Prevê Unidades Móveis de Saúde da Mulher em ônibus, caminhões e barcos. O eixo fecha (p. 21 e 22) dizendo que o programa não divide o país entre homens e mulheres. "Quando elas avançam, o Brasil avança."

3. Brasil sem Fila (páginas 23 a 28)

Lema do capítulo: "seu tempo é seu".

Abertura do capítulo (pág. 23). Trata a fila como sinal de descaso e cita a do INSS, com 3 milhões de requerimentos no início de 2026. Lista feitos do governo Bolsonaro: 7º lugar no ranking de governo digital do Banco Mundial, Gov.br com 4,9 mil serviços e 75% digitalizados, PIX, Carteira de Trabalho Digital baixada por 65 milhões, prova de vida pelo celular, leilão do 5G e Lei da Liberdade Econômica. Promete concluir o trabalho com o Tesouraço da Burocracia. "o tempo do brasileiro volta a ser dele"

Internet como infraestrutura (pág. 24). Trata a internet como estrada ou rede de energia. Promete pacotes de conexão para que ninguém deixe de estudar, trabalhar ou pedir ajuda, com prioridade para as mulheres do Brasil por Elas. Promete levar sinal a locais de baixa cobertura, com prioridade para escolas, áreas rurais e fronteira. Cita o Wi-Fi Brasil, que teria conectado mais de 11 milhões de pessoas com mais de 21.000 pontos. "Digitalizar sem conectar é excluir."

Estado Digital: todos os serviços na palma da mão (pág. 24). Critica o cidadão ter de provar a um órgão o que outro órgão já sabe. Promete digitalizar 100% dos serviços federais que puderem ser digitalizados e acabar com a exigência de reapresentar documentos. Cria identidade digital única ligada ao Gov.br, com assistentes automáticos e comando de voz. "Se o governo já tem a informação, não vai pedir de novo."

Inteligência artificial a serviço do cidadão (pág. 25). Assistentes automáticos avisam cada pessoa dos serviços e benefícios a que tem direito e do caminho para obtê-los. A ClarIA passa a acompanhar todo cidadão. Um aplicativo de companhia e alerta atende idosos que vivem sozinhos. "o governo se antecipa à sua necessidade"

Saúde digital e prontuário eletrônico único (pág. 25). Diz que brasileiros morrem de doenças tratáveis porque a informação de saúde fica espalhada. Promete o prontuário eletrônico único, ligado ao CPF e ao Gov.br, valendo nas redes pública e privada, com consultas, exames, vacinas e receitas, respeitando consentimento, LGPD e sigilo médico. Promete completar a digitalização do SUS e usar inteligência artificial para encaixar o paciente na primeira vaga. Apresenta como continuação do Conecte SUS. "seu histórico de saúde vai com você"

INSS sem fila (pág. 26). Repete o número de 3 milhões de requerimentos parados no início de 2026 e afirma que a fila foi entregue em queda em 2022. Promete investir em tecnologia, digitalizar os processos e profissionalizar a gestão, tirando a que chama de voltada a entidades sindicais. A medida de sucesso é o tempo de espera do aposentado. "o aposentado não espera pelo que já é dele"

Desburocratização para quem empreende (pág. 27). Lembra a Lei de Liberdade Econômica de 2019, que dispensou alvará para atividades de baixo risco. Diz que o avanço não chegou a todos os estados e municípios e promete levá-lo ao país inteiro. Promete um amplo revogaço regulatório, com revisão de normas obsoletas. "abrir e tocar um negócio sem labirinto"

Menos burocracia no campo (pág. 27). Informa que uma outorga de irrigação leva em média 24 meses. Promete simplificar as outorgas e acelerar a regularização fundiária e a titulação do pequeno proprietário. Cria a rastreabilidade completa das cadeias produtivas num sistema único que junta cadastros fundiários e ambientais, guias de trânsito animal, autorizações de supressão vegetal e satélite. O produtor passa a informar tudo uma vez só. "Menos tempo na fila, menos papel, menos labirinto."

4. Brasil Mais Barato (páginas 29 a 33)

Lema do capítulo: "para sobrar dinheiro no fim do mês".

Abertura do capítulo (pág. 29). Descreve o carrinho mais vazio e as embalagens menores. Atribui ao governo do PT 30 aumentos de tributos, inflação de alimentos, a maior taxa de juros em 19 anos e alta de 13 pontos na dívida em quatro anos. Cita que 85% das famílias com até três salários mínimos estão endividadas e que sobram pouco mais de R$ 20 de cada R$ 100. Afirma que o governo Bolsonaro cortou 4 pontos da dívida e baixou tributos de energia, telefone, gasolina e bens de consumo. "O povo se sente humilhado ao frequentar os supermercados."

Menos imposto no que você consome (pág. 30). Diz que a reforma tributária atual leva o Brasil a um IVA em torno de 30%, contra média de 19% na OCDE. Atribui a ela um custo perto de R$ 1 trilhão sem fonte definida e mais de R$ 500 bilhões em exceções. Promete rever e redimensionar a reforma e os aumentos de imposto, reduzir o IVA, garantir que não haja imposto sobre imposto, desonerar exportações e investimentos e reduzir exceções. "menos impostos, mais formalidade, mais crescimento"

Conta de luz mais simples e mais barata (pág. 31). Diz que a conta virou um amontoado de encargos e subsídios cruzados. Promete simplificar a conta, reduzir aos poucos a CDE e as fontes incentivadas, manter a tarifa social e reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis. A regulação das fontes teria um critério único: o menor preço final. "você paga pela energia, não por encargos que não entende"

Comida mais barata na prateleira (pág. 31). Aponta o custo logístico de 15,5% do PIB, quase o dobro dos 8,8% dos Estados Unidos. Propõe os Corredores Logísticos Inteligentes, a ampliação do Seguro Rural e mais capacidade de armazenagem de safras. Promete apoiar a produção nacional de fertilizantes com potássio e fosfato do país. "safra protegida é oferta garantida, e oferta garantida é preço estável"

Crédito que não afunda a família (pág. 32). Diz que os juros altos vêm da dívida crescente do governo, o maior tomador de empréstimos do país. Promete estabilizar e reduzir a dívida para levar os juros à média internacional e a inflação ao centro da meta. Promete proibir o uso de dinheiro de programas sociais em apostas, fazer campanhas sobre o risco dos jogos e ampliar a orientação financeira pela rede da CAIXA. "Juros menores não se decretam: conquistam-se com contas em ordem"

5. Brasil que Prepara (páginas 34 a 41)

Lema do capítulo: "para sua família ter as ferramentas para vencer".

Abertura do capítulo (pág. 34). Parte do desejo de todo pai e mãe de que o filho viva melhor. Diz que o Estado falhou em ensino, creche, saúde preventiva e apoio a quem cuida de idoso. Defende uma escola que ensina e respeita os valores dos pais e promete retomar o caminho do governo Bolsonaro. "Gastou-se muito e entregou-se pouco"

Ensinar de verdade (pág. 34). Diz que o gasto por aluno mais que triplicou e o Brasil está em 65º entre 81 países em matemática no PISA. Propõe priorizar o método fônico e criar o Programa Acolher, em que alunos com bom desempenho recebem para dar reforço a colegas. Prevê gestão por indicadores, repasses ligados a metas de aprendizagem, formação contínua de professores, educação sem doutrinação político-partidária, mais Escolas Cívico-Militares e atendimento a alunos com altas habilidades. Prevê robótica, computadores, tablets e internet nas escolas, currículo de economia digital, tempo integral, Escola nas Férias e voucher educacional onde faltar vaga pública. "ninguém avança de série sem ter aprendido"

Preparar para o trabalho que existe (pág. 36). Aponta a distância entre o que a escola ensina e o que o mercado pede. Promete ampliar o ensino técnico no ensino médio em parceria com empresas, que poderão pagar bolsas. Cria a Política Nacional de Formação de Talentos. Transfere a governança do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com CAPES e CNPq priorizando impacto produtivo. Troca o financiamento estudantil atual pelo Empréstimo Contingente à Renda: o estudante só paga quando estiver empregado, com parcela proporcional ao salário e prazo mais longo. "estudar tem que levar a emprego, não a um diploma sem uso"

Saúde que cuida antes de a doença chegar (pág. 37). Promete criar as condições para corrigir de fato a tabela SUS e pagar o custo real do atendimento. Amplia a Estratégia Saúde da Família e os exames preventivos, cria o Programa de Atendimento aos Idosos e mantém a vacinação e a produção nacional de vacinas. Prevê contratar exames e serviços na rede privada em horários ociosos, fortalecer a Rede Nacional de Hospitais Inteligentes (EBSERH), ampliar a telessaúde e criar a entrega de remédios em casa. Usa inteligência artificial para identificar quem corre mais risco de adoecer. "criança doente não aprende, adulto doente não trabalha"

Cuidar de quem a gente ama (pág. 38). Reconhece o peso do cuidado sobre as mulheres da família e repete o dado de 8,5% do PIB. Remete ao Brasil por Elas para creches, voucher-creche e Rede Nacional de Cuidado. Para idosos, cria o Casa Segura para Envelhecer, com subsídio para adaptar a casa de famílias de menor renda, um aplicativo de companhia com alertas e mais instituições de longa permanência. Prevê políticas para pessoas com deficiência e doenças raras, Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista e mais atenção à saúde mental (TDAH, depressão, ansiedade, Alzheimer). "quem cuida de quem ama não pode ficar sozinho nessa"

Esporte que forma (pág. 40). Trata o esporte como formação de caráter e ferramenta contra evasão escolar. Cria o Programa Escola de Campeões, com parcerias público-privadas, times escolares, treino no contraturno e competições municipais e estaduais. Prevê inclusão pelo paradesporto, bolsas esportivas melhores e patrocínio privado no alto rendimento. Promete garantir que a categoria feminina, da base ao alto rendimento, seja disputada por atletas do sexo feminino. "A quadra puxa a sala de aula."

Cultura que valoriza nossas raízes (pág. 41). Celebra a miscigenação e a formação de um país de imigrantes. Promete preservar o patrimônio histórico, valorizar as tradições brasileiras e aperfeiçoar as leis de incentivo para favorecer outros polos regionais e artistas de pouca projeção. Diz que a arte não será subordinada a agendas políticas. "menos concentração, mais Brasil na cultura"

Sala de aula de escola pública. Imagem ilustrativa. Foto: Camila Del Manto Bomtempo, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

6. Brasil que Prospera (páginas 42 a 48)

Lema do capítulo: "para você conquistar o que é seu".

Abertura do capítulo (pág. 42). Diz que todo brasileiro quer crescer pelo próprio esforço e ter algo seu: casa, negócio, carro, nome limpo. O papel do Estado é abrir o caminho, sem substituir nem sufocar esse esforço. "Não é caridade que o povo pede, é oportunidade."

Da proteção à autonomia (pág. 42). Rebate a ideia de que só a esquerda cuida dos pobres: cita extrema pobreza de 1,95% em 2020, com o Auxílio Emergencial, e o Auxílio Brasil. Promete manter os programas sociais, com gestão melhor, correção de distorções e combate a fraudes. O beneficiário teria prioridade em primeiro emprego, qualificação e intermediação de vagas, com uma trilha própria. Garante volta imediata e sem fila ao benefício depois do seguro-desemprego. "o programa social é o começo da caminhada, não o fim"

Trabalho que compensa (pág. 43). Diz que um trabalhador formal custa cerca de duas vezes o salário que leva para casa. Promete reduzir aos poucos o custo do trabalho, sem retirar direitos. Cria um contrato de primeiro emprego para jovens de 18 a 24 anos, com custo menor na folha, e outro para pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Defende jornada flexível, o negociado sobre o legislado e um banco nacional de vagas ligado ao RH das empresas. "O trabalhador brasileiro não tem medo de trabalhar."

O trabalhador em primeiro lugar, não o sindicato (pág. 44). Critica o que chama de República Sindical e a unicidade sindical, e diz que dirigentes tentam reverter o fim do imposto sindical de 2017. Critica a proposta do governo para o trabalho por aplicativos. Promete manter as oportunidades de renda dos aplicativos, com proteção social e previdenciária, sem dirigentes sindicais à frente do processo. "proteger quem trabalha, não quem vive da estrutura sindical"

Negócio próprio (pág. 45). Diz que milhões de brasileiros preferem ter o próprio negócio e que o Estado os atrapalha com burocracia, imposto e falta de crédito. Cria o Minha Primeira Empresa: menos burocracia para abrir, capacitação pelo Sistema S e uma esteira de crédito e serviços da CAIXA. Apoia a internacionalização de pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil. "quem quer empreender vai encontrar no Estado um parceiro, não um obstáculo"

A CAIXA como Banco da Prosperidade (pág. 46). Dá nova missão à CAIXA sem criar estrutura nova: deixar de ser só pagadora de benefícios. Numa plataforma física e digital, o cidadão encontra crédito, orientação financeira, apoio para empreender, habitação e regularização da casa, com inteligência artificial indicando oportunidades. Estende a todos o Ganha-Ganha, de adesão voluntária: curso concluído, negócio formalizado, emprego e contas em dia viram histórico que dá crédito, juros menores e cashback. "a mão que ajuda o brasileiro a subir de vida"

A casa própria (pág. 47). Promete retomar o Casa Verde e Amarela com meta de 2,5 milhões de residências e a menor taxa de juros possível. Promete retomar áreas dominadas por facções, urbanizar áreas degradadas e incentivar a regularização fundiária, com escritura de preferência no nome da mulher. Promete aplicar o Marco Legal do Saneamento, de 2020, que tem meta de água e esgoto para quase toda a população até 2033, e acelerar concessões. Fixa nenhuma escola sem água até 2030 e o Programa Lixão Zero (fecha na p. 48). "Moradia digna tem água e esgoto."

7. Brasil que Cresce (páginas 49 a 64)

Lema do capítulo: "o país que dá condições a quem quer trabalhar e produzir".

Abertura do capítulo (pág. 49). Explica que este capítulo trata do país por baixo da vida das famílias. Diz que o Brasil cresceu em média 2% ao ano nas últimas duas décadas. Fixa a meta de dobrar o ritmo e chegar a 4% ao ano de forma sustentada ao longo da próxima década, com investimento privado, segurança jurídica e competitividade. "Não é promessa vazia: é o resultado de escolhas concretas"

Segurança jurídica: a regra do início é a regra do fim (pág. 49). Diz que o Brasil ganhou fama de mudar a regra no meio do jogo. Propõe licenciamento ambiental com prazo definido: se o órgão não decidir no prazo, a licença é concedida. Cria mecanismos de estabilidade de regras de até 20 anos para grandes projetos e responsabilidade do Estado por prejuízos se voltar atrás sem culpa do empreendedor. Dá a indígenas e quilombolas autonomia para decidir sobre atividades produtivas em suas terras, com indenização por restrições. "a demora do Estado não pode ser um castigo"

Logística e transporte (pág. 50). Aposta na iniciativa privada, com o Estado garantindo regras estáveis. Propõe novo modelo de financiamento: fundo com base em ativos e imóveis da União, PPPs, concessões e BNDES só para obras no Brasil. Promete R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, e os Corredores Logísticos Inteligentes. Lista obras: Ferrogrão, trem de cargas ligando Mato Grosso, oeste do Paraná e Santa Catarina, Trem do Nordeste, Transnordestina ampliada para Paraíba e Rio Grande do Norte e Hidrovia do Tapajós. "a obra que escoa a safra, baixa o preço e gera emprego"

Mobilidade urbana (pág. 51). Parte das horas perdidas em ônibus lotado. Promete planejar as cidades para reduzir deslocamentos, com transporte coletivo como base e contratos que juntem moradia e infraestrutura. Bancos públicos dariam prioridade a metrô, trilhos e ônibus elétricos ou a biocombustível. "menos tempo no trânsito, mais tempo em casa"

Segurança hídrica (pág. 52). Lembra a conclusão do Eixo Norte da Transposição do São Francisco no governo Bolsonaro. Promete concluir, iniciar ou executar: Ramal do Apodi, Ramal do Salgado, Adutora do Seridó, Canal do Xingó, Ramal do Piancó, Canais do Sertão Baiano, Piauiense e Alagoano, o CAC e a duplicação do Eixão das Águas do Ceará. Contra enchentes, prevê barragens, reservatórios, diques, drenagem e reforço da Defesa Civil. "água que chega, e enchente que não destrói"

Energia (pág. 52). Cria o Programa Nacional de Segurança Energética, com foco em refino, escoamento e transporte de combustíveis e gás. Permite a exploração de gás não convencional (fracking) e moderniza a rede de transmissão. Promete expandir a rede de gás, modernizar o refino, produzir fertilizantes a partir do gás e simplificar a conta de luz. Cria um programa de armazenamento com baterias de grande porte e quer o país como polo de data centers sustentáveis e potência em biocombustíveis (etanol, biodiesel, HVO, SAF, biogás), com Renovabio ampliado para vender créditos de carbono. "Energia barata é conta de luz menor"

Agronegócio e Campo (pág. 53). Promete ampliar o Seguro Rural, criar ferramentas para reorganizar dívidas do setor, ampliar a armazenagem e buscar saída diplomática para sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa. Promete fertilizante nacional e retomada da titulação rural, lembrando mais de 450 mil títulos emitidos no governo Bolsonaro. Liga quem busca trabalho às vagas do campo, com volta garantida ao benefício social. Amplia a irrigação, com polos no Matopiba e no semiárido, simplifica outorgas (hoje 24 meses), cumpre as metas de combustível sustentável de aviação a partir de 2027 e amplia o pagamento por serviços ambientais. "ninguém planta e investe no que teme perder"

Minerais críticos (pág. 55). Lista lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras-raras. Propõe processar esses minerais no Brasil, em vez de exportar a matéria bruta, ligando mineração, energia limpa e data centers. Fala em seis pilares e enumera: marco regulatório estável, licenciamento ágil, atração de capital e tecnologia, verticalização com incentivos de mercado, governança e transparência. Promete parcerias com todos os países interessados, garantias de crédito e licenciamento mais rápido. "O Estado atuará como regulador e coordenador, não como empresário"

Tecnologia e inovação (pág. 56). Dá alta prioridade a pesquisa e desenvolvimento. A Estratégia Nacional de Inteligência Artificial leva a IA a micro, pequenas e médias empresas, com prioridade para indústria, agronegócio, saúde e logística. O Estado age como indutor por compras públicas, GovTech e pesquisa, e quer mais patentes brasileiras de IA. Propõe lei de liberdade para criar e inovar, mais parques tecnológicos, incubadoras e startups, e reforço da defesa cibernética. "Os dados do cidadão são dele, não do governo"

Meio ambiente: o ativo verde do Brasil (pág. 57). Trata o meio ambiente como ativo estratégico. Promete consolidar o mercado regulado de carbono, impulsionar a bioeconomia e pagar a quem preserva. No bloco sobre biomas (p. 58), fixa a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029 e combater queimadas e grilagem com inteligência artificial e satélite, sem novos custos para o produtor regular. No bloco sobre a Amazônia (p. 58 e 59), promete fiscalização mais forte, cooperação com vizinhos e fim do que chama de criminalização do morador da floresta. Promete eliminar sobreposições entre Ibama, Funai e ICMBio e exigir transparência de ONGs que recebem dinheiro internacional e movem ações contra a União. "Preservar tem que compensar para quem preserva."

Turismo: uma vocação que rende (pág. 59). Diz que o país aproveita só uma fração do seu potencial turístico. Aposta na infraestrutura já prevista (aeroportos, rodovias, ferrovias, Trem do Nordeste), na promoção do destino Brasil e na vocação de cada região. Liga o turismo às ações de segurança do Brasil sem Medo. "segurança e turismo caminham juntos"

Desenvolvimento regional: reduzir a distância entre as regiões (pág. 60). Pede esforço especial para Norte e Nordeste. No Nordeste, a prioridade é a água: obras hídricas, expansão do Baixio do Irecê, o Trem do Nordeste (1.400 km ligando Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza) e a Transnordestina ampliada. Vê a região como capital da energia limpa, capaz de atrair data centers, e cita as terras raras. No Norte, o caminho é a bioeconomia com a floresta em pé, com autonomia para indígenas e quilombolas. "Por tempo demais foi tratado como problema, quando sempre foi solução."

Soberania com profissionalismo, não com ideologia (pág. 61). Critica a política externa atual: recepção a Nicolás Maduro, navios de guerra iranianos em portos brasileiros e a ida do vice-presidente à posse no Irã. Diz que a soberania começa pela segurança dentro de casa. Promete um Itamaraty técnico e pragmático, recompor relações com Argentina, Estados Unidos e Israel e negociar com todos, da China à União Europeia. "soberania se exerce na prática, não no discurso"

Brasil no mundo (pág. 62). Coloca como passo mais urgente retomar a adesão à OCDE, com fim gradual do IOF sobre o câmbio. Prevê abertura comercial, um plano de integração às cadeias globais de valor (agroindústria avançada, minerais críticos, saúde, economia digital) e apoio a pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil. Fixa a meta de, em 2030, estar entre os principais destinos de investimento em transição energética. Na defesa, prevê foco em crime organizado, drones e inteligência artificial e investimento compatível nas Forças Armadas. "investimento é emprego que chega à ponta"

Competitividade doméstica (pág. 64). Parágrafo curto de fecho. Diz que algumas campeãs nacionais não bastam se o resto da economia tem baixa produtividade. A base é infraestrutura, produtividade, segurança jurídica, estabilidade macroeconômica, crédito e juros mais baixos. "crescer por dentro para competir por fora"

Trem em uma ferrovia brasileira. Imagem ilustrativa. Foto: via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

8. Brasil que Cumpre a Constituição (páginas 65 a 67)

Lema do capítulo: "regras que valem para todos e não mudam no meio do jogo".

Abertura do capítulo (pág. 65). Defende regras claras, que valem para todos e não mudam conforme quem está no poder. Diz que o Estado precisa ser modernizado, com equilíbrio entre os Poderes e volta à normalidade democrática, sem privilégios nem um Poder acima dos outros.

Reforma do Judiciário: o STF como Corte Constitucional (pág. 65). Diz que o Supremo acumulou funções sem paralelo em outros países. Propõe seis medidas: fim da competência criminal originária do STF (parlamentares julgados no STJ ou nos TRFs), limite às decisões de um ministro só, revisão do alcance das ADPFs e de quem pode propor ADPFs, ADIs e ADCs, quarentena de 1 ano para ministro de Estado ser indicado ao STF, impedimento de parentes até terceiro grau e de seus escritórios no tribunal do magistrado, e mais sociedade civil no CNJ e no CNMP, com menos atuação de natureza legislativa. "Nenhuma dessas medidas enfraquece o Judiciário."

Reforma política (pág. 66). Trata a reforma política como urgente e prioritária. Quer partidos com programa mais nítido e mais proximidade entre eleitor e eleito. Propõe o fim da reeleição para presidente da República e informa que já há uma PEC no Senado, de autoria de Flávio Bolsonaro. "o nosso projeto é de país, não de poder"

Tesouraço na Censura (pág. 66). Afirma que o governo atual criou estruturas, apelidadas de Ministério da Verdade, que tratam crítica como desinformação. Promete extinguir qualquer estrutura estatal que vigie, rotule ou puna o que as pessoas dizem e revogar todos os atos usados para silenciar críticos. Diz que crime se combate na Justiça, com direito de defesa (fecha na p. 67). "Nós defendemos o direito de sermos criticados"

9. Brasil que Não Volta Atrás (páginas 68 a 73)

Lema do capítulo: "para que tudo isso seja permanente, e não uma bolha que estoura".

Abertura do capítulo (pág. 68). Apresenta o capítulo como a garantia de que as promessas anteriores têm lastro. Contrasta a alta de 13 pontos na dívida em quatro anos, com juros no maior nível em 19 anos e 30 impostos novos ou aumentados, com a queda de 4 pontos no governo Bolsonaro. Anuncia o Tesouraço: corte amplo que enxuga a máquina, arruma as contas e reduz impostos. "Já demos o exemplo, e vamos dar de novo."

Mais Brasil e menos Brasília (pág. 68). Lembra que o governo Bolsonaro deu mais autonomia aos municípios e socorreu estados e prefeituras na pandemia. Promete rever o pacto federativo e as regras orçamentárias e mudar a lei para agilizar aprovação, liberação de recursos e prestação de contas. Promete mais transparência, controle e rastreabilidade nas emendas parlamentares, ligadas às prioridades do Plano Plurianual. "Enquanto uns falam em federalismo, nós o praticamos."

Enxugar a Máquina e Profissionalizar a Gestão Pública (pág. 69). Promete continuar a reforma administrativa e rever normas infralegais nas áreas de gestão, tributária, previdenciária e trabalhista. Promete cortar no mínimo 10 ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas e combater penduricalhos e supersalários. Prevê agências reguladoras com dirigentes técnicos e um revogaço regulatório. Promete fortalecer a Lei das Estatais, recrutar dirigentes com regras de mercado, blindar os fundos de pensão de indicação política e retomar o Programa Nacional de Desestatização caso a caso. "Estatal não é palanque nem cabide de apadrinhado"

Contas em ordem para juros e inflação menores (pág. 70). Acusa o PT de destruir o teto de gastos e criar regras frágeis, furadas mais de dez vezes. Promete reformular as regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida, entregar superávits primários, limitar o crédito subsidiado pelo Tesouro e criar regra de controle dos gastos discricionários dos três Poderes. A meta é estabilizar e depois baixar a relação dívida/PIB no menor prazo possível. Prevê choque de gestão, reforma do processo orçamentário e avaliação permanente de políticas. "cada real precisa mostrar o que entregou"

Menos impostos: a reforma tributária corrigida (pág. 71). Repete quase palavra por palavra a seção da p. 30. Critica a reforma atual (R$ 1 trilhão sem fonte e mais de R$ 500 bilhões em exceções). Promete rever a reforma e os aumentos de imposto, reduzir o IVA, impedir cobrança em cascata, desonerar exportações e investimentos e reduzir exceções. "para que não se cobre imposto sobre imposto"

O lado dos aposentados: fim das fraudes (pág. 72). Lembra a MP Antifraudes de 2019 (MP nº 871/2019), que exigia revalidação anual dos descontos associativos. Diz que a derrubada dessas travas levou ao que chama de Farra do INSS em 2023 e 2024, e que a oposição aprovou o fim dos descontos em novembro de 2025. Promete reeditar um pacote antifraude na Previdência e mudar a governança do consignado, com dupla checagem das autorizações. Remete a fila de três milhões ao Brasil sem Fila (fecha na p. 73). "Chega de tratar quem depende do INSS como presa fácil."

Conclusão (páginas 74 e 75)

Conclusão: um convite à nação (pág. 74). Retoma os nove eixos em sequência, uma frase para cada. Diz que a primeira coragem do governo será recuperar os territórios dominados por facções. Reafirma os valores: vida, liberdade, família, propriedade, democracia e fé. Fecha (p. 75) prometendo cumprir o programa dentro das instituições e das leis e convida o leitor a fazer parte. "Não é uma lista de promessas soltas: é uma jornada."

Contracapa (pág. 76). A última página é a contracapa, sem texto.

As 76 páginas do plano de governo de Flávio Bolsonaro, lado a lado

Os três que eu achei mais fortes

Esta parte é opinião minha, e está marcada como opinião.

  • O fim da reeleição para presidente (pág. 66). Um candidato propondo limitar o próprio poder é raro.
  • A faculdade que só se paga com emprego (pág. 36). Estudar deixa de ser dívida impagável.
  • O governo parar de pedir documento que já tem (pág. 24). Parece pequeno. Para quem já perdeu um dia numa repartição, é enorme.

Baixe o PDF oficial

O documento original da campanha, com as 76 páginas, está nesta cópia em PDF. Se preferir um recorte, eu separei as 22 mudanças mais concretas do plano.

Perguntas que chegam nos comentários

Quantas páginas tem o plano de governo de Flávio Bolsonaro?

Tem 76 páginas, com nove capítulos e 78 seções. O título é "Para o Brasil vencer o atraso".

Quais são os nove capítulos?

Brasil sem Medo, Brasil por Elas, Brasil sem Fila, Brasil Mais Barato, Brasil que Prepara, Brasil que Prospera, Brasil que Cresce, Brasil que Cumpre a Constituição e Brasil que Não Volta Atrás.

O plano propõe o fim da reeleição?

Sim. A página 66 propõe o fim da reeleição para presidente da República e cita uma PEC já apresentada no Senado.

Quantos ministérios o plano promete cortar?

No mínimo dez, segundo a página 69.

O plano mantém os programas sociais?

Sim. A página 42 diz que os programas sociais existentes serão mantidos, com melhor gestão e combate a fraudes.

Onde eu leio o plano original?

No PDF registrado no TSE. Há um link para a cópia completa no fim desta página.

O carrossel que trouxe você até aqui foi feito pela equipe da Revista De Castro.

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Fontes desta materia

  1. Plano de governo Para o Brasil Vencer o Atraso, Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030, Flávio Bolsonaro (PL), 76 páginas, registrado no TSE, cópia do Poder360
  2. Poder360, Leia a íntegra do plano de governo de Flávio Bolsonaro, agosto de 2026
  3. Tribunal Superior Eleitoral, Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, eleições 2026
  4. Tribunal Superior Eleitoral, resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026
  5. Planalto, Lei 9.504, de 1997, artigo 11, que exige o registro das propostas do candidato