Revista De Castro

Saúde / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

Era considerada rara até 2015. Em 13 anos, a doença inflamatória intestinal ficou cinco vezes mais comum no Brasil

Um estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Coloproctologia, com dados do SUS, mostra que a doença de Crohn e a retocolite passaram de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025. Eu explico o que é a doença, o que o estudo mediu, a projeção para 2035 e o custo do tratamento.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Saúde
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2 min
Fontes
4 citadas
Equipe de gastroenterologia. Imagem ilustrativa. Foto: Andrea Jenkins / Força Aérea dos EUA, domínio público, via Wikimedia Commons
Equipe de gastroenterologia. Imagem ilustrativa. Foto: Andrea Jenkins / Força Aérea dos EUA, domínio público, via Wikimedia Commons

Em 2012, o Brasil tinha 30 pessoas com doença inflamatória intestinal para cada 100 mil habitantes. Em 2025, eram 158.

O número foi apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC), e divulgado pela Agência Brasil em 25 de setembro.

O que é a doença

Doença inflamatória intestinal é o nome de um grupo. Os dois tipos principais são a doença de Crohn, que pode atingir todo o tubo digestivo, e a retocolite ulcerativa, que atinge o reto e o intestino grosso.

O serviço de saúde britânico, o NHS, descreve a doença como crônica: ela dura a vida toda, e há tratamento para controlar os sintomas. A causa exata ainda não é conhecida. A hipótese mais aceita é o sistema de defesa do corpo atacando o próprio intestino.

O que o estudo mediu

O trabalho é de Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, e Paulo Kotze, da PUC do Paraná, com participação das universidades de Calgary, de São Paulo e de Campinas. A base são os dados do SUS.

Os números, segundo a Agência Brasil:

Indicador20122025
Pessoas com a doença, por 100 mil habitantes30158
Novos diagnósticos por ano9,3512,34
Projeção para 2035, por 100 mil264

O primeiro número é o total de pessoas vivendo com a doença. Ele cresceu cinco vezes. O segundo é o de casos novos a cada ano, que também subiu. A reportagem não deixa clara a unidade desse segundo indicador.

A projeção para 2035 é de 264 pessoas por 100 mil habitantes, 67% a mais do que em 2025.

Por que o total cresce mais rápido

A doença não tem cura. Quem recebe o diagnóstico continua na conta nos anos seguintes. Por isso o total de pessoas com a doença sobe mais depressa do que o número de casos novos.

O que se sabe da causa

Quaresma disse à Agência Brasil: "A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais."

A reportagem cita como fatores estudados a genética, a poluição, os hábitos alimentares e os aditivos dos ultraprocessados. O pesquisador lembrou que, até por volta de 2015, essas doenças eram consideradas raras, e que hoje vivem um "boom em todo o mundo".

A literatura internacional registra a mesma curva. A incidência cresce há décadas em regiões que se urbanizaram rápido, como a Ásia, e estudos associam o aumento a mudanças de dieta e de ambiente.

O custo

O tratamento mira controlar a inflamação e os sintomas. Segundo a Agência Brasil, o custo dos medicamentos pode chegar a R$ 500 mil por ano, por paciente.

Com a projeção de 67% a mais de pacientes em dez anos, a conta cresce junto.

O que este texto não diz

Não há lista de sintomas para autodiagnóstico aqui, de propósito. O diagnóstico é feito por médico, em geral com colonoscopia e biópsia. Quem tem dor abdominal e diarreia que não passam deve procurar atendimento.

Fontes desta materia

  1. Agência Brasil, Em 13 anos, doença inflamatória intestinal cresce 5 vezes no Brasil (25/09/2026)
  2. NHS, Inflammatory bowel disease
  3. Wikipédia, verbete Doença inflamatória intestinal
  4. Wikipedia, verbete Inflammatory bowel disease (epidemiologia)