Revista De Castro

Bem-estar / 26 de setembro de 2026

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Cálcio e vitamina D não seguram a queda. 69 estudos com 153 mil pessoas dizem o que segura

Uma revisão no BMJ juntou todos os ensaios clínicos que testaram os suplementos contra fratura e queda. Para a maioria dos adultos mais velhos, o efeito foi pequeno ou nenhum. Os próprios autores apontam o que funciona melhor, e para quem o resultado não vale.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Bem-estar
Leitura
2 min
Fontes
4 citadas
Tom Thai / Wikimedia Commons, CC BY 2.0
Tom Thai / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Muita gente toma cálcio com vitamina D por conta própria, pensando nos ossos. Uma revisão publicada no BMJ em setembro de 2026 foi medir o que ele entrega.

O que o estudo achou

Pesquisadores canadenses, liderados por Olivier Massé, reuniram 69 ensaios clínicos randomizados com 153.902 adultos. É o tipo de estudo em que um grupo toma o suplemento e outro não, sorteados, para comparar.

O resultado, segundo o ScienceDaily, que divulgou o trabalho em 20 de setembro: cálcio, vitamina D ou os dois juntos tiveram pouco ou nenhum efeito relevante na prevenção de fraturas e quedas na maioria dos adultos mais velhos.

A força da evidência, em cada caso:

SuplementoEnsaiosPessoasCerteza da evidência
Cálcio sozinho119.067moderada
Vitamina D sozinha3692.045alta
Cálcio com vitamina D1551.126alta

Os resultados se mantiveram parecidos em recortes por idade, sexo e fratura anterior.

A conclusão dos autores é direta: a evidência "não apoia a suplementação de rotina" com cálcio, vitamina D ou os dois para prevenir fratura e queda (tradução livre). Eles pedem que médicos, diretrizes e agências reguladoras revejam as recomendações gerais.

Por que o frasco fazia sentido

A vitamina D aumenta a absorção de cálcio no intestino e ajuda a manter cálcio e fósforo no sangue. A principal fonte, para a maioria das pessoas, é a própria pele exposta ao sol. A falta grave causa raquitismo na criança e amolecimento dos ossos no adulto.

A lógica do suplemento é boa. O que a revisão mostra é que, em quem não tem essa falta, tomar mais não se traduziu em menos fratura.

O que segura a queda

Os próprios pesquisadores apontam a alternativa: treino de equilíbrio e exercício de força, que melhoram firmeza, estabilidade e função física. Programas que juntam exercício, revisão dos riscos da casa e orientação individual também podem ajudar.

A OMS estima 684 mil mortes por queda por ano no mundo. É a segunda causa de morte por lesão não intencional, atrás só do trânsito, e quem mais morre são as pessoas com mais de 60 anos. Entre as medidas que a organização lista estão treino de marcha e equilíbrio e tai chi.

Um estudo no British Journal of Sports Medicine, divulgado em junho de 2026, com 147.374 pessoas acompanhadas por até 30 anos, encontrou 13% menos risco de morte em quem fazia de 90 a 120 minutos de musculação por semana. Os autores avisam que é estudo observacional e não prova causa.

Para quem o resultado não vale

Os autores deixam claro que a conclusão não se aplica a quem tem doença óssea específica ou toma remédio para osteoporose. A própria OMS inclui a vitamina D entre as medidas de prevenção de quedas para quem tem deficiência.

Quem toma o suplemento por prescrição não deve parar por causa desta matéria. A conversa é com quem receitou.

A resposta

Para a maioria dos adultos mais velhos sem deficiência nem doença óssea, 69 estudos dizem que o frasco não segura a queda. O que os mesmos pesquisadores apontam é músculo e equilíbrio.

Fontes desta materia

  1. ScienceDaily, release sobre a revisão do BMJ com 69 ensaios de cálcio e vitamina D
  2. Organização Mundial da Saúde, ficha Falls
  3. ScienceDaily (British Journal of Sports Medicine), Scientists found the strength training sweet spot for a longer life
  4. Wikipedia, verbete Vitamin D