Na quarta-feira, 9 de setembro, eu postei um vídeo de reação com um trecho da sabatina de Augusto Cury na CNN Brasil. Setecentas curtidas, 167 comentários. Metade dos comentários dizia que ele foi covarde por não pedir a cabeça do ministro. A outra metade dizia que ele foi golpista por falar em impeachment. Os dois lados ouviram o mesmo trecho de 30 segundos.
Então eu fiz o que dá para fazer quando dois lados discutem: fui pegar a frase inteira, palavra por palavra. Fui pegar cada frase que ele já disse sobre o Supremo neste ano, com data e veículo. E fui conferir as quatro afirmações que eu mesmo coloquei na legenda do vídeo, porque legenda de rede social é o lugar onde mais se erra por pressa.
O resultado: duas afirmações da legenda estavam certas, duas precisavam de conserto. O conserto está mais abaixo, sem esconder nada. Antes, a frase.
Os números desta matéria
CNN Brasil, Poder360, Senado Notícias, Congresso em Foco, setembro de 2026
A frase inteira, na CNN de 7 de setembro
Segunda-feira, 7 de setembro de 2026, feriado. Augusto Cury foi o quarto e último candidato a passar pela série de sabatinas da CNN Brasil. A pergunta que gerou o trecho do meu vídeo era sobre indicações ao Supremo: quem ele colocaria lá, se fosse eleito.
A resposta, no trecho que eu reproduzi:
"Quando eu falei do Dr. André Mendonça, eu não quis fazer um juízo de valor em relação ao Alexandre de Moraes. Mas se ele errou, e ele deveria ser condenado por isso, ele deveria sofrer impeachment. Mas ele tem direito de defesa. Eu só quero dizer que ser pacífico não quer dizer ser passivo."
Augusto Cury, CNN Brasil, 7 de setembro de 2026.
O site Amo Direito, que publicou os vídeos da sabatina no dia 8, transcreveu o final de um jeito um pouco diferente: "Mas ele tem todo o direito de defesa. Ser pacífico não é ser passivo de forma alguma". A diferença é de ouvido, não de sentido. Fica registrado.
E tem uma segunda frase, da pergunta anterior, sobre o caso do Banco Master, que quase ninguém repetiu e que é mais dura que a primeira. O Seringal e o Amo Direito transcreveram assim:
"Eu sou a favor do impeachment, sim, [se] cometeu erro. Ninguém deve ser isento de culpa, protegido, é tudo colaborador público, é funcionário do pagador de impostos, então se Moraes cometeu erros, deve ser 'impeachmado', ou deveria ter a elegância e ele mesmo sair."
Augusto Cury, CNN Brasil, 7 de setembro de 2026.
A CNN resumiu no título do vídeo dela: "Se erros forem provados, Moraes tem que sofrer impeachment, diz Cury à CNN". O Metrópoles resumiu parecido, sem aspas: se comprovada irregularidade grave, o ministro deve responder e pode sofrer impeachment.
Eu não achei, em nenhuma fonte escrita, o minuto exato da fala dentro da sabatina. Se você tiver o vídeo completo com o tempo, me manda no direct e eu incluo aqui.
O que a frase tem por dentro
Uma frase de 30 segundos, três peças. Vale separar, porque cada lado do comentário ouviu só uma.
| Peça | O que ele disse | O que isso quer dizer |
|---|---|---|
| A condição | "se ele errou, e ele deveria ser condenado por isso" | Impeachment só depois de apurar. Ele não afirma que Moraes errou |
| A consequência | "ele deveria sofrer impeachment" ou "ter a elegância e ele mesmo sair" | Se a apuração confirmar, a saída é o impeachment ou a renúncia |
| A ressalva | "ele tem direito de defesa" | Processo em que o acusado responde antes de qualquer pena |
| O recado | "ser pacífico não quer dizer ser passivo" | Resposta a quem diz que discurso de paz é discurso de omissão |
Quem esperava um "Fora Moraes" ouviu a ressalva e chamou de covardia. Quem esperava defesa do ministro ouviu a consequência e chamou de golpe. A frase inteira não cabe em nenhum dos dois rótulos. Ela é uma frase condicional: se errou, sai; se não errou, fica; quem decide é o processo.
E isso, você vai ver na tabela abaixo, é exatamente o que ele vem dizendo desde 2 de setembro, com palavras diferentes a cada dia.
Tudo o que ele disse sobre o Supremo em 2026, com data
Eu fui atrás de cada aparição dele em que o Supremo ou o ministro entrou na conversa. Foram dez frases com fonte. Duas aparições que a legenda de muita gente cita, o Jornal Nacional de 29 de agosto e o debate da Band de 23 de agosto, não têm frase sobre Moraes ou sobre o Supremo na cobertura que eu encontrei, e por isso não estão aqui.
| Data | Onde | O que ele disse, palavra por palavra | Fonte |
|---|---|---|---|
| 18 de agosto | Sabatina do SBT | "Eu sou muito claro: nós temos que terminar com a vitaliciedade no STF." E, citando Toffoli, que entrou aos 41 anos: "Por que não apenas oito?" | SBT News |
| 18 de agosto | Encontro da Unecs com presidenciáveis, Brasília | "Um ministro, por exemplo, entra com 40, 41 anos e fica mais 34 anos. 8 anos e depois vai embora. Não pode ficar a vida inteira no Supremo Tribunal Federal" | Poder360, Acorda Cidade |
| 2 de setembro | Coletiva, um dia depois de o sigilo cair | "Alexandre de Moraes deve se explicar, sim. E se ele cometeu erros passíveis de uma exclusão, ele deveria ter a dignidade para se auto-excluir ou então sofrer o impeachment. Mas quem vai julgar é a justiça" | O Antagonista |
| 3 de setembro | Sede da Assembleia de Deus Ministério Belém, São Paulo | "Olha, ninguém será poupado no meu governo, nenhum presidente, nenhum ministro. E, se o Alexandre de Moraes deve, ele tem que provar que não deve e, se deve, [responder] até as últimas consequências" | Estadão Conteúdo, Gazeta do Povo |
| 3 de setembro | Mesmo evento | "O contribuinte é o patrão. Todos deveriam sentir-se empregados e todos devem satisfação até as últimas consequências para o contribuinte." | Estadão Conteúdo |
| 7 de setembro | Copacabana, depois do carro de som | "Ninguém deve ser poupado até as últimas consequências. Se não for provada culpa nenhuma, estão livres. Mas, se tiver [culpa] tem de haver condenação". Mandou "um abraço" a Mendonça e "solidariedade" a Fachin, "que é leitor dos meus livros" | Jornal de Brasília |
| 7 de setembro | Jovem Pan | "Tem que ter [impeachment]. O Senado Federal tem que discutir. Ele tem que discutir o impeachment. Como não? Ele tem que ter responsabilidade." E sobre o tamanho da Corte: "Eu me inspiro muito no que ocorre em alguns países. Por exemplo, a Corte americana, que tem nove. Nós temos que enxugar quadros" | Correio Braziliense, Estadão Conteúdo |
| 7 de setembro | CNN Brasil | As duas frases do começo desta matéria | Amo Direito, O Seringal |
| 9 de setembro | Fiesp, São Paulo, manifesto do empresariado | "Então, como candidato à Presidência, eu estou suplicando que haja o máximo de rapidez." E: "Se errou a nível que possa comprometer o seu cargo, tem que sair ou impichado ou tem que sair com elegância, pedir para ser destituído." | Metrópoles |
| 10 de setembro | Evento da Genial Investimentos, Faria Lima | "Defendo, sem juízo de valor, porque quero pacificar essa nação, que até as últimas consequências o doutor Alexandre de Moraes seja investigado. Se não der, ele continua. Se der, deve ser impeachmado." | O Globo, Exame |
Leia a coluna do meio de cima para baixo e repare numa coisa. Em nove dias, ele disse a mesma frase de sete jeitos. "Se cometeu erros", "se deve", "se tiver culpa", "se errou", "se der". Sempre a condição na frente. E sempre a mesma saída: impeachment ou renúncia, com julgamento antes.
O que muda de uma frase para outra é o tom. Dia 2, "dignidade para se auto-excluir". Dia 9, "estou suplicando que haja o máximo de rapidez". Ele foi subindo a pressão pelo calendário, sem nunca soltar a condição.
Tem um detalhe na fala de Copacabana que eu quase deixei passar: ele mandou abraço para Mendonça e solidariedade para Fachin no mesmo dia em que, na Paulista, o grito era "Fora Moraes". Ele não gritou o grito. Ele torceu pelo julgamento.
A matéria dos cinco palanques do 7 de Setembro registrou a frase "dignidade para se autoexcluir" como dita em Copacabana. Conferindo agora, O Antagonista data essa frase em 2 de setembro, numa coletiva. Em Copacabana, no dia 7, a frase registrada foi "ninguém deve ser poupado". Corrijo aqui e vou corrigir lá.
O que ele nunca disse
Também importa listar o que não está em nenhuma dessas dez frases, porque parte dos comentários cobra dele coisas que ele não falou:
- Ele nunca disse "Fora Moraes". Em nenhuma das dez aparições. Sempre "se errou".
- Ele nunca pediu prisão. Nem poderia por impeachment: a pena, pela Constituição, é perder o cargo e ficar oito anos sem função pública. Prisão não existe nesse rito. Isso já está explicado na matéria dos 55 pedidos.
- Ele nunca disse que Moraes é culpado. Disse que ele "deve se explicar" e que "tem que provar que não deve". É cobrança de explicação, jogando para o acusado a obrigação de provar. Candidato fala assim. Juiz não pode julgar assim. Volto a isso no "o que pesa contra".
- Ele nunca defendeu o ministro. Também não. Quem diz que Cury protege Moraes não achou isso em lugar nenhum.
A legenda do meu vídeo: o que eu afirmei e o que eu achei
A legenda do vídeo de 9 de setembro tinha quatro afirmações. Eu escrevi as quatro de memória, com base nas matérias da semana. Fui conferir cada uma na fonte original. Vou na ordem.
1. "Relatório da PF ao STF com mensagens de Moraes e Daniel Vorcaro"
Confirmado, com um ajuste de palavra. O relatório existe: 218 páginas, entregue em 27 de agosto de 2026 ao ministro André Mendonça, que tinha pedido a análise de um celular de Vorcaro para mapear o que a PF chama de "rede de influência e monitoramento" do banqueiro. O documento entrou na Petição 16.662. Quem o tornou público foi o próprio Mendonça, ao derrubar o sigilo em 1º de setembro. Poder360, Metrópoles e Gazeta do Povo publicaram as íntegras no mesmo dia.
O ajuste: não são mensagens "de Moraes e Vorcaro". São 52 mensagens de Vorcaro para um contato salvo na agenda dele como "Alexandre de Moraes BRASILIA". As respostas desse contato não foram recuperadas: ou foram apagadas, ou eram de visualização única. E a PF, no próprio relatório, não confirmou que o número é do ministro.
2. "Vorcaro perguntou ao ministro, dois dias antes de ser preso, se devia deixar o país"
Meio certo. A data está certa, o verbo está errado. A mensagem existe e é de sábado, 15 de novembro de 2025. Palavra por palavra:
"Acha que 2ª já tenho que estar fora?"
Vorcaro foi preso na segunda-feira, 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando ia embarcar num jato particular. A leitura de que "estar fora" quer dizer "fora do país" é da Polícia Federal, que registrou no relatório o "indicativo de conhecimento antecipado sobre operação iminente". A mensagem em si não tem a palavra "país".
E o "ao ministro" precisa virar "ao contato salvo com o nome do ministro". Sem resposta recuperada e sem confirmação do número, é isso que dá para afirmar. Não é pouco. Mas é diferente de "perguntou ao ministro".
3. "Em 1º de setembro nove senadores pediram na tribuna a saída de Moraes"
Confirmado, palavra por palavra, pela própria Agência Senado. Nove senadores defenderam a saída do ministro, por impeachment ou por renúncia, na sessão de terça-feira, 1º de setembro: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES).
A frase mais dura foi de Alessandro Vieira: "O ministro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, um cadáver político". Carlos Viana protocolou um pedido no mesmo dia. Damares reuniu 41 assinaturas, 29 de senadores e 12 de deputados, num pedido apresentado em 3 de setembro.
Repare nos partidos: MDB, PSD, PP, Republicanos e PL. Não é só a oposição de sempre.
4. "109 pedidos de impeachment parados dependendo de Alcolumbre"
Errado do jeito que eu escrevi. Os 109 existem, mas o número mistura duas coisas. Ele saiu da boca do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no dia 1º de setembro, e ele estava falando de todos os ministros:
"A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada. Não devo achar nada. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal."
Davi Alcolumbre, 1º de setembro de 2026, sobre "109 pedidos de impeachment dos 10 ministros do STF".
109 é contra os dez ministros somados. Só contra Moraes, existem três contas diferentes, e elas divergem porque cada uma começa a contar de um dia:
| Quem contou | Quantos contra Moraes | De quando conta | Detalhe |
|---|---|---|---|
| Poder360, 2 de setembro | 55 | Desde 4 de janeiro de 2021, quando Alcolumbre arquivou tudo que havia antes | Gilmar Mendes tem 15, Toffoli 12, Dino 8. Os dez ministros somam 109 no período |
| Congresso em Foco, 1º de setembro | 66 | Desde 2019, contando os já arquivados | 18 arquivados ou indeferidos, 21 aguardando despacho, 27 na Advocacia do Senado |
| JOTA, 2 de setembro | 67 | Mesma base, com o pedido de Viana | O ministro com mais pedidos da história da Corte |
Duas correções saem daí. A primeira: contra Moraes, o número certo depende do marco zero, e eu deveria ter escrito "55 pelo Poder360, 66 pelo Congresso em Foco". A segunda: "parados" não vale para todos. Pelo Congresso em Foco, 18 dos 66 já foram arquivados ou indeferidos. Os outros 48 estão em alguma gaveta, e a gaveta é a que a matéria dos 55 pedidos descreve: pedido entra na presidência do Senado e fica lá, sem julgamento e sem rejeição.
O que continua valendo, com qualquer conta: nenhum pedido de impeachment de ministro do Supremo foi aprovado na história do Senado. E o presidente da Casa avisou que não pauta nem com 81 assinaturas.
As mensagens, uma por uma
Como o centro de tudo são as mensagens, aqui estão as que o relatório reproduz, com data. A fonte é a íntegra publicada pelo Poder360 em 1º e 2 de setembro, e a matéria do BNews de 11 de setembro. Todas foram enviadas por Vorcaro ao contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA".
| Data | Texto, como está no relatório | O que a PF entende |
|---|---|---|
| 1º de outubro de 2025 | "Mas nao faz barci pix ne?" e "Nao e bom" | Referência ao escritório Barci, da esposa do ministro, que tinha contrato com o Banco Master |
| 15 de novembro de 2025, sábado | "Acha que 2ª já tenho que estar fora?" | Pergunta sobre sair antes da operação da segunda-feira |
| 16 de novembro de 2025, domingo | "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?" | Pergunta sobre a operação |
| 17 de novembro de 2025, 17h26, dia da prisão | "alguma novidade" e "Conseguiu ter notícia ou bloquear?" | Pedido de informação depois de preso |
| 17 de novembro de 2025 | Cinco mensagens de visualização única enviadas; quatro imagens temporárias recebidas de volta | O único registro de resposta do contato, sem conteúdo recuperado |
O método, segundo a Gazeta do Povo: Vorcaro escrevia no aplicativo de notas do celular, fotografava a tela e mandava a foto como visualização única, que se apaga sozinha em 24 horas. A perícia recuperou os rastros mesmo assim.
O que o ministro respondeu
Isso precisa aparecer com o mesmo tamanho da acusação.
Em março. Em 6 de março de 2026, quando o Metrópoles publicou a primeira notícia sobre mensagens no dia da prisão, o gabinete do ministro divulgou nota pela Secretaria de Comunicação do STF: "O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal". Em 3 de setembro, Fachin mandou juntar essa nota ao procedimento, para ser confrontada com o relatório.
Em setembro. O Poder360 procurou o ministro em 1º e 2 de setembro e registrou: não houve resposta até a publicação. A defesa, em outros veículos, sustenta três pontos, que já estão na matéria do capítulo 2: o setor de conformidade do escritório da esposa consultou se havia impedimento e não achou; o ministro nunca julgou nenhum caso do Banco Master; e as mensagens mais citadas não foram para o número dele.
Em 11 de setembro. Último dia do prazo dado por Fachin, o ministro pediu ao presidente do STF que a íntegra dos dados do celular de Vorcaro fosse liberada para todos os ministros, e não só o recorte feito pela PF: "Não cabe ao Ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento". Segundo o Brasil 247, ele nega ter mantido contato com o banqueiro.
Guarde isto: a nota de março nega que ele recebeu as mensagens do dia da prisão. A perícia diz que cinco foram enviadas ao contato e quatro imagens voltaram. E ninguém confirmou de quem é o número. É esse o nó que a sessão de terça-feira vai ter de desatar.
Os dez dias seguintes: de 1º a 13 de setembro, dia a dia
Cury falou na CNN no dia 7. O que aconteceu com o ministro antes e depois, na ordem:
| Data | O que aconteceu com o ministro |
|---|---|
| Terça, 1º | Mendonça derruba o sigilo da Petição 16.662. As íntegras saem na imprensa. Nove senadores pedem a saída dele na tribuna. Viana protocola pedido. Alcolumbre: "109 pedidos, isso não é normal". Gonet, o procurador-geral, pede a anulação do relatório. Bate-boca num corredor do Supremo, segundo testemunhas ouvidas pelo Correio Braziliense |
| Quarta, 2 | Fachin, presidente do STF, divulga nota: "os indícios exigem o devido encaminhamento institucional". Poder360 conta 55 pedidos. Cury: "dignidade para se auto-excluir" |
| Quinta, 3 | Moraes assina decisão pedindo investigação de Mendonça. Fachin abre procedimento, dá cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor da PF, e junta a nota de março. Damares apresenta pedido com 41 assinaturas. Lula grava vídeo chamando o caso Master de "o maior roubo da história do Brasil", sem citar o ministro |
| Sexta, 4 | Gonet entrega petição de oito páginas pedindo a nulidade. A PGR abre apuração sobre a conduta da própria PF. Fachin assume a relatoria do pedido de Moraes contra Mendonça |
| Sábado, 5 | Fachin divulga o calendário: o pedido de Moraes contra Mendonça só vai a plenário depois de 22 de setembro |
| Domingo, 6 | Às 15h44, Mendonça libera a Petição 16.662 para o plenário e pede sessão presencial e pública |
| Segunda, 7 | Feriado. Atos "Fora Moraes" em pelo menos dez capitais. Dos dez ministros, só Fachin vai ao desfile em Brasília. Cury caminha em Copacabana, fala à Jovem Pan e à CNN |
| Terça, 8 | Nenhum fato novo protocolado |
| Quarta, 9 | Fachin convoca sessão extraordinária do plenário para terça, 15 de setembro, às 10h, sobre a Petição 16.662. Cury, na Fiesp: "estou suplicando que haja o máximo de rapidez" |
| Quinta, 10 | Cury, na Faria Lima: "Se não der, ele continua. Se der, deve ser impeachmado" |
| Sexta, 11 | Fim do prazo de Fachin. Moraes pede a liberação integral dos dados do celular ao plenário |
| Sábado, 12 | Fachin nega o pedido de Moraes para julgar os dois casos juntos. Mantém 15 de setembro para o caso das mensagens e marca 23 de setembro para o pedido dele contra Mendonça. Mendonça devolve o processo defendendo o plenário. O STF anuncia transmissão ao vivo pela TV Justiça e pelo YouTube |
| Domingo, 13 | Hoje. Nada novo até o fechamento desta matéria |
Repare na sequência: o candidato pediu rapidez no dia 9, e o tribunal marcou a sessão no mesmo dia 9. Eu não sei se uma coisa causou a outra. O que dá para afirmar é que o calendário do Supremo, pela primeira vez nesta crise, ficou mais rápido que o da campanha.
O que o Supremo decide na terça-feira
Segundo a CNN Brasil, que detalhou a pauta no dia 9, os ministros vão responder a três perguntas sobre a Petição 16.662:
- A ordem de Mendonça foi regular? Ele podia mandar aprofundar a análise do celular sem passar pelo plenário?
- O material da PF pode ser usado? Se a ordem foi irregular, o que saiu dela vale?
- O pedido de anulação de Gonet procede? O procurador-geral diz que sim. Ele mesmo é citado no relatório, o que a oposição aponta como conflito.
E, dependendo das três respostas, o plenário decide se o que envolve Moraes vira investigação ou vai para o arquivo.
Moraes pediu para julgar tudo junto, alegando "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual". Fachin negou no sábado: os procedimentos "têm objetos distintos e estão em momentos processuais diferentes". O pedido de Moraes contra Mendonça, a Petição 16.704, ainda está em fase preliminar e fica para o dia 23.
A sessão será transmitida. Você vai poder ver.
O que eu penso
Esta seção é opinião minha. O que está acima é apuração com fonte. Aqui é o que eu acho.
Eu acho que o ministro deveria sair. O motivo é o conjunto, mais do que uma mensagem que ele diz que não recebeu: um contrato de R$ 131 milhões do escritório da esposa com um banco que quebrou, um relatório que dedica 190 de 218 páginas a um único ministro, uma nota oficial de março que a perícia diz que não bate, e um pedido de investigação contra o colega que o expôs, assinado dois dias depois da exposição. Cada um desses fatos tem defesa. Juntos, eles pesam sobre a confiança num cargo que só funciona com confiança.
Também acho que o Cury acertou o tom, e digo isso sabendo que metade dos meus comentários discorda. Ele não gritou "Fora Moraes" porque não é o Senado. Ele não defendeu o ministro porque não é advogado dele. Ele pediu julgamento em sessão aberta, e logo. A sessão está marcada para terça-feira. Se o plenário arquivar, ele vai ter de dizer o que faz com isso. Eu vou cobrar.
E acho que "ser pacífico não quer dizer ser passivo" é a frase mais importante que ele disse na campanha até agora, porque é a que responde à crítica mais forte contra ele: a de que discurso de paz é discurso de quem não se mexe. A prova de que a frase é verdade não é a frase. É a sessão de terça-feira, e o que ele fizer depois dela.
Perguntas que chegam nos comentários
O que Augusto Cury disse sobre Alexandre de Moraes na CNN?
Em 7 de setembro de 2026, ele disse que não queria fazer juízo de valor, mas que, "se ele errou, e ele deveria ser condenado por isso, ele deveria sofrer impeachment", que "ele tem direito de defesa" e que "ser pacífico não quer dizer ser passivo". Na pergunta anterior, disse que, se Moraes cometeu erros, "deve ser impeachmado, ou deveria ter a elegância e ele mesmo sair".
Cury é a favor do impeachment de Moraes?
Com condição. Em dez falas entre 18 de agosto e 10 de setembro, ele sempre colocou o "se" na frente: "se errou", "se deve", "se tiver culpa". Se a apuração confirmar, defende impeachment ou renúncia. Se não confirmar, "ele continua". Nunca disse "Fora Moraes".
O que Vorcaro escreveu dois dias antes de ser preso?
No sábado, 15 de novembro de 2025: "Acha que 2ª já tenho que estar fora?", para um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA". Foi preso na segunda, dia 17, em Guarulhos. A PF lê a mensagem como sinal de que ele sabia da operação. A resposta não foi recuperada e a PF não confirmou que o número é do ministro.
Quantos pedidos de impeachment existem contra Moraes?
Depende de quando se começa a contar. 55 pelo Poder360, desde 2021. 66 pelo Congresso em Foco, desde 2019, contando 18 já arquivados. 67 pelo JOTA. Os 109 citados por Alcolumbre são contra os dez ministros somados. Nenhum pedido contra ministro do STF foi aprovado na história.
Quem são os nove senadores que pediram a saída de Moraes?
Em 1º de setembro, na tribuna: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES). Fonte: Agência Senado.
O que acontece no dia 15 de setembro?
Sessão extraordinária do plenário do STF, às 10h, transmitida ao vivo, para decidir se a ordem de Mendonça foi regular, se o material da PF pode ser usado e se o pedido de anulação de Gonet procede. Daí sai se o caso de Moraes vira investigação ou arquivo. O pedido de Moraes contra Mendonça fica para 23 de setembro.
O que vem agora
- Terça, 15 de setembro, 10h. O plenário decide se o material da PF vale e se o caso de Moraes anda ou arquiva. Eu vou assistir e escrever no mesmo dia.
- Quarta, 23 de setembro. O pedido de Moraes contra Mendonça, a Petição 16.704, se Fachin mantiver a data.
- O que o Cury faz depois do dia 15. Se o plenário arquivar, a frase "se não der, ele continua" vai ser cobrada dele. Por mim também.
- Os outros oito celulares. O relatório de 218 páginas é sobre um. A PF diz que há mais por vir.
Eu volto a cada passo, com fonte.







