Nos meus comentários, nove pessoas escreveram alguma versão da mesma frase: Cury está metido no Banco Master. Uma delas, o perfil @williaammendes, foi mais longe e deu um número: 31,5 milhões da Fictor. Não veio nenhum documento junto.
Eu fui atrás do documento.
A resposta curta
O número é verdadeiro. Está em R$ 31.500.000,00 e aparece em dois lugares públicos: na declaração de bens que Augusto Cury entregou à Justiça Eleitoral e na lista de credores de uma recuperação judicial.
Só que o número não significa o que o ataque sugere.
Esse dinheiro não saiu do Banco Master para o bolso de Cury. Foi o contrário: saiu do bolso de Cury, entrou numa empresa chamada Fictor, e até hoje não voltou. Ele está na fila de quem quer receber. É o quarto maior credor pessoa física do grupo.
E tem outra coisa que quase ninguém conta: a Fictor nunca comprou o Banco Master. Ela anunciou a compra num dia. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o banco e o negócio virou pó.
Cury não é investigado em nenhuma das operações da Polícia Federal sobre o caso. Nem na Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro, nem na Fallax, que mirou o dono da Fictor.
Agora vem a parte longa, com data, valor e fonte em cada linha.
De onde sai o número 31,5 milhões
Quando alguém se candidata, é obrigado a entregar ao TSE uma lista com tudo que tem. Essa lista fica num sistema aberto na internet, chamado DivulgaCandContas. Qualquer pessoa pode abrir.
Na lista de Augusto Cury, entre fazendas, imóveis e ações, existe uma linha assim: "sócio participante - Fictor Invest Ltda", R$ 31.500.000,00.
Ou seja: o número que está circulando como denúncia foi declarado pelo próprio acusado, de livre e espontânea vontade, num sistema público, antes de qualquer ataque.
A declaração de bens de Augusto Cury ao TSE, agosto de 2026
O detalhamento publicado pelo jornal O Tempo em 14 de agosto de 2026 mostra o resto: R$ 121.190.451,65 de empréstimo concedido à Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos, R$ 15.607.925 em quotas da mesma empresa, uma fazenda de R$ 1.325.721, uma estância ecológica de R$ 520.750, mais imóveis, lotes e ações em bolsa. O total fecha em R$ 242.281.162,52.
Pelo recorte que o Brasil 247 publicou no mesmo dia, os R$ 242 milhões se dividem assim: R$ 128,51 milhões em créditos e empréstimos, R$ 54,78 milhões em participações em empresas, R$ 33,72 milhões em bolsa, e o restante em imóveis e fundos. A Fictor Invest é o maior item individual dentro das participações.
Guarde isso: os R$ 31,5 milhões são 13% do que ele tem. Não são 13% de lucro. São 13% de risco.

O que é a Fictor
Antes de falar de culpa, é preciso saber do que a gente está falando.
A Fictor é uma holding. Holding é uma empresa que não fabrica nada: ela existe para ser dona de outras empresas.
| Item | O que se sabe |
|---|---|
| Fundação | 2007, como empresa de soluções de tecnologia |
| Virou holding | 2022 |
| Dono e CEO | Rafael Góis, sócio-fundador |
| Outros dois sócios principais | Rafael Paixão, na área financeira, e Phillippe Rubini, em relações corporativas |
| Setores | alimentos, energia, imobiliário, meios de pagamento e serviços financeiros |
| Empresas do grupo | Fictor Alimentos, Dr. Foods, Fictor Asset, FictorPay, Fictor Real Estate, Fictor Energia, Fictor Invest, Fictor Holding Financeira |
| Onde atua | Brasil, Portugal e Estados Unidos, com escritórios em Miami e Lisboa |
| Na bolsa | Fictor Alimentos entrou na B3 com o código FICT3, por IPO reverso, em 2024 |
Em 25 de março de 2026, quando a CNN Brasil publicou o perfil do grupo, a ação FICT3 valia R$ 0,44. Tinha caído 63% depois da crise do Banco Master.
O nome de Augusto Cury não aparece em nenhum lugar do comando da Fictor. Ele não é dono, não é conselheiro, não é diretor. Ele pôs dinheiro num contrato. É diferente.
O que a Fictor tem a ver com o Banco Master
Aqui está o pedaço que dá nome ao ataque.
Em 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira anunciou que ia comprar o Banco Master. Não ia sozinha: liderava um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, com mais de US$ 100 bilhões sob gestão. O anúncio falava em aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o capital do banco.
A proposta tinha um detalhe importante: previa tirar Daniel Vorcaro do negócio. O dono do Master sairia. E o Will Bank ficava de fora da compra.
Nada disso dependia só da vontade das partes. Dependia de aval do Banco Central e do CADE.
O aval nunca veio.
No mesmo 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso preventivamente no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar num jato particular para os Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, afastou os administradores e a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero.
A compra morreu ali. O consórcio nunca assumiu o banco. O dinheiro dos Emirados nunca entrou.

Dezoito dias depois do anúncio, um aumento de capital de R$ 3 bilhões aprovado numa empresa ligada ao grupo foi cancelado por falta de pagamento.
A frase correta é essa: a Fictor TENTOU comprar o Banco Master e não conseguiu. Quem escreve "a Fictor comprou" está errando o verbo, e o verbo aqui muda tudo.
E tem um negócio anterior, de R$ 500 milhões
Existe um pedaço mais desconfortável, e ele precisa aparecer.
Segundo o ICL Notícias, que diz ter tido acesso ao contrato, em 16 de outubro de 2025 a Fictor Holding assinou a compra de cotas de um fundo chamado Krisky, da Titan Capital Holding, empresa de Daniel Vorcaro registrada nas Ilhas Cayman. Valor: R$ 500 milhões, em duas parcelas, R$ 200 milhões em cinco dias e R$ 300 milhões em sessenta dias. O fundo tinha principalmente créditos de ações judiciais, entre eles direitos da Usina São João, de R$ 1,09 bilhão, e da Agro Industrial Tabu, de R$ 577,33 milhões.
O jornal Estado de S. Paulo noticiou uma transferência de R$ 30 milhões em 23 de outubro de 2025.
O ICL diz que procurou a assessoria de Vorcaro e do grupo Fictor e não obteve retorno. A defesa de Vorcaro sustenta que a Titan foi estruturada para "entrada de investidores estrangeiros e internacionalização das operações, dentro das normas legais".
Isso significa que a relação entre Fictor e Vorcaro era anterior ao anúncio de novembro e ia além dele. É um fato relevante sobre a Fictor.
Não é um fato sobre Augusto Cury. Não existe, até o fechamento desta reportagem, nenhum documento público ligando Cury a esse contrato, a esse fundo ou a Daniel Vorcaro.
O que Cury fez, exatamente
Em 2025, Cury aplicou R$ 31,5 milhões num contrato chamado SCP.
SCP quer dizer sociedade em conta de participação. É um jeito de investir em que uma empresa toca o negócio, aparece na frente, e o investidor entra com dinheiro e fica atrás, sem aparecer. Na teoria, os dois dividem lucro e prejuízo.
A SCP dele era gerida pela Fictor Invest e servia, segundo as coberturas, para financiar compra e venda de grãos. Foi vendida como negócio de baixo risco.
Ele mesmo contou como entrou. Ao Metrópoles, em 7 de abril de 2026:
"Eu sou vítima da empresa Fictor. Porque quatro meses antes de pedir a RJ [recuperação judicial] eu conversei por três oportunidades com os líderes da Fictor e me tornei um sócio da SCP."
E explicou o que era o negócio:
"Aplicamos dinheiro numa empresa que compra e vende grãos, uma venda casada."
E disse o que espera:
"Infelizmente, eles pediram a RJ e eu quero seriamente crer que eles não foram corruptos, que eles não fizeram falsidade ideológica, que eles não cometeram fraude contra credores."
Quatro meses antes do pedido de recuperação judicial significa por volta de outubro de 2025. As coberturas dizem apenas "em 2025", e por isso eu escrevo "por volta de", sem cravar dia.
A palavra que engana: "sócio"
O ataque de Renan Santos, candidato do Missão, foi publicado num post no X e noticiado pelo O Antagonista em 2 de setembro de 2026, às 12h39. A frase:
"Cury é sócio do Fictor, que tentou 'comprar' o Master. Cury foi impulsionado pelos influenciadores do Master"
No mesmo post, chamou Cury de "saco vazio".
A palavra "sócio" está tecnicamente no contrato. O TSE registra "sócio participante". Até aí, quem ataca não inventou a palavra.
O problema é o que a palavra faz na cabeça de quem lê. Quando você lê "sócio da Fictor", você imagina alguém que manda, que decide, que ganha com a empresa. Sócio participante de SCP é outra coisa: é quem põe dinheiro e não manda em nada.
E aí entra a parte que derruba de vez o uso da palavra.
A decisão de 20 de agosto de 2026
Em 20 de agosto de 2026, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo anulou os contratos de SCP usados pela Fictor com investidores e mandou tratar cada um deles como mútuo civil, que é o nome técnico de empréstimo.
O motivo, segundo a decisão noticiada pelo Times Brasil em 21 de agosto de 2026: embora os participantes fossem formalmente apresentados como sócios, a remuneração era definida de antemão e não dependia do resultado do negócio. Sociedade de verdade divide o que der. Ali, o retorno já estava combinado.
A consequência prática: o que a Fictor já pagou aos investidores passa a ser descontado do valor originalmente aplicado. O que era tratado como rendimento vira abatimento do principal.
Traduzindo: a Justiça de São Paulo disse que aquilo não era sociedade. Era empréstimo. E se não era sociedade, "sócio da Fictor" deixa de descrever o que Cury é. Ele é credor.
O que a CVM está apurando
A CVM, que é o xerife do mercado de capitais, examina se a Fictor ofereceu esses contratos de forma irregular. O ponto é a promessa de retorno fixo de 1,4% a 1,8% ao mês.
A própria Fictor afirmou, no pedido de recuperação judicial, que usou SCPs para financiar operações de commodities agrícolas e que parou de fazer contratos desse tipo a partir de 2024.
Retorno fixo prometido num contrato apresentado como sociedade é exatamente o ponto que a Justiça usou para anular. As duas apurações apontam para o mesmo lugar.
A linha do tempo inteira
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 2007 | Rafael Góis funda a Fictor, como empresa de tecnologia |
| 2020 | Arco Educação compra 60% da Escola da Inteligência, de Cury, por R$ 288 milhões |
| 2022 | Fictor vira holding |
| 2024 | Fictor Alimentos entra na B3 com o código FICT3 |
| 16/10/2025 | Fictor assina contrato de R$ 500 milhões com a Titan Capital, de Vorcaro |
| por volta de out/2025 | Cury aplica R$ 31,5 milhões numa SCP da Fictor Invest |
| 17/11/2025 | Fictor anuncia a compra do Banco Master com consórcio dos Emirados |
| 17/11/2025 | Vorcaro é preso em Guarulhos ao tentar embarcar para os Emirados |
| 18/11/2025 | Banco Central liquida o Banco Master. Operação Compliance Zero. A compra cai |
| 01/02/2026 | Fictor Holding e Fictor Invest pedem recuperação judicial, R$ 4,257 bilhões de passivo |
| 03/02/2026 | PF abre inquérito sobre suspeita de fraude financeira na Fictor |
| 25/03/2026 | Operação Fallax: 43 buscas, 21 prisões. Rafael Góis tem casa revistada e celular apreendido |
| 07/04/2026 | Cury fala pela primeira e única vez sobre o caso: "Eu sou vítima da empresa Fictor" |
| 14/08/2026 | Declaração de bens ao TSE mostra os R$ 31,5 milhões na Fictor Invest |
| 20/08/2026 | Justiça de SP anula os contratos de SCP da Fictor e manda tratar como empréstimo |
| 02/09/2026 | Renan Santos publica o ataque no X |
| 13/09/2026 | Data desta reportagem |
A Operação Fallax, em linguagem simples
Em 25 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax. Foram 43 mandados de busca e apreensão e 21 prisões preventivas, em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O alvo é uma organização acusada de fraudes contra a Caixa Econômica Federal, com prejuízo que pode passar de R$ 500 milhões. A Justiça mandou bloquear bens de investigados que podem chegar a R$ 47 milhões.
Rafael Góis, o dono da Fictor, teve a casa revistada e o celular apreendido.
Duas ressalvas que precisam vir juntas com esse parágrafo, sempre:
- Busca e apreensão não é condenação. Ninguém da Fictor foi condenado.
- Augusto Cury não é alvo dessa operação. Não aparece como investigado, indiciado ou réu.
A confusão com a venda da empresa dele
Uma parte dos comentários mistura duas histórias que não têm relação nenhuma.
A empresa que Augusto Cury construiu, a Escola da Inteligência, teve 60% vendidos em 2020. Quem comprou foi a Arco Educação, por R$ 288 milhões. Nem a Fictor, nem o Banco Master, nem Daniel Vorcaro participaram dessa operação.
Isso é importante porque as datas não fecham de jeito nenhum: a venda é de 2020, a Fictor só virou holding em 2022 e só apareceu no caso Master em novembro de 2025.
Eu já contei essa venda inteira, com os dois números que circulam sobre ela, na matéria ele é só um escritor.
Eu também procurei qualquer ligação entre a Fictor e a Academia de Inteligência, que é o braço de formação de Cury. Não achei nenhuma. Não existe registro público de negócio, contrato, sociedade ou compra entre as duas.
O veredito, linha por linha
| O que se diz por aí | O que o documento mostra |
|---|---|
| "Cury recebeu 31,5 milhões do Banco Master" | Falso. Ele aplicou R$ 31,5 milhões numa SCP da Fictor Invest e virou credor. Não há registro de dinheiro do Master para ele |
| "O número 31,5 milhões é inventado" | Falso. Está na declaração dele ao TSE e na lista de credores da recuperação judicial |
| "Cury é sócio da Fictor" | Meia verdade que engana. O contrato usava a palavra "sócio participante", mas a Justiça de SP anulou esses contratos em 20 de agosto de 2026 e mandou tratá-los como empréstimo. Ele não é dono nem dirigente |
| "A Fictor comprou o Banco Master" | Falso. Anunciou a compra em 17 de novembro de 2025 e o Banco Central liquidou o banco no dia seguinte. A compra não se realizou |
| "Cury é investigado no caso Master" | Falso. Não é investigado na Compliance Zero nem na Fallax |
| "Cury foi impulsionado por influenciadores do Master" | Sem prova até agora. O escritório dele nega ter contratado ou pago influenciadores. Não localizei contrato, nota fiscal ou decisão que comprove |
O que continua sem fonte, e eu digo com todas as letras
Checagem honesta também mostra o buraco. Estes pontos eu procurei e não encontrei:
- Nenhum documento, contrato, decisão judicial ou relatório policial liga Augusto Cury diretamente ao Banco Master. A ligação existe, mas é indireta e em dois saltos: Cury pôs dinheiro numa SCP da Fictor, e a Fictor tentou comprar o Master.
- Não há registro público de quanto Cury já recebeu de volta da SCP antes da recuperação judicial. A decisão de 20 de agosto manda descontar o que foi pago, mas o valor não é público.
- Não se sabe quanto ele vai receber no fim. Depende do plano de recuperação, que até 13 de setembro de 2026 não estava homologado.
- Não localizei o texto integral da decisão de 20 de agosto nem o nome do juiz que assinou. Trabalho com a descrição publicada pelo Times Brasil.
- Não localizei nota oficial da campanha de Cury respondendo ao ataque de Renan Santos sobre a Fictor. A única fala dele sobre o assunto continua sendo a de 7 de abril de 2026.
- Não localizei nenhuma declaração de Augusto Cury sobre a Fictor em setembro de 2026.
- A Revista Fórum publicou matéria sobre o mesmo tema, mas o site recusou o acesso nas duas tentativas de coleta. Por isso não cito nenhuma frase dela.
O que Cury tem falado sobre o caso Master na campanha
Ele fala do escândalo. Não fala da Fictor.
Em 3 de setembro de 2026, em reunião com o vice-presidente da Assembleia de Deus, José Wellington Costa Jr, na sede da igreja em São Paulo:
"É muito triste. Olha, ninguém será poupado no meu governo, nenhum presidente, nenhum ministro. E, se o Alexandre de Moraes deve, ele tem que provar que não deve e, se deve, [responder] até as últimas consequências"
E no mesmo dia:
"O contribuinte é o patrão. Todos deveriam sentir-se empregados e todos devem satisfação até as últimas consequências para o contribuinte."
Em 4 de setembro de 2026, em São José do Rio Preto, defendeu que as investigações da PF sobre o Banco Master e sobre nomes do STF sejam levadas até o fim, com apuração isenta e sem pré-julgamento. Essas são palavras do veículo que cobriu a agenda, não aspas do candidato.
Em 9 de setembro de 2026, em São Paulo, disse estar "profundamente chocado" com a crise institucional, apoiou o manifesto da Fiesp que cobra rigor nas investigações envolvendo integrantes do Supremo e propôs uma mudança:
"Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais"
Sobre a passagem dele pela sede da Genial Investimentos em 10 de setembro de 2026, não localizei registro de fala sobre Fictor ou Master. Por isso não entra aqui.
O caso Master, para quem chegou agora
O escândalo do Banco Master é o maior rombo bancário brasileiro desde o Bamerindus. O banco cresceu de forma acelerada e foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Daniel Vorcaro, o dono, está preso preventivamente. Preventivamente quer dizer antes do julgamento: ele não foi condenado.
Duas outras matérias minhas contam os pedaços que não cabem aqui: a CPMI do Banco Master que nunca foi instalada e a terceira tentativa de delação de Vorcaro. A crise que o caso abriu dentro do Supremo está em crise STF e PF.
O que eu penso
Aqui é opinião, e está marcado como opinião.
Eu acho que o ataque é desonesto na forma e legítimo no fundo.
Desonesto na forma porque ele usa uma palavra verdadeira ("sócio") para produzir uma imagem falsa (dono, beneficiário, sócio do banco). E porque joga um número grande no ar sem dizer a direção do dinheiro. Trinta e um milhões e meio perdidos é o oposto de trinta e um milhões e meio ganhos, e a diferença entre as duas coisas é a matéria inteira.
Legítimo no fundo porque a pergunta que está embaixo do ataque é boa: onde esse homem põe o dinheiro dele, e com quem ele senta antes de assinar. Isso interessa ao eleitor. Cury conversou três vezes com os líderes da Fictor, segundo ele mesmo, e assinou.
O que me incomoda de verdade não é o prejuízo. É o silêncio depois dele. Um candidato que promete que ninguém será poupado tem uma resposta a dever sobre o próprio nome, e essa resposta ainda não veio.
Eu volto quando vier.
Perguntas que chegam nos comentários
Augusto Cury recebeu dinheiro do Banco Master?
Não há nenhum registro público disso. O que existe é o contrário: ele aplicou R$ 31,5 milhões numa SCP da Fictor Invest, em 2025, e virou credor do grupo depois que a Fictor pediu recuperação judicial.
Então o número de 31,5 milhões é mentira?
Não. O número é verdadeiro e público. Está na declaração de bens que o próprio Cury entregou ao TSE e na lista de credores da recuperação judicial da Fictor. O que é falso é a ideia de que ele ganhou esse dinheiro.
Cury é sócio da Fictor?
O contrato usava a expressão "sócio participante", e é assim que aparece no TSE. Mas em 20 de agosto de 2026 a 3ª Vara de Falências de São Paulo anulou esses contratos e determinou que fossem tratados como empréstimo, porque o retorno era fixo e não dependia do resultado do negócio. Ele não é dono nem dirigente da Fictor. Os donos são Rafael Góis, Rafael Paixão e Phillippe Rubini.
A Fictor comprou o Banco Master?
Não. Anunciou a compra em 17 de novembro de 2025, com um consórcio dos Emirados Árabes Unidos e aporte previsto de R$ 3 bilhões. No dia seguinte, 18 de novembro, o Banco Central liquidou o banco e o negócio caiu.
Cury está sendo investigado?
Não há registro público de que Augusto Cury seja investigado, indiciado ou réu na Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro, ou na Operação Fallax, que teve o dono da Fictor como alvo de busca e apreensão.
Cury vai receber os R$ 31,5 milhões de volta?
Não se sabe. Depende do plano de recuperação judicial da Fictor, que até 13 de setembro de 2026 não estava homologado, e da decisão de agosto que manda descontar o que já foi pago. O passivo do grupo sujeito ao processo é de R$ 4,257 bilhões, e ele é um credor quirografário, que é a fila que recebe depois das outras.
A frase que fica
O ataque diz que Cury está no Banco Master por causa de trinta e um milhões e meio.
O documento diz que Cury perdeu trinta e um milhões e meio numa empresa que tentou comprar o Banco Master e não conseguiu.
Uma seta muda de lado, e a acusação inteira muda de dono.
Continua valendo perguntar onde ele põe o dinheiro dele. Não vale inventar que ele tirou.







