ÚLTIMA HORAVorcaro, em áudio: “o filme do Lula foi por fora, foi errado”. Ouça
Revista De Castro

Notícias / 12 de outubro de 2026

Edição especial

14 anos x ninguém preso: o batom da Débora e a pichação no ato do Lula

No domingo, 11 de outubro, o ato da campanha do Lula na Avenida Paulista terminou com pichação, tumulto e depredação, confirmados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Até esta segunda, ninguém foi preso. No 8 de janeiro de 2023, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua da Justiça e pegou 14 anos de prisão. Aqui estão os dois casos lado a lado, o que a lei diz e como foram os atos da direita na mesma avenida.

Publicado
12 de outubro de 2026
Atualizado
12 de outubro de 2026
Editoria
Notícias
Leitura
6 min
Fontes
16 citadas

Ouvir a matéria

À esquerda, a estação Trianon-Masp no ato do Lula, 11/10/2026 (reprodução de vídeo, via ND+). À direita, a estátua A Justiça em 8/1/2023 (Joédson Alves/Agência Brasil)
À esquerda, a estação Trianon-Masp no ato do Lula, 11/10/2026 (reprodução de vídeo, via ND+). À direita, a estátua A Justiça em 8/1/2023 (Joédson Alves/Agência Brasil)

No domingo, 11 de outubro, o ato da campanha do Lula na Avenida Paulista terminou com pichação no metrô, tumulto e depredação. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou os três. Até a manhã desta segunda, a polícia não divulgou nenhuma prisão. Em 8 de janeiro de 2023, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua da Justiça, em Brasília. Ela pegou 14 anos de prisão. Abaixo estão os dois casos, um ao lado do outro.

14 anosPena da Déboracinco crimes, pela 1ª Turma do STF
0Presospela pichação e pela depredação na Paulista, até 12/10
3 meses a 1 anoPena da pichaçãoLei 9.605, artigo 65

Fontes: STF (1ª Turma, 25/4/2025), SSP-SP e Lei 9.605/1998.

O que aconteceu na Paulista no domingo

O ato se chamava Marcha pela Democracia. A concentração foi no Masp, às 11h, e a caminhada desceu a Rua Augusta até a Praça Roosevelt. O Lula subiu no trio com Alckmin, Haddad, Boulos, Tebet e Marina. A campanha falou em "1 milhão" de pessoas. A PM não divulgou número e a USP não fez contagem.

Na dispersão, manifestantes subiram no teto da estação Trianon-Masp, do metrô. Na fachada da estação, picharam "Viva a Revolução". Na parede de vidro, pintaram o símbolo anarquista e frases como "Bolsonaro nunca mais". Algumas pessoas estavam de rosto coberto. Outras andaram em cima da cobertura de vidro da estação.

Manifestantes no teto da estação Trianon-Masp e a pichação

Na nota enviada à imprensa no começo da noite, a Secretaria da Segurança Pública confirmou "tumulto, pichações e depredação" na dispersão. Na estação Consolação, segundo a PM, portas e grades foram quebradas. A estação Trianon-Masp ficou fechada das 12h50 às 16h30. Uma bandeira dos Estados Unidos foi rasgada, segundo o Metrópoles. Um vídeo publicado pela Revista Oeste mostra uma mulher xingada de "vagabunda" no meio do ato e retirada pela PM.

Até esta segunda, nenhum nome foi divulgado e nenhuma prisão foi anunciada.

O que aconteceu com a Débora

No 8 de janeiro de 2023, a Débora estava na Praça dos Três Poderes. Ela escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua A Justiça, em frente ao Supremo. A frase era a resposta que o ministro Luís Roberto Barroso deu a um eleitor de Bolsonaro em Nova York, em novembro de 2022.

Débora na estátua da Justiça, 8/1/2023. Reprodução de vídeo, via Jovem Pan

O batom saiu com água. A estátua foi lavada naquele mesmo mês, com jato de água, pela equipe do Supremo. A Débora foi presa e ficou dois anos longe dos dois filhos pequenos.

Em 25 de abril de 2025, a 1ª Turma do STF condenou a Débora a 14 anos de prisão por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Votaram pelos 14 anos os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Cristiano Zanin votou por 11 anos. Luiz Fux votou por 1 ano e 6 meses, só pela deterioração do patrimônio.

Lavagem da estátua A Justiça, janeiro de 2023. Foto: Rosinei Coutinho/STF, domínio público

Desde 28 de março de 2025, ela está presa em casa, em Paulínia (SP), com tornozeleira. No dia 6 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes passou a pena para o regime semiaberto e manteve a prisão em casa por causa dos filhos.

Pelo 8 de janeiro, o STF condenou 1.399 pessoas. Até janeiro deste ano, 179 estavam presas. 254 pegaram de 12 a 14 anos e 119 pegaram de 16 a 18 anos.

O que a lei diz sobre pichação

Pichar prédio ou monumento é crime pela Lei 9.605, de 1998, no artigo 65. A pena é de 3 meses a 1 ano de detenção, mais multa. Se o bem for tombado, a pena vai de 6 meses a 1 ano.

A Débora foi julgada pelo 8 de janeiro inteiro, e não só pelo batom: o STF entendeu que ela fazia parte de uma tentativa de golpe. Quem pichou a Trianon-Masp pode responder pelo artigo 65. Até agora, ninguém foi preso.

E a Paulista da direita

Em 25 de fevereiro de 2024, a direita levou 185 mil pessoas à Avenida Paulista, pela conta do Monitor do Debate Político da USP. A Secretaria da Segurança falou em 750 mil. Em nota, a SSP disse que o ato ocorreu de forma pacífica, sem o registro de incidentes. Segundo a PM, não houve nenhuma ocorrência relevante.

Ato da direita na Avenida Paulista, 25/2/2024. Foto: Lucas Brandon, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A pesquisa da USP feita no mesmo ato mostrou que um em cada cinco manifestantes tinha mais de 65 anos. A avenida ficou tomada por bandeiras do Brasil.

No 7 de Setembro deste ano, a PM usou gás lacrimogêneo na Paulista pela manhã. Segundo a SSP, foi contra um grupo de pessoas ligadas à esquerda que tentou invadir o espaço reservado aos grupos de direita. A secretaria afirmou que não houve incidentes graves.

O que disseram

O senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) perguntou: "E agora? O mesmo rigor será aplicado ou a Justiça tem critérios diferentes conforme o lado político?" O deputado Nikolas Ferreira escreveu que o Moraes não vai condenar nenhum deles. A advogada Janaina Paschoal perguntou se seria crime contra o Estado Democrático de Direito ou "só depredação". O Flávio Bolsonaro comparou a Paulista do domingo a uma cena de The Walking Dead.

A campanha do Lula não respondeu à CNN. O PT não comentou a pichação.

Minha opinião

A estátua da Justiça usa uma venda nos olhos para não ver de que lado está quem chega diante dela. Se a lei valeu 14 anos para uma mãe de Paulínia, ela tem de valer para quem pichou a Paulista no ato do Lula. Eu quero ver o mesmo rigor. E você, acha que a lei vale igual para os dois lados?

Perguntas que chegam nos comentários

A Débora pegou 14 anos só pelo batom?

A pena foi por cinco crimes ligados ao 8 de janeiro, entre eles golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O batom na estátua entrou como dano e deterioração de patrimônio tombado.

Alguém foi preso pela pichação na Paulista?

Até a manhã de 12 de outubro de 2026, a polícia não divulgou nenhuma prisão nem nome de suspeito.

Quem confirmou a depredação?

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em nota à imprensa no domingo. A quebra de portas e grades na estação Consolação é relato da PM.

Qual é a pena para pichação?

De 3 meses a 1 ano de detenção, mais multa, pelo artigo 65 da Lei 9.605, de 1998.

Onde está a Débora hoje?

Em casa, em Paulínia (SP), com tornozeleira. Em 6 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes passou a pena dela para o semiaberto e manteve a prisão domiciliar.

O carrossel que trouxe você até aqui foi feito pela equipe da Revista De Castro.

A gente pesquisa, escreve, escolhe as fotos e monta as 20 páginas no estilo revista, prontas para postar. Você só aprova.

Pedir orçamento no WhatsApp Ver como funciona

Seu Instagram vende ou só posta?

Em uma análise de marketing eu olho o seu perfil, o seu site e os seus anúncios, e digo o que está travando as vendas e o que fazer primeiro.

Marcar minha análise no WhatsApp

Fontes desta materia

  1. CNN Brasil, 11 de outubro de 2026: manifestantes picham e quebram estações de metrô durante ato pró-Lula
  2. Jovem Pan, 11 de outubro de 2026: PM relata depredação, tumulto e pichações em dispersão de ato pró-Lula na Paulista (nota da SSP)
  3. Metrópoles, 11 de outubro de 2026: PM fecha estações de metrô na Paulista durante dispersão de ato de Lula
  4. ND+, 11 de outubro de 2026: vandalismo marca fim de ato de Lula na Avenida Paulista
  5. Revista Oeste, 11 de outubro de 2026: protesto em SP tem vandalismo e violência contra mulheres
  6. Revista Oeste: Flávio lamenta transformação da Paulista em cena de The Walking Dead
  7. Agência Brasil, 11 de outubro de 2026: ato pela reeleição de Lula leva milhares à Avenida Paulista
  8. Congresso em Foco, 25 de abril de 2025: STF define pena de 14 anos para Débora do Perdeu, mané
  9. Agência Brasil, março de 2025: mulher que pichou Perdeu, mané pede perdão em depoimento ao STF
  10. Gazeta do Povo, outubro de 2026: Moraes autoriza semiaberto para Débora do batom
  11. Gazeta do Povo, julho de 2026: como Débora do batom vive a rotina da prisão domiciliar
  12. Agência Brasil, 8 de janeiro de 2026: STF condenou 1.399 pessoas pelos atos de 8 de janeiro, 179 estão presas
  13. Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), artigo 65: pichação
  14. Metrópoles, 25 de fevereiro de 2024: ato bolsonarista reuniu 750 mil na Avenida Paulista, diz SSP
  15. CartaCapital, 25 de fevereiro de 2024: ato reuniu 185 mil pessoas, calcula grupo de pesquisa da USP
  16. SBT News, 7 de setembro de 2026: PM usa bombas para dispersar manifestantes na Paulista