No domingo, 11 de outubro, o ato da campanha do Lula na Avenida Paulista terminou com pichação no metrô, tumulto e depredação. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou os três. Até a manhã desta segunda, a polícia não divulgou nenhuma prisão. Em 8 de janeiro de 2023, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua da Justiça, em Brasília. Ela pegou 14 anos de prisão. Abaixo estão os dois casos, um ao lado do outro.
Fontes: STF (1ª Turma, 25/4/2025), SSP-SP e Lei 9.605/1998.
O que aconteceu na Paulista no domingo
O ato se chamava Marcha pela Democracia. A concentração foi no Masp, às 11h, e a caminhada desceu a Rua Augusta até a Praça Roosevelt. O Lula subiu no trio com Alckmin, Haddad, Boulos, Tebet e Marina. A campanha falou em "1 milhão" de pessoas. A PM não divulgou número e a USP não fez contagem.
Na dispersão, manifestantes subiram no teto da estação Trianon-Masp, do metrô. Na fachada da estação, picharam "Viva a Revolução". Na parede de vidro, pintaram o símbolo anarquista e frases como "Bolsonaro nunca mais". Algumas pessoas estavam de rosto coberto. Outras andaram em cima da cobertura de vidro da estação.

Na nota enviada à imprensa no começo da noite, a Secretaria da Segurança Pública confirmou "tumulto, pichações e depredação" na dispersão. Na estação Consolação, segundo a PM, portas e grades foram quebradas. A estação Trianon-Masp ficou fechada das 12h50 às 16h30. Uma bandeira dos Estados Unidos foi rasgada, segundo o Metrópoles. Um vídeo publicado pela Revista Oeste mostra uma mulher xingada de "vagabunda" no meio do ato e retirada pela PM.
Até esta segunda, nenhum nome foi divulgado e nenhuma prisão foi anunciada.
O que aconteceu com a Débora
No 8 de janeiro de 2023, a Débora estava na Praça dos Três Poderes. Ela escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua A Justiça, em frente ao Supremo. A frase era a resposta que o ministro Luís Roberto Barroso deu a um eleitor de Bolsonaro em Nova York, em novembro de 2022.

O batom saiu com água. A estátua foi lavada naquele mesmo mês, com jato de água, pela equipe do Supremo. A Débora foi presa e ficou dois anos longe dos dois filhos pequenos.
Em 25 de abril de 2025, a 1ª Turma do STF condenou a Débora a 14 anos de prisão por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Votaram pelos 14 anos os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Cristiano Zanin votou por 11 anos. Luiz Fux votou por 1 ano e 6 meses, só pela deterioração do patrimônio.

Desde 28 de março de 2025, ela está presa em casa, em Paulínia (SP), com tornozeleira. No dia 6 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes passou a pena para o regime semiaberto e manteve a prisão em casa por causa dos filhos.
Pelo 8 de janeiro, o STF condenou 1.399 pessoas. Até janeiro deste ano, 179 estavam presas. 254 pegaram de 12 a 14 anos e 119 pegaram de 16 a 18 anos.
O que a lei diz sobre pichação
Pichar prédio ou monumento é crime pela Lei 9.605, de 1998, no artigo 65. A pena é de 3 meses a 1 ano de detenção, mais multa. Se o bem for tombado, a pena vai de 6 meses a 1 ano.
A Débora foi julgada pelo 8 de janeiro inteiro, e não só pelo batom: o STF entendeu que ela fazia parte de uma tentativa de golpe. Quem pichou a Trianon-Masp pode responder pelo artigo 65. Até agora, ninguém foi preso.
E a Paulista da direita
Em 25 de fevereiro de 2024, a direita levou 185 mil pessoas à Avenida Paulista, pela conta do Monitor do Debate Político da USP. A Secretaria da Segurança falou em 750 mil. Em nota, a SSP disse que o ato ocorreu de forma pacífica, sem o registro de incidentes. Segundo a PM, não houve nenhuma ocorrência relevante.

A pesquisa da USP feita no mesmo ato mostrou que um em cada cinco manifestantes tinha mais de 65 anos. A avenida ficou tomada por bandeiras do Brasil.
No 7 de Setembro deste ano, a PM usou gás lacrimogêneo na Paulista pela manhã. Segundo a SSP, foi contra um grupo de pessoas ligadas à esquerda que tentou invadir o espaço reservado aos grupos de direita. A secretaria afirmou que não houve incidentes graves.
O que disseram
O senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) perguntou: "E agora? O mesmo rigor será aplicado ou a Justiça tem critérios diferentes conforme o lado político?" O deputado Nikolas Ferreira escreveu que o Moraes não vai condenar nenhum deles. A advogada Janaina Paschoal perguntou se seria crime contra o Estado Democrático de Direito ou "só depredação". O Flávio Bolsonaro comparou a Paulista do domingo a uma cena de The Walking Dead.
A campanha do Lula não respondeu à CNN. O PT não comentou a pichação.
Minha opinião
A estátua da Justiça usa uma venda nos olhos para não ver de que lado está quem chega diante dela. Se a lei valeu 14 anos para uma mãe de Paulínia, ela tem de valer para quem pichou a Paulista no ato do Lula. Eu quero ver o mesmo rigor. E você, acha que a lei vale igual para os dois lados?
Perguntas que chegam nos comentários
A Débora pegou 14 anos só pelo batom?
A pena foi por cinco crimes ligados ao 8 de janeiro, entre eles golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O batom na estátua entrou como dano e deterioração de patrimônio tombado.
Alguém foi preso pela pichação na Paulista?
Até a manhã de 12 de outubro de 2026, a polícia não divulgou nenhuma prisão nem nome de suspeito.
Quem confirmou a depredação?
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em nota à imprensa no domingo. A quebra de portas e grades na estação Consolação é relato da PM.
Qual é a pena para pichação?
De 3 meses a 1 ano de detenção, mais multa, pelo artigo 65 da Lei 9.605, de 1998.
Onde está a Débora hoje?
Em casa, em Paulínia (SP), com tornozeleira. Em 6 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes passou a pena dela para o semiaberto e manteve a prisão domiciliar.







