Uma lista de motivos para não votar no PT tomou as redes nesta semana. Num dos posts, o comentário mais curtido resumia o clima: "Aí os petistas: o Brasil nunca esteve tão bem."
Eu fui conferir. Peguei cada item, procurei a fonte oficial, corrigi os números que estavam imprecisos e troquei o que eu não consegui provar. Sobraram treze. Estão aqui, com o número, a data e de onde saiu.
Esta revista tem lado e não esconde. Por isso mesmo, cada motivo abaixo é um fato que você pode abrir e checar.
Fontes: Banco Central, CadÚnico e Tribunal de Contas da União.
1. A dívida pública disparou
A dívida bruta do governo era de 71,7% do PIB em dezembro de 2022. Em agosto de 2026, chegou a 82,9%, segundo o Banco Central. São onze pontos a mais em menos de quatro anos.
Dívida maior é juro maior. O governo paga mais para rolar o que deve, e essa conta sai do imposto de quem trabalha.
2. O juro mais alto em quase 20 anos
A Selic chegou a 15% ao ano em 2025, o maior nível desde 2006. Hoje está em 13,75%. É o juro que encarece o cartão, o financiamento do carro, a casa própria e o empréstimo da pequena empresa.

3. Pelo menos 27 aumentos de imposto
O Poder360 contou pelo menos 27 medidas que aumentaram impostos desde 2023: combustível, IOF, compras do exterior, entre outras. A Exame, com outro critério, chegou a 37. A carga tributária subiu de 31,2% do PIB em 2022 para 32,3% em 2024.
4. R$ 6,3 bilhões tirados de aposentados
Associações e sindicatos descontaram mensalidades direto do benefício de aposentados e pensionistas do INSS, sem autorização. A Polícia Federal e a CGU estimam o total em até R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024. A operação só veio em abril de 2025. Na auditoria da CGU, 97% dos entrevistados disseram que nunca autorizaram o desconto.

5. Prometeu acabar com o sigilo de 100 anos
Na campanha de 2022, Lula prometeu derrubar os sigilos de 100 anos. Em 2023, primeiro ano de governo, 1.339 pedidos feitos pela Lei de Acesso à Informação foram negados com essa mesma justificativa. Entre eles, a agenda da primeira-dama e a lista de militares de plantão no Planalto em 8 de janeiro.

6. Cartão corporativo: 99,5% em segredo
De janeiro de 2023 a abril de 2025, a Presidência gastou R$ 55,5 milhões no cartão corporativo. O Tribunal de Contas da União apontou que 99,5% desse valor está sob sigilo e deu 120 dias para o governo detalhar os gastos. Segundo o levantamento, é mais que o dobro do que o governo anterior gastou em quatro anos.

7. A população de rua quase dobrou
O Cadastro Único, do próprio governo, registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2022. Em junho de 2026, eram 392,4 mil. Alta de 97%.

8. Ministro indiciado ficou dez meses no cargo
A Polícia Federal indiciou o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho, em junho de 2024, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, num caso de desvio de emendas. Ele continuou ministro. Só saiu em 8 de abril de 2025, depois que a Procuradoria-Geral da República o denunciou ao STF. Ele nega as acusações.

9. "Um presidente de um mandato só"
Em 25 de outubro de 2022, a cinco dias do segundo turno, Lula escreveu: "Eu, se eleito, serei um presidente de um mandato só." Em 2026, ele é candidato de novo.

10. A fila do INSS bateu recorde
Zerar a fila do INSS era promessa de campanha. Em fevereiro de 2026, ela chegou a 3,128 milhões de pedidos, o maior número da história. Em abril, o presidente do INSS foi trocado. Em setembro, a um mês da eleição, o governo anunciou que a fila estava zerada.
11. Rombo de R$ 55 bilhões nas contas
Em 2022, o setor público fechou o ano com superávit de R$ 126 bilhões. Em 2025, fechou com déficit de R$ 55 bilhões. Os dois números são do Banco Central.
12. Recorde de empresas pedindo socorro
Em 2022, 833 empresas pediram recuperação judicial. Em 2024, foram 2.273, o maior número desde o início da série da Serasa Experian, em 2005.
13. O dólar mais caro da história
O dólar fechou 2022 a R$ 5,22. Fechou 2024 a R$ 6,19, o maior valor nominal já registrado pelo Banco Central. Dólar caro é pão, gasolina e remédio mais caros.

Os treze, lado a lado
| Motivo | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Dívida pública | 71,7% para 82,9% do PIB | Banco Central |
| Selic | Pico de 15%, hoje 13,75% | Banco Central |
| Aumentos de imposto | Pelo menos 27 | Poder360 |
| Fraude no INSS | Até R$ 6,3 bilhões | PF e CGU |
| Sigilo de 100 anos | 1.339 pedidos negados em 2023 | CGU |
| Cartão corporativo | 99,5% em sigilo | TCU |
| Situação de rua | 198,7 mil para 392,4 mil | CadÚnico |
| Ministro indiciado | Dez meses no cargo | PF e PGR |
| Um mandato só | Promessa de 25/10/2022 | Declaração pública |
| Fila do INSS | 3,128 milhões em fevereiro de 2026 | Poder360 |
| Contas públicas | De +R$ 126 bi para -R$ 55 bi | Banco Central |
| Recuperações judiciais | 833 para 2.273 | Serasa Experian |
| Dólar | R$ 5,22 para R$ 6,19 | Banco Central |
O que joga contra, e entra
Fato também é o contexto. Aqui está o que um defensor do governo diria, e que é verdade.
A fraude do INSS começou em 2019. Os descontos vêm do governo anterior. Eles cresceram nos anos seguintes, e a operação que os interrompeu é de abril de 2025.
O governo Bolsonaro também negou pedidos. Foram 1.332 no último ano dele, sete a menos que os 1.339 de Lula em 2023. A diferença é que Lula fez campanha prometendo acabar com isso.
O sigilo do cartão já era alto. No governo anterior, passava de 98%. Com Lula, chegou a 99,5%, o maior entre todos os presidentes.
A Selic já estava em 13,75% no fim de 2022. Ela caiu até 10,5% em 2024 e depois subiu até os 15%.
A fila do INSS foi zerada, segundo o governo. O anúncio é de setembro de 2026. O recorde de 3,1 milhões é de sete meses antes.
O dólar já caiu. Depois do primeiro turno, fechou em R$ 5,00.
O que eu mudei na lista que está circulando
Tirei uma afirmação sobre um parente do presidente, baseada no relato de uma testemunha, porque eu não encontrei documento que a sustente. Ajustei o sigilo do cartão para o número do TCU, que é 99,5%. E acrescentei três motivos com dado oficial: o rombo nas contas, o recorde de recuperações judiciais e o dólar.
O que eu penso
Daqui para a frente é opinião minha.
Treze números, todos de fonte oficial ou de órgão de controle. Nenhum deles foi inventado pela oposição. Quem entrega dívida maior, juro maior, mais imposto e o dobro de gente na rua não merece mais quatro anos. No dia 25, eu voto pela mudança.
Perguntas que chegam nos comentários
De onde saíram os 13 motivos?
De uma lista que circulou nas redes em outubro de 2026. Cada item foi conferido em fonte oficial, como Banco Central, CGU, TCU e CadÚnico, e três foram trocados por dados que eu consegui provar.
A dívida pública cresceu quanto no governo Lula?
De 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 82,9% em agosto de 2026, segundo o Banco Central.
Lula prometeu não disputar a reeleição?
Sim. Em 25 de outubro de 2022 ele escreveu que, se eleito, seria presidente de um mandato só.
A fraude do INSS aconteceu no governo Lula?
Os descontos indevidos ocorreram de 2019 a 2024, em dois governos. A operação da PF e da CGU é de abril de 2025.
A fila do INSS foi zerada?
O governo anunciou que sim, em setembro de 2026. Em fevereiro do mesmo ano, a fila tinha batido o recorde de 3,128 milhões de pedidos.







