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Notícias / 6 de outubro de 2026

Eu fui checar

13 motivos para não votar no 13: cada um com número e com fonte

Dívida, juros, impostos, fraude no INSS, sigilo, cartão corporativo, gente na rua, ministro indiciado, promessa quebrada, fila, rombo, empresas quebradas e dólar. Eu peguei uma lista que está rodando nas redes, conferi cada item na fonte oficial, corrigi o que estava impreciso e troquei o que eu não consegui provar.

Publicado
6 de outubro de 2026
Atualizado
6 de outubro de 2026
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Lula no desfile de 7 de setembro de 2026. Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Lula no desfile de 7 de setembro de 2026. Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Uma lista de motivos para não votar no PT tomou as redes nesta semana. Num dos posts, o comentário mais curtido resumia o clima: "Aí os petistas: o Brasil nunca esteve tão bem."

Eu fui conferir. Peguei cada item, procurei a fonte oficial, corrigi os números que estavam imprecisos e troquei o que eu não consegui provar. Sobraram treze. Estão aqui, com o número, a data e de onde saiu.

Esta revista tem lado e não esconde. Por isso mesmo, cada motivo abaixo é um fato que você pode abrir e checar.

82,9%Dívida sobre o PIBera 71,7% em 2022
392 milPessoas em situação de ruaeram 198,7 mil
99,5%Do cartão corporativoem sigilo

Fontes: Banco Central, CadÚnico e Tribunal de Contas da União.

1. A dívida pública disparou

A dívida bruta do governo era de 71,7% do PIB em dezembro de 2022. Em agosto de 2026, chegou a 82,9%, segundo o Banco Central. São onze pontos a mais em menos de quatro anos.

Dívida maior é juro maior. O governo paga mais para rolar o que deve, e essa conta sai do imposto de quem trabalha.

2. O juro mais alto em quase 20 anos

A Selic chegou a 15% ao ano em 2025, o maior nível desde 2006. Hoje está em 13,75%. É o juro que encarece o cartão, o financiamento do carro, a casa própria e o empréstimo da pequena empresa.

Sede do Banco Central, em Brasília. Foto: Banco Central do Brasil, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

3. Pelo menos 27 aumentos de imposto

O Poder360 contou pelo menos 27 medidas que aumentaram impostos desde 2023: combustível, IOF, compras do exterior, entre outras. A Exame, com outro critério, chegou a 37. A carga tributária subiu de 31,2% do PIB em 2022 para 32,3% em 2024.

4. R$ 6,3 bilhões tirados de aposentados

Associações e sindicatos descontaram mensalidades direto do benefício de aposentados e pensionistas do INSS, sem autorização. A Polícia Federal e a CGU estimam o total em até R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024. A operação só veio em abril de 2025. Na auditoria da CGU, 97% dos entrevistados disseram que nunca autorizaram o desconto.

Sede do INSS, em Brasília. Foto: Agência Senado, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

5. Prometeu acabar com o sigilo de 100 anos

Na campanha de 2022, Lula prometeu derrubar os sigilos de 100 anos. Em 2023, primeiro ano de governo, 1.339 pedidos feitos pela Lei de Acesso à Informação foram negados com essa mesma justificativa. Entre eles, a agenda da primeira-dama e a lista de militares de plantão no Planalto em 8 de janeiro.

Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Palácio do Planalto, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

6. Cartão corporativo: 99,5% em segredo

De janeiro de 2023 a abril de 2025, a Presidência gastou R$ 55,5 milhões no cartão corporativo. O Tribunal de Contas da União apontou que 99,5% desse valor está sob sigilo e deu 120 dias para o governo detalhar os gastos. Segundo o levantamento, é mais que o dobro do que o governo anterior gastou em quatro anos.

Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. Foto: Arne Müseler, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 DE

7. A população de rua quase dobrou

O Cadastro Único, do próprio governo, registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2022. Em junho de 2026, eram 392,4 mil. Alta de 97%.

Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Wilfredor, via Wikimedia Commons, CC0

8. Ministro indiciado ficou dez meses no cargo

A Polícia Federal indiciou o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho, em junho de 2024, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, num caso de desvio de emendas. Ele continuou ministro. Só saiu em 8 de abril de 2025, depois que a Procuradoria-Geral da República o denunciou ao STF. Ele nega as acusações.

Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, em 2023. Foto: Ministério das Comunicações, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

9. "Um presidente de um mandato só"

Em 25 de outubro de 2022, a cinco dias do segundo turno, Lula escreveu: "Eu, se eleito, serei um presidente de um mandato só." Em 2026, ele é candidato de novo.

Lula em fevereiro de 2022. Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

10. A fila do INSS bateu recorde

Zerar a fila do INSS era promessa de campanha. Em fevereiro de 2026, ela chegou a 3,128 milhões de pedidos, o maior número da história. Em abril, o presidente do INSS foi trocado. Em setembro, a um mês da eleição, o governo anunciou que a fila estava zerada.

11. Rombo de R$ 55 bilhões nas contas

Em 2022, o setor público fechou o ano com superávit de R$ 126 bilhões. Em 2025, fechou com déficit de R$ 55 bilhões. Os dois números são do Banco Central.

12. Recorde de empresas pedindo socorro

Em 2022, 833 empresas pediram recuperação judicial. Em 2024, foram 2.273, o maior número desde o início da série da Serasa Experian, em 2005.

13. O dólar mais caro da história

O dólar fechou 2022 a R$ 5,22. Fechou 2024 a R$ 6,19, o maior valor nominal já registrado pelo Banco Central. Dólar caro é pão, gasolina e remédio mais caros.

Cédula de 100 reais. Foto: Cerdded41, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Os treze, lado a lado

MotivoNúmeroFonte
Dívida pública71,7% para 82,9% do PIBBanco Central
SelicPico de 15%, hoje 13,75%Banco Central
Aumentos de impostoPelo menos 27Poder360
Fraude no INSSAté R$ 6,3 bilhõesPF e CGU
Sigilo de 100 anos1.339 pedidos negados em 2023CGU
Cartão corporativo99,5% em sigiloTCU
Situação de rua198,7 mil para 392,4 milCadÚnico
Ministro indiciadoDez meses no cargoPF e PGR
Um mandato sóPromessa de 25/10/2022Declaração pública
Fila do INSS3,128 milhões em fevereiro de 2026Poder360
Contas públicasDe +R$ 126 bi para -R$ 55 biBanco Central
Recuperações judiciais833 para 2.273Serasa Experian
DólarR$ 5,22 para R$ 6,19Banco Central

O que joga contra, e entra

Fato também é o contexto. Aqui está o que um defensor do governo diria, e que é verdade.

A fraude do INSS começou em 2019. Os descontos vêm do governo anterior. Eles cresceram nos anos seguintes, e a operação que os interrompeu é de abril de 2025.

O governo Bolsonaro também negou pedidos. Foram 1.332 no último ano dele, sete a menos que os 1.339 de Lula em 2023. A diferença é que Lula fez campanha prometendo acabar com isso.

O sigilo do cartão já era alto. No governo anterior, passava de 98%. Com Lula, chegou a 99,5%, o maior entre todos os presidentes.

A Selic já estava em 13,75% no fim de 2022. Ela caiu até 10,5% em 2024 e depois subiu até os 15%.

A fila do INSS foi zerada, segundo o governo. O anúncio é de setembro de 2026. O recorde de 3,1 milhões é de sete meses antes.

O dólar já caiu. Depois do primeiro turno, fechou em R$ 5,00.

O que eu mudei na lista que está circulando

Tirei uma afirmação sobre um parente do presidente, baseada no relato de uma testemunha, porque eu não encontrei documento que a sustente. Ajustei o sigilo do cartão para o número do TCU, que é 99,5%. E acrescentei três motivos com dado oficial: o rombo nas contas, o recorde de recuperações judiciais e o dólar.

O que eu penso

Daqui para a frente é opinião minha.

Treze números, todos de fonte oficial ou de órgão de controle. Nenhum deles foi inventado pela oposição. Quem entrega dívida maior, juro maior, mais imposto e o dobro de gente na rua não merece mais quatro anos. No dia 25, eu voto pela mudança.

Perguntas que chegam nos comentários

De onde saíram os 13 motivos?

De uma lista que circulou nas redes em outubro de 2026. Cada item foi conferido em fonte oficial, como Banco Central, CGU, TCU e CadÚnico, e três foram trocados por dados que eu consegui provar.

A dívida pública cresceu quanto no governo Lula?

De 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 82,9% em agosto de 2026, segundo o Banco Central.

Lula prometeu não disputar a reeleição?

Sim. Em 25 de outubro de 2022 ele escreveu que, se eleito, seria presidente de um mandato só.

A fraude do INSS aconteceu no governo Lula?

Os descontos indevidos ocorreram de 2019 a 2024, em dois governos. A operação da PF e da CGU é de abril de 2025.

A fila do INSS foi zerada?

O governo anunciou que sim, em setembro de 2026. Em fevereiro do mesmo ano, a fila tinha batido o recorde de 3,128 milhões de pedidos.

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Fontes desta materia

  1. Banco Central, dívida bruta do governo geral em 82,9% do PIB em agosto de 2026, via CNN Brasil
  2. Banco Central, histórico das taxas de juros fixadas pelo Copom (Selic)
  3. Poder360, Lula aumentou impostos 27 vezes em 3 anos no Planalto
  4. Exame, Com MP dos impostos, governo Lula adotou ao menos 37 medidas para elevar arrecadação desde 2023
  5. Controladoria-Geral da União, Operação combate descontos não autorizados de aposentados e pensionistas; valor pode chegar a R$ 6,3 bi, abril de 2025
  6. O Tempo, Governo Lula impõe sigilo de 100 anos a 1.339 pedidos de informação
  7. Poder360, 99% dos gastos com cartão do Planalto são sem transparência
  8. Gazeta do Povo, TCU aponta gastos sigilosos de R$ 55 milhões no cartão corporativo de Lula
  9. Cadastro Único, população em situação de rua de 198,7 mil para 392,4 mil, via NC News, 7 de julho de 2026
  10. Poder360, Denunciado, Juscelino Filho vai pedir demissão do governo, 8 de abril de 2025
  11. CNN Brasil, Eleições 2022: Lula indica que não tentaria reeleição em 2026
  12. Exame, Lula afirma que não será candidato à reeleição em 2026 se vencer em outubro
  13. Poder360, Concessões no INSS atingem recorde com corrida para zerar fila
  14. O Tempo, Alvo de promessa de Lula, fila do INSS atinge menor patamar desde 2023, 28 de agosto de 2026
  15. Agência Brasil, Contas públicas têm déficit de R$ 55,021 bilhões em 2025
  16. Serasa Experian, pedidos de recuperação judicial em 2024 atingem maior patamar em quase 20 anos, via CNN Brasil
  17. Banco Central, cotações PTAX de fechamento do dólar