Sylvester Stallone tinha 17 anos quando foi levado para a ala de punição de um internato na Pensilvânia.
É assim que ele descreve o lugar no livro de memórias, segundo a revista People: "basicamente um hospital psiquiátrico fazendo papel duplo de solitária". Havia homens gritando, homens nus, homens em camisa de força, homens com cicatriz de lobotomia.
"Quando eu vi o filme 'Um Estranho no Ninho', aquilo era uma coisa alegre, até simpática. Não. Era o contrário. É o inferno. Você está num caldeirão de loucura."
É a primeira vez que ele fala publicamente desse período. O livro se chama "The Steps" (os degraus, em referência à escadaria de Rocky) e sai em 29 de setembro pela William Morrow, selo da HarperCollins.
O rosto
A história começa no parto. Os médicos usaram fórceps e cortaram um nervo por acidente. O lado esquerdo inferior do rosto ficou paralisado, e a fala, arrastada. Parte da primeira infância ele passou em lar adotivo, até voltar para a família aos 5 anos.
Na escola, a boca torta virou alvo. Até os 16 anos, foi expulso de 12 escolas da Filadélfia. Os pais o mandaram para a Devereux, em Berwyn, uma escola para adolescentes problemáticos, onde ficou dois anos. Quando reclamou da ala de punição, ouviu dos pais, segundo o relato ao People, que as autoridades "sabem o que fazem, vão fazer você se acalmar".
No colégio, os colegas o elegeram "o mais provável de acabar na cadeira elétrica".
A rodoviária e os três dias
No começo dos anos 1970, sem casa, dormiu várias semanas no terminal rodoviário de Port Authority, em Nova York. Aceitou um papel num filme erótico por 200 dólares. Explicou depois: "Era fazer aquele filme ou roubar alguém, porque eu estava no fim, no fim mesmo, da minha corda."
Em 24 de março de 1975, viu a luta entre Muhammad Ali e Chuck Wepner. Em três dias, terminou o primeiro rascunho de "Rocky". Os estúdios ofereceram 350 mil dólares pelo roteiro. Ele recusou, a menos que fosse o protagonista. Aceitaram, com orçamento menor.
Aos 80
Nesta semana, divulgando o livro, Stallone também contou que nunca aceitou o cargo de "embaixador especial" para Hollywood que Donald Trump anunciou em janeiro de 2025. "Eu disse obrigado e tchau, porque é impossível", declarou numa entrevista reproduzida pelo Yahoo.
A resposta
O menino com meia boca paralisada, expulso de 12 escolas e trancado aos 17 num lugar que ele chama de inferno, virou o homem que escreveu "Rocky" e não deixou ninguém mais interpretar o boxeador. No livro, ele resume assim, segundo a Publishers Weekly: "Cada luta, cada queda, cada subida por aqueles degraus moldou quem eu sou."








