Revista De Castro

Magazine / 28 de setembro de 2026

A história inteira

Quebraram a imagem de Santa Dulce. O que ela faria?

Uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi destruída dentro de uma igreja em Salvador, e ninguém foi identificado. A resposta está na vida dela: a freira que ouvia "lá vem a chata", que estendeu a outra mão quando um feirante cuspiu na primeira, que transformou um galinheiro no maior hospital da Bahia e dormiu sentada por 30 anos para cumprir uma promessa.

Publicado
28 de setembro de 2026
Atualizado
28 de setembro de 2026
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Magazine
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2 min
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Retrato de Irmã Dulce no Memorial Irmã Dulce, em Salvador. Reprodução/Vatican News
Retrato de Irmã Dulce no Memorial Irmã Dulce, em Salvador. Reprodução/Vatican News

Na terça-feira, 22 de setembro, por volta das 15h, uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi destruída dentro da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado, em Plataforma, no Subúrbio de Salvador. Até esta segunda, 28, ninguém tinha sido identificado, segundo a Revista Fórum. O caso está com a unidade da Polícia Civil especializada em racismo e intolerância religiosa, que vai analisar as câmeras.

A pergunta que muita gente fez nos comentários foi: o que ela faria? A vida dela responde.

"Lá vem a chata"

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914. Aos 13 anos, já acolhia mendigos e doentes em casa. Virou Irmã Dulce e passou a vida pedindo pelos pobres. Quando ela entrava nas lojas e escritórios com a pasta preta, a frase era comum, segundo o Jornal Correio: "Lá vem a chata."

Conta-se, e o Vatican News registrou, que um feirante cuspiu na mão dela quando ela pediu ajuda. Ela estendeu a outra mão: "Esse foi para mim. Agora eu peço para os meus pobres." O episódio não tem data nem testemunha identificada, e as versões variam de biógrafo para biógrafo, por isso ele vai aqui como relato.

Irmã Dulce, em foto do acervo das Obras Sociais Irmã Dulce

Do galinheiro ao maior hospital da Bahia

Expulsa das casas onde abrigava doentes, levou todos para debaixo dos arcos da Igreja do Bonfim e peregrinou com eles pela cidade durante uma década. Em 1949, com autorização da superiora, ocupou um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio com os primeiros 70 doentes. Ali hoje está o Hospital Santo Antônio, o maior da Bahia. As Obras Sociais Irmã Dulce dizem acolher mais de 3 milhões de pessoas por ano no estado.

Em 1955, fez uma promessa pela irmã, Dulcinha, que tinha uma gravidez de risco: não dormiria mais deitada. Cumpriu por 30 anos, sentada numa cadeira, até os médicos a fazerem parar, em 1985. "Foi difícil, ela não queria", contou à Canção Nova Osvaldo Gouveia, da própria OSID. A cadeira está no Memorial. Com 70% da capacidade respiratória comprometida, chegou a pesar 38 quilos.

Foi indicada ao Nobel da Paz em 1988. O papa João Paulo II esteve com ela duas vezes. Na primeira, em 1980, deu a ela um terço e disse: "Continue, Irmã Dulce, continue." Morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos. Foi beatificada em 2011 e canonizada pelo papa Francisco em 13 de outubro de 2019, a primeira santa nascida no Brasil.

O que ela faria

Quem quebrou a imagem quebrou uma peça. O que ela construiu segue de pé. E ela deixou escrito, numa das frases guardadas pelas Obras Sociais: "No coração de cada homem, por mais violento que seja, há sempre uma semente de amor prestes a brotar."

Outra frase dela cabe nesta semana: "É necessário saber desculpar para viver em paz e união."

Fontes desta materia

  1. Correio, imagem de Santa Dulce dos Pobres é destruída dentro de paróquia em Salvador
  2. Revista Fórum, Santa Dulce destruída em igreja de Salvador
  3. Vatican News, Santa Dulce, missionária dos pobres
  4. Obras Sociais Irmã Dulce, Santa Dulce dos Pobres
  5. Obras Sociais Irmã Dulce, Frases do Anjo
  6. Jornal Correio, Retada! 10 momentos em que Irmã Dulce subverteu a ordem
  7. Canção Nova, Irmã Dulce dormiu por 30 anos numa cadeira para cumprir promessa
  8. Exame, Irmã Dulce, menina que acolhia doentes aos 13 anos, vira santa
  9. ACI Digital via Santuário dos Capuchinhos, dez dados marcantes da vida de Irmã Dulce