Na terça-feira, 22 de setembro, por volta das 15h, uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi destruída dentro da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado, em Plataforma, no Subúrbio de Salvador. Até esta segunda, 28, ninguém tinha sido identificado, segundo a Revista Fórum. O caso está com a unidade da Polícia Civil especializada em racismo e intolerância religiosa, que vai analisar as câmeras.
A pergunta que muita gente fez nos comentários foi: o que ela faria? A vida dela responde.
"Lá vem a chata"
Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914. Aos 13 anos, já acolhia mendigos e doentes em casa. Virou Irmã Dulce e passou a vida pedindo pelos pobres. Quando ela entrava nas lojas e escritórios com a pasta preta, a frase era comum, segundo o Jornal Correio: "Lá vem a chata."
Conta-se, e o Vatican News registrou, que um feirante cuspiu na mão dela quando ela pediu ajuda. Ela estendeu a outra mão: "Esse foi para mim. Agora eu peço para os meus pobres." O episódio não tem data nem testemunha identificada, e as versões variam de biógrafo para biógrafo, por isso ele vai aqui como relato.

Do galinheiro ao maior hospital da Bahia
Expulsa das casas onde abrigava doentes, levou todos para debaixo dos arcos da Igreja do Bonfim e peregrinou com eles pela cidade durante uma década. Em 1949, com autorização da superiora, ocupou um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio com os primeiros 70 doentes. Ali hoje está o Hospital Santo Antônio, o maior da Bahia. As Obras Sociais Irmã Dulce dizem acolher mais de 3 milhões de pessoas por ano no estado.
Em 1955, fez uma promessa pela irmã, Dulcinha, que tinha uma gravidez de risco: não dormiria mais deitada. Cumpriu por 30 anos, sentada numa cadeira, até os médicos a fazerem parar, em 1985. "Foi difícil, ela não queria", contou à Canção Nova Osvaldo Gouveia, da própria OSID. A cadeira está no Memorial. Com 70% da capacidade respiratória comprometida, chegou a pesar 38 quilos.
Foi indicada ao Nobel da Paz em 1988. O papa João Paulo II esteve com ela duas vezes. Na primeira, em 1980, deu a ela um terço e disse: "Continue, Irmã Dulce, continue." Morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos. Foi beatificada em 2011 e canonizada pelo papa Francisco em 13 de outubro de 2019, a primeira santa nascida no Brasil.
O que ela faria
Quem quebrou a imagem quebrou uma peça. O que ela construiu segue de pé. E ela deixou escrito, numa das frases guardadas pelas Obras Sociais: "No coração de cada homem, por mais violento que seja, há sempre uma semente de amor prestes a brotar."
Outra frase dela cabe nesta semana: "É necessário saber desculpar para viver em paz e união."








