Uma funcionária de 28 anos do Instituto Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, morreu em 2 de outubro de 2026 de uma pneumonia que o governo russo chama de "causa indeterminada". Cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela ficaram em observação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu explicações e, até este domingo, 11 de outubro, diz que não recebeu tudo o que pediu.
Foi peste?
Ninguém confirmou. O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, disse que a agência sanitária russa, a Rospotrebnadzor, não achou no corpo dela nenhum micróbio ligado ao trabalho que ela fazia, segundo a NBC.
O site regional Lyudi Baikala deu outra versão: ela teria quebrado um tubo de ensaio com a bactéria da peste em 25 de setembro. O mesmo site deu o nome dela, Darya Shipilova. Nenhum órgão russo confirmou, e nem a AFP nem o Healthbeat conseguiram checar.
O que a Rússia disse?
| Data | Quem | O quê |
|---|---|---|
| 5/10 | governador Igor Kobzev | pneumonia de origem indeterminada; nenhum caso entre colegas |
| 6/10 | governo russo à OMS | parecia uma virose respiratória comum; nenhum caso de peste em Irkutsk |
| 7/10 | Rospotrebnadzor | cerca de 5 mil testes, nenhum patógeno perigoso; situação "estável" |
| 8/10 | Kremlin, Dmitry Peskov | "A grande maioria do que a imprensa publica é informação falsa" |
| 9/10 | Kobzev | quarentena encerrada; a funcionária era vacinada e imune |
Entre os contatos testados, apareceram dois casos de covid e dois de rinovírus, segundo o Healthbeat.
Por que a OMS cobra?
Porque a Rússia não disse o que matou a funcionária. "Não sabemos como ela se infectou", disse Maria Van Kerkhove, da OMS, à Al Jazeera.
O diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu em 7 de outubro que Moscou esclareça relatos de um segundo funcionário com pneumonia sem causa definida. "Não podemos ignorar nenhum relato", disse. O Kremlin chamou essa história de falsa.
A OMS chegou a classificar o risco na região como "moderado a baixo". Depois disse que faltava informação para uma avaliação completa, segundo a AFP.
Dá para ter medo?
Ashish Jha, que coordenou a resposta à covid na Casa Branca, disse à NBC que a peste pulmonar é "muito difícil" de passar de pessoa para pessoa e que a chance de surto maior é "extremamente baixa". Ao Healthbeat, o mesmo Jha cobrou transparência: supor que houve um caso só seria "imprudente".
A doença tem tratamento com antibiótico. A forma pulmonar pode matar se o tratamento não começar em 18 a 24 horas do primeiro sintoma, segundo dados da OMS citados pelo Healthbeat.
O que isso tem a ver com o Brasil?

O Brasil não registra caso humano de peste desde 2005. O último foi em Pedra Branca, no Ceará, segundo o Ministério da Saúde.
A bactéria ainda existe na natureza aqui, em roedores silvestres e suas pulgas. O ministério lista dois focos: um no Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e um pedaço do Piauí) e outro em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
A forma bubônica pega pela picada da pulga. A pulmonar passa pela tosse. O ministério recomenda começar o antibiótico nas primeiras 15 horas de sintoma, sem esperar exame.








