O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, decretou estado de emergência na província de Khyber Pakhtunkhwa neste domingo, 11 de outubro de 2026, e tirou do poder o governo do PTI, o partido do ex-primeiro-ministro Imran Khan. A decisão veio uma semana depois de o partido começar uma marcha para pedir a soltura de Khan, que está preso desde agosto de 2023.
O que o decreto faz?
Zardari assinou a medida a pedido do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, com base nos artigos 232 e 234 da Constituição, segundo o Express Tribune.
Na prática, segundo o site Nukta:
| O que muda | Como fica |
|---|---|
| Ministro-chefe Sohail Afridi, eleito pela assembleia | fora do cargo, com secretários e assessores |
| Comando da província | governador Faisal Karim Kundi, sob ordens do governo federal |
| Assembleia provincial | continua de pé, mas quem faz as leis passa a ser o Parlamento nacional |
| Chefe da administração | novo nome, Muhammad Fakhr Alam Irfan |
O Dawn explica que, quando o presidente age sem pedido da assembleia local, o decreto precisa passar pelas duas casas do Parlamento em até 10 dias. As sessões estão marcadas para terça, 13 de outubro.
Qual foi a justificativa?
O gabinete do primeiro-ministro citou a piora da segurança na província e a "indiferença deliberada" do governo local na guerra contra o terrorismo, segundo a Arab News. O decreto também menciona o fracasso das negociações com o partido.
O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, disse ao Dawn que "não havia mais espaço" para evitar a emergência. Sharif foi mais direto, segundo o Nukta: "Não vou deixar que eles desestabilizem a economia."
O que o PTI pedia?
A marcha saiu em 4 de outubro de Lakki Marwat, liderada pelo próprio Afridi, depois que as conversas com o governo quebraram durante a madrugada, segundo a Arab News Pakistan. A data original era 27 de setembro.
O pedido final era pequeno. Asad Qaisar, do PTI, disse que a única exigência que restava era deixar a cúpula do partido visitar Imran Khan na prisão. Khan cumpre pena de 14 anos em um caso de corrupção e responde a dezenas de outros processos. Ele diz que todos são perseguição política.
O presidente do PTI, Gohar Ali Khan, chamou o decreto de "erro político grave" e de medida "antidemocrática". Prometeu ir à Justiça e disse ao Nukta: "Ainda há tempo, essa decisão pode ser revertida em poucos dias."
O Nukta também relata informações de que Afridi e o deputado Junaid Akbar Khan teriam sido presos. As circunstâncias não foram esclarecidas, e não encontrei confirmação oficial.
O que isso tem a ver com o Brasil?
A briga no Paquistão terminou girando em torno de uma visita na cadeia. Aqui, o caso é parecido.
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias, segundo a Agência Brasil. A defesa pediu a volta das visitas em 5 de outubro e lembrou que o prazo da proibição termina justamente hoje, 11 de outubro.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Quando um governo prende o líder da oposição e depois derruba o governo provincial que o partido dele comanda, o nome técnico pode ser emergência, mas o efeito é calar quem perdeu a disputa no tribunal. Visitar um preso político não deveria virar moeda de negociação, nem lá, nem aqui.







