Pablo Marçal entrou nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, na equipe de campanha de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL à Presidência, número 22. Flávio agradeceu o apoio e, segundo o SBT News, o convidou para integrar um eventual governo.
Este texto é de opinião, e eu aviso logo: eu acho que o Flávio acertou. Os fatos vêm com data e fonte. A análise vem marcada como minha.
O que aconteceu hoje
Às 15h, Flávio participou de um encontro de faixas-pretas na academia Alliance Jiu Jitsu, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, segundo o SBT News. Na saída, falou à imprensa com Marçal do lado.
"Quero agradecer o apoio que ele declarou para mim hoje, uma conversa boa que tivemos. O Pablo Marçal está vindo para nos ajudar nessa parte de empreendedorismo, de mobilidade social", disse Flávio, segundo o O Povo. E completou: "A gente está conversando com todo mundo que quer vestir a camisa do Brasil e todo mundo que tem essa concordância".
Marçal falou em seguida: "Chegou a hora de aposentar o Lula. Tem uma alternância de poder. E hoje eu estou integrando a equipe com muita honra. Eu confio no Flávio".

O SBT News registrou o convite: Flávio chamou Marçal para integrar um eventual governo, caso seja eleito. Sobre ele, o senador disse: "É alguém que é um grande empreendedor também, uma referência em todo o Brasil". E: "É uma pessoa que sempre trouxe para o campo político uma preocupação dele, que também é a minha, que é de trazer o empreendedorismo para todo o Brasil". A área seria empreendedorismo e mobilidade social, com atenção à autonomia financeira das mulheres. Cargo, nenhum foi dito ainda.
Segundo o perfil dele nas redes, Marçal publicou um vídeo sobre o apoio e trocou a foto do perfil por uma dele com Flávio. O que a imprensa confirma é a fala na academia.
O 28 saiu da urna. Ele não foi para casa
Marçal era 28, pelo PRTB. Em 11 de setembro, o TSE tirou o nome dele da urna. Em 14 de setembro, o PRTB colocou Leonardo Avalanche no lugar.
Muita gente teria ido para casa. Ele foi para a academia do Flávio, quinze dias depois, e disse "eu confio no Flávio".
Flávio é 22, o número do PL, com Alfredo Gaspar de vice.
De Goiânia ao fenômeno digital
Marçal nasceu em Goiânia, em 1987, filho de um servidor público e de uma empregada doméstica. Ninguém da família era político. Não havia herança, não havia sobrenome.
Formou-se em Direito e construiu um negócio de desenvolvimento pessoal pela internet. Virou mentor de uma plateia que passa de 3,76 milhões de inscritos só no YouTube.
Polêmico, sim. E inovador. O colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, chamou o que ele fez em 2024 de "fenômeno": Marçal, escreveu, "conseguiu convencer uma parcela de seus seguidores de que também havia uma razão política para acompanhá-lo nas urnas".
Por que ele pesa: a minha análise
Aqui é opinião, e eu assino.
Marçal sabe gerar atenção. E onde está a atenção, estão os votos. Ele domina o marketing digital como pouca gente no país, e fala com a emoção das pessoas, não com a planilha do marqueteiro. Quem acha isso pouco devia olhar para 2024: sem partido grande, sem tempo de TV de coligação e sem o ex-presidente do lado, ele chegou a 56 mil votos do segundo turno na maior cidade do hemisfério sul.
É esse ativo que o Flávio está levando para a campanha, a cinco dias da eleição.
2022: o partido que preferiu Lula
Em 31 de julho de 2022, o PROS lançou Marçal a presidente. Em 8 de agosto, a direção do partido revogou a candidatura para apoiar Lula, segundo a CNN.
Barrado, ele escolheu um lado. Em 12 de setembro de 2022, disse à Gazeta do Povo: "Com autorização do presidente, estou esperando a resposta, vou virar o escudeiro oficial dele por um motivo: porque ele é injustiçado em tudo o que ele faz". E: "o que está no meu coração não tem TSE que tire".
Guarde a palavra "escudeiro". Ela volta em 2026.
Ele doou R$ 160 mil à campanha de Bolsonaro, em três transferências entre 13 e 17 de outubro, segundo o Metrópoles. Em 13 de outubro, fez uma live com o presidente para influenciadores: "Não tenha vergonha de defender o Bolsonaro, é hora da gente destruir essas narrativas".
Concorreu a deputado federal por São Paulo e teve 243.037 votos. Em 30 de outubro de 2022, depois de reclamação da federação de Lula e do próprio Paulo Teixeira, o ministro Ricardo Lewandowski, do TSE, negou o registro dele, segundo a Agência Brasil. A vaga foi para Paulo Teixeira, do PT, que teve 122.800 votos, segundo a Agência Câmara. Metade.
2024: 1,7 milhão de votos contra tudo
Em 2024 ele disputou a Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, um partido pequeno. Do outro lado, Ricardo Nunes tinha o MDB, o PL e o apoio de Bolsonaro, que explicou o compromisso em 5 de junho, segundo o InfoMoney: "Eu disse a ele que tenho um compromisso com o prefeito através da indicação do vice, o coronel Ricardo Mello Araújo". Um dia antes, em Brasília, Bolsonaro tinha entregado a Marçal a medalha do "imbrochável", segundo a CNN.

Aí a esquerda foi à Justiça. Até 28 de agosto de 2024, Guilherme Boulos, do PSOL, tinha acionado a Justiça Eleitoral 14 vezes contra Marçal, segundo levantamento do jornalista Pedro Duran, da CNN Brasil: pedidos de direito de resposta, representações, ações de investigação judicial, impugnação da candidatura e da convenção, inquérito policial e notícia-crime.
A ação que mais pesou veio de outra candidata. A pedido de Tabata Amaral, do PSB, um juiz eleitoral mandou derrubar os perfis de Marçal no TikTok, no X, no Instagram, no YouTube e o site, segundo a mesma reportagem. Um candidato que vivia da internet ficou, por decisão judicial, sem as próprias redes em plena campanha.
Em 15 de setembro, no debate da TV Cultura, Datena acertou uma cadeira nele. Ele foi para o hospital e voltou para a campanha.
O resultado, em 6 de outubro, segundo o Terra:
| Candidato | Votos | % |
|---|---|---|
| Ricardo Nunes (MDB) | 1.801.139 | 29,48% |
| Guilherme Boulos (PSOL) | 1.776.127 | 29,07% |
| Pablo Marçal (PRTB) | 1.719.274 | 28,14% |
Foi o primeiro turno mais apertado da história da cidade. Marçal ficou fora do segundo por 56.854 votos, com as redes derrubadas, 14 ações de um adversário e uma cadeirada no meio.
O que joga contra a esquerda
Junte os fatos, em ordem:
- Em 2022, o PROS cancelou a candidatura dele a presidente para apoiar Lula.
- Em 2022, a vaga de deputado conquistada com 243 mil votos foi para o PT, com 122 mil.
- Em 2024, Boulos foi 14 vezes à Justiça contra ele.
- Em 2024, a pedido de uma candidata do PSB, derrubaram as redes dele.
- E mesmo assim ele fez 1.719.274 votos.
Minha leitura, e é opinião: a esquerda treme com Marçal porque ele fala com o eleitor que ela perdeu. É gente que trabalha por conta própria, quer empreender e não se sente representada pelo Estado. É exatamente o público que Flávio quer alcançar com a pauta de empreendedorismo e mobilidade social anunciada hoje.
Na pesquisa Veritá de 16 a 20 de agosto de 2026 (3.840 eleitores, margem de 2 pontos, registro BR-04006/2026, autofinanciada), Marçal tinha 5,2% para presidente. Lula tinha 39,3% e Flávio, 39,1%. Aliados do senador disseram ao O Tempo que as pesquisas internas do PL apontavam cerca de 80% dos votos de Marçal indo para Flávio. Numa disputa desse tamanho, cinco pontos decidem.
A ponte com Flávio
No dia seguinte à eleição de 2024, 7 de outubro, Flávio disse à CNN: "Ele está no nosso campo de direita".
Em 17 de dezembro de 2025, numa conferência em Barueri, Marçal chamou Flávio ao palco: "Vamos apoiar o Flavio Bolsonaro para presidente do Brasil. Chega de PT, chega de Lula. Ele é o Bolsonaro que a gente sempre sonhou", segundo a CNN. E, segundo o Jornal de Brasília: "É a coisa mais difícil do mundo a pessoa ter coragem, posicionar e virar alvo nº 1 do Lula e comunismo mundial. Nós vamos pra guerra juntos."

Em 6 de março de 2026, ao se filiar ao União Brasil, Marçal pediu "perdão" a Ricardo Nunes e ao governador Tarcísio de Freitas, e Flávio mandou um vídeo chamando Marçal de "guerreiro", segundo a IstoÉ. Na véspera, ele tinha dito: "Vou lutar para o meu apoio pessoal ser também o do partido". Pedir perdão em público, com 1,7 milhão de votos no bolso, é grandeza, e eu escrevo isso com o meu nome.
Em 12 de abril, à Gazeta do Povo, a palavra de 2022 voltou: "Se ele precisar de escudo, sou escudeiro dele no que for preciso". E: "Acho que o pesadelo do Lula é o Flávio".
Em 20 de agosto de 2026, em São Miguel Paulista, Flávio respondeu à altura: "É uma pessoa já conhecida do grande público aqui em São Paulo, é um cara do bem, é um cara preparado". E: "todo mundo que está se unindo a favor do Brasil, a gente tem que abraçar", segundo a CNN.
Hoje, o abraço virou convite para o governo.
Perguntas que chegam nos comentários
Pablo Marçal apoia quem para presidente em 2026?
Flávio Bolsonaro, do PL, número 22. Declarou o apoio em 17 de dezembro de 2025 e, em 29 de setembro de 2026, disse que está "integrando a equipe".
Marçal vai fazer parte do governo Flávio?
Segundo o SBT News, Flávio o convidou para integrar um eventual governo, na área de empreendedorismo e mobilidade social. Nenhum cargo foi anunciado.
Quantos votos Marçal teve em São Paulo em 2024?
1.719.274, ou 28,14%, pelo PRTB. Ficou a 56.854 votos do segundo turno.
Quantas vezes Boulos acionou a Justiça contra Marçal?
14 vezes até 28 de agosto de 2024, segundo levantamento da CNN Brasil.
Quem pediu a derrubada das redes de Marçal em 2024?
Tabata Amaral, do PSB. Um juiz eleitoral mandou derrubar os perfis no TikTok, no X, no Instagram, no YouTube e o site, segundo a CNN Brasil.
A resposta
Um partido cancelou a candidatura dele para apoiar Lula. A vaga de deputado foi para o PT com metade dos votos. Um adversário foi 14 vezes à Justiça, outra derrubou as redes dele, e o 28 saiu da urna.
Ele fez 1.719.274 votos, pediu perdão a quem precisava, escolheu um lado e, hoje, disse "eu confio no Flávio". O 22 ganhou um aliado que sabe onde está a atenção do eleitor. Essa parte é minha opinião. O resto tem data.







