Quarta-feira, 30 de setembro, estava marcada na agenda do Bruno Avelar. Era o dia de assinar um seguro de vida, com o advogado presente. Ele não chegou a essa quarta.
Quem contou a história foi o corretor de seguros Paulo Henriques, amigo do empresário, à coluna de Fábia Oliveira, no Metrópoles.
A pergunta
Cerca de três semanas antes do acidente, Paulo estava na casa do Bruno e fez a pergunta que todo corretor faz, só que sem rodeio: "Se você tivesse uma bola de cristal agora aqui na sua frente e soubesse que vai morrer amanhã, você faria um seguro agora?"
O Bruno respondeu sem pensar: "Na hora, né."
Na sexta-feira anterior ao acidente, os dois se encontraram de novo. Foi quando ele marcou a data: fecharia o seguro no dia 30, e queria o advogado junto.
A segunda-feira
No dia 21, às 6h da manhã, antes de sair de casa, ele pegou um pouco da massinha do filho e montou um boneco. Gravou um story mostrando: "vou deixar aqui um recadinho pra ele no boneco dele, fiz uma carinha. Acho que ele vai curtir." Foi a última coisa que publicou, segundo o ND Mais.
Às 10h30, o helicóptero em que ele estava com o cantor Rick decolou de Porto Belo, em Santa Catarina. Não chegou ao destino. O Bruno tinha 41 anos.

O homem que falava de tempo
O mais duro dessa história é que ninguém entendia de tempo como ele. Repetia no palco do Poder do Network, o evento que levou a quatro continentes: "Com o tempo você ganha dinheiro. Com dinheiro você não compra tempo."
Ele dividia a vida em duas listas. Na do destino, estavam a esposa, os filhos, os pais, os irmãos, os sócios e os melhores amigos. Na da agenda, o trabalho. O seguro era um cuidado com a primeira lista. E ficou esperando na segunda.
Ele não estava sozinho nisso
O Bruno não era exceção. Segundo dados da Fenaprevi, publicados pelo CQCS, 82% dos brasileiros não têm seguro de vida. Mais de oito em cada dez pessoas deixam essa conversa para depois.
O que eu tiro disso
Eu estive numa plateia dele, no Porto, em 2024. Não escrevo isto para dar lição, porque eu também tenho a minha lista de coisas marcadas para depois. E ela não é feita só de papel para assinar. Tem a conversa difícil, o perdão que falta, a visita que a gente adia.
O Bruno deixou duas listas, livros e um boneco de massinha em cima da mesa. A pergunta que ele respondeu "na hora" serve para qualquer um de nós: se fosse amanhã, o que você faria hoje?








