Revista De Castro

Esportes / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

O Brasileirão se chama Betano. A proibição das bets chega ao nome do campeonato

O debate sobre a MP das bets ficou nas camisas dos clubes. Mas os dois maiores torneios nacionais, o Brasileirão e a Copa do Brasil, levam o nome da mesma casa de apostas que paga R$ 268,5 milhões por ano ao Flamengo. Eu fiz a conta de quanto uma única empresa põe no futebol brasileiro.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Esportes
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2 min
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4 citadas
Imagem ilustrativa: José Fernandes Jr. / Wikimedia Commons, CC BY 2.0
Imagem ilustrativa: José Fernandes Jr. / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A discussão sobre o fim das bets ficou nas camisas. Quantos clubes perdem o patrocínio, quanto cada um recebe, quem vai processar o governo.

Quase ninguém olhou para o nome do campeonato.

O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, os dois maiores torneios nacionais, têm os direitos de nome ligados à Betano, uma das maiores casas de apostas do país. A informação está na CNN Brasil e no O Povo, ambos em 25 de setembro, o dia em que o presidente Lula assinou a medida provisória contra as bets.

Quanto vale o nome

O jornal O Tempo estima que o nome do Brasileirão rende entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões por ano. O valor da Copa do Brasil não foi divulgado.

A mesma Betano é patrocinadora máster do Flamengo, com R$ 268,5 milhões por ano, o maior contrato de bet do futebol brasileiro (CNN Brasil e O Tempo).

Somando só esses dois números, uma única empresa põe entre R$ 338,5 milhões e R$ 348,5 milhões por ano no futebol brasileiro. A conta é minha, e fica por baixo: não inclui a Copa do Brasil.

O tamanho da dependência

DadoNúmeroFonte
Clubes da Série A com bet no espaço principal da camisa14 de 20O Tempo, O Povo
Clubes da Série B com patrocínio de bet11O Tempo
Clubes da Série C com patrocínio de bet7O Tempo
Patrocínio de bets aos clubes em 2025R$ 1,14 bilhãoO Povo
Peso na receita dos clubes7,9%O Povo

Os cinco maiores contratos, segundo a CNN Brasil: Flamengo (Betano, R$ 268,5 milhões), Corinthians (Esportes da Sorte, R$ 150 milhões), São Paulo (Superbet, R$ 113 milhões), Palmeiras (Sportingbet, R$ 100 milhões) e Atlético-MG (H2Bet, R$ 62 milhões).

O que já se sabe da reação

A CNN Brasil registra que algumas empresas já avisaram os clubes sobre a possibilidade de rescisão imediata. O O Povo cita Corinthians, São Paulo e Fluminense entre os notificados. O jornal também cita uma pesquisa segundo a qual 75% dos brasileiros apoiam a proibição.

Ninguém informou, até sexta, o que acontece com o nome do campeonato se a Betano deixar de operar no país. A CBF não se pronunciou sobre isso nas reportagens publicadas.

A Inglaterra fez antes

A Premier League decidiu proibir marcas de apostas na frente das camisas a partir da temporada 2026/27. O Soccerway registrou em agosto de 2024 que, mesmo com a proibição anunciada, o número de clubes com bet na camisa tinha subido de 8 para 11. O Luton Town recusou esse tipo de patrocínio e estimou ter aberto mão de cerca de 3 milhões de libras.

A diferença é o prazo. Os ingleses deram anos para os clubes se adaptarem. Aqui, a medida foi assinada numa sexta-feira à tarde.

A resposta

O Brasileirão se chama Betano, e a Copa do Brasil também. Se a MP proibir a operação das bets, a pergunta que ninguém respondeu vai além da camisa do Flamengo: quem vai pagar o nome do campeonato que está na reta final?

Fontes desta materia

  1. CNN Brasil, Proibição das bets: confira os valores de patrocínios dos clubes afetados
  2. O Tempo, Proibição de bets no Brasil pode impactar mais de 30 clubes no futebol brasileiro
  3. O Povo, Clubes são notificados por bets sobre possível rescisão de patrocínios
  4. Soccerway, A dois anos da proibição, Premier League aumenta patrocínios de casas de apostas