Na quinta-feira, 22 de outubro, a Polícia Federal ia fazer uma operação contra o Flávio Bolsonaro, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Quem conta é o jornalista Cláudio Dantas. Segundo ele, a cúpula da PGR não deu aval, e a operação não saiu.
A PGR, o STF e a Polícia Federal não confirmaram nem negaram até a tarde desta sexta-feira, 23. Por isso, tudo o que vem do exclusivo do Dantas está marcado aqui como "segundo o Dantas".
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) resumiu assim, num vídeo publicado nesta sexta:
"Eu sabia que o Moraes estava preparando alguma coisa, mas parece que a tinta da caneta dele tá acabando."
Caneta é o poder do juiz de mandar a polícia entrar, buscar e prender.
O que o Cláudio Dantas contou?
Na manhã de sexta, 23, no programa ao vivo dele, o Dantas disse:
"No dia 22, ou seja, ontem, quinta-feira, estava prevista uma operação da Polícia Federal autorizada pelo Moraes contra o Flávio Bolsonaro."
E mais:
"A informação que eu obtive anteontem é que já tinha autorizado, inclusive, 28 mandados de busca e apreensão."
Mandado de busca e apreensão é a ordem que deixa a polícia entrar num lugar e levar papéis, computadores e celulares.
Para o Dantas, isso ia cair "como uma bomba no processo eleitoral, às vésperas da votação do segundo turno". A eleição é no domingo, 25.
Fontes: Cláudio Dantas e TSE.
Quem disse não?
PGR é a Procuradoria-Geral da República: quem acusa em nome do país. Segundo o Dantas, a cúpula da PGR não quis pôr o nome na operação.
"A PGR não topou fazer o serviço sujo. Talvez pela primeira vez, não topou fazer o serviço sujo do Alexandre de Moraes."
O Dantas citou dois nomes da cúpula:
- Paulo Gonet, o procurador-geral da República;
- Hindenburgo Chateaubriand, o vice-procurador-geral.
Os dois estão nesses cargos, segundo o Diário do MPF de 2 de outubro.
Ele citou também Carlos Fernando Mazzoco como chefe de gabinete do Gonet. Aqui vai uma correção: o Mazzoco foi chefe de gabinete em 2023. Pela página oficial do MPF, hoje o chefe de gabinete é Ubiratan Cazetta, e o Mazzoco é secretário de Concursos do MPF.
Um detalhe de regra, para não errar: no STF, a PGR dá um parecer, ou seja, uma opinião por escrito. Quem manda é o ministro. Por isso a revista escreve "não deu aval", e não "não assinou a ordem". Segundo o Dantas, sem esse apoio, o Moraes recuou.
A linha do tempo, hora por hora
Do caso novo ao exclusivo do Dantas
Quinta, 8/10Fato
O caso de um amigo do Flávio, o advogado Willer Tomaz, chega ao STF.
Sexta, 16/10Fato
O caso é sorteado para o ministro Alexandre de Moraes, segundo a CNN.
Segunda, 19/10Fato
O Estadão revela o caso. O Flávio responde: "Flávio Bolsonaro não é investigado no Supremo Tribunal Federal."
Terça, 20/10Fato
O Flávio pede ao Moraes para ver o processo.
Quarta, 21/10, 19h09Fato
O Metrópoles publica que a Polícia Federal mandou "uma série de agentes" para o Rio. Políticos temiam ser o alvo.
Quarta, 21/10, 21h03Fato
O Jornal Nacional fala do caso do Willer Tomaz e do Flávio.
Quarta, 21/10, 22h51Fato
O Dantas avisa em vídeo: "Podemos esperar uma operação da Polícia Federal contra o Flávio Bolsonaro amanhã ou na sexta? Podemos."
Quarta, 21/10, noiteFato
O senador eleito Deltan Dallagnol diz que o Moraes "pode dar um golpe judicial na eleição de Flávio Bolsonaro a qualquer momento".
Quinta, 22/10Fato
Nenhuma operação contra o Flávio. Nas redes, muita gente fala em alarme falso.
Sexta, 23/10, manhãRelato de Vorcaro
O Dantas, ao vivo: a operação estava pronta e a cúpula da PGR não deu aval.
Sexta, 23/10, 12h05Relato de Vorcaro
O site do Dantas publica o exclusivo.
Sexta, 23/10, 14h06Fato
O Gustavo Gayer publica o vídeo "Moraes tentou fazer uma ação contra Flávio no dia 22. PGR negou".
O que o Metrópoles publicou de verdade?
No vídeo, o Gayer fala em "100 policiais federais". A coluna do Igor Gadelha, no Metrópoles, não dá número. O texto diz que a PF mandou "uma série de agentes" para reforçar a equipe no Rio, que prepara novas operações "em breve", e que políticos "temem serem os alvos". A coluna não cita o Flávio.
O Rio é o estado do Flávio: ele é senador pelo Rio de Janeiro.
E a reportagem da Globo?
Na noite do dia 21, o Jornal Nacional falou do caso do Willer Tomaz. Para o Dantas, a Globo estava "preparando o terreno", ou seja, deixando o povo pronto para a operação do dia seguinte. Isso é a opinião dele.
O Willer Tomaz nega qualquer irregularidade. Sobre a reportagem, ele disse: "Isso não é investigação. É campanha."
Aqui está o vídeo do Dantas daquela noite:
Por que o dia 22?
22 é o número do Flávio na urna. Para o Gayer, a data não foi por acaso. Ele lembrou de 2022: depois que o PL questionou as urnas, o Moraes, então presidente do TSE, multou a coligação do partido em R$ 22.991.544,60. O plenário do TSE confirmou a multa em 15 de dezembro de 2022.
Para o Gayer, o Moraes "tem esse sadismo" de escolher números para humilhar. Isso é a opinião dele.
A terceira facada
Em 7 de setembro, na Avenida Paulista, o Flávio disse:
"E vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas também nos meus aliados."
A primeira facada foi a de Juiz de Fora, em 2018, no pai dele, Jair Bolsonaro. Para o Dantas, a terceira era essa operação:
"Quando o Flávio falava, dias atrás, que tinha uma terceira facada sendo preparada, era exatamente isso."
O vídeo do Gayer, inteiro
A resposta
Opinião da Revista De Castro. O dia 22 passou sem operação. Se o Dantas estiver certo, a caneta do Moraes falhou porque ninguém quis assinar junto. E o grito das redes, no dia 21, ajudou: quem tem a caneta ouviu o povo. Falta 1 dia para votar. Fica de olho até domingo.
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Perguntas que chegam nos comentários
A operação contra o Flávio estava mesmo marcada?
Segundo o jornalista Cláudio Dantas, sim, para o dia 22 de outubro, com cerca de 28 mandados de busca. A PF e o STF não confirmaram nem negaram.
Quem disse não à operação?
Segundo o Dantas, a cúpula da PGR: o procurador-geral, Paulo Gonet, e o vice, Hindenburgo Chateaubriand. A PGR não comentou.
O Flávio é investigado?
O Flávio diz que não é investigado no STF. O caso que chegou ao STF é sobre o advogado Willer Tomaz, amigo dele, e o processo é secreto.
Foram 100 policiais para o Rio?
O Metrópoles escreveu "uma série de agentes", sem número. Os 100 são da fala do Gustavo Gayer.
O que é o código CANETA22?
É o código do post da @revistadecastro. Quem comenta CANETA22 recebe no direct o link desta matéria.







