O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, avisou em ofício a Luiz Fux, na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, que vai arquivar de vez o inquérito das fake news, aberto em março de 2019. No mesmo ofício, negou a Fux acesso imediato à íntegra do processo. Fux tinha pedido os autos na quinta-feira, 8, dois dias depois de Alexandre de Moraes receber a cúpula da Polícia Federal no gabinete, num encontro que não estava na agenda.
O que é o inquérito das fake news?
É o Inquérito 4.781. Foi aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, sem pedido do Ministério Público nem de ninguém. Moraes virou relator sem sorteio. O alvo inicial eram ameaças e ofensas a ministros. Com os anos, a investigação cresceu para atos antidemocráticos e grupos na internet, e virou alvo de crítica de juristas e de políticos ligados a Jair Bolsonaro pelo alcance sem limite claro.
Em 9 de setembro de 2026, Fachin tirou a relatoria de Moraes e assumiu o caso.
O que Fachin prometeu?
No ofício, Fachin diz que pretende "concluir responsavelmente essa trajetória" e, depois das etapas obrigatórias, "promover o arquivamento definitivo do inquérito".
Ele contou 104 procedimentos ligados ao inquérito. Cada um ainda vai ser avaliado e mandado à Procuradoria-Geral da República ou à Polícia Federal. Só depois do arquivamento, segundo Fachin, os autos ficam abertos ao público e a Fux.
Os outros processos que Fux pediu, como o das milícias digitais e o da trama golpista, são públicos, e Fachin disse que o colega pode consultá-los já.
Por que Fux pediu a pasta inteira?
Fux é o relator de uma ação do PP, de abril de 2024, que pede a anulação das provas da investigação sobre a trama golpista. Na quinta-feira, 8, ele mandou a área técnica do STF liberar em 48 horas a íntegra de quatro processos, entre eles o das fake news e o das milícias digitais.
Para justificar o pedido, Fux escreveu que o sigilo protege a investigação contra terceiros, e que "O relator da arguição não é terceiro em relação ao ato impugnado; é o juiz dele." Em palavra de rua: quem vai julgar a ação tem direito de ler o processo.
Que reunião foi essa?
Na terça-feira, 6 de outubro, Moraes recebeu no gabinete o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada, e o diretor de Crime Organizado, Dennis Cali. O encontro não constava da agenda oficial do STF nem da PF. Foi revelado pela colunista Malu Gaspar, do Globo. A pauta não foi divulgada.
Segundo o SBT News, interlocutores de Fux dizem que ele achou o encontro inadequado. Andrei respondeu que a PF age "em estrito cumprimento de suas atribuições legais e das determinações judiciais". Fux sinalizou a auxiliares que vai esperar o segundo turno, em 25 de outubro, antes de novas decisões.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| Março de 2019 | Toffoli abre o inquérito e escolhe Moraes |
| 9/9/2026 | Fachin assume a relatoria |
| 6/10/2026 | Moraes recebe a cúpula da PF fora da agenda |
| 8/10/2026 | Fux pede a íntegra em 48 horas |
| 9/10/2026 | Fachin nega o acesso imediato e promete arquivar |
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Um inquérito aberto pelo próprio tribunal, com relator escolhido a dedo, durou sete anos. Se vai ser arquivado, o país merece ver o que tem dentro antes, e não depois. Um ministro do Supremo pedir para ler e ouvir "espera" diz muito sobre o tamanho do problema.
Perguntas que chegam nos comentários
O inquérito das fake news acabou?
Ainda não. Em 9 de outubro de 2026, Fachin disse que vai arquivá-lo depois de avaliar 104 procedimentos ligados a ele.
Por que Fux não pode ver os autos?
Fachin disse que só libera a íntegra depois de decidir o destino de cada procedimento e arquivar o caso.
Quem abriu o inquérito?
Dias Toffoli, em março de 2019, sem pedido do Ministério Público. Moraes foi relator até setembro de 2026.
O que Moraes conversou com a PF?
Não foi divulgado. O encontro de 6 de outubro não estava na agenda oficial do STF nem da PF.







