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Os números desta matéria são do canal Spotniks (@spotniks), que baixou 60 GB de arquivos do TSE e cruzou com o Censo, o IBGE, o Datafolha e a Quaest. O vídeo completo, de quase uma hora, está no fim desta página. Vale cada minuto.
Duas escolas, dois caminhos
- Nova Contagem, Grande BH. Bairro criado nos anos 70 e 80 para famílias pobres, ao lado de um presídio. O esgoto só chegou em 2005. Na Escola Estadual Nova Contagem, com 6.600 eleitores, Lula teve 78,1% dos votos válidos em 2006. Em 2026, o Flávio passou na frente por 32 votos.
- Higienópolis, São Paulo. No Colégio Rio Branco, num dos bairros mais ricos do país, Lula teve só 12% em 2006. Até 2018, o PT nunca passou de um terço ali. Em 2022, Lula venceu os dois turnos no colégio. Em 2026, continuou na frente.
Opinião da revista: o PT trocou a periferia pelo bairro rico.
O placar
Fonte: Spotniks, com dados do TSE (1º turno de 2022 e de 2026).
- Os 45,2% de Lula foram o pior 1º turno dele neste século.
- 711 cidades deram o Lula em 2022 e o Flávio em 2026. Quantas fizeram o caminho contrário? Nenhuma.
- No Nordeste, o Flávio teve 1,6 milhão de votos a mais que o pai. Um terço de todo o crescimento dele no país saiu de lá.
Onde o Lula mais perdeu
- Na cidade pequena. Nas cidades com mais de 1 milhão de eleitores, a vantagem do Lula encolheu 2,8 pontos. Nas com menos de 10 mil, 12,5 pontos: quatro vezes e meia mais. As cidades com menos de 50 mil eleitores têm 38% do eleitorado e deram 58% dos votos que o Flávio teve a mais que o pai.
- No bairro pobre da cidade grande. Nas escolas de entorno mais pobre das maiores cidades, a vantagem do Lula caiu 7,4 pontos. Nas de entorno mais rico, meio ponto.
- No trabalhador. Entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos, o Flávio tinha 47% contra 35% do Lula na véspera da eleição (Datafolha). Em 2006, Lula ganhava nessa faixa.
- Na igreja. Em 2006, Lula tinha 58% dos votos válidos dos evangélicos pentecostais. Na véspera de 2026, entre os evangélicos, o Flávio tinha 58% e o Lula 27%.
E o PT sabia
Depois da derrota de 2016, a Fundação Perseu Abramo, do próprio PT, foi ouvir quem tinha deixado de votar no partido na periferia de São Paulo. O relatório saiu em março de 2017. O que esse eleitor queria:
- ter o próprio negócio, sem patrão;
- pôr o filho em escola particular;
- a igreja como família e como rede de apoio.
E a conclusão, na página 64 do relatório da fundação: "No imaginário da população não há luta de classes; o ‘inimigo’ é, em grande medida, o próprio Estado ineficaz e incompetente, abre-se espaço para o ‘liberalismo popular’ com demanda de menos Estado."
Na página 27, sobre o trabalho: o empreendedorismo "é muito valorizado" e remete "à liberdade de ser ‘dono do seu próprio nariz’".
Para se reconectar, o partido criou o projeto Reconexão Periferias, que mapeou cerca de mil organizações nas periferias. Não havia categoria para igreja nem para associação de comerciantes. Opinião da revista: o PT foi atrás de ONG; o povo estava na igreja.
O vídeo completo do Spotniks
Perguntas que chegam nos comentários
De onde vêm esses números?
Do levantamento do canal Spotniks, que baixou 60 GB de dados do TSE e cruzou com Censo, IBGE, Datafolha e Quaest. O vídeo está nesta página.
Quantas cidades trocaram de lado?
711 cidades deram o Lula em 2022 e o Flávio em 2026. Nenhuma fez o caminho contrário.
Onde baixo a Cartilha 22?
No botão do começo desta página ou comentando ESCOLA78 no post da @revistadecastro.







